Estilhaços de 1940 (@illaanarah)- Continuação

PARTE VI

— Senhorita Mia! O que você está fazendo? Levanta, precisamos nos esconder rapidamente e chegar até a sua casa! — Jordan fala, segurando a minha mão e puxando-me.

Finalmente abro os olhos e ergo a cabeça. Vejo aqueles três soldados caídos no chão.
Pego a minha sacola e corremos por entre becos. Logo mais soldados estariam por aí. Escutaram os tiros e logo sondariam a área. Milagrosamente conseguimos chegar em casa sem encontrar qualquer outro soldado alemão. Jordan sabia exatamente onde estavam, então caminhou por lugares em que não iríamos encontrá-los.

Jordan permaneceu em silêncio desde então.
Não falou nada acerca do que havia acontecido e aconselhou-me o mesmo. O clima estava pesado.

Pensei que talvez, diante daquela situação, nem todos fossem iguais. Ele era um alemão, mas ele era diferente. Ele matará aqueles homens no meu lugar, eu não hesitaria, e mesmo que morresse ali, estava preparada para atirar contra aquelas pessoas; inclusive contra ele, se fosse necessário. Mas ele... matou aquelas pessoas... para me proteger, talvez para se proteger também.

Agora o via de uma outra maneira... Ele era um alemão, mas um alemão que salvara a minha vida. Em um momento como esse, meu coração batia incontrolavelmente. O que estava acontecendo comigo? Porque meu coração estava errando os batimentos?
O dia estava chegando ao fim novamente e aquele dia havia sido longo.

— A mamãe fez sopa, não está com fome? Venha a mesa para comer. — Falo aproximando-me enquanto ele lê algo. Knut me olha estranhamente sem entender o porquê estava dócil com o Jordan. — Venha comer também, irmão. — Falo o convidando à mesa e me direciono à biblioteca.

Passo o restante da noite ali, lembrando incontavelmente do ocorrido daquele dia. Sempre que pensava meu coração estremecia e batia rapidamente. Escuto a porta da biblioteca abrir, olho e o vejo entrando... estava sem a farda alemã, e parecia apenas um jovem comum.
Ele passa a mão sobre seus cabelos dourado e chora por longos minutos. Por um momento sinto vontade de acalentá-lo. Sabia que aquelas lágrimas eram pelo ocorrido. Ele demora a perceber que estou presente na biblioteca, mas quando percebe dá um leve sorriso.

— Estás sem sono? — Pergunto aproximando-me.

— Sim! Não acredito no que houve hoje. Acho que devo me entregar, não sou digno de pertencer ao meu povo.

— Talvez devesse pensar que aquela era uma situação que iria acontecer de qualquer maneira. — Falo, me aproximando ainda mais — Obrigada!!! Obrigada por aparecer no momento certo. Eu fiquei feliz de ter te visto e muito grata por ter me ajudado.

Ele continua calado e me faz ficar um tanto nervosa.

— Mas por que me ajudou? — Pergunto, olhando-o diretamente nos olhos.

— Porque isso é o que um cidadão deve fazer — Ele responde ficando de costas para mim.

— Digo... — dou uma pausa — a primeira vez com as crianças....

— A resposta continua a mesma. — Ele fala e se vira. Nossos olhares se cruzam por um instante, mas o desvio e logo ele começa a falar — Sabe... pode ser loucura o que estou prestes a dizer, mas... ao te ver.... sinto algo que não sei explicar. A primeira vez que te vi, estava correndo pelos becos, a segui e, quando a ajudei com as crianças, tive um pensamento egoísta. Agradeci por estar ali... por estarmos em guerra. De outra forma, como veria tal visão deslumbrante? — dá uma pausa e após alguns minutos continua — Pensei que se não fosse pela guerra não a conheceria. Segui-a em todas as vezes... confesso que aproximei-me do seu irmão propositalmente. Gostei de você desde o primeiro momento que a vi. Eu sei, é loucura e tal sentimento jamais deveria existir. Posso estar sendo ainda mais egoísta por compartilhar os mesmo contigo... Mas serei egoísta.

