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Eva Cossford
Jantar. Família. Parte dois.
Quando minha família se reunia tinha que ser numa comemoração importante, entre elas a volta de viagem da minha mãe e a peça de teatro que estava pra chegar. Meu pai ainda estava em casa quando minha mãe passou pelas portas de volta, quase não a reconheci, principalmente porque ela estava com os cabelos loiros e usando uma calça jeans rasgada que antes era minha.
Mas tudo foi bem, já que era o começo. Minha mãe falava sobre sua viagem que quase não tinha nada de trabalho, era diversão e mais diversão, olhava pra meu irmão tentando saber se ele tinha notado que ela estava muito diferente do normal, ele também notou.
-Que bom que se divertiu na viagem, Louise.- Meu pai interrompeu ela e vi ele acenar nada discretamente pra mim.
-Ah sim, claro, e então Eva? Soube que vai atuar na peça esse ano, finalmente.- Minha mãe disse. Deixei passa o tom de provocação que tinha na voz dela e sorri.
-Depois de muito esforço a gente consegue.- Respondi e desviei meu olhar para o prato que ainda tinha comida.
Eu não gostava desses jantares, não gostava da quando minha família se reunia sem está realmente unida, não gostava quando minha mãe me provocava.
-Eva tem um talento para teatro, já gravou todas as falas mais importantes.- Brian falou e deu um gole na taça com suco de uva.
-Só estava escondido, demorou pra achar mas isso não importa.- Ela continuava a me encarar mesmo que eu ainda olhasse para o macarrão com molho no meu prato.
Um silêncio se estendeu enquanto todos comiam, eu colocava o macarrão uma vez ou outra na boca, sabendo que Brian olhava pra mim notando meu humor em está ali ao lado dela.
-Quem é seu par na peça, Eva?- Meu pai perguntou quebrando o silêncio mortal e desconfortável.
-Kennedy Faith, filho da vice diretora.- Eu respondi no modo automático.
-Ele é muito inteligente, conversei com ele uma vez ano retrasado.- Minha mãe comentou.
Ano retrasado, como se isso fizesse alguma diferença.
-Faz muito tempo, mãe.- Brian disse.
-Não importa mais.- Ela retrucou.
O silêncio voltou, eu só queria que o Thomas estivesse aqui pra me salvar como da última vez. A campainha tocou naquele mesmo segundo e eu pulei da cadeira sem pedir licença, corri até a porta e abri ela com um sorriso no rosto já empolgado.
Que sumiu na mesma hora.
-Thiago!- A voz da minha mãe me tirou do transe.
-Olá, você deve ser a Eva, filha da Louise.- O homem parado em minha porta disse.
Olhei pra minha mãe, ela passou por mim e abraçou o rapaz desconhecido pra mim, eu estava observando tudo completamente sem entender.
-Venha, entre, chegou atrasado, o que aconteceu?- Minha mãe perguntou a ele e me ignorou enquanto voltava a sala de jantar de braços cruzados com aquele homem.
Eu os segui, parei no arco na porta e quando ela o colocou sentado no meu lugar e tirou meu prato dali pra ele se acomodar, eu não senti mais nenhuma vontade de voltar.
-Gostaria de apresentar o Thiago, ele é supervisor da empresa e agora meu noivo.- Louise declarou.
Parei de andar e voltei a sala de jantar, aquele silêncio sinistro voltou. Meu pai deixou o garfo cair, fazendo o barulho expandir por toda sala, Brian encarava Louise e Thiago mudando o olhar de um para o outro, como se estivesse assimilando cada palavra.
-Pessoal, não façam isso, sejam educados e deem as boas vindas a ele.- Minha mãe pediu e eu sem me controlar comecei a rir, garanto que não tinha uma gota de felicidade na minha risada.
-Eu devo está imaginando coisas, porque isso não é possível.- Falei depois de tentar me acalmar de tanto rir. Ao mesmo tempo que lutava contra uma possível crise de raiva na frente de toda família.
-A senhora se divorciou tem um mês, como pode já está noiva?- Brian perguntou. Eu sabia que quando ele falava num tom completamente calmo era na verdade tentando se controlar também.
-Já tem dois meses, e eu amo o Thiago, não tem porque não nos casarmos.- Ela respondeu. Como se essa resposta resolvesse tudo.
