XXV
Me despedi de Agnus no salão principal, e andei em direção a biblioteca, parei alguns segundos em frente à porta da biblioteca para reparar na imagem de dois guerreiros em batalha, onde um dos guerreiros enfia a espada no peito do outro guerreiro, e no fundo o cenário de guerra, balancei a cabeça e abri a porta, tranquei para ninguém me atrapalhar.
Me sentei na mesa e desabei no único lugar que eu conseguia ficar sozinha.
Jogada na cadeira joguei minha cabeça para trás, e fechei os olhos, flashes das guerras passavam pela minha mente , rostos das coisas que eu matei, os gritos , as mortes de amigos, o desespero de inocentes, me vi banhada de sangue e lembro do meu rosto satisfeito sujo de sangue.
Até que o rosto de Dardan apareceu, meus olhos se encheram de lágrimas que lutavam para não cair.
Me lembrei do seu cheiro, da sua risada quando me irritava, da sua preocupação quando íamos para a guerra, de suas mãos me tocando, da sua voz, do seu último eu te amo e de quando eu o vi sua cabeça na frente do portão do castelo. De como eu vi o meu amor morto e eu não pude fazer absolutamente nada para salva-lo.
As lágrimas começam a cair, e eu coloco minhas mãos no rosto tentando me acalmar, mas o esforço é em vão.
Encosto a cabeça na mesa, e começo a chorar cada vez mais, era como se finalmente eu estava me perdoando pelo que nao fiz.
Quando finalmente consegui me controlar me ajeitei na cadeira, prendi meu cabelo, passei a mão no rosto, e respirei fundo e prometi que ninguém que eu gostasse morreria novamente, nem que isso custasse a minha vida.
Ouvi passos apressados em direção a biblioteca e me levantei e fui em direção a porta e a abri antes que a criada batesse na porta.
- O que deseja? - Falei observando a cara de assustada da moça.
- O senhor Ciam pediu para que eu avisasse a senhora que ele te espera no quarto dele para conversar com a senhora.
- Obrigado por vim me avisar- Falei sorrindo.
- A senhora está bem ? Parece abatida, precisa de alguma coisa?
- Paz, mas acho que isso você não pode me oferecer - Falei sorrindo.
- A senhora carrega a dor em seus olhos e o sofrimento em seu sorriso, a senhora precisa se perdoar, precisa olhar para frente e esquecer o passado.
- Obrigada pela preocupação, você é bastante observadora.
- Se a senhora precisar de qualquer coisa me chame.- Falou me olhando com ternura.
- Qual seu nome ?
- Juliê senhora - Falou abaixando a cabeça e sorrindo.
- Obrigada Juliê, e por favor me chame de Kira. - Falei caminhando para o corredor.
No meio do caminho , mais precisamente no salão do refeitório eu encontrei Hugo conversando com Agnus e e quando me avistou saiu correndo em minha direção.
- Você ficou sabendo da novidade ? Todas as mulheres do castelo já sabem.
- Que novidade Hugo?
- Ciam terminou com Beatrice antes dela partir.
- Como assim? - Fiz uma cara de espanto, mas um sorriso de canto surgiu sem querer.
- É , ele está solteiro, e o que todos andam falando é que ele terminou com ela por sua causa.
- Que merda é essa de por minha causa ?
- Todos perceberam o jeito como ele olha para você, e de como você cuida dele.., aí juntaram um mais um e pronto.- Falou dando risada.
- Se você não tirar essa risada da sua cara eu juro que eu mato você.
- Tá bom, nossa cadê seu senso de humor? - Falou parando de rir ao ver minha cara de irritação.- Falando nisso aonde vai ?
- Ciam está me esperando em seu quarto para conversar comigo.
- Então acho melhor não demorar não é mesmo ?- Falou rindo e caminhando em direção a uma mesa com soldados.
Continuei a andar até o quarto do Ciam.
Antes que eu chegasse á porta ele a abriu.
- Meus sapatos - falei sorrindo
- Escuto eles de longe pelo corredor.- Falou se afastando da entrada para que eu pudesse entrar.
- O que quer falar comigo ? Falei observando que pela primeira vez nesses últimos dias ele me olhou nos olhos.
- Senta, o que eu preciso falar é sério, quer um vinho para ajudar ?
- É tão sério assim ?
- Sim, principalmente para mim.
- Então eu prefiro tomar uísque , é mais forte. - Falei sorrindo.
- Quantas pedras de gelo?
- A primeira dose sem gelo, é pra dar uma acalmada.
Ele me deu o copo e eu virei de uma vez só.
- Está pronta ?
- Bom, acho que sim.
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