— Eu... não sei o que dizer — Digo surpresa. Parte de mim se encontrava em desespero; outra parte, por algum motivo, estava feliz por ouvir tais palavras.

— Quando você sumiu, após pegar aquelas sacolas, senti um desespero. Se algo acontecer a você... pela primeira vez, pensei em alguém que não fosse a minha família ou a minha pátria. Tudo o que me importava era te encontrar. Quando te vi naquela situação, senti a fúria invadir o meu corpo e quis realmente matar cada um daqueles que se diziam seres humanos. Você... despertou um sentimento que desconheço...
Não sei explicar o que é isto, mas... Eu... Eu acho que isso é o que chamam de amor... e se for... estou totalmente apaixonado por você. — Ele fala e me mantenho em silêncio por quase um minuto.

— Eu.... — Começo a falar, mas ele me interrompe novamente.

— Me desculpe! Eu não deveria ter dito algo, realmente peço perdão — ele fala e se vira para sair da sala.

Sem perceber meu corpo se move pelo impulso e seguro seu braço. Ele se vira, e mais uma vez meu corpo se empunha contra ele. De uma forma ousada, os meus lábios encontram o caminho até os dele.


PARTE VII

— Me desculpe! — Falo após sentir os lábios quentes dele.

Em minha cabeça passa mil coisas, não sei o que aconteceu comigo e como fiz um ato tão impensado. Eu não posso esquecer que ele é um alemão e...

— Não se desculpe!!! Sei que está confusa pelas palavras que falei para a senhorita. Não quero que se sinta induzida por tais palavras. Não estou pedindo que retribua tal sentimento, sei que não estamos nessa posição. Tenha um boa noite, senhorita Mia — Ele fala dando um beijo em minha mão e pede licença para se retirar.

Não consigo dormir pelo restante da noite. Viro-me de um canto para o outro na cama, pensando nele. Levanto-me cedo e ele já está acordado. Talvez não tenha dormido, estava novamente com a farda. Knut estava ao seu lado e eles estavam saindo.

— Para onde vai, irmão? — Pergunto, temendo a resposta

— Houve algo, e precisamos ir... — Fala, dando-me um beijo na testa
— Até mais, senhorita — Jordan fala, dando um beijo em minha mão.

Encaro-o por alguns segundos e percebo do que se trata aquele chamado. Passo a restante do dia preocupada.

— Mia! O que estás pensando? Não parou por um segundo hoje. O que te preocupa?

— Mãe! Acha que estão bem? Acha que pode ter acontecido algo ao Knut ou ao Jordan?

— Desde quando ficaste preocupada com o soldado alemão?

— Mãe... não estou preocupada com aquele... aquele... aquele jovem — Começo a falar tentando ofendê-lo, mas as palavras não saem. As lembranças dele ajudando-me permanecem na mente.

— Mia, o que houve? O que realmente aconteceu? — A mãe insiste em perguntar e, por fim, resolvo falar.

Sento-me no sofá e conto cada detalhe do que aconteceu. Mamãe escuta cada palavra do que digo, e, no fim, acabo contando como me sentia em relação a ele e como sabia que aquele sentimento não deveria existir. Surpreendentemente, escuto mamãe contar a sua história com o papai. De que casou sem ter quaisquer sentimento. Havia sido obrigada, mas ao longo do tempo passou a admira-lo e, no fim, acabou descobrindo o amor. Jurou que se tivesse uma filha, queria que ela conhecesse aquele sentimento e casasse com a pessoa que partilhasse do mesmo, e assim juntos construíssem uma família.

— Confesso que em outras circunstâncias, o aceitaria — Ela fala, por fim, me deixando estagnada.

Então, toda aquela história de amor que ela havia contado não estava me incentivando?

— Mãe... eu sei não poderei ter quaisquer enlaces com ele, mas queria ser sincera em relação ao que estou sentindo e contar à senhora, minha mãe. — Falo segurando a sua mão e colocando um sorriso no rosto.

