Capítulo 5 - A Lição

Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Maldición de una serpiente" postada em 2009 no FanFiction por Acarolin95.

Capítulo 5 - A Lição.

Naquela manhã levantou-se cedo, mais cedo do que esperava.

A casa estava silenciosa. Entrou na cozinha, onde não tinha ninguém. Ótimo, pensou Harry. Se dispôs a fazer o café da manhã para ele e sua família. Talvez assim poderia fazer que lhe dissessem o paradeiro de Mundungus e, não só isso, ajudaria que soubessem que estava mudando.

Não soube quanto tempo demorou para fazer o desjejum, mas supôs que não muito, já que ninguém tinha acordado ainda.

Em pouco tempo, escutaram-se uns passos desceram as escadas, acompanhado de vozes masculinas, as quais Harry conhecia a perfeição, e só uma o afetava.

Automaticamente, ele escondeu-se atrás da porta que dava para o pátio traseiro — o pátio estava coberto por uma grossa camada de neve, que tinha acabado de cair havia pouco. E longe, mas ainda na propriedade, estava uma pequena casa de madeira, quase em cima das raízes de uma grande árvore — deu uma olhada pela janela, e ali estavam.

Pôde ouvir perfeitamente o que diziam.

— ...Lily se esforça demais — dizia Sirius — Levanta tão cedo só para cozinhar.

— Por isso sempre digo que tenho sorte de morar aqui — disse Neville com um sorriso estúpido.

Sentaram-se e começaram a se servir.

Harry xingou-se. Seu plano não funcionaria, pensavam que tinha sido Lily, mas ainda teria uma vantagem: saberia um pouco do que eles conversavam, e do que falavam sobre ele.

— Ei, Sirius — disse Neville — Não acha que Harry está estranho ultimamente? Quero dizer — apressou-se a dizer — Não voltou a te chamar de cachorro sarnento, não chamou Lily de sangue ruim, nem disse que se retraia porque é um dano para os olhos! Sorriu para a elfa doméstica! E como se não bastasse, passou toda a tarde com os gêmeos Weasley! — disse, fazendo movimentos exagerados com os braços.

— Sim, James e eu já percebemos — disse Sirius sério — Achamos que Harry está planejando alguma coisa grande, já que não se queixou de estar conosco, nem de não poder falar com os Malfoys — a última palavra ele cuspiu como se fosse o maior palavrão que pudesse existir — Estou muito preocupado que Lily possa cair no plano dele...

— Tem razão — Neville o interrompeu — Eu não quero que ela se machuque mais do que já foi — abaixou o olhar, lamentando.

— Não é só isso que me preocupa, Neville — disse Sirius com uma expressão de tristeza e preocupação no rosto — Acho que James também vai cair. Não o culpo, é pai e sempre quis que seu filho mudasse para melhor.

— Mas você é padrinho dele e sei que também o ama, Sirius — disse com cautela.

— Sim, mas eu vi Harry fazendo coisas piores do que os seus pais, eu mantive os olhos bem abertos todos esses anos, e sei que ele fingiu sua queda para chegar e fazer as pessoas acreditarem...

— ...que mudou — completou Neville, entendo o que ele dizia — Acha que vai entregar os gêmeos Weasley e Lily aos Malfoys?

— Exatamente — respondeu com um sorriso que não chegava aos olhos — Mas calma, conversarei com ele, e James estará presente.

— Mas e se não disser nada?

— Terei outra, mas a sós, e assim até que se canse e não suporte mais — disse Sirius com um estranho brilho no olhar.

Harry sentia que o sangue não chegava às mãos de tanto apertá-las.

Era totalmente ridículo! Eu nunca entregaria a minha família a morte! Pelo contrário, prefiro me entregar se é para salvá-los. Como faço para convencer a Sirius se ele não me permite e faz um complô com Neville? Quem dera pudesse contar tudo, mas pensariam que estou louco. Era frustrante e o enfurecia que o seu próprio padrinho arruinasse os seus planos. Mas espera um pouco, não tinha dito Sirius que achava que meu pai também estava começando a acreditar? Isso era incrível! pensava Harry. A fúria foi diminuindo pouco a pouco para ser substituída por alegria e a esperança de que seu pai confiasse nele.

