O Começo
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O vento gelado chicoteava o corpo pálido e arrepiado de Amber, que ainda carregava as marcas da noite de choro e angústia. Debaixo do dossel, ela aguardava um telefonema, ou talvez fosse ela quem deveria ligar. Na noite anterior, após confrontar as mentiras que lhe contaram, Amber sabia o que precisava fazer.
Charlwood Hills, a cidade que a acolheu, tornara-se um palco de sofrimento. Desde que pisou em suas ruas, a vida de Amber nunca mais foi a mesma.
Escondida entre as pedras que ladeavam o riacho, ela revivia os momentos que passaram juntos. Uma lágrima solitária deslizou pelo seu rosto, um prenúncio da dor de ter se enganado, de ter acreditado que poderia vencer.
Um aperto no peito a dominou, mas não era hora de se torturar. Fechando os olhos, tentou conter a dor que rasgava seu coração. Amber respirou fundo, sentindo a presença dele.
Era hora!
— Fica comigo. — A voz de Black ecoou em sua mente, e a pergunta a fez estremecer. Por que ele precisava pedir isso? — Vamos resolver as coisas. Juntos.
Sem olhar para trás, Amber enxugou as lágrimas, sentindo apenas o ritmo acelerado do seu coração. Virou-se para o lado, encarando o imponente carvalho, relembrando cada momento desde sua chegada a Charlwood Hills.
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Encarando a estrada a sua frente, após de ter se despedido da Filadélfia, a sua cabeça estava em outro lugar. Amber queria estar feliz por finalmente conhecer pessoalmente a família da sua falecida mãe. Mas o tempo trouxe ela no momento mais difícil.
Amber suspira, observando a expressão da Catarina, sua tia, que Amber a chamava de mãe. Amber acaricia os seus cabelos loiros e ondulados, Catarina lembrava muito a sua irmã Katelyn, a mãe biológica de Amber. Faleceu muito nova, então Catarina cuidou de Amber, como se fosse sua filha.
Com a morte da irmã mais nova, Catarina
saiu de Charlwood Hills quando Amber tinha alguns dias de vida, assim prometendo a si mesma que nunca mais colocaria os pés naquela cidade.
Amber observa que Catarina não falou quase nada ao caminho todo, se lembra que semana passada.
Catarina estava irritada com ela, Amber pediu para elas fazerem uma visita na casa da sua tia Mara, irmã mais velha de Catarina e Katelyn.
Mas Catarina deu um não tão friamente que Amber achou melhor não pedir mais.
Amber sabia que Charlwood Hill trazia muitas lembranças de Katelyn, apesar de querer conhecer muito a pequena cidade, Amber achou melhor respeitar o momento de Catarina.
Amber colocou os cabelos castanhos claros para trás da orelha, encarou as árvores que passavam depressa, ficando para atrás, sentiu o vento morno contra sua pele.
Charlwood Hills é uma pequena cidade localizada na Pensilvânia. Nessa sexta-feira, o céu estava ensolarado, os pássaros voavam por cima das árvores, as borboletas pousavam entre as flores e um esquilo afundava entre o mato.
Esse dia poderia ser incrível, seu coração apertou-se quando seus olhos cor de avelã encontraram os olhos azuis de Catarina.
Amber não podia estar feliz. Ela não teve oportunidade de conhecer seu avô pessoalmente.
Com os olhos agora focados na estrada à frente, Amber se lembra das poucas vezes que falou sobre seu avô Vincente, não sabia muito sobre a sua família materna, pois eles eram ausentes desde a sua infância.
Amber não tinha muita curiosidade sobre seus avós, quando era criança. Catarina sempre disse que eram apenas elas duas.
A única imagem que ela tinha dos avós era uma foto antiga e amarelada, que guardava dentro do seu diário. Escrevia todas as noites antes de dormir, guardando a sete chaves.
Seu pai, Bryan, morava na Califórnia, conheceu Katelyn após passar uma boa temporada em Sacramento. Após dois anos juntos, acabaram se separando quando Katelyn estava com 9 meses. Katelyn achou melhor voltar para perto de sua família até que Amber nascesse.