— Porém... — minha mãe continua a falar — vou observá-lo, ele precisa ser digno para ter os seus sentimentos, com esta guerra não sabemos o que pode acontecer.

— Obrigada, mãe. — Abraço-a e continuo a ajudá-la.

Fazem dois dias, desde então, que não o vejo. Aquele era o dia em que Marie teria que se apresentar para o terrível homem que havia tomado o nosso país. Eu estava indignada. Knut iria buscá-la junto com Jordan. Eu finalmente o veria.

Tudo ocorreu bem sobre a apresentação de Marie, e ela estava de volta, havia dormido. Ainda não tinha tido oportunidade de conversar com o Jordan desde o toque dos nossos lábios na biblioteca do papai. Agora finalmente havia encontrado o momento de conversar, ele ficaria aquela noite com Knut em casa.

Não sabia se iria conseguir conversar com ele, mas ainda assim arrisco e vou para a biblioteca. Espero-o por cerca de uma hora, e finalmente ele aparece.
Entra e como da outra vez demora a notar a minha presença.

— Não consegue dormir? — Pergunto fazendo-o se assustar.

— Não a vi aqui,senhorita! Peço desculpas, estou feliz em vê-la.

— O que aconteceu? Porque tiveram que voltar? Foi por causa dos soldados que... — Antes de terminar a frase ele confirma.

— Mas não sabem que eu estou envolvido — Ele continua.

— Você está bem? — Pergunto, me aproximando ainda mais — Como você esteve? Estive preocupada desde quando saiu e ... sei que é inapropriado para a situação em que nos encontramos, mas... eu... quero te dizer que é recíproco.

— A senhorita... — Ele começa a falar, mas o interrompo.

— O sentimento é recíproco... eu me sinto da mesma forma e eu quero viver este sentimento. Apesar de tudo... eu... eu quero vivê-lo. Estou sendo egoísta?

— Não está, senhorita! — Ele fala com um leve sorriso e segura minha mão — Mas a sua mãe e o seu irmão precisam dar o consentimento.

— Falaremos com eles amanhã. — Digo com um sorriso no rosto — Boa noite, Jordan.

— Boa noite, senhorita Mia.

PARTE VIII

Mais uma vez não consigo dormir. Passo a noite virando-me de um canto para o outro. O que a mamãe diria? O que o Knut iria dizer? E se eles não aceitassem? Significaria então que eu deveria abrir mão? O papai aceitaria aquilo se tivéssemos em outras circunstâncias? Provavelmente se não estivéssemos em guerra, eu seria obrigada a casar com um rapaz de uma boa família. Tento não pensar muito no que aconteceria e, assim que levanto, mamãe já está pondo a mesa. Havia preparado alguns pães, raramente comíamos pão...
Knut também já estava de pé, junto ao Jordan. Não sabia bem como daria o rumo da conversa. Antes de terminar o café da manhã ele se pronúncia, fala sobre os sentimentos e de como gostaria da permissão para me cortejar. Surpreendentemente, a mamãe e o Knut aceitaram, ele estava na biblioteca do pai na noite anterior e havia escutado toda a conversa, sabia o que o Jordan tinha feito para me salvar. Marie pulou e alegria e logo terminamos aquele café da manhã.

Uma vez por semana nos encontrávamos na Ponte Oresund. Era um risco que corríamos. Já que eu era uma cidadã dinamarquesa, não podia andar livremente pelas ruas em que cresci. Aquela ponte era a ponta dos nossos sonhos, falávamos e planejávamos uma vida. Claro que a mamãe havia permitido nosso namoro, mas sempre que o Jordan ia para casa com o Knut, o cuidado de ambos para conosco era grande e não tínhamos tais liberdades para conversarmos sobre o que queríamos. Em pouco tempo, eu o conhecia como nunca pensei que fosse conhecer alguém. Conhecia a ele como conhecia a mim mesma e aquilo fazia meu coração vibrar, me fazia ter certeza que era ele o homem que eu escolhera passar a minha vida.

