• Novos sentimentos •
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•| Johnny |•
Corri pelo estádio para ver se conseguia alcançar Declan. Saí pelo portão e vi ele longe virando a esquina, parei de correr e comecei a andar rápido seguindo-o.
— Ei — gritei quando estava bem próximo dele.
— Você de novo? — disse ele sem ao menos se virar pra mim.
— Ah... Sinto muito pelo o eles fizeram. —tentei suar o mais natural possível. Eu não me preocupava com as pessoas assim, tão rápido e intensamente dessa forma, na verdade raramente me preocupava, com certeza não por um garoto que não conhecia.
— Tudo bem, estou acostumado e não ligo para o que as pessoas pensam. —disse ele dando uma leve olhada pra mim, que desviou rapidamente do meu olhar, estavamos andando um ao lado do outro.
—Bom, ainda assim, posso te levar em casa, eu moro aqui. —falei apontando pra frente, pois estávamos em frente o grande portão da garagem de casa.
—Se quiser. — acrescentei, já que ele parecia com dúvidas.
Ele virou pra casa e deu uma longa olhada, olhou pra mim e deu um leve sorriso antes de virar e responder.
— Tudo bem, mas eu não moro logo ali. — falou sendo irônico e dando um leve sorriso. Um sorriso lindo aliás. Ele era bonito sério, e encantador sorrindo.
Só percebi meu devaneio, quando ele chamou meu nome pela segunda vez.
— Ah sem problemas, vou pegar o carro. —falei desviando o olhar e me virando pra entregar pela garagem para pagar o carro.
Entrei e peguei a chave que ficava na mesinha do corredor que sai na sala de estar. Liguei o carro e apertei o botão para o portão abrir.
— É um lindo carro. Modelo antigo, bem legal. —disse ele assim que entrou.
— Sim, era do meu avô, meu pai reformou ele pra mim. —falei rapidamente enquanto acelerava.
— Que legal. —falou ele olhando pela janela.
— É sim. Então onde você mora? —perguntei mudando de assunto.
— No bairro Jardim das flores, rua da praia. — ele informou olhando pra mim, e rimos bastante, realmente era longe, um dos bairros mais distantes do centro. Me perguntei se ele pegava ônibus todos os dias, devia ser exaustivo.
— Eu disse que era longe. —falou ele ainda rindo.
— Realmente, mas não tem problema. Você vem pra escola de que? —quando pensei já estava perguntando, e realmente eu estava curioso.
— Venho de metrô e ônibus. — falou ele olhando pela janela evitando meu olhar. — Não sou rico igual você.
— Eu não sou rico, meu pai que é. — falei apertando mais a mão no volante para tentar me acalmar mentalmente, me incomodou o fato dele gastar tanto tempo com metrô e ônibus para chegar na escola e passar pelo o que ele passou hoje.
Um silêncio se instalou,e eu mantive meu olhar na estrada, as vezes eu sentia o olhar dele sobre mim de canto de olho, mas eu ignorava. Faltava alguns minutos para chegar na rua dele, quando olhei para o lado vi que ele estava cochilando.
— Ei... — balancei ele de leve.
— Já estamos no seu bairro. — balancei de novo mais forte, ele deu uma mexida e abriu lentamente os olhos azuis, os mesmos que mexiam loucamente comigo, nunca vou me acostumar com esse olhar, lutei contra alguma coisa pra voltar a olhar para a estrada.
— Ah desculpa. É que geralmente demora mais e eu sempre durmo. — falou Declan se recompondo.
— É perigoso. — falei ainda olhando pra estrada,tentado não pensar muito nisso.
— O que é perigoso? — ele perguntou sem entender.
— Dormir em transporte público. — falei e forcei minha mandíbula de raiva, imaginando essa situação. Não entendia de onde vinha aquela raiva, e o porque dessa repentina vontade de protegê-lo, mas era um novo sentimento difícil de controlar.
— Não é quando se é impossível não dar sono, são quase duas horas até aqui. — respondeu ele depois de uma minuto de silêncio, senti que estava com vergonha da sua condição ou algo assim. — Essa é minha rua. — falou em seguida.
— Qual número da sua casa? — perguntei olhando as casas da rua, eram simples e bonitas.
— 323, aquela ali na frente verde. — falou ele apontado.
Parei o carro na frente da casa verde simples, era bem pintada tinha duas árvores em frente bem bonitas, que dava um ar mais sofisticado ai lugar, mas ainda sim bem simples. Me perguntava como ele tinha condição de estudar numa escola particular.
— Está entregue. — falei olhando pra ele, forçando um leve sorriso, ele agradeceu e já ia saindo quando por impulso de algo eu peguei em seu braço, nem eu estava me entendendo.
— Posso te buscar amanhã se quiser.
— O que? — ele parecia surpreso e assustado, arqueou as sobrancelhas e logo olhou de novo pra mim. — Não preciso de pena, agradeço por ter me trago hoje, mas não se incomode mais.
Me incomodo sim.
— Não é pena, é só uma ajuda, gosto de ajudar as pessoas Declan.
— falei mantendo nosso olhar. Ele desviou o olhar por alguns segundos como se quisesse falar algo importante, respirou fundo e voltou a olhar pra mim.
— Você já percebeu que eu sou gay, não é? — perguntou ele muito sério agora. Parecia ansioso para saber o que eu pensava disso. Porque ele achava que era tão óbvio? Eu o conhecia não tinha nem um dia.
Meu coração deu um leve aperto, não sabia bem o porque, mas aquilo não me deu raiva, pelo contrário, eu até diria que de alguma forma eu havia gostado do que ele tinha falado, mas parecia que ele estava dizendo aquilo para me afastar...
— Se é, não é problema meu. Espero que encontre um cara legal pra você.
—falei e por algum motivo, no meu íntimo, imaginar ele com outro homem me incomodava.
— O que acha que seus amigos vão pensar? Você dando carona pra um cara gay? — perguntou ele com a expressão um pouco mais suave, mas ainda parecia querer me afastar com o fato dele ser gay, provavelmente ele me achava muito hétero ou homofóbico pra querer me afastar com aquilo.
— Eles não vão pensar nada. —falei respirando fundo, minha paciência estava começando a ir embora, não entendia direito o que estava acontecendo ali, mas pessoas dramáticas me tiram a paciência fácil.
— Tudo bem, eu desisto de te fazer desistir dessa ideia. — falou ele tirando o cinto. — Obrigado pela carona.
— Tudo bem, te vejo amanhã. —respondi destravando o carro pra ele sair.
— Até mais. — disse ele saíndo do carro. Ele andou em direção a porta e entrou rapidamente, fiquei ali alguns minutos pensando em tudo que acontecera hoje, eu não poderia negar pra mim mesmo que um novo sentimento estava surgindo, aquele garoto mexia comigo, era estranho pensar dessa maneira, mas eu estava me sentindo atraído por um homem, sempre gostei de mulher, tudo estava muito confuso na minha mente, alguma coisa me dizia que aquele garoto ia foder com minha sanidade.
Me adverti mentalmente sobre aqueles pensamentos e liguei o motor e segui pra casa.
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Olá amores, mais um capítulo pra vocês, amanhã já sai mais um.
➡ O gif da mídia é a representação do nosso Johnny!
Comentem e votem, xoxo ❤
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