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capítulo 48, décimo segundo da segunda temporada.
O silêncio era estranho e confuso quando nos sentamos em uma das mesas daquela cafeteria. Um rapaz nos atendeu e fizemos os pedidos, enquanto esperávamos o outro tomar coragem e falar algo primeiro.
-Como foi a conversa com a sua avó?- Gabriel começou, olhando pra o cardápio em sua frente sendo que já tinha feito seu pedido.
-Foi boa mas também foi estranha, ela não contou nada dela, acho que pode está escondendo algo. Ou pode ser coisa da minha cabeça.- Respondi encarando ele, na espera que me olhasse também.
-Hum, entendi.- Foi quando ele disse isso que percebi o que tinha acontecido.
-Eu ainda tenho medo.- Confessei, ele não olhava pra mim mas sabia que estava atento nas minhas palavras. -Medo de te magoar, eu estou tentando me concertar ainda e nesse processo posso acabar machucando você. Não fiquei com vergonha de te apresentar a minha avó, é que ouvir que estamos em algo sério faz com que a chance de dar errado aumente, nem sei se está entendendo o que quero dizer mas é isso. Desculpa se te chateei.- Eu digo calmamente.
Gabriel deixou o cardápio de lado e me observou, ele apertou meus dedos sobre a mesa.
-Eva, quero que saiba que amo você. Nós dois temos mágoas e problemas pra curar, eu também estou quebrado, mas isso não impediu de amar. Quero que pare de se desculpar comigo por algo que não foi sua culpa, imploro que pare de se culpar por coisas que ninguém poderia controlar. Tire um tempo só pra você, faça as coisas que ama, demore o tempo que quiser pois vou te esperar.- Gabriel declarou, senti lágrimas escorrendo pelo meus olhos e ele soltou minhas mãos pra enxugar, tocando em cada canto da minha bochecha cuidadosamente.
-Eu também te amo.- Foi o que respondi com toda sinceridade.
Era engraçado como a alguns anos atrás eu tinha dito isso pra outras pessoas. Thomas estava incluído nisso. Eu o amava, e esse amor mudou, acredito que só o tempo possa curar tudo que passamos pra finalmente voltarmos a ser amigos como antes, ou talvez isso nem aconteça. Construir uma nova amizade entre nós seria muito mais interessante.
-Gabe, você ainda fala com sua mãe?- Eu perguntei enquanto nós dois caminhávamos pela calçada.
-De vez em quando. Não temos as melhores das relações. E o seu pai, já tentou falar com ele?- Conversar sobre aquilo era complicado pra nós dois.
-Nem com ele, nem com minha mãe. Nossa, esqueci de te contar, minha avó disse que ela foi morar na América do Sul, no Chile. Dá pra acreditar?- Eu falei e ele negou impressionado.
-Você é tão forte, nem sei se mereço mesmo ter alguém assim ao meu lado.- Ele murmurou me abraçando delicadamente.
-Nós dois somos fortes e merecemos ser felizes por tudo que passamos nessa vida.- Declarei.
Acreditava nisso, era como uma semente de esperança que plantei em mim. Depois que perdi tantas pessoas achando que iam ficar para sempre comigo, a única coisa restante foi acreditar que em algum lugar desse planeta eu seria feliz, como também faria outra pessoa feliz. E ali estava ele, caminhando abraçado e dizendo que me amava apesar das minhas rachaduras.
-Tem razão, amor. Tem completa razão. Nós merecemos ser felizes.- Ele deu um beijo entre os meus cabelos.
Subimos na moto e fomos rapidamente pra casa dos Peters. Algo no meu instinto feminino avisava que aquela seria uma noite difícil, pois minha avó amava Thomas e não tinha gostado nem um pouco de Gabriel. Brian era um verdadeiro babaca e ia ficar rindo de tudo, restando apenas eu pra me defender. Mas não queria perdê-la, ela era a única pessoa que tinha restado e que me apoiou, porém não permitiria que magoasse Gabe sem conhecê-lo.
*
-Pode me passar a salada?- Meu irmão me cutucou. Ele estava decidido a ter o corpo perfeito para sua próxima peça.
Estendi a bandeja pra ele, que colocou quase metade do prato com folhas. Olhei pra o meu que tinha um pedaço de lasanha, dei de ombros, no contrato não tinha nada que exigisse aquilo. Dei uma garfada tranquilamente.
-A quanto tempo se conhecem?- Jane perguntou, achei que ela estava falando com algumas das tias de Thomas, mas ela estava me encarando.
