Cap. 4
"Aqui estou. Uma loucura que se tornou medo e obsessão para saber o porquê de estar aqui. O porquê de tudo isso estar acontecendo comigo. Um lugar lugar imaginário em minha mente que me deixa com uma confusão mental tão forte. Eu já sabia que isso ia acontecer...Mas não agora. E aquilo não foi tentativa de suicídio. Mas quem ia acreditar que um cara apareceu atrás de mim como se fosse a mais pura magia?"
— Ah, Arletinha, eu não deveria ter deixado você sozinha, se eu soubesse pelo menos o que você tinha. — era a voz da minha prima.
Ela deve ta achando que eu tentei me matar?
Droga. Se eu sair dessa vou achar um encosto pro resto de minha vida se isso realmente não for esclarecido.
— Bem já que você ficou aqui — ela pegou minha mão e acolheu entre as dela dando uma soluçada alta. Ela deve estar chorando.—, eu vou ler pra você aquela sua lenda favorita. Que sua mãe me contou que desde pequena você sempre quis ser a protagonista dela. Bem vou te contar: Toda manha o nevoeiro cobria todas as partes da cidade de Veneza e sobre ela se ouvia uma misteriosa música, então rezasse a lenda. Que antigamente um velho senhor que conduzia um barquinho pelos canais da cidade, era apaixonado por uma doce senhora que vivia sentada sobre as escadas tricotando olhando pra ele de relance várias vezes, então certa manhã ele tomou coragem e lhe deu um colar com um pingente com um certo brilho e ela se derreteu e aceitou ir com ele dar uma volta em seu barco. E foi assim por vários dias , durante a relva da manhã sobre a neblina se ouvia a voz doce da senhora que cantava felizmente olhando para seu amado e então o destino lhe pregou uma peça e certa manha ela o estava esperando para navegar e viu que ele não veio e ficou muito triste sem saber o que havia acontecido
A pobre senhora morreu de tristeza na manha seguinte ao sumiço de seu amado. Foi então Que ele reapareceu no dia seguinte sorrindo e perguntando sobre ela, mas seu filho lhe contou sobre o falecimento da tao amada, então ele saiu em seu barco e sumiu novamente. E sem perceber perdeu o anel que tinha trazido para sua amada , o pobre velhinho morreu de tantas lágrimas que chorou
E sua doce amada dizem que toda manha vem com a neblina sobre a água cantando e procurando a aliança nunca usada. Uou é linda mesmo, está explicado porque gosta tanto dela, linda.
Ela soluçou uma última vez e percebi que deixou o recinto. O que era bom. Afinal estou totalmente molhada de lágrimas. Mesmo assim nessa situação, ainda não consigo sentir o mínimo de afeto por ela. Mesmo ela tentando. Era como se eu sentisse, que a fé dela me prendesse, eu a amo, mas ao mesmo tempo odeio, sinto algo forte, não sei. As orações dela me fazem bem, mas ao mesmo tempo doem como se fossem leves queimaduras.
"Estou em um verdadeiro domínio sobrenatural e uma vida normal. Não sei qual dos rumos escolher, afinal queria apenas ter certeza de que estaria fazendo o que era correto. Tentei mover meu dedo, mas este não queria me obedecer, ótimo.
Se alguém pudesse me ouvir meus pedidos de socorro mental, estou perdida na realidade. Como sempre estive, e claro que como sempre ninguém esta aqui comigo. Mesmo que esteja ao lado em corpo..nunca estava ligado a minha alma não haverá maior dor que essa. Estar sozinha mesmo estando rodeada de pessoas. Pessoas de coração frio que deixaram de acreditar em si mesmas só por causa da TV, por causa das ditaduras de beleza, de força... Até mesmo de amar. Como ousam controlar até o amor ? Eu não consigo entender nem decifrar isso ai.. Eu vejo as revistas abusando daquele Photoshop, claro. Sabemos que essa porcaria é uma ilusão.Fala sério, faça isso parar. Se você tem beleza, um sorriso cativante, uma alma pura.. eleve-a. Pois cada pedacinho de você é perfeito. Lá de baixo até o topo.. Lembro que minha mãe me disse "não se preocupe com seu peso" Ela falava."meninos gostam de ter o que apertar à noite" Você sabe que não vou ser uma vara pau, Barbie siliconada. Eu nunca liguei para os padrões de beleza.
E agora estou nessa. Em uma transição entre o nada. Meu corpo parece estar descontrolado, não sei. Estou num tipo de nirvana, numa passagem, num preso temporal entre paraíso e sofrimento. É como...céus, não sei descrever.