Faltavam dois meses para que o ano findasse, e, apesar da guerra, fazem cerca de duas semanas que me casei com o Jordan. O casamento havia sido simples e no começo fora difícil do padre aceitar realizar a cerimonia que foi feita em casa.
Porém, graças a grande influência que o papai tinha, a cerimônia foi realizada.

Os soldados alemães cada vez mais tomavam contas das ruas de Copenhague, vivíamos um verdadeiro inferno. Morávamos na casa da mamãe e sempre que conseguíamos, íamos à ponte para sonhar um pouco mais.

Finalmente dezembro, e descubro que estou grávida. Sinto-me grata e feliz, mas sinto medo. Aquela criança iria nascer no meio de uma guerra, já que não sabia até quando iria durar. É o primeiro filho de muitos que eu terei quando a guerra chegar ao fim.

— Mia, querida! — Era uma tarde de domingo, quando o Jordan chega até a mim — Precisarei retornar à Alemanha, são ordens de cima.

— Mas a nossa criança.... — Falo com um pesar na voz.

— Eu voltarei, meu amor! — Fala passando a mão sobre a minha barriga — Eu voltarei por você e por nosso bebê.

Jordan precisou retornar à Alemanha, e nos meados de julho voltou, assim como prometido, para o nascimento da nossa criança. Seus familiares já sabiam do nosso casamento e do nosso primeiro filho. Apesar da guerra e de estarmos sob o domínio dos Alemães, estávamos vivendo a nossa vida e nada poderia dar errado.

— Mia, minha querida — estava deitada quando escuto a voz do Jordan — Está sentindo alguma dor?

Já era a décima terceira vez que ele perguntava, há uma semana estava sentindo as contrações.

— Sim! Eu... — começo a falar e mais uma vez sinto outra contração. Dou um grito e Jordan corre para chamar a mamãe.

Mais uma tentativa, Jordan segurava a minha mão enquanto a mamãe segurava as minhas pernas. Eu gemia de dor enquanto me esforçava ao máximo para que aquela criança saísse do meu ventre. Após quase duas horas de esforço, ele veio ao mundo, era um menino. Sorrio ao ver aquele pequeno rosto, me assusto ao ouvir tiros vindo de fora, ele nascera em meio à guerra, o que mais podia se esperar?

A situação em Copenhague estava mais calma, mas muitos ainda resistiam à presença daqueles alemães, quase sempre morriam. Jordan o segura no colo e as lágrimas descem pelo seu rosto... ele era um jovem gentil! Talvez até gentil demais para a época em que estávamos. Era o que a mamãe sempre dizia, e vê-lo com a nossa criança em seu colo me fazia pensar como a mamãe estava certa.

Escolhemos que a criança carregaria o nome do pai Jordan, assim seria como ele, era o que todos nós acreditávamos.

— Jordan, precisa vir comigo — Era o Knut que havia entrado pela porta rapidamente — É uma emergência e estão chamando por você.

— Meu amor! Eu volto — ele fala dando um beijo na testa do que pequeno Jordan, me entrega nos braços e beija-me a testa. — Eu te amo. Ele fala e sai junto com o Knut.

PARTE IX

A situação parece ser complicada, finalmente após dois dias ele e o Knut voltam para a casa. Pergunto-me o quão urgente era a situação.

— Minha senhora Mia!!! — Ele fala assim que entra no quarto — O meu país precisa de mim.

— Irá voltar para a Alemanha? — pergunto preocupada.

— Não! — Ele responde e sinto um calafrio — Precisam de soldados nas cercanias de Moscou. É para onde estou indo.

— Mas você... — Falo e minhas lágrimas descem — Você é o meu esposo, você tem um filho, não pode ir.

— Minha querida, antes de tudo eu sou um soldado, e eu devo servir a minha pátria. — Fala segurando em minhas mãos. — Partirei em três dias. Ficarei com você e com nosso pequeno Jordan até lá! Não se preocupe! Voltarei bem.

