13- Luísa


          - Lulu, fique deitadinha aí no seu lugar! - Titia disse.

          Bufei.

          - Eu quero levantar! São que horas? - Perguntei.

         - 20:30 Luísa, agora fique quieta na cama. - Mamãe disse, me empurrando na cama.

          - Eu tinha que encenar a peça! - Falei, desesperada.

          - Eu falo com a diretora depois. - Mamãe disse, despreocupada.

          - Mãe, a diretora vai me expulsar! Ela disse que se eu não apresentasse a peça, eu estaria fora do colégio! - Falei, alterada. Não sabia o que fazer.

          Desde cedo, depois do meu acidente, que eu tentava persuadi-la a deixar que eu fosse para a escola. Eu não tinha quebrado nada... Só inventou de cair da escada do porão e torcer o tornozelo, né Lulu?! Minha consciência acusava. Eu estava atrás de tinta...

          - Diretor nenhum transfere um aluno só por causa de uma peça. No máximo, você irá perder nota em algumas matérias. Talvez, em apenas uma. Você não é tão má aluna assim, Luísa. - Ela disse, me deixando sozinha no quarto.

           Eu nem tinha visto o momento em que Titia havia saído. Claro, sou destraída demais para perceber tanta coisa. Passei a mão pelos bolsos do meu short e senti falta de um objeto retangular. Cadê o meu celular?! Será que ligaram pra mim? Ai...

            Devagar, eu levantei da cama em um pé só, me firmando em alguns móveis pelo caminho. Meu celular devia estar por algum lugar daquela bagunça. Será que eu deixei no hospital?

            Nunca fui boa em encontrar coisas, mas eu tinha que me esforçar um pouquinho. Depois de vários minutos perdidos sentada no chão procurando pelo meu celular, de quatro olhando por debaixo de tudo... Não o achei. Vai saber onde eu meti...

             Me sentei novamente. Como se uma lâmpada se iluminasse acima da minha cabeça, eu lembrei onde poderia estar. No porão! Deve estar lá! Sorri contente e peguei minhas companheiras para o dia a dia: as muletas.

             Tentei ser menos barulhenta o possível para não chamar a atenção de mamãe de novo, mas esbarrei no Diogo, o jardineiro.

              - O que está fazendo aqui, mocinha? - Ele perguntou sorrindo do meu estado.

              Fisicamente: sorri para que ele não me delatasse.

              Mentalmente: Queria que você sumisse! Será que se eu soltar as muletas para bater nele, eu caio? (Provavelmente sim, melhor não tentar, sua sem noção).

              - Diogo, está tudo bem por aí? - Minha mãe perguntou da sala.

              Dei meu melhor olhar de súplica para ele.

              - Sim, dona. Tudo ótimo! - Falou alto. - Me deve uma. - Ele murmurou no meu ouvido e foi na geladeira da cozinha pegar uma cerveja.

             Deixei ele lá e fui para o porão, apressada. Odeio ele! E olha que eu raramente odeio alguém. Soltei as muletas para entrar no porão e sentei no chão. Eu literalmente ia descer a escada de bunda até lá em baixo, meu pé doía ainda, estava no gesso. Ai, que coceira...

            Ainda bem que eu lembrei de ligar a lâmpada! Fui descendo os poucos degraus até chegar no chão e engatinhei por debaixo da escada, até encontrar meu celular no chão, com um arranhão de cima a baixo. Coitadinho... Deve ter caído do meu bolso quando eu prendi o pé no degrau e depois saí rolando na escada... Caramba, porque eu sou tão azarada?

            Voltei subindo de bunda, segurando o celular. Quando fechei a porta do porão, encarei a face vermelha da minha mãe.

            - O que você faz aqui, Luísa?! Vamos para o quarto! Nada de pintar por hoje e até você estar com o seu pé no lugar! - Ela reclamou no meu ouvido.

           Eu não entendo pessoas com raiva... Elas parecem assustadoras, eu hein. Minha mãe parece o demônio quando briga comigo! Como deve ser a cara do demônio? Será que ele tem rabinho e usa um tridente mesmo? Hum... Será que...

          - Pronto, fique aí. - Mamãe falou.

          Eu a vi indo embora mais uma vez, dando "aquela" olhada. Liguei o celular, sentindo dó dele. Haviam várias mensagens de Camila e Thiago.