Sentia tantas coisas que nunca pensou que sentiria.

De repente alguém tocou em seu ombro. Harry deu um pulo de susto, fazendo com que caísse de costas.

— Espiar não é legal, Harry — disse uma voz que nunca se cansaria de escutar.

Virou-se e ali estava uma linda mulher de cabelo vermelho vivo, muito mais diferenciado do que o dos Weasleys, e seus olhos de um verde esmeralda, que brilhavam de alegria.

— De-Desculpe, Lily — viu como os olhos dela brilharam com mais alegria e entusiasmo ao chamá-la pelo nome — Mas de onde veio? Quando me escondi, não tinha ninguém — ela riu e balançou a cabeça negativamente.

— Estava na árvore onde... — imediatamente se deteve, e olhou a Harry com uma expressão de medo e desculpa nos olhos.

Ele se deu conta disso e apressou-se em dizer:

— Não me incomoda, eu nunca me incomodo contigo. Mudei, de verdade, não estou mentindo — lhe deu um sorriso e quase ao mesmo tempo levantou-se do chão.

Lily devolveu o sorriso e lhe perguntou:

— Quer caminhar com...?

— Sim — respondeu Harry, sem deixar que ela terminasse de fazer a pergunta. Mas não precisava, era uma pergunta que tinha esperado e não deixaria a oportunidade passar.

Sua mãe o olhou surpresa por um segundo e logo sorriu abertamente.

De novo esse sentimento novo o invadiu. Não sabia como chamar nem o que era, mas tinha certeza de que gostava desse sentimento, sempre gostaria de senti-lo como se fosse a primeira vez. Todo o tempo que estivesse ali tentaria senti-lo.

Com outro sorriso, ambos começaram a caminhar pelo jardim — ou melhor, pela neve.

— Por que essa mudança, Harry? — a pergunta pegou-o com a guarda baixa — Não é que eu não goste — apressou-se a dizer para que não tivesse mal entendido — Pelo contrário, eu gosto, mas... Por que de repente?

— Veja... — começou Harry enquanto sentia o rosto arder, mas de nervosismo, e não de raiva — A queda da vassoura não foi um acidente de verdade — decidiu usar um dos argumentos de Sirius —, eu quis cair porque talvez eu esquecesse de tudo, mas não foi o que aconteceu. Como se tivesse... como se tivesse passado um filme de toda a minha vida, isso fez com que me desse conta de... — não estava soando muito convincente, nem ele acreditava nas tantas contradições — todo o mal que fiz... — olhou para a mãe com insegurança no olhar.

Lily o olhava com um cenho franzido e logo começou a gargalhar com jovialidade.

— Harry, se não quer me contar, não conte, mas não minta. Não é bom nisso, é como eu, nenhum de nós sabe mentir.

Lily voltou a rir diante do olhar impressionado do filho. Ao se dar conta de como devia estar parecendo, começou a rir junto com ela.

Chegaram à grande árvore e apoiaram-se nela.

— Enquanto estava ali, percebi que estava fazendo alguma coisa na cozinha — comentou — O que fazia?

— Bom, eu só queria que quando acordassem tivesse o café da manhã pronto, mas por você, porque sempre faz tudo.

— Mas...

— Bibil me ajudou — apressou-se a responder a pergunta não formulada.

— Suponho que Bibil entra no seu plano de mudança, ou estou errada?

— Não, não está. Nunca está — disse Harry enquanto sorria de lado, sua mãe era tão rápida para captar as coisas quanto ele.

— Seu pai deveria aprender — ela disse com um sorriso — Sabe? Eu fico feliz que tenha a incluído, está muito feliz e se anima a fazer as coisas.

— Isso é bom — disse melancólico.

— É melhor voltarmos, não queremos que seu pai fique histérico e entenda tudo errado. Também não queremos pegar um resfriado.

Harry concordou e caminhou quase ombro a ombro ao de Lily — não queria separar-se dela — rumo à casa pelo curto caminho de cascalho coberto pela neve. Por um tempo, só escutava o crepitar da neve ao pisá-la.