Os três dias foram os melhores que tivemos. Antes de partir, conseguimos tirar uma fotografia. Talvez ele só retornasse daqui a um ano ou talvez dois, não sabia ao certo. O pequeno Jordan cresceria vendo o rosto do seu pai, e assim que ele retornasse não o estranharia. Todos os dias ia até a ponte com o pequeno Jordan e observava aquele imenso mar, enquanto esperava notícias do meu marido. Finalmente recebo a primeira carta desde que partiu para Moscou.

"Minha querida Mia,

Meu tempo é curto para escrever-lhe, mas quero dizer que as coisas estão indo bem. Apesar do frio, que é de congelar os dedos, estou bem. Quero dizer que a amo e amo o nosso pequeno Jordan! Escreverei novamente assim que puder. Um grande abraço para a sua mamãe e para o Knut. Te amarei sempre. Que sejam abençoados por Deus

Do seu amado Jordan"

Termino de ler a carta e limpo as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, leio novamente.

Sento-me na escrivaninha e começo a escrever a resposta para a carta. Termino e peço a Knut para enviar. Estava feliz por ele estar vivo. e isso era o que importava. Chequei a minha porta-cartas durante todos os meses, e nosso pequeno Jordan estava completando exatamente um ano naquele dia. Quando finalmente Knut entra me gritando.

— Mia!!! Você recebeu algumas cartas!!!

Corro com o pequeno Jordan no colo. Finalmente, após tantas cartas, enviadas ele havia me respondido. Após meses sem ter notícia, saberia como meu marido estava. Pego todas as cartas e jogo sob a mesa, aquele seria o presente do pequeno Jordan. Pego a primeira e ao abrir percebo que foi a carta que enviei. Pego a segunda e novamente era a carta que escrevi. O desespero começa a me invadir e as lágrimas começam a escorrer desesperadamente pelo meu rosto. Minhas mãos trêmulas perpassam sobre aqueles papéis em cima da mesa. Todas as cartas que eu havia enviado durante todo esse tempo, haviam retornado. Como era possível? Talvez tivessem mudado de lugar e a comunicação tornara-se impossível. Não queria pensar o pior e me negava a acreditar que algo ruim tivesse acontecido com ele.

Ele era gentil e era forte, não poderia morrer, não poderia me deixar.
Entre todas as cartas vejo um selo diferente, era da Alemanha. Sorrio e sinto um alívio no peito, aquele endereço conhecia perfeitamente. Durante o tempo em que esteve na Alemanha, era daquele lugar que me enviava cartas. Abro ligeiramente o envelope e sinto o gosto salgado das lágrimas que escorrem pelo meu rosto. Lá estava uma carta, juntamente com a chapa de identificação. Pego aquela corrente e a seguro com todas as minhas forças, desabo no chão e choro até desfalecer.

Acordo três horas depois. Estava na cama e Jordan estava no colo da mamãe. Acorrente ainda estava em minhas mãos. Levanto-me e vou até a sala novamente, onde as cartas ainda permanecem no mesmo lugar. Pego aquela última carta abro ainda com lágrimas nos olhos e começo a ler.

"Mia! Minha querida nora! Trago-lhe más notícias. Infelizmente o nosso Jordan morreu. Sei que o seu peito dói e, em consideração, achei que deveria saber. Gostaria que os pertences dele ficassem com você, e logo mais estará recebendo os mesmos. Não sei como conheceu o meu filho, mas realizou o sonho dele, e sou grata por isto. Desejo conhecer o meu neto em breve. Espero que fique bem. Um grande abraço,

Sra Eslovaque."

Ele havia falado da senhora sua mãe, e de como ela era uma boa mulher e como sempre o apoiou em suas decisões. Sento-me com aquela carta na mão e as lágrimas escorrem pingando sobre ela. Agora tudo o que tenho certeza é que cada partícula desses anos ficarão marcados por toda uma vida. Jordan se foi deixando a mim e o meu pequenino, deixando estilhaços de uma guerra que não se sabe ao certo quando terá um fim.

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