Epílogo
Eu me encantei pelo amor do mar mas ele era livre e não me pertencia. Eu me encantei pela sereia e seu canto e quis viver em um mar de encantos.
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Haviam se passado três anos desde aquele dia. Ela estava sentada na beira daquele mesmo penhasco observando o mar, só precisava de um impulso para ter o mesmo fim de sua amada Scarlatti.
Ela nunca havia sido dada como morta e seu pai disse que o colar era mágico e só iria parar de brilhar quando a filha morresse. Disse que ela era uma sereia.
Summer acreditou nisso.
Era triste para ela ter perdido alguém que nunca teve de verdade mas, que lhe deixou lições que ela nunca iria esquecer. A brisa de setembro tocava sua pele fazendo os cabelos serem levados. Um sorriso tomou seu rosto delicado.
Estava em paz para ir em paz.
Uma lágrima solitária rolou por seu rosto, o sorriso era puro. Ela estava pronta para deixar o seu mundo e encontrar o amor da sua pequena sereia por todos os mares. Despiu-se do mundo e se vestiu do mar e seus encantos misteriosos. Ela sempre sentiu a falta da ruiva que ignorou por sua ganância. Achou que o que o pai da jovem havia lhe dito era apenas uma forma de a ajudar mas ela tomou aquela fantasia como sua realidade.
Olhou para o mar com esperança, o colar que ganhou da outra estava quente em seu peito. O brilho verde estava mais forte do que no dia em que ela o ganhou e a chama de esperança se aqueceu.
— Minha pequena sereia, eu estou indo para você!— sorriu.
Suspirou fundo e com o rosto sereno ela mergulhou. Se jogou no mar aberto e se rendeu aos seus encantos onde seria eterna ao lado de seu único amor pelo qual ela nunca superou a perda.
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O mar estava repleto de luzes em tons de azul e verde tão únicos que pareciam enfeites de alguma festa néon. Os corais pareciam aguardar algum evento raro que talvez só fosse acontecer em milênios. Talvez nunca mais se repetisse.
O corpo inerte da jovem de cabelos revoltos agora vagava sem vida pelas águas escurecidas pelo cair da noite. Ela havia chegado ao limite dentro de seu silêncio e agora havia mergulhado no silêncio inebriante da morte.
Ali, nadando pacificamente pela costa, havia uma jovem sereia de cabelos em um tom de vermelho tão vibrante que contrastava com a palidez da pele que ainda não havia se recuperado totalmente. Ela viu o corpo da jovem e nadou até próximo sentindo medo de a ter perdido de novo.
A jovem estava morta.
A sereia a levou para a superfície notando o seu pescoço quebrado e os hematomas diversos. A abraçou forte enquanto chorava e então suas lágrimas se tornaram tons luminosos. O mar ao seu redor se tornou um emaranhado de luzes azuis e verdes. A luz estava tão forte que fez com que ela fechasse os olhos e neste momento, ouviu um estalo um tanto grotesco.
Abriu os olhos. A garota de cabelos revoltos estava respirando, a sereia sorriu e então a jovem abriu os olhos devagar.
— Scar-la-t-ty?— disse fraca.
— Sim— a sereia sorriu.
— A gen-te...mo-rreu.....?— disse com os lábios roxos.
— Não— afirmou.
Ambas se olharam, Summer aproximou seus rostos e então se beijaram. A jovem de cabelos revoltos sorriu e então perdeu os sentidos nos braços da sereia.
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Ela acordou dentro do seu quarto usando um pijama de algodão. Seu pescoço estava doendo mas devia ser apenas um torcicolo. Segurou o rosto e suspirou.
Havia sido apenas um sonho.
Se levantou e caminhou até a penteadeira que havia ganhado de Isth como presente de aniversário. Nela a mulher observou que havia uma concha em um tom perolado e um colar que ela não havia comprado. Com os olhos tomados por lágrimas revoltas ela correu para fora até chegar na avenida principal perto da orla e seu coração se ascendeu quando ela viu a Lamborghini preta seguindo serena em meio aos mar de carros.
Sua pequena sereia estava viva.
Tocou o pingente verde de seu colar que brilhava forte, era inevitável para ela não sorrir. Havia uma chama de esperança e por Scarlatti ela iria pelas terras de desolação ou pelo infinito mar de encantos.
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