Mas Lily comentou que era um bom caminho, sair com os gêmeos.

— São bem rebeldes, mas gosto deles — disse tímida pela reação que teria.

— Eu fico feliz que aprove — disse Harry. O sorriso dela deixou de ser tímido e passou a ser natural de felicidade.

Ele abriu a porta e deixou que ela entrasse antes.

Antes que pudesse terminar de entrar, James começou a falar em uma voz muito alta, mas não o suficiente para considerar que estava gritando.

— Lily, onde estava? Quando acordei, você não estava — passou o olhar angustiado de Lily a Harry, e ao vê-lo com sua esposa, seu olhar mudou para um furioso e gritou — Não se atreva a estar com Lily outra vez! Ela não merece sofrer mais! E muito menos por sua causa! — enquanto dizia isso, foi aproximando-se ameaçadoramente de Harry.

— James! Harry não fez nada...

— Eu posso estar com quem eu quiser! E para a sua informação, não lhe fiz mal e nunca farei... — dizia ignorando a Lily.

— Não me responda! E volto a repetir, Harry, não...!

— Chega! Harry não me fez nada e sei que não faria. James, é seu filho! O que sempre pedimos está acontecendo e se nega a ver, está fechando os olhos para a verdade — lhe repreendeu Lily.

— Mas Lily... — tentou responder.

— Não diga nada, James — disse Lily irritada e logo virou-se para ele — Não quero que fale assim com seu pai — lhe repreendeu, mas com mais suavidade, quase com doçura.

Um novo sentimento lhe invadiu o corpo e o coração. Sua mãe estava o repreendendo, riu com leveza diante da ideia. Já não tinha medo de dizer na sua cabeça a palavra "mãe". Olhou para a sua mãe que estava com o cenho levemente franzido, e o sorriso desfez-se de seu rosto.

— Acha isso engraçado, não é? — interviu Sirius, a sua nova dor de cabeça.

— Não...

— Pare com isso se não quiser... — dizia Sirius.

— Não, eu não...

— Não me interrompa, eu não terminei.

— Eu não estava rindo disso. Merlin! Só ri porque sou um idiota... — Neville riu diante disso e concordou com a cabeça — Desculpe, James, passei dos limites.

O olharam por alguns minutos surpresos, já que não esperavam por essa resposta.

— Viu? — disse Lily ainda surpresa, mas disfarçando — É melhor comermos.

Lily, James e Harry sentaram-se para comer junto de Sirius e Neville, que apesar de terem os pratos vazios, serviram-se de mais.

Sabia que os outros estavam conversando, mas não os escutava, não tinha o mínimo interesse. Relembrava os momentos que passou com sua mãe, os melhores apesar de ter sido apenas uma caminhada pelo jardim de casa.

Quando estava terminando de comer, escutou o seu nome e imediatamente saiu dos seus pensamentos.

— Surpreso que não envenenou — comentou Sirius, desconfiado.

Harry o olhou nos olhos por um curto tempo e disse quase em um sussurro, mas alto o suficiente para que o escutassem.

— De agora em diante, vai se surpreender muito, Sirius.

Sirius ergueu uma sobrancelha e franziu os lábios. Enquanto se olhavam, todos os presentes na sala estavam em silêncio.

— Já terminou, senhor Harry? — perguntou uma voz estridente, vinda de Bibil.

Harry virou-se para olhá-la e suavizou o olhar.

— Sim — e acrescentou um sorriso enquanto passava o prato.

Bibil recolheu todos os pratos que estavam na mesa e foi lavá-los.

— Sabe se Rony, Ginny e os gêmeos vêm? — pergunto Lily a Neville.

— Pelo que eu saiba, Rony vem, os outros não sei — respondeu enquanto fazia uma careta e encolhia os ombros.

Lily concordou.

— Sobre isso, vamos arrumar as coisas — disse Sirius, e com isso ele e James saíram da cozinha.

Harry não entendia nada do que diziam. O que tinham que arrumar?

