Pacto de sangue
Por um dia ao seu lado eu vendi minha salvação sem ao menos saber se seria recíproco.
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Estava um pouco tarde mas a sereia adorava observar a lua que enfeitava o céu, seus cabelos haviam secado devido ao tempo em que ficou fora das águas. Suas escamas também haviam secado e ela apenas observava ao longe a cidade como pequenos pontos mágicos. Era tão grande e lindo que a causavam certa nostalgia. Ela se lembrou de um período em que tudo tinha uma beleza maior em seu mundo mas então as cores começaram a desbotar. Instintivamente colocou a mão no pescoço e notou a ausência de seu colar. Suspirou, talvez estivesse com seu irmão ou no barco, mas ela nunca mais ousaria nadar naquele local. Pelo menos enquanto aqueles humanos ainda não estivessem sido retirados.
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Ela observava os homens da terra vestirem umas coisas estranhas e pularem nas águas tentando nadar como seu povo. Não podia voltar para as águas pois seria perseguida e morta, então se manteve sentada na pedra em silêncio mas não funcionou bem pois um dos homens a viu e fez um aceno com a mão que ela devolveu sem entender o que significava. Ele pulou nas águas e sumiu junto com todos os outros, a sereia aliviada pulou nas águas em sentido contrário indo até a ilhota que a ligava de volta ao reino aquático mas para isto precisaria passar por Úrsula.
Seguiu nadando silenciosa enquanto pensava no que iria dizer ao seu pai, então ela passou por um trecho onde os corais eram desbotados de um cinza tão morto que ela podia sentir a ausência de cores nela mesma. Ela olhou ao redor e então se aproximou da caverna da bruxa do mar. Encostou o dedo na concha cinza quebradiça já sabendo que ela provocaria uma luz roxa dentro da caverna inteira. Não demorou muito e Úrsula veio a atender.
Ela possuía a pele rosada, os cabelos ondulados em um tom de cinza arroxeado, os olhos negros como abismos, aparentava vinte anos apesar de já ter passado dos duzentos anos.
A sereia ficou surpresa mas, entrou assim que a bruxa acenou com a cabeça para que ela o fizesse.
— A que devo a honra de receber uma visita da princesa?— disse cínica.
— Quero que me faça ter pernas.— disse firme.
— Eu posso te dar uma poção para isto— disse misteriosa—, mas você não poderá voltar a ser sereia a menos que encontre o amor da sua vida e se isso não acontecer você irá morrer ao ficar longe do mar como humana!— deu de ombros.
— Eu aceito!— a sereia disse sorrindo.
— Como preço eu quero a sua voz!— a bruxa pediu.
— Quando pego a poção?— a sereia se animou.
— Em duas horas, perto da superfície onde tem os barcos.— a bruxa sorriu.
— Fechado!— a sereia saiu.
Ela nadou em busca de seus pertences e assim que tinha tudo recolhido subiu para a superfície onde iria encontrar a bruxa e após precisaria ir para a casa de seu amigo na superfície mesmo sabendo que não poderia falar. Assim que chegou na superfície ela viu Ursula que estava sorrindo fora das águas, nadou até lá e selou seu pacto. Assim que bebeu o líquido de cor vermelha a sereia sentiu dores fortes no seu corpo e caiu perdendo sua consciência. Abriu os olhos devagar, a dor havia ido embora e então ela pode observar que não possuía mais uma cauda e sim pernas porém estava nua e a bruxa ainda a observava.
— Eu preciso agir como eles?— a sereia perguntou.
— Sim mas, ainda quero minha parte do acordo.— Úrsula sorriu.
— Eu vou ficar muda?— perguntou.
— Você pergunta de mais!— a bruxa virou os olhos.
— Mas...— ela foi interrompida pela bruxa.
— Estamos em uma ilha deserta onde o próximo barco só irá passar amanhã e eu quero minha parte do acordo então pare de perguntar— Suspirou.
— Tudo bem — concordou a sereia.
Úrsula tocou seus quadris nus desenhando círculos neles enquanto beijava a sereia e então se foi inesperadamente como havia vindo.
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