XXXIII

Depois de um dia longo de treino, eu não me sentia cansado, eu me sentia como se tivesse descansado o dia todo, mas como isso era normal? Ninguém conseguiria treinar tanto e ainda estar disposto, eu poderia virar a noite assim e ainda assim não estaria cansado.
- No que pensa tanto?- Falou Hugo arrumando as suas adagas em seu corpo.
- Não me sinto cansado.- Falei com ar de surpresa.
- Isso é normal, você não é totalmente humano lembra? Você é um guardião, você guarda tudo o que somos dentro de você.
- Como assim?
- Vou te levar para a biblioteca, e lá te explicarei o que eu conseguir, tudo bem ?
Concordei e começamos a andar até a biblioteca.
Quando entramos Hugo trancou a porta e andou até uma das grandes estantes , passou a mão pelos livros e parou em um, ele tinha a capa azul, e detalhes dourados , o título era "Occulta mundi", ele o inclinou para fora da prateleira e uma passagem surgiu na nossa frente, Hugo entrou e eu o segui, o corredor nos levou até uma grande sala, com uma grande lareira, varias estantes estavam espalhadas pela sala, cadeiras grandes e confortáveis por todo canto, pilhas de livros eram vistos em todas as direções.
- Aqui está todos os livros mais importantes na história do mundo, todos são primeiros exemplares, Kira gostava de história, ela dizia que com ela conseguimos aprender sem precisar passar pelo que os que escreveram passaram.
- Ela ficava aqui? Por quanto tempo?
- Dias, semanas, meses, o tempo passa diferente quando se é imortal.
- E por quê vocês guardam tudo isso aqui ? Porquê não expôr?
- Porque sabedoria é uma arma poderosa para quem não sabe usa - lá.
- E o que tem aqui que me ajudará a entender o que eu sou.
- Isso, falou andando até uma estante e pegando um livro preto com o título " Custodes mysteria omnia" e me entregando .
- Custodes mys...... - Falei gaguejando as palavras antes de Hugo me interromper.
- Custodes mysteria omnia, que significa guardiões de todos os segredos, foi escrito pelo primeiro guardião que tinha visões, e ela o traduziu para o português, eu aconselho a ler, te ensinará muito.
- Posso ler aqui ?
- Sim, depois que ler é só seguir o corredor e puxar a alavanca que a passagem se abrirá novamente e estará na biblioteca. - Falou virando de costas e sumindo pelo corredor.
Comecei a folhear as páginas do livro e tentava absorver todas as palavras que conseguia , todas as informações, tudo que eu conseguia, e assim eu li uma página depois da outra por horas até finalmente acabar de ler.
- Meu deus, todas as lembranças estão em mim, eu sei como lutar, eu sei como manusear uma arma, eu sei como lutar em uma guerra, eu posso andar rápido, posso ver além dos meus olhos humanos, e eu... Agnus ? Como me achou ?- Falei ao ouvir seus passos no corredor e sentir seu cheiro.
- Vejo que já evoluiu muito nessas horas que passou aqui .- Falou sorrindo enquanto pegava um livro e folheava sem interesse em suas páginas.
- Como posso fazer isso?
- Você é como uma memória ambulante, que está sempre armazenando tudo que vê, sente, ouve, você é poderoso e imprevisível, esse é seu trunfo contra eles.
- Você já sabia ?
- Sim, por isso vim, e por quê a menina me ordenou que te ajudasse e bom ela tem um poder enorme de persuasão.
- Você acredita que podemos salvar ela naquela batalha ?
- Nunca ninguém conseguiu mudar o futuro visto pelos guardiões, eu já tentei , mas o futuro pode estar ao teu favor, ele é incerto, quem vai saber o que ele realmente nos reserva ?
- Você já conheceu outro guardião? Mas fazem séculos que o último existiu.
- Não me tornei vampiro por livre e espontânea vontade, eu me apaixonei por alguém, e me casei com ela, mas logo após nosso casamento um guardião teve uma certa visão com que ela morreria , eu fiz tudo que um homem poderia fazer, vendi a minha alma para ter ela comigo só mais um dia, mas infelizmente não foi o suficiente.- Falou abaixando a cabeça
- Eu sinto muito.
- Eu também, então se achar que tem um pouco de chance de salvar a mulher que você ama, faça de tudo para salva- la para que não viva o resto de seus dias com o arrependimento como companheiro.
- Quer beber um pouco ? Você bebe né?
- Digamos que é um dos poucos prazeres que tenho, vamos até meu quarto , tenho um bom vinho lá.

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