Mais uma vez tento mexer meus dedos só que me parece que meu corpo já não me obedece mais. Alguém por favor. Eu nunca pedi nada. Me ajuda. Salva minha alma.
Percebo que meus devaneios são cortados por uma sensação estranha, algo parece que vai acontecer a qualquer segundo. Pressiono meus olhos com força, não sei que coisa horrível estava para se passar, mas pelo amor...que não seja minha morte. Não por favor.
Sinto um toque diferente em minha mao,como se alguém estivesse a beijando de leve. E era possível sentir um outro tipo de aroma no ar. Era um odor forte, indecifrável , com um toque de rosas e pelo que me parecia.. Também tinha enxofre.. Credo que raios é isso. Não sei o que estava acontecendo mas consegui mexer meus ombros e fazer uma careta , finalmente os músculos de meu rosto estavam me obedecendo. Mas pelo céus. Quem estava aqui comigo? Não falava nada. Não sei nem porque está aqui. Engulo a saliva a seco e meus olhos teimosos resolvem se abrir, fazendo com que eu fite aquele ser. Eu não sabia direito o que ele era, afinal minha visão não estava das melhores. A única coisa que deu para reparar é que era um homem de cabelos avermelhados intensos, uma pele alva esbranquiçada, um toque firme mas macio e estava com um jeito, que me pareceu preocupado com meu estado. Na realidade, eu nunca tinha o visto antes, como que ele sabe de mim, como que veio me ver e..porque da preocupação? Sendo que nem minha própria mãe havia estado aqui. Não que eu me lembre. Finalmente eu teria coragem pra falar. Mas receava, e se eu abrisse a boca e ele desaparecesse? Hey, moço nem pense em fazer isso.
— Hm... Quem..quem é você..?
Falei de forma rouca, puta que pariu, meus pulmões nunca pesaram tanto em toda minha vida quanto agora. É como se eu estivesse anteriormente corrido uma maratona por pelo menos 49 estados dos EUA.
— Na hora certa, você vai saber quem eu sou meu amor, depois que este caminho tortuoso ficar mais reto. É seu destino despertar, chamando por meu nome.
Eu não estou entendendo. O que ele quis dizer com isso? Eu o encarava atônita. Calada. Não conseguia expressar nenhuma reação. Era como se alguém estivesse traçando , ou ditando algo que ia acontecer. E antes mesmo que eu pudesse falar mais alguma coisa, fui despertada de meus pensamentos , e ele já havia ido embora dali. Ótimo. Uma pessoa estranha me visita, se faz de mãe Diná revelando que algo vai me acontecer e em seguida some como se fosse uma coisa totalmente estranha e sobrenatural. Certo isto estava me deixando com muito medo.
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Ouço a porta se abrir e imagino que seja o tal homem de volta, tem que ser ele. Tem mesmo. Eu preciso fazer varias perguntas. Mas bem..pelo visto não agora, a figura que entra em meu quarto é de uma mulher. Uma garota. Vestida de freira. Ótimo. Minha prima.
— Você acordou Letizinha
Ai.
Meu.
Deus.
— É...eu..acordei..
Falei de forma fraca dando um pequeno sorriso, não que eu estava fraca de mais pra sorrir, é por causa dela mesmo. Eu aqui esperando que fosse o tal homem e ela me aparece. Ah, ótimo mesmo viu.
— Os médicos iam até desligar os aparelhos amanha.
— Des- desligar os aparelhos ?
Falo baixinho e me arrumo na cama erguendo uma das mãos vendo aquele aparelho em meu dedo. Mas por que raios iam desligar? Fiquei mal uma noite.
— Bem... Eles achavam que você ia entrar em estado vegetativo. Afinal de contas você já passou quase oito meses completos em coma, achavam que ia diretamente morrer, mas eu com minha fé tinha certeza que não. E ai está, vou lá chamar o doutor.
Dito isso ela saiu da sala até que meio saltitante. E eu fiquei boquiaberta. Quase oito...oito meses. Meu aniversário se foi. Meus 18 anos foram completados comigo em uma cama? Eu não...não pode estar acontecendo isso comigo. Sinto meus olhos ficarem marejados, instantaneamente deixando as lágrimas rolarem em seguida. Tinha passado todo esse tempo ? Não pode ser ela esta mentindo pra mim. Não.
— Bem senhorita Arlete, como esta se sentindo? — o medico se aproximava de mim pegando em meu pulso e olhava para a máquina.— é, ta tudo normal mesmo.
