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capítulo 60, novo recorde, vinte e cinco da segunda temporada.

O treino é exaustivo, como se tivesse sido atropelado por um caminhão. O treinador Klaus não nos deixa ter um intervalo mais do que de cinco minutos, e é preciso muito mais do que isso pra descansar. Quando se é o Capitão do time de basquete, tudo vira problema pra sua vida.

Tipo hoje. Willian não apareceu por causa de algum bar que ficou por aí, e a culpa foi inteiramente minha, que não tive tempo pra buscar o jogador na casa dele igual criança. Podia muito bem mandar uma mensagem, mas só fiquei sabendo por causa de Trevor, que na real é o mais fofoqueiro da faculdade.

-Topa uma festa hoje?- Ele me pergunta, e eu nego sem lhe dar muita explicação. -O treinador liberou a gente mais cedo, e é na casa da Lívia. A garota é uma belezinha.- Trevor ergue a sobrancelha estranhamente, como se falar sobre a dona da festa fosse querer me fazer ir.

-Vou sair com uma menina hoje, deixa pra o fim de semana que é melhor.- Eu explico o mínimo possível. Ter um amigo fofoqueiro é assim, sem contar que nem confio tanto nele pra dizer quem é a garota.

-Eu conheço? É bonita? Quem é?- Começa o interrogatório. Reviro os olhos cansado daquilo, ainda tenho que tomar banho e me arrumar pra não chegar atrasado. 

-Não acho que seja da sua conta.- Eu digo sabendo da minha falta de educação, e pouco me importo se soou ruim. A vida é minha, não dele. Posso sair com quem quiser sem lhe dar o histórico da pessoa.

-Eita, desculpa tio.- Trevor sabe ser muito irritante quando deseja. Escuto ele dar risada conforme saio da quadra em passos acelerados. Se atrasar pra um encontro é péssimo e sei bem como é. 

Ao chegar finalmente no meu dormitório tenho uma infeliz surpresa. Vanessa está deitada em minha cama, mexendo nas minhas coleções de quadrinhos e usando uma roupa super curta, muito mais curta do que na festa de sexta-feira. Engoli seco quando a vi. Merda, ela vai acabar não me deixando sair caso fique de guarda baixa.

Ignoro sua presença, pegando a roupa que tinha separado antes do treino e a toalha, entrando no banheiro como se não tivesse uma garota no meu quarto da faculdade. Demoro um pouco de propósito, querendo que ela se canse de me esperar, é quando lembro que ela não cansa nunca quando quer algo de verdade.

Estou pronto quando saio do banho, perfeitamente alinhado. A calça jeans azul clara, com uma blusa branca simples e o tênis cinzento, como se fosse jeans também. Passo a mão pelos meus cachos crespos, num jeito rude de pentear o cabelo.

-Achei que tinha morrido no banheiro, ou escorregado pela privada.- Vanessa brinca, dando uma risada de fazer ela balançar os ombros descobertos. Me desvio dela bem rápido, pegando meu celular sobre a mesinha e saindo do quarto sem dizer uma única palavra.

Sei que ela ainda tem a chave, é a única explicação pra sempre aparecer.

-Drew, onde você vai? Eu posso ir também?- O sorriso no seu rosto a um tempo atrás eu até cederia, na verdade cancelaria tudo pra cumprir as vontades dela. Mas acabou, não passou de um lance divertido pra ela, e eu saí quebrado. 

-Não. Vai embora, já falei pra parar de aparecer no meu quarto.- Eu reclamo, seguindo em frente conferindo a hora. Tenho apenas dois minutos pra atravessar todo o campus e chegar no dormitório da Catherine.

-Eu quero mais, te disse isso a semanas, não quero ficar feito brinquedo. Prometo ser só sua.- É a mesma frase, a porcaria da mesma frase de sempre. Esse é o grande problema, ela já falou isso pra vários dos meus colegas de time, essas exatas palavras. Quer fazer o mesmo comigo.

-Não. Eu já te disse a semanas que não quero mais nada com você. Indico procurar outra pessoa e seguir em frente assim como estou fazendo a vários meses.- Digo isso pra machucar ela, mas sei é impossível, essa garota parece ser inabalável.

-Você me completa, Holmes. É o tipo de pessoa que quero pro resto da vida.- Ela insiste, começando a se aproximar de mim, pois sinto sua mão tentando me tocar conforme chego nos outros dormitórios.

-Eu disse que não. Para de correr atrás de mim, procura alguém que te valorize de verdade, que gosta de você pra valer. Eu não sou a pessoa pra isso, cansei de falar.- Explico a ela, sabendo que está escutando, pois suspira fundo.