Com certeza se referia a Gabriel.
-Cinco anos trabalhando juntos, mas nos conhecemos a mais que isso.- Eu falei e sorri no final. Olhei pra John Peter, que tinha um belo sorriso no rosto.
-Gabriel é ótimo garoto, não se preocupe, já conversamos sobre as intensões dele com a minha neta.- John respondeu. Encarei Gabe imediatamente, surpresa por não ter me contado nada.
Outra coisa que notei foi ele me chamando de neta, olhei pra John e sorri alegremente. Thomas piscou na minha direção como se lesse meus pensamentos. Ele me considerava sua neta, tinha me incluído em sua família e aquilo me deixou emocionada. Eu tinha um lugar pra chamar de casa, um local pra ir nos feriado e pessoas que podia contar.
-Ainda ama a Eva, Thomas?- Jane perguntou, toda aquela minha alegria evaporou.
Senti Gabriel ficar tenso e endireitar a coluna, mas não levantou o olhar. Toquei em sua perna discretamente por debaixo da mesa, mostrando que também não estava esperando por aquilo. Tom olhou pra mim e respirou fundo antes de começar.
-Eu a amo de todo coração, e hoje posso dizer que nunca estive tão contente por ela. Encontrou alguém especial, que tem tudo que precisa para ser feliz. Percebi que só precisava saber como ela estava, pra aquele sentimento entre nós voltar. Eva é minha melhor amiga passe o tempo que for.- Eu mordi o lábio encarando o prato, aquele dia era garantido de profundas emoções.
Jane abriu a boca, mas fechou em seguida, sem palavras. Brian, como palhaço de sempre, começou a bater palmas. O assunto da mesa mudou rapidamente, minha avó ficou calada até o fim do jantar, se despediu de mim sem me olhar nos olhos e voltou pra casa acompanhada por Karol. A mãe de Peter e eu retiramos os pratos da mesa, ajudei a lavar apesar dela dizer que não precisava.
Voltei ao jardim no final daquela longa noite, Gabriel estava no lugar onde tínhamos ficado da primeira vez. Ele olhava as estrelas com uma expressão perdida, em seu próprio planeta. Decidi deixar ele sozinho, parecia que tinha tantas coisas pra pensar, então voltei pra dentro da casa me esbarrando com Thomas no corredor.
-Já está indo dormir, snowflake?- Ele me perguntou passando o braço pelos meus ombros e me desviando do caminho. Eu revirei os olhos seguindo pra onde ele indicava.
-Faz tempo que não conversamos.- Eu comentei. Tom concordou, ele sentou em umas das cadeiras perto da piscina e eu ao seu lado.
-O Gabriel é um cara legal, a gente não conversou muito mas parece ser gentil.- Ele começou a dizer.
-É estranho pensar que estudamos com ele e hoje estamos todos na mesma casa, conversando e jantando juntos.- Falei e Thomas concordou rindo.
-Muito estranho. Julgamos ele quase a vida inteira e parece que pagamos por isso.- Meu amigo respondeu ainda dando risada.
-Tom, foi muito bonito o que disse no jantar. - Eu disse quando o momento de rir passou.
Ele deu de ombros sem dar muita importância, encarando a água da piscina.
-Aquela é a verdade. Eu acho que nós dois sempre deveríamos ser melhores amigos, não que eu me arrependa da nossa história, mas ficamos tão perfeitos assim que nem parece que vivemos tudo aquilo.- Thomas complementa.
-Sim, é verdade. Mas... o que aconteceu entre você e a sua namorada?- Pergunto fazendo ele respirar fundo antes de falar.
-Eu ainda pensava em você, aquele sentimento que tive por ela só durou uns cinco meses, e nós dois estávamos tão concentrados no trabalho que nem importava se terminasse ou não.- Ele conta e é a minha vez de encarar piscina em nossa frente.
-Eu nunca quis nada sério com o Gabriel, na maioria das vezes que a gente acaba ficando eu estava carente. Explicava a ele no outro dia e fingia que nada demais tinha acontecido, só que quando percebi fazia quatro anos nesse vai e vem. Ele nunca reclamou ou fez questão de se afastar, nós dois acabamos nos apegando e em um dia ele se declarou pra mim. É algo que admiro nele, a coragem que tem pra contar seus sentimentos sem medo de se machucar.- Desabafei a ele.