Bom, se os Weasleys vierem — ou melhor, se o Rony vier —, devo me preparar para os insultos, se é que vão perceber que estou presente.

Neville retirou-se dizendo que tinha que se "preparar".

Harry, ao ver que sua mãe estava ficando nervosa, viu-se na dúvida entre ir ou ficar.

— Obrigado por me defender de James, mas não precisava, não devia...

— Não tem o porquê me agradecer — disse Lily e sorriu para acalmá-lo — E desde quando chama seu pai de James?

— Desde que vi que não quer que o chame assim. Deve se envergonhar de ser "meu pai" — disse Harry com o cenho levemente franzido. Na última palavra, a frisou fazendo aspas com os dedos.

— Harry, não é verdade...

— E tenho certeza de que Sirius é a mesma coisa — continuou como se não tivesse escutado a Lily, e desceu o olhar triste às suas mãos.

— Não tem como saber disso...

— Não se preocupe — a interrompeu — Vou falar com James. Sabe onde está?

— Sim, você sabe, no escritório — lhe disse sem incomodar-se em continuar com o assunto.

Harry limitou-se a assentir.

Subiu as escadas e chegou até aquele corredor estreito cheio de portas e só uma estava aberta.

Entrou no cômodo. Era um espaço amplo, onde tinha uma mesa de escritório cheia de folhas e coisas estranhas, quase não era possível ver as paredes porque as estantes a cobriam até o pé direito. As estantes estavam repletas de livros e mais coisas estranhas. Atrás da mesa do escritório, tinha uma poltrona e mais duas portas abertas pela metade, onde estavam James e Sirius segurando folhas.

Harry pigarreou para ter a sua atenção. James e Sirius levantaram o olhar para olhá-lo.

— O que você quer, Harry? — perguntou educadamente James.

Sirius murmurou alguma coisa que soou como "remorso", mas Harry ignorou-o.

— Estou procurando uma pessoa e não sei onde encontrá-la, não sei se está na Ordem — começou rapidamente Harry. Sirius o olhava com uma sobrancelha erguida e James estava inexpressivo — Procuro por Mundungus Fletcher.

— Quê? — perguntou James, agora com uma expressão de estranheza, preocupação e pensando que tinha enlouquecido — Para que o procura? Sabe o que ele faz e vende?

— Claro que sei, senão não estaria o procurando.

— Pensa em comprar de um ladrão?

— Bom, eu não o vejo assim, sabe? Ele rouba de gente que já roubou, então não dá para chamar de roubar — explicou Harry, lembrando-se da vez que Mundungus disse isso.

Sirius bufou.

— Suponho que já o viu antes, não é? — disse James.

— Por que acha isso? — perguntou Harry como se não entendesse ao que se referia.

— Porque, se não me falha a memória, o ouvi dizer isso uma vez — lhe respondeu.

— Não, na verdade nunca o conheci — ele mentiu — Só ouvi falar dele em Hogwarts.

— Ah! Já entendi. Compra de Mundungus para Malfoy, estou errado? — interviu Sirius, irritado.

— Está. Dá para parar de falar dos Malfoys? Parece obcecado por eles — rosnou Harry, farto.

Sirius revirou os olhos e lhe deu as costas. Harry olhou furioso por um momento para as costas dele, e depois virou-se para James.

— Mesmo que o dissesse, não te serviria — disse por fim o seu pai. Dando um suspiro, acrescentou — Pode perguntar na Travessa do Tranco.

— Obrigado — disse Harry.

— Mas não pode nem poderá ir lá — ele disse com voz autoritária.

— Mas... Eu me desculpei com Lily...

— Quando te coloquei de castigo, não disse que acabaria se te desculpasse com Lily. Além do mais, são anos que têm que redimir — James estava sério com o cenho franzido — Nada do que fizer vai adiantar, então termina com essa farsa antes que seja tarde demais!

— Não é... — começou Harry, mas ele o interrompeu.

— Não me interessam as suas mentiras, Harry — dizia James com voz calma — Quando decidi cooperar e me dizer a verdade, pode vir conversar. Agora se não se importa... — ergueu a mão e indicou a porta.

