O Alvorecer de um Mago (@illaanarah)

No norte da Pensilvânia existia uma cidade escondida dos olhos normais, onde todos os jovens, quando completavam 12 anos, eram enviados para a floresta afim de passar pelo último teste para, então, começar o treinamento para ser um grande feiticeiro. Era o que os grandes magos diziam.

Tudo que carregavam consigo para aquela floresta era a coragem, o instinto de sobrevivência e um livro de aparência velha.

De dez aprendizes que entravam na floresta, apenas três retornavam vivos, os grandes magos diziam. Aquele que não retorna não tem o direito de se tornar um verdadeiro bruxo.

Sem saber ao certo o que lhe aguardava naquela floresta, ele finalmente estava pronto.

Era quinze de agosto e finalmente estava completando doze anos.

— Meu pai! Eu ficarei bem — Manrid fala pedindo a benção.

— Meu filho, não sei quando o verei novamente. O caminho é longo e talvez você demore até mesmo dez anos para retornar a este lugar.

— Não se preocupe! Tomarei cuidado — Ele fala pegando aquele velho livro, dá um beijo em sua mãe e no seu pai, que no mesmo momento o teletransporta para dentro da enorme floresta.

— Pai ? Pai ? — Manrid olha para todos os cantos e só então percebe que está no lado sombrio daquela floresta temível...

Por um momento sente seu coração falar. Pensa em como os pais conseguem largar seus filhos no meio do nada com apenas uma pequena chance de sobrevivência. Era normal para ele ter tais pensamentos. Afinal, ele também era um ser humano. Mas apesar do medo domina-lo por um instante, Manrid sempre fora destemido. Sabia que encontraria muitas dificuldades, mas sabia que elas o tornariam um verdadeiro bruxo.

Nos primeiros dias dentro da floresta sentiu fome, sede, frio. Com os poderes que já havia treinado conseguia se aquecer numa pequena fogueira e com algumas artimanhas fazia abrigo para passar a noite. Aos poucos, aprendeu a caçar sem a ajuda do seu pai, mas com o passar dos dias e meses as coisas começaram a ficar perigosas. Presenças malignas surgiam como tempestade, monstros apareciam e o atacavam por diversas vezes. Ele chegava ao ápice da sua dor, suplicava para que alguém o encontrasse, pensava que não estaria vivo para continuar a longa caminhada que sempre parecia que não o levava a canto nenhum.

Os meses passavam e ele continuava a procurar pelo verdeiro propósito de estar naquele lugar.

Já estava completando dois anos naquela floresta. Sabia disso porque, com o passar dos meses, começara a marcar em seu próprio corpo. Ele estava mudando, junto com as enormes cicatrizes dos dias gritantes de dor e agonia naquele lugar, os tracejos dos dias que estava ali eram notáveis em seu braço. Agora já havia aprendido a usar parte da sua magia. Talvez aquele fosse o teste final, precisava por si mesmo aprender a invocar tais magias. Agora conseguia se defender um pouco mais. À medida que aperfeiçoava os seus poderes, os monstros e seres malignos que apareciam eram mais fortes. Tinha a sensação de que nunca estava forte o suficiente, bichos o atacavam durante a noite, e nem sempre podia aguentar.... Suas costas haviam sido rasgadas por mutações que habitavam naquele lugar. Por sorte já havia despertado uma das suas magias, a cura. Descobrira sem querer quando estava com fome, mas estava fraco demais para caçar, quase havia sido morto durante a noite anterior, não havia encontrado nada para comer, andou por toda parte até que encontrou algumas flores, talvez pudesse fazer alguma magia que transformasse aquelas flores em algo apetitoso e que o segurasse por mais alguns dias...

Retirou algumas delas e com algumas palavras pronunciadas começou a desmanchar, tornando aquelas flores em uma poção. Pensou " Isso fará com que eu não sinta fome por mais alguns dias" tomou um pequeno gole e guardou o restante. Cerca de duas horas depois sentiu todas as suas feridas serem cicatrizadas. Sentiu seu corpo leve, olhou para seus machucados e não sentia mais nenhuma dor, mas a fome ainda prevalecia. Riu e pulou, agora estava pronto para caçar. Contudo, a saudade e a solidão o faziam enlouquecer por vezes. Faziam-no ficar horas tentando invocar algo para que o levasse para casa. Com o passar do tempo entendeu que no momento que voltasse, seria um grande feiticeiro.

