Capítulo 20
Eu estava com medo. E já não aguentava mais nada, então simplesmente abri a porta, enquanto ele me olhava irritado. Lágrimas vinham sem parar.
___ Não me force, por favor! - pedi com a voz embargada.
Ele se aproximou, minha barriga gelou, o medo me consumiu. Fechei os olhos esperando pelo pior. No entanto, isso não aconteceu. Ele puxou meu braço e me levou de encontro a si, e ao invés de me obrigar a fazer amor com ele, só me abraçou. Naquele momento, não me importei com o fato de estar de langerie e ele, bom... Despido, só aceitei o seu abraço, e chorei descontroladamente.
___ Eu jamais faria isso. - ele sussurrou, enquanto beijava minha cabeça.
___ Foi minha culpa... Se eu tivesse terminado com ele... Ele estaria vivo... Eu sou culpada... - disse em meio aos prantos.
___ A culpa não é sua.
___ Então é sua e do seu pai. Por quê fizeram isso com ele? - perguntei fitando seus olhos - POR QUÊ? - gritei enquanto meus braços finos batiam em seu tórax.
___ Culpe a mim se quiser, mas não se culpe, você não é culpada de nada. - sussurrou me fazendo o abraçar de novo e chorar.
Onde eu estava com a cabeça?
Eu mal conseguia caminhar, mal conseguia ficar de pé. Já não tinha forças. Davi me colocou em seus braços, e me levou até a cama, onde me deitou. Com muita delicadeza, me cobriu com o lençol. Vestiu sua calça, e seguiu para o sofá branco que continha num canto do quarto, deitando-se nele.
Depois disso, permiti que meus olhos se fechassem, e adormeci.
...
___ Senhora Isabella... - a voz de Paula me acordou. - O café está na mesa, o senhor Davi já se alimentou e saiu. Disse que depois tem uma surpresa para senhora.
___ Já disse para parar de me chamar de senhora.
Quando me levantei, foi que me dei conta do que vestia. Tentei me cobrir enquanto ela ria.
___ Não se envergonhe. Já tive minha primeira vez também.
___ Já é casada?
___ Na verdade não. Fiquei com meu namorado. Ele também trabalha aqui, cuida dos cavalos, Jacinto o nome dele.
___ Legal!
Me levantei e segui para o guarda-roupas, minhas roupas antigas, e as novas compradas por Davi, já estavam lá.
Vesti uma calça jeans, uma blusa de manga branca, e um sapato qualquer. Esse era o meu estilo, me sentia bem se vestindo dessa forma.
De boca aberta!
Foi assim que fiquei quando vi o banquete sobre a mesa.
Tanta coisa vai ser desperdiçada!
Lastimei, pois não conseguiria comer tudo isso.
___ Já tomou café? - perguntei a Paula enquanto me sentava. Ela fez que não com a cabeça. - Sente-se. Coma comigo.
Ela fez uma cara de espanto, e sem saber o que fazer, iria se retirar.
___ Paula! - a chamei - Acho que eu sendo casada com seu patrão, sou sua patroa também. - ela assentiu - Então me obedeça e sente-se ao meu lado.
Sem hesitar, ela me obedeceu sorrindo. Foi bom comer com alguém, apesar de ela muito falar, era sincera, respeitosa, e não me escondia nada.
___ Isabella! - uma voz masculina me chamou.
___ É o senhor Davi! - Paula constatou se levantando, correndo até a porta. - Vamos! - a segui curiosa para saber qual seria a surpresa.
Davi estava em frente a casa, segurava um cavalo preto, malhado e muito lindo, e um jovem bonito atrás dele, segurava um alazão branco.
___ Esse é o Balthazar. Ele é muito bem treinado, manso e agora é seu. - Ao ouvir o que Davi acabara de falar, corri em direção ao animal.
Acariciei o corcel sorrindo por esse presente, mais que maravilhoso.
___ Gostaria de cavalgar? - ele me perguntou.
Meus instintos me diziam que não, mas minha consciência me obrigava, afinal, ele me presenteou.
Com sua ajuda, subi no animal. Davi subiu no outro. Ele seguiu na frente e eu o acompanhei. Me mostrou toda a fazenda, desde as plantações de frutas até o curral com todas as vacas. Tudo parecia tão próspero e perfeito. Na volta, observei a saída da fazenda. Meu coração bateu forte, já não dominava minhas mãos, balancei as redias, e senti meu cabelo voar com o vento. A cada galope do cavalo, sentia minha liberdade mais perto.
Contudo, Davi vinha atrás de mim, em poucos segundos tomaria a minha frente, e eu estaria encurralada. Desci desesperada do cavalo, enquanto corria sem rumo, em busca da minha liberdade.
E quando eu achava que tudo já estava bem, ele puxou meu braço. Tentei me soltar, eu gritei, fiz até o impossível, mas ele era forte de mais para mim. Ele me ergueu contra minha vontade, e me pendurou em suas costas, segurando minhas pernas, enquanto eu esmurrava suas costas.
___ Me solta! Me larga! - gritava tentando fugir dele.
Ele me levou até a entrada da fazenda. O jovem bonito ainda estava lá, Paula e uma senhora de idade, também. Corei de vergonha, e ainda para piorar, Davi não me soltava de maneira nenhuma.
___ Jacinto, vai atrás dos cavalos! - Davi ordenou ao jovem, que assentiu e se retirou.
___ Davi, coloque sua esposa no chão! - a senhora falou.
Ele me desceu com brutalidade. Segurou meu braço, e apontou seu dedo em meu rosto.
___ Nunca mais tente fugir de mim! - gritou me assustando. - Entendeu? - tornou a gritar. Assenti com a cabeça. - Vocês duas, levem ela para o quarto, tranquem a porta e me tragam a chave.
___ Davi, não pode fazer isso... - a idosa ainda interpelou.
___ Pode ter sido minha babá na infância, mas isso não te dá o direito de se meter na minha vida. - dito isto, virou as costas e saiu cuspindo fogo.
Segui caminhando junto com as duas mulheres, entrei no quarto, Paula me abraçou - ela realmente gostava de mim - a senhora me olhou com pesar, depois que as duas saíram. A porta foi se fechando, e aos poucos minhas lágrimas ameaçavam cair.
___ Sinto muito! - a senhora falou.
___ Eu é que sinto... - murmurei para mim mesma.
Segui para a sacada do quarto, onde me sentei observando o céu, sem conter o choro. Eu já não sabia o que fazer.
É errado desejar a liberdade?
...
Oiiiii
Que acharam do capítulo?
Foi bom?
Valeu a pena ler?
O que acham do Davi?
Me contem tudo o que acham...
Beijos e não se esqueçam de votar!
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