Furioso, Harry saiu do escritório e subiu as escadas até chegar ao estreito corredor, entrar no seu quarto e bater a porta com força.

Sabia que tinha sido uma batida mal criada, mas tinha que liberar a raiva.

Aproximou-se da mesa e procurou entre as gavetas por um pergaminho, uma pena e tinta. Lhe custou um pouco encontrar, mas no final conseguiu dentro de um baú dentro do armário.

Harry molhou a pena e escreveu:

Caros Fred e George:

Olá, garotos!

Temos um problema. Não posso chegar até a pessoa que pode nos ajudar a vender "isso", não é que eu não consiga, mas meu pai não me deixa sair. Desculpa por isso, mas o que eu posso fazer?

Harry.

Terminou de escrever a carta e a enrolou, mas se deu conta de um pequeno problema: não tinha uma coruja para poder enviá-la.

Considerou por um momento a ideia de pedir a Neville, mas a descartou logo, e sua mãe também estaria "se preparando". Talvez se fosse até o jardim traseiro encontraria alguma coruja.

Perfeito, pensou Harry quando chegou ao jardim, e descobrir que não tinha coruja. Ainda com a esperança que houvesse alguma, aproximou-se da grande árvore, olhou por entre os galhos e ali tinha uma coruja adormecida. Moveu um galho para chamar a sua atenção, mas até o momento em que estava escalando a árvore para perto da coruja, ela continuava adormecida. Continuou dormindo enquanto ele amarrava a carta na sua pata — era marrom chocolate, nada incomum. Acordou por fim quando tocou na sua asa, chirriando.

— Leve aos gêmeos Weasley, está bem? — a coruja deu uma picada em seu dedo, respondendo que tinha entendido — Tenha uma boa viagem — e a coruja saiu a voar.

Harry ficou observando o animal até que perdeu-o de vista. Sentindo mais livre, ficou ali sentado.

— Não está frio aí em cima?

Pulou de susto e caiu da árvore sobre algo úmido, frio e suave. Sentou-se e tirou a neve do cabelo e dos óculos. Teve sorte que fosse neve e não o chão duro.

Escutou uma risada, e procurou com o olhar sua mãe.

Ela estava estendendo a mão, que ele aceitou com gratidão.

— Não deveria passar tanto tempo fora — disse Lily quando Harry já estava de pé — Nem mandar cartas, seu pai não gostaria disso.

— Tem muitas coisas que James não gosta, mas acho que isso não o incomodaria — tentou explicar Harry, mas viu que não era uma boa explicação, então acrescentou — Era para os gêmeos.

— Ah! Perguntou se eles virão?

— Mais ou menos...

— Bom, Nev já enviou uma carta a Rony com Eclipse — supôs que Eclipse era o nome da coruja.

Lily riu com leveza.

— Que houve? — perguntou, confuso.

— Tem neve nas orelhas e no capuz — disse enquanto tentava controlar a risada. Harry tirou rapidamente — Me desculpe se te assustei.

— É claro que me assustou, Lily! — exclamou Harry sem poder evitar um sorriso — Senão, eu não teria caído da árvore.

— Tem razão, mas nunca se sabe se queria ver como é cair de uma árvore direto para a neve — replicou inocentemente. Ele revirou os olhos, mas isso fez com que ela risse mais — Vamos para dentro.

— Já terminou de zombar? Porque não me importo.

— Sim — respondeu com a voz tremida de tanto rir — Me desculpe, não era a minha intenção...

— Claro que não.

— Bem, vamos para dentro.

Não podia continuar com isso. Tinha que fazer sua mãe saber que estava mudando.

Tinham entrado na sala quando Neville desceu correndo as escadas.

— Lily, responderam a carta e disseram que os quatro vêm — disse quase sem fôlego.

— Oh! Isso é ótimo! — disse Lily feliz — Harry acabou de enviar uma aos gêmeos. Vou contar a James.

Neville e Harry observaram Lily até que chegou ao último degrau e desapareceu pelo corredor.

— Infelizmente os gêmeos não vão passar a tarde toda contigo hoje — disse Neville.