-O que fiz de errado pra você não me querer?- Ela brada, e percebo que começou a chorar. Caramba, era só isso que estava faltando pra mim, ter que consolar ela agora.

Paro de andar e Vanessa está enxugando as lágrimas reais que caem de seu rosto. Passo a mão pela calça, começando a me irritar por está perdendo minha paciência.

-Eu só gosto de você como uma amiga, precisa entender isso. Tem tantas pessoas por aqui, aposto que vai encontrar alguém interessante que vai gostar tanto de você a ponto de se apaixonar. Pode acreditar.- Não me aproximo dela, pois sei que vai querer tentar alguma coisa como sempre faz.

Vanessa cruza os braços e seca as lágrimas, percebendo que seu show não funcionou. Dou de ombros, me afastando dela de novo, sabendo que estou bem em cima do horário que marquei com Catherine.

Chego na entrada dos dormitórios, a vendo mais de perto. A garota usa um vestido amarelo florido, que fica muito lindo nela, ele alcança até um pouco acima dos joelhos; seu tênis é um bem simples branco, que combina também com o estilo dela. Okay, talvez eu não tivesse notado como ela antes da festa, mas agora que estou quase em sua frente é impossível tirar os olhos.

-Oi, Andrew.- Ela fala com a voz tranquila. Exatamente igual a ontem no campus, um sorriso fixa seus lábios, e caramba, o batom que está usando a deixa muito mais atraente do que eu pensei que podia ficar.

-Olá Cat. Posso te chamar assim né?- Perguntei descontraído. Não era mesmo o meu primeiro encontro, mas sentia como se fosse. Pois, número um, foi ela que me convidou pra sair; número dois, não conseguia formular uma frase direito por causa no batom que ela usando. 

Eu sei, sou um pouco estranho.

-Claro que sim. Então eu posso te chamar de Andy?- Cat perguntou. Notei que estava estralando os dedos meio distraída. Foi aí que descobri a primeira mania dela quando estava nervosa, ela ficava estralando os dedos sem nem perceber.

-Pode sim. Ei, onde é o lugar que você falou?- Mudo o assunto dos apelidos. Ela só explicou que ficava perto do lago, e mais nada além disso. Espero que não seja nada envolvendo esporte pois estou destruído do treino.

-Você vai gostar, eu vou quase todo final de tarde.- A gatinha explicou. Acho que chamá-la de gatinha pode soar esquisito, mas o apelido dela significa isso. Vai ser assim mesmo.

Chegamos perto do meu Jeep vermelho, como cavalheiro que sou abri a porta do carona pra ela. Foi um erro, pois vi um vislumbre de seus olhos castanhos brilhando e a porcaria do meu coração congelado disparou por um segundo. Respirei fundo e entrei no banco do motorista, colocando os cintos e ela também. No máximo, em vinte minutos a gente estaria lá.

*

-O que achou?- Ela perguntou enquanto eu observava o local. 

Como nunca tinha vindo aqui antes? Foi a pergunta que me fiz. Como ninguém nunca me falou daqui antes? Foi a segunda pergunta. O lugar era muito incrível. Havia algumas árvores pelo caminho de pedras, nelas colocaram led's em volta. Acho que com o Natal se aproximando as pessoas começam a colocar luzes em tudo. 

Deixo escapar um suspiro quando digo:

- Achei que é o lugar mais incrível que conheci, depois da quadra de basquete é claro.- Eu respondo descontraído. É como se todo o cansaço que eu estava após o treino tivesse sido evaporado assim que coloquei os olhos nela.

- Lamento, gatinho, mas esse lugar é muito melhor do que uma quadra de basquete. - Seu sorriso se abriu mais uma vez, ela segurou meu pulso e me guiou pelo caminho reluzente. Droga, eu gostava de garotas assim, cheias de atitude e que não ficavam me perguntando tudo sobre basquete. Ela é normal, Drew, uma garota normal.

Como já estava escurecendo não restava dúvida que já se passava das cinco. Minha época favorita do ano estava chegando, o Natal e junto com ele o inverno. Sem os jogos, o feriado me permitia visitar minha família em Boston. Apenas uma semana pra o mês de Dezembro chegar.

- Então, Cat, vamos conversar primeiro ou comer alguma coisa?- Perguntei a ela. Percebi pelo canto do olho ela encarando uma barraquinha de hambúrguer, a garota me olhou por um instante e deu de ombros.