          Camila: Lulu, onde você se meteu? (18:30)

          Camila: Eu estou ficando preocupada. Aparece, por favor. (18:57)

          Camila: Luísa, vai começar em poucos minutos. Implorei para a diretora ganhar tempo pra você. (19:10)

           Camila: Me desculpa, tive que pedir para a Patrícia fazer seu papel... A diretora disse que vai expulsar você na segunda, na hora da aula. (20:15)

           Camila: Eu fiz tudo o que pude. Vou pensar no que posso fazer pra te ajudar. Mas, não vou prometer nada. Aquela mulher é difícil de convencer! (20:17)

            Thiago: Luísa, estou preocupado. Já liguei mais de 5 vezes. (18:27)
            Thiago: Camila já me perguntou milhares de vezes se eu consegui falar com você. Por favor, atende. (18:40)

            Thiago: Lulu, nós vamos começar. (19:17)

             Thiago: Patrícia não queria, mas fez sua parte. Eu... Sinto muito por isso. (20:10)

             Thiago: Não consigo dormir... O que aconteceu? (21:00)

             Thiago: Quando puder, responde. Foi algo ruim o que houve? (21:24)

             Thiago: Vou tentar dormir de novo... Boa noite, Lulu. Espero que esteja bem... (21:43)

              Meu coração se esquentou quando li as mensagens dele. Quis responder na hora, mas não queria acordá-lo. Ele estava sem sono por minha causa?! Reli todas as suas mensagens um monte de vezes. Minha cabeça rodava, pensamentos diferentes fervilhavam. Acho que vou enlouquecer! O que é isso?! Como se chama? Quem inventou um sentimento que tira o sono das pessoas e que as faz escravas de outras?

           Não pude evitar não responder. Foi mais forte que eu (assim dizem os drogados).

           Eu: Desculpa não ir, Thiago. Eu... Torci o tornozelo, mas estou bem! Mamãe me levou no hospital. Estou andando com muletas, mas eu estou bem, de verdade! Boa noite... Espero que durma bem! (21:53)

            Desliguei a tela, mas logo o celular vibrou. Ele havia respondido.

            Thiago: Vou na sua casa amanhã. Quero ver como você está. (21:54)

             Ficou off. Se meu pé não estivesse doendo, eu teria dado pulos de alegria. Ai, que ansiedade! Aparece, sol! Aparece, sol!

              De tanta ansiedade e nervosismo, esperando o dia amanhecer para ver o Thiago. Ele vai vir na minha casa para me ver! Mas, acabei dormindo com o celular na mão olhando para o relógio.

            Acordei animada, fui correndo tomar banho. "Correndo" entre aspas, né, porque meu pé ainda doía e eu fui andando com a ajuda das muletas. Quando terminei de escovar os dentes, ouvi minha mãe falando com alguém na sala.

             Larguei tudo, só lavei a boca da pasta e peguei minhas companheiras e andei o mais rápido que pude.

             - Entre, Thiago. Vou ver se a Luísa já acordou. - Mamãe falou, mas levou um susto ao me ver.

             Encontrei os olhos dele. Me perdi, como em tantas vezes aconteceu. E agora, vem a parte ridícula da minha existência... Soltei minhas muletas e saí correndo, mas senti dor ao colocar o pé no chão e adivinhe... Cai de cara no chão.

            - Ai, ai, ai! Que dor! - Gritei.

           - Luísa! Mas, que garota teimosa! - Mamãe resmungou, vindo para me levantar.

            - Pode deixar, eu... Ajudo ela... - Thiago falou.

            - Ah, tudo bem... Claro! Eu... Vou ali! Na cozinha! Já volto! - Mamãe disse.

           Achei estranho, mas ok. Thiago me levantou com cuidado e me ajudou a sentar no sofá. Eu não tirava os olhos dele. Quando ele sentou do meu lado, me joguei de vez, num abraço. Ele riu.

          - Eu fiquei te esperando! Que bom que veio! Me desculpe, eu queria ir...

          - Tudo bem, olhe você... De muletas... - Ele sorriu. - Você vai melhorar!

           Ele colocou uma mexa do meu cabelo para trás e eu sorri amarelo. Meu coração estava agitado, então soltei-o do abraço.

           - Ai, tomara que não demore! Meu pé dói e mamãe me proibiu de pintar até eu ficar boa!

           - Não vai demorar, você vai ver. E, quando você ficar boa, pode me fazer um favor?

           - Qual?

           - Me ensina a pintar? - Ele pediu.

           Eu sorri. Olha, que ideia supimpa!

           - Claro!  - Falei, animada.

           - Café para vocês! Thiago, tenho muitas perguntas, que bom que está aqui! - Mamãe disse, com um bandeja nas mãos.

           Ai, será que eu vou ser expulsa mesmo?

           [...]

........

Oi, gente, tudo bem?
Só queria pedir desculpas por ter demorado no capítulo novo... Eu amo vocês, tá?

Ahhhh e eu sei que ficaram preocupados com a Lulu! Mas, ela vai ficar bem gente! Bora torcer, né! Quem sabe o que que vem por aí nessa aventura...

Ainda vai sair capítulo essa semana, palavra! Pelo menos um! (Vou tentar, juro)

Amo vocês! Obrigada por acompanhar!😍❤️❤️❤️❤️

             Ella Bloomore

          

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