Capítulo 11











Miguel



          




       Já são três meses de namoro.

       Eu amo inexplicavelmente Isabella. Mas que tudo. Mas que a minha própria vida. Mas que a mim mesmo.   

       Cheguei na escola. As pessoas me olhavam. Algumas riam. Outras começavam a falar coisas nos ouvidos de outros.

___ Oi, Miguel... - Mellody, uma adolescente de aproximadamente 15 anos  me chamou com a voz melosa - Já que esta disponível, que tal marcarmos um dia para sair?  - falou erguendo sua mini-saia para cima.

___ Eu não estou disponível Mellody. Caso você tenha esquecido, eu tenho uma namorada.

___ A Isabella está noiva de um ricasso, você  é só um brinquedinho nas mãos dela. - falou irritada.

___ Como? - perguntei me aproximando dela. - O que disse?     

    Ela me abriu um sorriso indecente, e me fitou com satisfação. Se apoiou na parede e colocou a mão esquerda na cintura.

___ No mês que vem ela vai se casar com um médico-empresário. Não  sabia ainda? É o assunto principal da escola.   

     Ela virou as costas, estava indo embora. Meio que rebolando.

___ Espera! - a chamei.

___ Oquê? Reconsiderou e quer sair comigo ? - seus olhos brilharam de esperança.

___ Não ! - disse como se fosse óbvio - Eu quero saber quem te disse isso...

___ Encontrei um convite na bolsa de Helena. Se não acredita, pergunta a sua querida namorada.    

      Sai desnorteado. Procurei por Isabella na escola toda, e não a encontrei. Sentada em um banco no refeitorio, vi Helena com uma cara triste.

___  Helena! - a chamei me aproximando dela - É  verdade o que comentam sobre a Isabella? Como assim ela vai se casar no mês que vem ?   

        Ela me olhou como se estivesse em outro planeta, e acabasse de aterrissar na Terra.

___ Desculpe, eu estava pensando em Lucas. Ele está com câncer.- falou com a voz abatida.

___ Sinto muito... Mas, quanto a história de que Isabella vai se casar ?   

      Ela me olhou, como se finalmente acordasse de um sonho. Seus olhos penetraram os meus.

___ Quem te contou isso ? 

___ A escola toda! - respondi com raiva. - só me diga.

___ Sim. Mas tem um motivo.

___ Qual ? - perguntei .

___ Você vai ter que perguntar a ela.     

       Eu estava irritado. Se eu não saisse de lá agora, eu com certeza descontaria a minha raiva em Helena. Não pode ser verdade. Isabella nunca me magoaria assim. Bom, pelo menos eu espero.   



                                [...]  




    Quando cheguei em casa, minha mãe estava se arrumando para voltar ao trabalho. Subi para o meu quarto sem dar nenhuma explicação.   

          Sentei na cama.    

       Eu só queria saber a verdade. Só queria saber porque isso estava acontecendo comigo.  

  Eu preciso tirar satisfações - pensei comigo mesmo.    

     Eu tentei ligar várias vezes, mas ela não me atendeu. 

    Logo a tarde se acabou. A noite havia chegado. 

      Estava deitado sobre minha cama. Meu braço sob minha cabeça e lágrimas caindo a todo vapor.   

      Minha barriga começou a roncar. Só ai eu percebi que não havia comido nada hoje. Eu estava com fome, mas sempre que eu cogitava na minha cabeça a ideia de descer para a cozinha, meu estômago revirava.   

     Afinal, como eu pensaria em comer numa situação dessas?


                          [...]     





       Me levantei. Tomei uma ducha, vesti uma roupa qualquer, e fui para a escola. 

     Ela tinha que estar lá. Ela não faltaria dois dias seguidos. Eu a conheço muito bem.  

  Se é que realmente eu a conheço.     Se ela está noiva de outro cara e foi capaz de namorar comigo, acho que não a conheço. Ela não era o que eu esperava. Nenhum pouco.    

     Minha ansiedade em falar com ela era tanta, que meus dedos batucavam a mesinha sem parar .

    Sua cadeira a minha frente continuava vazia. Até que a porta se abriu. Sua mão delicada estava sobre a maçaneta.

___ Posso entrar, professora? - sua voz soou baixa e nervosa.    

  A professora de português só assentiu com a cabe, enquanto Isabella ocupava o seu lugar.   

      Ela não falava nada. Estava mais silenciosa que o normal.      Eu esperei um sinal de que ela estava feliz, quando a professora começou a informar quais alunos estariam se formando hoje.

       Último dia de aula.

    E quando a professora falou seu nome, apenas deu um sorriso de leve, e se encolheu em sua cadeira. Ela estava estranha.

     As aulas acabaram. Eu sai sem nem falar um "oi" para ela.   

     Lá fora, ao lado do portão, eu estava.    

     De cabeça baixa, segurando seus livros, com os longos cabelos cobrindo o seu rosto, passou pelo portão.

___ Preciso falar com você... - disse o mais frio possível.

___Miguel? - ela demonstrou surpresa, mas quando encarou meus olhos, pude ver a tristeza em seu olhar.

___ Então você  vai se casar com outro e nem se quer avisou ao seu atual namorado? - perguntei sarcástico.   

    Ela engoliu em seco.

___ Eu posso explicar...

___ Eu não quero sua explicação! - gritei - Eu só preciso saber se é verdade ou não.   

      Ela me fitou com lágrimas nos olhos. Sua cabeça baixou e pude ouvir os seus soluços.

___ É  verdade ou não? - perguntei calmo. Mas ela continuava em silêncio - Responda! - berrei.

___ Sim. - ela me encarou - Escuta, eu posso te explicar, só me escuta! - ela suplicou.

___ Eu já ouvi tudo o que precisava.    

     Sai às pressas. No fundo, eu nutria a esperança de que tudo não passasse de uma mentira. Mas não foi.    

    Ouvi passos atrás de mim, e senti seu perfume doce. Eu sabia que era ela, mas não estava disposto a ouvi-la falar . 

   Eu não entendo o por quê, só sei que eu sai correndo, e ela sempre na minha cola.

___ Miguel!- ela gritou - Espera!     

     Depois de muito correr, minhas forças me abandonaram, e minhas pernas já não aguentavam dar mais nenhum passo.

___ Eu preciso que me escute... - ela estava a minha frente. Seus livros não estavam mais com ela, em seus ombros, estava pendurada uma bolsinha de franjinha.    Isabella se aproximou de mim, e já com o ódio que eu sentia dela, a empurrei, enquanto a mesma caiu no chão.  

     Eu precisava esfriar minha cabeça. Então, simplesmente virei às costas e sai. Quando olho para trás, ela já estava na minha cola outra vez.

___ Não me siga! - gritei - Ou pode acontecer algo mais pior do que um empurrão.   

     Eu não iria machucá-la de verdade. Eu a empurrei por impulso, mas nunca a machucaria. Eu só precisava de um pretesto para ficar sozinho.





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Oi,

Olha eu de novo!
Boa quarta-feira para vocês!
Agora me contem o que acharam desse capítulo?
O que será que vai acontecer depois?
Não se esqueçam de votar! Não custa nada, e os dedinhos não caem.
E sexta-feira tem novo capítulo para vocês!



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