Amber tinha pouco contato com seu pai, lembra das poucas vezes que fizeram coisas divertidas juntos. Seu pai era muito ocupado, tinha se casado de novo, uma bela esposa chamada Josie e uma filha não tão legal chamada Rosely. Meia irmã da Amber.
Amber sentia que não se encaixava muito com a família do seu pai, eles eram um tanto chiques, Josie era estilista, e Rosely era uma garotinha mimada na época. Amber visitou Bryan poucas vezes no outono, quando tinha seus oito anos de idade. Depois mantiveram contato apenas pelo celular, Catarina dizia que Bryan era um irresponsável as vezes. Mas, pensando bem, Amber não sentia falta do pai, Catarina lhe dava todo amor e atenção de que precisava.
Catarina cruzou as pernas na namoradeira, olhava a revista Vogue e bebia seu café gelado.
— Mãe? – Amber se encosta na soleira da porta, colocando sua mão esquerda em volta do quadril. — Por que não passamos o Natal em Charlwood Hills? com a nossa família.
Catarina coloca a xícara xadrez sobre o piris, em seguida coloca a revista sobre suas coxas. Dando um longo suspiro.
— Amber, eu não acho que seja uma boa ideia. – disse Catarina. — afinal, eu já combinei da gente ir para Boston, com a Giulia, passaremos o final de semana todas juntas.
— Eu sei que foi um trauma, quando a mãe Katelyn morreu. – Amber insiste. – mas...
Catarina interrompe.
— Não vamos começar de novo, eu disse não.
Catarina se levanta da namoradeira, desliza o dedo na têmpora e se vira para ouvir o recado que a Giulia deixa na secretária eletrônica. Amber apenas suspirou, não gostava de ver sua mãe tão estressada, e não queria desapontar, pois ela estava animada com a viagem.
Amber se recorda de que foi o melhor Natal de sua vida, ela e Cassie, sua melhor amiga de infância, trocaram presentes de madrugada.
Até fizeram um pedido quando passou uma estrela-cadente, mas se tivesse passado com a sua família? seria o melhor Natal? Talvez sim.
Seu avô estaria vivo e Amber teria abraçado quando entregasse seu presente, todos dariam risadas. Será que seu avô pessoalmente teria os mesmos olhos da sua mãe, Katelyn? E se a sua mãe biológica não tivesse morrido? Ela seria tão protetora igual à sua irmã, Catarina?
Eram tantas perguntas que enchiam sua cabeça.
Amber umedece os lábios, se recorda da história de sua avó que se chamava Katherine. Ela se casou com o primeiro marido, que é pai da Catarina e Mara, mas ele acabou falecendo tragicamente em um acidente de carro. Com o passar dos anos, ela se casou de novo, foi quando nasceu a Katelyn. Vincete tratou as duas como se fossem suas filhas. Catarina e Mara tinha um enorme carinho por ele, não deixava nada faltar para as duas.
— Queria muito ter conhecido o meu avô. – Amber virou a cabeça rapidamente para observar Catarina, talvez não tivesse que dizer isso. — Vai demorar muito para chegar?
Mordeu os lábios.
Catarina aperta os olhos, passando alguns segundos antes de responder.
— Desculpe...— começou Catarina, sua voz era baixa. — Já estamos quase chegando.
Catarina enxuga com o dedo o cantinho dos olhos. Catarina não precisou dizer o motivo da desculpa, sem dizer nada, Amber já sabia o motivo. Preferiu não falar nada, viu que Catarina já estava sofrendo muito, por dois motivos: se afastar tanto da família e impedir que Amber o conhecesse.
Catarina suspira e sorri, acariciando a mão de Amber delicadamente.
(...)
Assim que o Volvo passou perto de uma placa de ferro com alguns musgos verdes e envelhecidos balança suavemente ao vento, Amber suspirou por entrar em Charlwood Hills. Catarina saiu da Filadélfia com a promessa de que ficaria por apenas dois dias, mas acabou mudando de ideia algumas horas depois da conversa com sua irmã Mara, apesar de ter falado para Amber que ficariam por um ano. Ambas quase não trouxeram nada de Filadélfia. Catarina disse que não precisaria de um caminhão de mudança, pois voltariam logo. Um ano passaria rápido. Trouxeram apenas suas roupas e coisas pessoais.