- Pegamos um lanche e conversamos, acabou de chegar do treino não foi? Desculpa, eu devia ter indicado um horário mais agradável pra você.- Para de olhar pra boca dela, Andrew; meu cérebro alertou.

- Não gata, de jeito nenhum. Estou bem, te garanto.- Respondi bem rápido. Eu coloquei o meu braço pelo seus ombros e a levei até a barraca próxima. 

Minutos depois estava rindo feito um idiota da história que ela estava contando, tínhamos chegado no assunto da nossa infância. Cat contava de quando se perdeu no shopping, a mãe dela conseguiu fechar uma loja de roupa. Contei a ela sobre o dia que meus pais me deixaram na casa de um amigo da família, mas fiquei com saudade de casa e fugir de lá. 

- Posso confessar uma coisa?- Cat perguntou a mim. O momento de histórias engraçadas tinha acabado e agora eu comprimia a vontade que estava de beija-la. Sabe lá Deus quais eram suas exigências, talvez não gostasse de beijar ninguém no primeiro encontro, eu não sabia.

- O que quiser.- Respondi me inclinando pra ouvir, de repente ela começou a falar um pouco mais baixo. 

Houve um instante de silêncio entre nós, mas ela parecia incomodada com algo. De repente seu rosto avermelhou e comprimiu o lábio vermelho pelo batom. 

- Eu convidei você pra sair por impulso, meu ex-namorado estava me estressando e meio que te usei pra não precisar falar de novo com ele. Só que gostei de sair com você, mas não quero começar nada agora, sabe como é. Passei quatro anos namorando o cara, nunca passei um tempo sozinha. Acredito que você também não quer nada sério, então estamos no mesmo pé.- Um incrível e impressionante tapa na minha cara.

Engoli meu ego. Pela primeira vez em muito tempo uma garota disse que não queria nada mais do que um encontro comigo. Vanessa estava por aí de prova que as outras agiam da mesma forma, correndo atrás de mim mesmo quando eu neguei algo mais, só que agora eu estava olhando pra Catherine Queen. Ela era a garota mais madura que já conheci.

- Vamos sair mais vezes?- Perguntei e parecia que estava desesperado.

-Bem, talvez. Mas eu não vou te convidar.- Ela disse e deu um sorriso muito bonito. Eu devia está achando o sorriso dela bonito?

-Se eu te chamar, você aceita?- Oh Deus, o que estava fazendo da minha vida?

Ela tinha covinhas. Merda. Covinhas, o meu maldito ponto fraco.

- Quer sair comigo de novo? Achei que gostasse de líderes de torcida e garotas de república.- Catherine ainda se mantinha na defensiva. Eu já estava quase caindo em cima dela, principalmente depois que descobri que seu perfume era incrivelmente cheiroso.

-Quero. Eu quero sair de novo com você.- Respondi imediatamente. Pouco me importava se ela tinha me chamado pra sair por um impulso, ou se deixou claro que era somente alguns encontros e nada mais sério, e menos ainda o ex-namorado que tinha terminado. 

De alguma maneira, eu a queria. Não sabia como, pois conheci a garota a poucas horas e tinha decidido sair com ela de novo quantas vezes fosse possível. 

-Eu também quero.- Ela disse. Tchau controle, foi bom te conhecer.

Me aproximei dela, sentindo sua respiração falhar. Caramba, meu coração estava quase saltando pra fora do peito, isso era ridículo, já que era nosso primeiro encontro. Mesmo assim continuei o que pretendia fazer, segurei seu rosto tocando lentamente em sua bochecha. 
Era tão estranho, mas ao mesmo tempo tinha algo especial. Seus olhos não se desviavam dos meus, o que me fez ter um arrepio na coluna, ninguém, nenhuma garota tinha me olhado daquela maneira. 

Finalmente nossas bocas se encontraram, num beijo calmo e tranquilo. Desci a minha mão até seu pescoço e senti ela se arrepiando ao meu toque, foi mais um sinal pra eu continuar. E continuei. Sentindo sua língua contra a minha. Era bom, na verdade, muito mais que bom. Ela intensificou ainda mais, se aproximando de mim e colocando a mão entre meu cabelo.

Eu sou um pouco dramático, mas isso não deve ser levado em conta agora, pois esse foi o melhor beijo que já dei. Como pude não ter visto ela antes? A nossa química é sentida de longe, e o jeito que ela me olhou com seus olhos brilhando fez tudo em mim acelerar. 

O caminho até ao seu dormitório foi tudo quieto, mas não era algo ruim. A noite estava encerrada, mas eu queria que continuasse, não queria que aquela fosse a última vez nossa juntos. 