— Eu...eu passei oito meses aqui?
— Passou sim... Achávamos que estava até mesmo entrando em estado vegetativo. Foi muita loucura você ter tentado se matar.
— Eu? Suicídio? Não, não doutor alguém me empurrou da sacada, eu juro...quando me dei por mim eu já estava acordando aqui.
— Espera... Então foi tentativa de homicídio?
Ele solta meu pulso calmamente e me fita ficando com o rosto em expressão séria, enquanto eu apenas conseguia responder balançando a cabeça em sinal positivo.
— Vou falar com sua prima imediatamente.
— Hey, espera — falo molhando meus lábios e seguro na mão dele vendo que vira ficando a minha frente — quantas pessoas vieram me visitar ?
— Só três. Sua prima, e outros dois homens que eu não sei quem são. Um ruivo e outro de cabelos em tom claríssimo. Um loiro... Algum deles é seu namorado?
— Namo...não eu sou solteira, mas obrigado pela informação.
Soltei-o e vi saindo em passos calmos de dentro do recinto. Um loiro? Um ruivo...e minha mãe que é bom nada. Talvez eu deveria ter mesmo morrido, assim talvez ela se importasse mais comigo. Só que agora estou duplamente confusa. Este bendito ruivo, e agora um loiro que eu nem ao menos sei quem era. E ainda tinha o 3. Um homem de cabelos castanhos em tom bem escuro que havia me empurrado da sacada fazendo assim com que eu caísse e desperdiçasse minha vida em uma cama de hospital.
O importante era isso agora. Descobrir quem são esses três e porque cada um deles de alguma forma queria falar comigo. Alias..o beijo em minha mao dado pelo ruivo foi a coisa mais intrigante ate agora, de cada evento que havia se passado. Com muito esforço consegui me sentar na cama e olhar por toda a volta, reparando claramente que estava tudo bem organizado ..limpo.. É aquilo não podia ser hospital publico nem aqui nem em marte. Me encostando sobre a madeira da cama , dei uma pequena erguida no lençol para arruma- lo , quando percebi que eu estava apenas com a roupa do hospital e nada mais que isso. Estou sem minhas roupas íntimas. Quem será que as tirou? Ai meu Deus e aqueles dois homens vieram me visitar. Fico ate meio corada ao notar isso mas preciso me conter um pouco. Só isso que eu pensava. Me controlar. Simplesmente.
Engulo saliva a seco percebendo que meu corpo se tornava mais pesado assim que a figura do ruivo aparece diante de mim uma vez mais. Automaticamente , como pura feitiçaria eu acabo me deitando na cama ouvindo apenas o trancafiar da porta, e os passos em minha direção. Pressiono os lábios o vendo diante de mim e arqueio as sombrancelhas vendo o sorriso malicioso que ele abre enquanto me fita.
— Veja só. A princesinha esta toda imóvel.
— Caralho, quem é você?
— Olha, que mal educada.
Ele disse se abaixando e ficando frente a frente com meu rosto, pondo aquela mão grande sobre meu seio, o que me fez reagir pegando em seu pulso com o máximo de força que eu tinha.
— Hm...fica tranquila, não vou te fazer nada. Eu só vim aqui a comando do meu chefe.
— Chefe?
— É...chefe. Seu papai biológico.
— O que?
Fiquei boquiaberta no mesmo instante. Não isso não é possível. Eu só tenho um pai, e ele é bem pobrezinho não tem como ter um ajudante. Esse cara esta viajando na maionese. E se ele não tirar essa mao do meu peito eu vou matar ele com a sonda.
— Seu papai biológico. Você vai amar conhece- lo...hm... Aliás, Gordinhas tem peitos gostosos em.
Ele riu com malícia e tirou a mao de mim andando calmamente em direção a porta e ficou encostado na mesma me encarando com aquele sorriso cínico.
—Não tem direito de tocar em mim, ok ?
— Ah...eu sei. Mas não resisti..toda vez que eu vinha aqui você nunca tinha nada por baixo.
— Você não...
— Fica tranquila, prefiro as mais vivinhas transar com um legume não deve ser legal.— Ele riu e colocou as mãos no bolso —só dei um beijo em sua mao naquela hora porque seu pai estava nos vigiando.
Eu estou ficando realmente com medo de tudo que esse maluco esta falando. Ele fala como se o meu pai não fosse meu pai e fosse outra pessoa. Mas pelo que estou vendo... Estou bem longe de estar perto de meu verdadeiro lugar.
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