Os dias começaram a ficar ainda mais longos e a cada dia tornava-se mais forte...

Mais uma noite estava chegando ao fim e mais um dia, com a sua magia, marcou o seu braço e deitou para dormir.

A noite não era mais fria e não sentia mais fome. Estava dormindo tranquilamente quando escutou um enorme ronco.

Acordou sorrateiramente; e com a espada feita da sua magia, andou sob as folhas.

— Ei! O que pensa que está fazendo? — escutou uma voz... havia tanto tempo que escutava apenas a si mesmo que o assustou.

— Quem está aqui? — Manrid fala criando uma magia de luz, fazendo todo aquele lugar resplandecer.

— Uau! Como você é poderoso — Ele fala pulando da árvore.

— Prazer! Eu sou o Petrei e, assim como você, sou um mago — Fala fazendo todo aquele resplendor sumir — Não vai querer atrair demônios com essa luz, vai?

— Oh! Eu não estou louco... — Manrid fala com os olhos vidrados. Pedia que não fosse uma ilusão.

— Eu não sou uma ilusão cara!!! Fica tranquilo! — Ele fala rindo.

— Você ? Você consegue ler mentes?

— Sim! Esse é um dos meus poderes. Uffa! estou muito aliviado de ter encontrado alguém. Estava cansado de ter que criar versões para conversar comigo mesmo. — Ele fala rindo mais uma vez — Afinal, eu tenho 19 anos e eu posso ajudá-lo enquanto estiver aqui... podemos achar uma saída juntos, não acha?

Mais três longos anos se passaram. Agora Manrid estava mais forte como nunca e havia aprendido a dominar todos os poderes daquele velho livro que havia ganhado. Com a ajuda de Peitre estava se tornando um verdadeiro feiticeiro. Tal poder em si não sabia que existia, havia descoberto e criado poderes que, segundo Peitre, jamais havia visto mago algum ter, nem mesmo os mais poderosos.

Peitre era o filho do mago mais poderoso daquela cidade. O filho que todos pensavam já ter morrido, afinal ele sempre fora tão forte, mas desde que foi enviado para a floresta nunca havia retornado. Era um honra ouvi-lo dizer tal coisa.

Manrid tinha uma força dentro de si jamais vista. Agora estava pronto para retornar. Aquele definitivamente seria o último, deveria enfrentar um dos seres mais poderosos daquele lugar, de certo que encontrar Peitre não fora por acaso... para que chegasse ao teste final, deveriam enfrentar juntos o que estava por vir.

Aquele monstro parecia ter quase oito metros de altura, tinha três cabeças e emanava uma fonte de poder jamais sentida.

— Sabe Manrid, você foi mais rápido do que imaginei que seria. Todo esse tempo em que estive aqui, apenas sobrevivi... Não lutei como deveria, tornei este lugar o meu lar e você me deu a esperança de retornar à minha verdadeira casa. Portanto serei sempre grato.Vamos derruba-lo, ele é a chave para sairmos deste lugar.

— Nunca pensei que faria um amigo tão poderoso, que me ensinou e me ajudou... você é o meu melhor amigo e estaremos juntos quando sairmos daqui, vamos conquistar o mundo — Manrid fala entusiasmado.

— O mundo e... as garotas — Peitre fala rindo — Desta vez, quero realmente tentar. Meu pai sempre depositou muita confiança em mim, e por muitas vezes desprezou a minha irmã.

— Sim! A sua irmã! Eu a conheci. — Manrid fala lembrando da jovem maga, e das conversas que havia tido durante o tempo que estiveram naquele lugar.

— Ela deve estar uma linda jovem, e se você a conheceu, ela saiu deste lugar... fico feliz.

— Sim! Todos contam que ela foi quem passou menos tempo nesta floresta... ela tem... um poder magnífico.

— Ora, ora! Parece que o meu amigo é apaixonado pela minha bela irmã. Se quer toma-la como noiva, eu o aceito.

— Ora! Ora! Não fale tanta besteira — Manrid fala rindo.

— Besteira? Você não acha a minha irmã bela?

— Sim! A acho muito bela... gostaria de dizer-lhe inclusive que neste momento ela já tem um noivo.