— Quem disse? Você? — perguntou Harry.

— Exato, Potter — respondeu arrastando as palavras. Era quase uma cópia de Draco — Caso não tenha percebido, ninho de passarinho, virão para me ver treinar — disse com arrogância.

— Você? Treinar? — disse Harry fingindo estar impressionado — Uau! Deve ser um ato de veneração! Sabe, o menino que sobreviveu treinando. Me espanta que não tragam as suas fãs — fingiu lamentar.

— Cale-se, Potter — irritou-se Neville — Está com inveja.

— Não sabe o quão invejoso estou — debochou enquanto revirava os olhos.

Antes que ele pudesse começar a falar, escutaram um som da janela. A coruja com a resposta dos gêmeos.

— Com licença, sua majestade — Harry fez uma reverência. Neville cerrou os punhos com força e estava a ponto de socá-lo, se ele não tivesse se movido mais rápido.

Abriu a janela e deixou que a coruja entrasse e pousasse sobre seu ombro.

A carta dizia:

Olá, palito:

Não se preocupe, hoje vamos para a sua casa e ver se podemos convencer seu pai, vamos contigo para aquele lugar. Também levaremos o dinheiro que temos para ver se dá.

Obs: já estamos indo.

Levantou o olhar e olhou a Neville.

— Já estão vindo.

Ele apenas assentiu e subiu as escadas apressado.

Bom, já sabia qual era o tal evento. Veria pelo menos se ele sabia lutar ou se defender como ele ou melhor. Estava começando a ver que nem tudo o que a voz rouca lhe disse era verdade, algumas coisas não eram tão ruins como ele esperava e outras eram péssimas e o pegavam de surpresa.

A lareira acendeu-se em um fogo esmeralda. Em alguns segundos, Rony saía de lá e caía direto ao chão. Enquanto ele se levantava, Neville e os outros desceram as escadas. Poucos segundos depois, Ginny saiu e Neville a impediu de cair ao chão. Rony e Ginny cumprimentaram a todos, exceto Harry.

A lareira voltou a acender-se e saíram Fred e George.

— Boa tarde, senhores Potter — disseram e acrescentaram com menos educação — Olá, Sirius! — os três cumprimentaram-nos.

— E aí, garotos? — interviu Harry.

— Vassoura! — disse George alegremente.

— Harry, garoto, como esteve? — disse Fred do mesmo modo que o irmão.

— Excelente.

— Que bom — disse George.

— Trouxemos o dinheiro — disse Fred em voz baixa enquanto subiam as escadas, e os outros conversavam alegremente — Depois falamos sobre isso — lhe deu uma piscadela.

Chegaram ao escritório de James. Sirius limpou a garganta e disse:

— Harry — ele fechou os olhos e suspirou, virando-se — Vai entrar?

— Claro, por que não? — Sirius deu de ombros e revirou os olhos.

Passaram pelas portas, desceram algumas escadas de pedra e chegaram a um lugar cômodo, iluminado por tochas que estavam flutuando inertes próximas das paredes lisas. Tinha uma espécie de colcha fina no chão, e uma série de aparatos para ver se tinha alguém na sala que fosse das trevas ou inimigo. Tudo era feito com magia, já que nenhum trouxa teria algo assim em casa, seria impossível para eles.

— É melhor que fiquem próximos das paredes — disse James, fez um movimento de varinha e apareceram uns pufs. Os gêmeos, Rony, Ginny, Lily e Harry acomodaram-se.

— Bem, vamos começar — disse Sirius animado — Locomotor Mortis!

— Impedimenta! — gritou Neville.

— Reducto!

Protejo! — gritou Neville, mas moveu-se para que o feitiço não o atingisse, já que o pronunciou errado.

— Expelliarmus! — em alguns segundos, ele saía voando e batia direto na colcha. Sirius estendeu a mão — Pronunciou errado, Neville.

Seguiram assim por bastante tempo. Lily saiu e foi fazer sabe-se lá o quê.

Neville era muito confiante de si mesmo e não durava muito tempo em pé.

Agora, era James que duelava com ele.