-Nunca pensei que fosse dizer isso mas, vocês dois seguem o mesmo caminho, completam um ao outro, tudo que falta nele tem em você. Acredite quando eu digo, perder de enfrentar algo que ama por causa da dor ou por conta do medo tem consequências muito piores. Mas se está com tanto medo assim, dê um tempo a si mesma e só volte decidida quando acabar, não duvido nada que ele vai te esperar.- Thomas Peter tinha voltado a ser meu melhor amigo.
-Muito obrigada, Tom.- Eu abracei ele, deitei a cabeça em seu ombros e ficamos um instante quietos.
-Tenho uma coisa pra te contar.- Eu me levantei olhando pra ele esperando que contasse. -A Sabrine está voltando pra cá, ela me ligou ontem, disse que quer conversar comigo sobre tudo. Parece que está tentando resolver a vida dela do zero.- Thomas contou. Eu revirei os olhos.
-Eu já perdoei ela. Claro que ela errou, mas eu também, dei mais valor ao meu trabalho e aos estudos do que a nossa amizade. Era a única amiga dela e a deixei sozinha naquele terrível colégio, nem as chamadas de vídeo eu atendia mais. Fomos nos afastando e quando percebi a gente tinha parado até de se segui nas redes sociais.
-No seu caso, as duas precisam pedir desculpas uma a outra, ela não tinha direito de sair falando mal de você por isso, era só se afastar e pronto. Enquanto eu, ela se afastou sem motivo algum, eu tentava ainda pois tinha medo de acontecer algo por conta da saúde dela e me sentir culpado depois, foi quando soube que ela tinha começado a namorar com o Kennedy. Ao saber disso, ele também parou de falar comigo. Eu me cansei desse jogo e parei de me importar.- Eu nem se quer sabia dessa parte.
-Tem alguma chance de perdoar ela ?- Ele franziu a testa ao ouvir minha pergunta.
-Não sei, pode ser tarde demais pra reconstruir algo de novo.- Foi o que Thomas respondeu.
Eu concordei. Nós dois ainda tínhamos o vínculo familiar pra nos juntar, eramos amigos de infância, diferente dele e de Sabrine, tinham se tornado amigos na escola. Ela se afastou dele sem motivo, foi embora e agora está de volta, querendo uma chance de explicar.
Da área da piscina eu ainda conseguia ver um pouco do jardim, até onde eu via, Gabriel já tinha saído de lá. Brian nem do quarto saiu e os outros estavam conversando no quintal sobre o churrasco de amanhã. Olhei no meu celular e já eram duas da manhã.
-Eu já vou dormir, vai ficar ai mais um tempo?- Perguntei a ele me levantando.
Thomas afirmou discretamente, dei um beijo na bochecha dele e entrei na casa que estava bem quentinha, me lembrando que o inverno chegaria logo. Subi na direção dos quartos, encontrando forças pra tomar um banho nesse horário, mas tive que fazer. De banho tomado e caindo de sono eu lembrei que Gabriel estava mais calado que o normal, resolvi olhar no quarto dele e saber se já estava dormindo.
E lá estava ele. Dormindo tranquilo como um bebê, tinha papéis espalhados na cama e fui ler um descobrindo que ele estava na direção de uma peça, certamente junto com Pierre. Juntei tudo e coloquei sobre a cabeceira, cobrindo ele já que estava encolhido de frio. Dei um beijo no canto de sua boca e sussurrei, mesmo sabendo que ele nem ouviria.
-Eu te amo.
Fui dormir sorrindo naquela noite.
❄
Sem estrutura pra esse casal.
Hoje tem música:
This Is What It Takes - Shawn Mensdes.
(ignorem o número alto de músicas do Shawn, é que ele é meu favorito)
Eu observo seus olhos cansados enquanto você dorme,
E me apaixono por cada suspiro.
Imagino se seus olhos estão fechados,
E se é comigo que você esta sonhando.
Por que sob a escuridão,
Tem uma luz tentando aparecer.
E eu sei disso porque notei,
A luz brilhando através da escuridão.
Se isso for necessário,
Então me deixe ser quem aguenta a dor.
Oh, se isso for necessário,
Eu vou quebrar as barreiras no nosso caminho
Se isso for necessário.
Você vive me dizendo que estou perdendo tempo,
Mas chamar isso de perda de tempo, é um crime.
Você acha que é loucura o que estou tentando fazer.
Mas amor, eu sou louco por você.
Por que se você não entendeu ainda,
Então não vou deixar você esquecer.
Você não tem que fazer isso sozinha.
Eu serei um ombro pra se apoiar
Eu te ajudarei a ver o certo, quando tudo estiver errado.
Então venha, segure a minha mão, vamos seguir em frente.
❄
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