-Eu vou embora.- Meu pai disse e se levantou, ele saiu de casa quase sem fazer barulho algum. Ele era a única pessoa que estava triste mas ainda permanecia calma, enquanto eu e meu irmão estávamos prestes a explodir.
-Desculpe pela minha família, Thiago. Devem está surpresos.- Ela falou e eles começaram a rir entre si, ela deu um beijo na bochecha dele e olhou pra mim em seguida.
-Está tudo bem, eu até entendo, foi uma bela novidade pra eles.- O homem chamado Thiago era incrivelmente alto, ele respondeu aquilo e só fez eu ganhar ainda mais raiva.
-Mãe, não pode se casar com uma pessoa que conhece a dois meses.- Eu tentei ajudar, avisar, informar, qualquer coisa que colocasse ela de volta ao normal, aquela não era minha mãe.
-Eva tem razão, deveria ter pelo menos contado pra gente que iria trazer ele e não colocar o foco do jantar totalmente pra si. Era um jantar em família antes da peça, comemorar a volta da sua viagem e não um noivado.- Brian disse, ele já estava de pé.
-Não vou discutir isso, não importa mais.- Ela falou o que foi a última gota pra mim.
Arranquei o colar que estava em meu pescoço e joguei em cima da mesa, na frente dela. O colar havia se partido e pensei ter visto ela com um olhar surpreso.
-Não quero você no dia da apresentação, se aparecer eu faço questão de fingir que nem se quer te conheço. O que é verdade, porque eu realmente não conheço a mulher forte que enfrentou meu avô e decidiu sair de férias sozinha pra fazer as coisas que era impedida. Saiba que eu não apoio o que você fez com meu pai, ninguém merece ser traído e espero que um dia tenha noção do que fez.- Eu falei e sai daquela sala de jantar, indo a procura do meu pai.
Assim que abri a porta a tristeza me acolheu, de longe avistei meu pai sentado num banco afastado do antigo parquinho. Caminhei até ele, meu coração se partiu quando notei que ele tinha uma única lágrima caindo de seus olhos. Sabia que ele ainda amava minha mãe, tinha sentimento por ela, iria perdoá-la apesar do erro que fez, Max Leonard era um grande homem.
-Espero que não tenha brigado com ela, Eva.- Foi a primeira coisa que ele disse quando sentei ao lado dele no banco.
O calor do verão chegava, ainda tinha a brisa fria por conta da noite estrelada, mas eu sentia que tudo estava nublado no meu mundo.
-Disse que não concordava com o que ela fez, e devolvi o colar de herança.- Eu contei. Ele olhou pra mim desacreditado mesmo que um pequeno sorriso bem discreto estivesse no canto de seus lábios.
-Era um colar importante, mas sei que vai dizer que seu caráter é ainda mais.- Meu pai respondeu e eu apenas concordei.
-Meu caráter é ainda mais.- Repeti o que tinha dito o fazendo dar um pequeno riso.
-Fico feliz que tenha amadurecido assim, significa que está crescendo, tem meu apoio nisso.- Max disse.
-Mas...- Eu continuei por ele.
-Mas Louise ainda é sua mãe mesmo que erre, continue respeitando e cuidando dela, consigo ainda entender que essa foi a forma que ela encontrou de seguir em frente e respeito isso, claro que errou mas se é o que ela acha melhor quero que tente aceitar.- Meu pai só se mostrava mais forte com aquela decisão.
-Não prometo nada, mas vou tentar.- Eu respondi a ele.
-Eva...- Ele cobrou.
-Ela te traiu e nem teve vergonha de mostrar isso, foi um erro, pessoas erram, eu sei, mas pedir perdão é um bom primeiro passo.- Eu reclamei e ele deu um triste sorriso, tentando cada vez mais lutar contra aquilo.
-Deixe as coisas fluírem, filha. Pare de tentar controlar tudo, sei que esse é seu jeito mas algumas coisas não devem ser controladas. Somente deixe elas acontecerem, mas somente algumas, não é tudo, e essa é uma das que vou escolher deixar fluir.- Max disse orgulhoso dele mesmo. Eu não tinha outra opção a não ser concordar com ele.
Nos abraçamos e ficamos ali sentados observando as estrelas que ia desaparecendo cada vez mais que o verão estava perto de começar.
Comecei a deixar que algumas situações fluíssem a seu próprio curso.
⨁
Estou orgulhosa da minha snowflake.
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