— Impedimenta! — gritou Neville.

— Petrificus Totalus — disse James, Neville esquivou-se agilmente — Everte Statum!

— Protego — defendeu-se.

— Depulso! — James lançou um puf na direção do garoto, que agachou-se para desviar — Reducto! — Neville jogou-se ao chão.

— Impedimenta! — James desviou com facilidade.

— Tarantallegra!

— Protego! — ele conseguiu a oportunidade de levantar-se — Expelliarmus!

James saiu voando até dar de costas em uma colcha. Finalmente o menino que sobreviveu tinha ganhado! Seu Neville era muito melhor que esse, seu Neville era bom, esse não.

Os garotos Weasley saíram correndo até ele para felicitá-lo. Os gêmeos deram uns tapas em suas costas, Ginny o abraçou.

— Isso foi ótimo! — lhe felicitou Sirius feliz e... orgulhoso? Harry irritou-se ao perceber isso. Tinha ciúmes de Neville, sentia-se traído.

— Realmente foi muito bem, Neville — disse James feliz —, mas precisa treinar mais.

Ah! Você acha? pensou Harry, mas sem dizer.

— Oh vamos, James, querido, não seja estraga prazeres — disse sua mãe, que tinha chegado com uma bandeja de sanduíches.

— Comida — disse Sirius correndo até os sanduíches, pegou um e o meteu inteiro dentro da boca.

— Sirius, deixe de ser nojento! — reclamou Lily, deixando a bandeja sobre um puf, agora transformado em uma mesinha.

— Almofadinhas continua o mesmo glutão — riu James.

— Assim como Ron — acrescentou Neville.

Rony estava exatamente como Sirius, a boca lotada de comida que quase não cabia.

Ele tentou dizer "do que estão falando?", mas não conseguiu.

— Não seja porco, Ron! — repreendeu Ginny.

Os gêmeos aproximaram-se de Harry e lhe deram um sanduíche.

— Obrigado.

— Não há de quê — respondeu Fred — Não achou genial como Neville luta?

— Não — disse Harry.

— Como assim? — perguntou George espantado.

— Ora, ele só ganhou uma.

— Certo, mas só tem dezessete anos. Nem nós a essa idade lutávamos assim — disse Fred tentando convencê-lo.

— O que acontece é que Harry é invejoso e acha que pode me vencer. Se não percebeu, seu pai é auror e eu o venci — disse Neville cínico.

— E o que isso tem a ver? — disse antes de dar uma mordida no sanduíche.

— Não me desafie, Harry — Neville o advertiu.

— Ou o quê?

— Já deveria saber — ergueu uma sobrancelha.

— Não me lembro, me refresque a memória — Harry fingiu inocência.

Neville lhe apontou a varinha ameaçadoramente. Harry ergueu uma sobrancelha e sorriu, então se levantou e pegou a própria varinha.

James, Sirius e Lily viram e interviram.

— Harry, não seja idiota — avisou James.

— Não se preocupe, James — Harry disse tranquilo.

— Não se faça de forte porque não é — disse Sirius — Quem vai sair mal aqui é você.

— Harry... — começou Lily.

Ele distraiu-se olhando para a mãe, mas o grito de Neville o pegou de surpresa.

— Protego! — gritou rapidamente.

— Tarantallegra — Harry esquivou-se com facilidade.

— Expelliarmus! — gritou quase imediatamente antes que Neville terminasse de dizer o feitiço.

O menino que sobreviveu saiu voando e bateu contra a parede.

Todos ficaram mudos, enquanto Neville levantava-se com dificuldade.

— Como...? — começaram Sirius e James.

Harry apenas os fuzilou com o olhar.

— Uau! Isso foi genial, palito! — gritou George com emoção.

— Sim! Foi super potente o feitiço que usou! — disse Fred com um sorriso de orelha a orelha.

— Foi muito bom — disse sua mãe sorrindo — Estou orgulhosa de você.

Harry ficou corado visivelmente e murmurou:

— Obrigado — voltou-se para os gêmeos e disse — É melhor nós irmos fazer aquilo.

Fred e George concordaram.

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