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Thomas Peter.

Provas. Amigo. Compromissos.

Corria pelo corredor, estava atrasado pra aula, resolvi revisar o assunto pela manhã e acabei perdendo a hora, quando olhei no relógio já estava cerca de cinco minutos atrasado e sem contar que o caminho mais rápido pra chegar na escola era de dez minutos, o dia começou como uma corrida.

Fui bater na porta da sala e antes que eu fizesse isso alguém abriu, meu coração deu um salto de susto ao ver a diretora da escola acabando de sair da minha sala de aula.

-Thomas Peter, faz tempo que não te vejo.- A diretora falou dando um sorriso nada bonzinho.

-Olá diretora, bom dia, é bom te ver também.- Respondi sentindo minhas mãos suarem frio.

-Tem uma boa explicação pra mim não é?- Ela perguntou cruzando os braços em frente a entrada da sala bloqueando a passagem.

Dei um sorriso amarelo e torci pra que ela acreditasse na minha história.

-Eu dormi tarde estudando, quando foi pela manhã resolvi revisar o assunto antes da prova e acabei perdendo o horário, sabe que eu moro um pouco longe da escola e não duvido que tenha que pagar multa por ter passado todos os sinais vermelhos pra chegar aqui a tempo.- Eu contei enquanto dava alguns sorrisinhos amigáveis, meu dia não podia terminar na sala dela.

Ela me olhou de cima a baixo e cerrou os olhos com uma expressão duvidosa, segui o olhar dela notando que estava usando minhas sandálias de praia.

-Está vendo, essa é a prova que estava mesmo focado em estudar.- Eu brinquei mas ela não abriu um sorriso se quer.

-Faça a prova, mas quando terminar quero você na minha sala.- Ela ignorou o que eu tinha dito e respondeu friamente.

Confirmei e esperei que ela cruzasse o corredor pra entrar na sala, alguns alunos davam risada e outros me observavam confusos. A professora de história lançou um olhar malvado pra mim e apontou pra cadeira na frente dela.

Eu não merecia aquilo, era um garoto tão legal.

Meu olhar cruzou com o de Brian no fundo da sala, ele revirou os olhos e voltou sua atenção na prova, sentei na cadeira e procurei uma caneta no fundo da mochila, quando finalmente achei uma ela estava sem tinta.

Céus, como eu era um azarado naquele dia.

-Alguém pode me emprestar uma caneta?- Eu gritei e a professora estralou a língua enquanto segurava a prova em minha frente esperando.

Alguém jogou a caneta e ela acertou minha cabeça, não tinha como ficar pior aquele dia.

-Obrigado!- Gritei e alguém desconhecido respondeu.

Sorri pra professora e ela colocou a prova na minha mesa, olhei pro relógio e notei que só tinha vinte minutos pra aula acabar; tinha uma prova com vinte e cinco questões de história; e assim que li a primeira questão notei que não me lembrava mais de nada.

Olhei para professora e ela cruzou os braços como se me esperasse começar pra volta pra sua mesa. Eu precisava me concentrar e lembrar de tudo que tinha estudado aquela manhã.

"Cite as leis e o que elas representavam durante a independência dos Estados Unidos da América"

Se essa era a primeira pergunta e eu não sabia, não queria saber como aquilo ia terminar...

Eu acabei pedindo a professora mais cinco minutos, no total de cerca de meia hora pra fazer aquela maldita prova. Nem queria olhar pra qual seria o resultado.

Brian apareceu na minha frente dizendo alguma coisa.

Estava sentado na arquibancada, no mais longe possível de todos, aquele era o nosso antigo lugar, onde nós dois ficávamos ouvindo música enquanto ele escrevia e eu conversava com alguma garota pelo celular.

-O quê?- Tirei o fone do ouvido e franzi a testa.

-Está me devendo depois dessa, Peter. Mas só fiz isso por causa do soco que dei em você.- Brian falou e eu encarei ele ainda confuso.

-Não estou entendo nada.- Contei e ele revirou os olhos.

-Você já foi a sala da diretora?- Brian mudou o assunto.

Eu confirmei e Brian sentou ao meu lado, colocou um lado do fone no ouvido dele, Come Together dos The Beatles estava tocando, escutava essa música sempre que estava tempo um dia péssimo, já que pra mim ela não fazia o menor sentido.

-Odeio essa música.- Ele criticou.

Dessa vez fui eu que revirei meus olhos.

-Odeio quando tenho que escutar essa música.- Eu digo.

Ele solta uma risada mostrando que entendeu. Eu olho confuso sem entender o motivo dele está ali, pauso a música e me encosto na cadeira da arquibancada.

-O que você quis dizer sobre eu está devendo pra você?- Perguntei.

-Eu troquei nossas provas.- Brian disse tranquilo, ele tomou o celular da minha mão e começou a escolher outra música, saiu da minha playlist triste e colocou na playlist que nós dois sempre escutávamos. Happier do Marshmello é colocada.

-Brian, diz que você tá brincando comigo.- Eu peço.

Ele dá risada e balança a cabeça negando, depois dá de ombros como se não tivesse feito nada demais em trocar nossas provas, correndo risco de ser descoberto ou zerar a prova com a nota que eu devo ter tirado.

-Porque fez isso?- Perguntei ignorando a música.

-Você ainda é meu amigo, Tom. Está brigado com você não faz isso acabar, então quando vi que você ia se dar mal na prova eu esperei até a professora pegar todas as provas, falei que ia ajudar ela a separar por ordem alfabética e coloquei seu nome na minha prova, usei a borracha nova da Eva pra apagar tinta de caneta e coloquei meu nome na sua. Enquanto isso a professora achava que estava sendo um bom aluno.- Ele explicou toda história se balançando no ritmo da música.

Ainda olhava pra ele achando que tinha ficado louco, mas mesmo assim não pude impedir um sorriso agradecido surgir no meu rosto, eu estendi a mão pra fazer o nosso cumprimento, ele estralou a língua como se aquilo fosse pura bobagem mas ainda sim fez.

-Valeu cara, não sei o que faria se fosse por você.- Eu agradeci.

Brian confirmou e deu risada logo em seguida.

-Eu sei o que você faria, ia ficar aqui nessa vibe péssima e sair descontando em todo mundo que aparecesse na sua frente.- Ele diz.

Eu concordo e o acompanho dando risada também. 

Era bom ter meu melhor amigo de volta.

Sem esperar eu ganho uma bolada no meu rosto, na mesma hora o meu nariz parece que saiu da cara, seguro a bola e olho de onde ela veio. Uns garotos sacodem as mãos pro ar e gritam desculpa, nem tenho tempo de falar quando Brian toma a bola da minha mão e se levanta da arquibancada num pulo, jogando o fone e o celular no meu colo.

-Vem, vamos mostrar pra eles como se joga.- Meu amigo diz.

Guardo o celular na mochila e sigo meu amigo junto ao gramado, me lembrando de quando eramos crianças e jogávamos. O sorriso voltou ao meu rosto no final daquele dia.

Os melhores amigos estão de volta.

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