— A minha irmã? Está noiva ? — Peitre fica estupefato com tal novidade.

Apesar de conviverem por três anos e por falarem nos famiiares, nunca haviam mencionado com profundidade sobre a atual situação. Peitre havia conversado sobre como eram quando crianças, Manrid ouvia e ria das suas histórias.

Agora, mais do que tudo, queria retornar para casa. Havia passando tanto tempo naquele lugar que havia esquecido como era bom estar em família.

Prepararam-se para o que estava por vir, a intensa batalha que estava se aproximando. O teste final.

A batalha com o enorme monstro dura por 14 dias e 13 noites, sem descanso. Estavam esgotados, mas finalmente conseguiram derrota-lo.

Tudo que precisavam agora era arrancar a língua da primeira cabeça e, juntamente com os dentes da terceira, criar o portal para que saíssem daquele lugar. Seria tudo mais fácil se o veneno existente na língua daquele ser não fosse letal.

Estavam esgotados, mas agora faltava pouco para finalmente irem embora daquele lugar.

Com muita dificuldade, os dentes daquele ser foram arrancados juntamente com a língua da primeira cabeça. Com a magia de ambos, era possível construir o portal. Após quase duas horas o portal foi feito, os dentes daquele bicho era o que abriria o portal.

Finalmente o portal estava aberto e se manteria assim pelos próximos 25 minutos. Manrid, após cinco anos, estava regressando para casa; assim como Peitre, após dez longos anos... ele não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo.

Finalmente o portal estava aberto.

— Conseguimos Peitre! Nós conseguimos. — Manrid fala sorrindo e o olhando.

— Sim! Nós conseguimos, amigo — Peitre fala caindo, os seus lábios estavam roxos e a sua pele não tinha cor.

Manrid olha para o livro de magia do Peitre e parte estava queimada.

— O que está acontecendo com você, amigo? Vamos... estamos perto.

— Me... desculpe... Eu...não consegui evitar o veneno...

— O que você está dizendo? Em que momento foi atingido? Porque não disse antes? Sabe que posso cura-lo.

— Me... desculpe...eu não podia o distrair...

— Mantenha-se calmo, eu o ajudarei.

— Não pode... o portal irá se fechar... não sabemos as consequências... — Peitre começa a falar com dificuldades.

— Você não pode ficar aqui. Eu irei te salvar.

— Por favor, Manrid... você precisa conhecer o mundo... e as garotas... por mim... precisa explorar o mundo dos humanos.

— Isso está fora de questão.

Manrid tentou usar a magia da cura para salvar a Peitre, mas o que ele não sabia é que, àquela altura, o veneno já havia tomado todo o seu corpo.... não havia mais nenhuma forma de salva-lo.

— O portal está a fechar, Manrid, por favor! Este colar, fique com ele como prova da nossa amizade, para que você não esqueça que fomos amigos um dia...

— EU NÃO VOU DEIXAR UM AMIGO AQUI PARA MORRER... — Manrid fala gritando.

— Me... desculpe... — Peitre coloca aquele colar com a pedra azul em volta do pescoço de Manrid e, com o restante de magia que lhe restava, proclama suas últimas palavras — "la tiere do muda spati gi".

Com uma força jamais vista, Manrid é empurrado para dentro do portal.

— NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO — Manrid grita e, em meio a luz que o empurrava, consegue ver um sorriso no rosto de Peitre, junto com una lágrima que escorrem pelo seu rosto.

Provavelmente aquela era a última vez que o veria.

As lágrimas nao param de cair. Abre os olhos e, naquele momento, estava rodeado de pessoas. Olhou ao seu redor e, ainda com a vista embaçada, conseguiu enxergar que estava no meio da praça em sua pequena cidade. Finalmente agora entendera o que aquela imensa porta de pedra no meio da praça significava. Olhou-a e o fecho de luz ainda era visível. Avistou os grandes magos, avistou os seus pais... estava feliz por finalmente estar de volta, mas desolado por perder um amigo que fez durante todo aquele tempo.

— Meu filho! Você está de volta! — Sua mãe fala com grande alegria.

— O mundo agora é seu. Está pronto para enfrenta-lo. — seu pai fala, dando-lhe um grande abraço. — Bem-vindo de volta.

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