Amber colocou a cabeça para fora da janela do carro, era uma cidadezinha pequena e não era nada comparado à Filadélfia, a cidade tem algumas estruturas antigas em estilo colonial.
Casas alinhadas ao longo da rua, com suas fachadas de madeira pintadas em tons pastéis e varandas envolventes.
O topo das copas dos carvalhos se encontrava e cobria a luz do sol ao passar por baixo. No parque, observou o labrador abocanhar o sorvete da sua dona. Ao para no semáforo, Amber notou a velha igreja quando o sino ecoou, era uma estrutura bem antiga pintada de branco, com suas torres altas e vitrais coloridos que brilham sob a luz do sol.
Dentes de leão perto da calçada. Ia até a porta da velha igreja. Amber sentiu um arrepio em seu corpo, não sabia, mas aquilo lhe deixava um pouco desconfortável, nunca tinha sentido isso antes.
— Está tudo bem? – Catarina toca em seu braço, sua mão delicada estava tão gelada.
— Sim, e que aqui é muito diferente.
Amber observa mais uma vez a igreja, De repente, uma freira apareceu na porta da igreja, vestindo seu hábito tradicional. O olhar tranquilo da freira fez Amber sentir uma mistura de reverência e mistério.
Catarina vira à direita quando o sinal fica verde, agora Amber teria uma nova vida, assim que o verão passasse, o ano letivo iria começar e teria que fazer novas amizades. Amber não era uma garota de ter muitos amigos. Cassie era sua amiga desde o jardim de infância e foi a única garota com quem ela se deu tão bem.
De longe, ela vê o topo da colina, Amber olha em seu celular, tinha salvado algumas fotos quando deu uma olhada no Google. Sabia que no verão as pessoa iam se refrescar no riacho, um lugar que tinha rochas enormes e uma água bem cristalina. Um pouco afastada da cidade.
De longe, Amber pode ver a casa em estilo vitoriano com janelas emolduradas que refletiam a luz do sol, através dos carvalhos do bosque. Era um pouco longe da escola onde Amber iria estudar, mas suspirou que não era assustador, não quanto o milharal por onde elas passaram, aquilo era assustador.
lembrava dos filmes de terror que assistia com a Cassie.
Amber pode ver melhor a casa quando sua mãe estacionou, na varanda, tinha duas cadeiras de baloiço e alguns jarros antigos com flores dentro, sino dos ventos balançava suavemente, produzindo um som sereno que ecoava pela propriedade.
Na casa ao lado morava sua tia Mara, o que dividia as casas era uma cerca de arbustos.
— Daqui a pouco será o enterro, temos quinze minutos. – Catarina dá a volta no Volvo e tira as malas para fora. — ainda dá tempo de você se vestir.
Amber concorda, tirando o cabelo do rosto, as árvores estavam agitadas, seus galhos retorcidos balançavam de um lado para o outro. Amber concorda balançando a cabeça, depois vai até a Catarina para ajudar com as malas, segue logo atrás, a calçada desgastada faz um leve barulhinho das rodinhas da mala, prende algumas vezes nos pequenos buracos nas pedras, Catarina dá uns longos suspiros, Amber sabe quando sua mãe está ao limite, quando está fazendo de tudo para não explodir.
Lembra que aconselhou a fazer ioga para controlar a respiração, e funcionou. Amber deixa sua caixa sobre a cadeira, olha ao redor e depois para sua mãe, suas unhas longas pintadas de vermelho descem até o bolso do seu blazer, retira as chaves da casa. Um anel prateado com uma pedra vermelha está no dedo anular da Catarina, o que mais lhe chamou atenção foram os símbolos ao redor da pedra cor púrpura. Amber nunca tinha visto ela usar antes.
— Mãe? eu nunca vi você com esse anel.
Amber tenta se recordar, talvez já tenha visto antes, mas realmente não lembra. Catarina a olha assim que destranca a porta, olha em seguida para o anel em seus dedos pálidos.
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