-Obrigada pela noite, foi muito divertida.- Catherine falou, novamente começando a estralar os dedos. 

Cheguei perto dela e coloquei uma pequena mecha do seu cabelo atrás da sua orelha, queria que seus olhos brilhassem de novo, mas me enganei. Ela recuou, seus braços se cruzaram e desviou o olhar pra algo atrás de mim. No mesmo segundo eu me virei, notando que um cara caminhava na nossa direção.

-Tantas pessoas nessa merda de faculdade e você resolve sair com o Holmes? Caramba Catherine! Não faz nem um mês que nos separamos.- O cara está bêbado, isso nem preciso falar, mas o jeito que ele grita com ela está me irritando.

-Ian, volta pra casa, por favor.- Ela pede timidamente, o seu rosto vermelho já indica que está morta de vergonha.

-Não vou voltar, sei que você me ama e não pode me largar assim. Não por ele, Cat, o cara é preto e tem fama de rodado. - Estremeci completamente. O babaca nem mesmo se importou com o que acabou de falar.

Catherine segurou meu pulso, dando as costas pra o ex-namorado e me levando pra dentro de seu prédio. O cara continuou gritando lá fora, mas não me importava com seu comentário preconceituoso a cerca de mim, já tinha escutado coisa bem pior do que ser chamado de "preto". Afinal, o que isso mudaria na minha vida?

O barulho de soluços chamou minha atenção, virei bruscamente na direção de Cat. Ela estava encostada na porta de seu quarto, com as mãos no rosto e seus ombros se mexiam indicando que estava chorando. Crac. Meu coração se partiu. E eu era uma das pessoas mais frias ou indelicadas que podia existir.

-Aquele babaca não merece suas lágrimas, princesa. Nenhum cara merece.- Eu falei quando a envolvi num abraço carinhoso. Dei um beijo em sua bochecha molhada pelas lágrimas, o gosto salgado não me importava nem um pouco.

-Eu sou uma idiota por ainda amar um cara como ele.- Catherine disse, entre seus soluços incessantes. Droga, eu queria protegê-la daquele imbecil, ele era o idiota, não ela.

-Não diz isso, Cat. O único idiota é ele, você é maravilhosa.- Mais uma vez, que merda eu estava fazendo? Se ela se apaixonasse por mim eu ia partir o coração dela. Essa é a última coisa que eu preciso na minha lista de corações partidos.

Ela se afastou do meu peito e me olhou. Esquece o que eu disse, eu queria aquela garota. Poxa, só bastava ela me olhar que eu ia até o espaço e lhe entregava o Sol. E não parou por aí, ainda envolvida por meu abraço ela ficou na ponta dos pés o máximo que pode e me beijou. Foi de leve, mas acho que vi estrelas. 

Catherine se afastou completamente, não me deixando saborear mais. Tirou a chave do bolso do vestido e abriu a porta do quarto. Como eu ia conseguir conquistá-la quando estava apaixonada por outro cara? Ela mesma acabou de falar que o amava. Espaço. Era isso que precisava fazer, lhe dar espaço o quanto tempo precisasse.

-Boa noite, princesa. Dorme bem.- Eu disse. O que ela tinha feito comigo? Eu não era assim a algumas horas atrás. 

-Quando eu ficar melhor, te ligo.- Cat respondeu. Apenas afirmei, um pouco aliviado por aquilo.

A porta se fechou, não arriscaria voltar pela frente do prédio e encontrar o babaca lá. No mínimo dos casos acabaria expulso do time por ter quebrado a cara dele. Dessa vez, eu sai pelos fundos e segui em direção ao meu dormitório.

Estava decidido, eu queria muito mais do que só encontros com ela. 

Maior capítulo que já escrevi, eu acho. 

Música de hoje é um clássico das fanfics.
Can't Take My Eyes Off You - Frankie Valli.

Você é linda demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você
Te tocar seria como tocar o céu
Eu quero tanto te abraçar
Finalmente, o amor chegou
E agradeço a Deus por estar vivo
Você é linda demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você

Perdoe o jeito como eu te olho
Não existe nada mais para se comparar
A sua visão me deixa fraco
Não sobram palavras para falar
Mas se você se sente como eu me sinto
Por favor, me deixe saber que é real
Você é linda demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você.

Ah, minha linda
Não me deixe deprimido, eu imploro
Ah, minha linda
Agora que eu te encontrei, fique
E me deixe te amar, querida
Me deixe te amar.

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