24• Dia de Paintball
Era o nosso terceiro dia no acampamento, eu já havia me acostumado com os insetos e com a forma que as coisas eram feitas aqui. Depois do café da manhã, fiquei com preguiça de voltar na cabana, então usei um dos banheiros espalhados pelo acampamento e fui em direção ao campo dos jogos.
O dia já estava quente e ainda não eram nem nove da manhã.
Jackson explicou os jogos que teríamos hoje e lembrou a todos que a pontuação estava 30 a 20 para o nosso time, mostrando a lousa da discórdia. A equipe vermelha o vaiou, então Dahyun assumiu o controle a partir dali.
O primeiro desafio do dia consistia em dez alunos de cada equipe ficarem com os pés dentro de um papel quadrado no chão. A cada fase, uma nova dobra era feita na folha, até que alguma das equipes não conseguisse que os dez ficassem dentro do espaço ao mesmo tempo sem cair ou deixar partes dos pés para fora.
Já o segundo jogo, será uma partida de paintball dentro da floresta. O objetivo é, além de acertar os adversários com os tiros, encontrar e roubar a bandeira do inimigo, que estará sendo protegida por uma dupla do time.
— Acha que podemos ganhar o primeiro jogo? — Yena murmurou, chamando minha atenção — Porque no paintball, eu já sei que não temos a menor chance!
— É claro! Olha só o tamanho deles! — apontei com a cabeça para os alunos vestidos de vermelho. — Temos corpos menores, vai ser muito mais fácil pra gente se manter junto dentro do espaço.
Dito e feito.
Foi como eu pensei que seria, os garotos mais fortes e altos da outra equipe não foram páreos para o porte magrelo e pés pequenos do nosso time. Foi muito fácil pra gente se manter junto em cima do pedaço de papel, mesmo quando já estávamos na quarta dobra e o espaço não passava de um pequeno quadrado.
Com mais dez pontos ganhos, abrimos a vantagem de 40 a 20 contra nossos adversários. Na pausa depois do primeiro jogo, o clima estava leve e descontraído do nosso lado, mas alguns colegas já planejavam a melhor estratégia para a partida de paintball que viria a seguir.
Eu estava descansando, sentada no chão ao lado de Yena enquanto tomava água em minha garrafa. O sol estava muito quente, tirei a bandana azul que estava amarrada em meu pulso como um bracelete e usei como um laço para prender o cabelo num rabo de cavalo. O calor excessivo já estava começando a me incomodar.
— Muito bem, crianças — Jackson surgiu puxando um baú grande o suficiente para me caber dentro. — Os equipamentos estão aqui. Vocês podem pegar os macacões naquele quiosque ali com a Dahyun e vão direto se trocar. Na volta eu explico as regras, ok? Vamos lá, circulando!
Todo mundo começou a se mover na mesma hora, do ângulo em que eu estava, parecia que alguém tinha jogado água em um formigueiro enorme com uma mangueira. Me levantei com preguiça, puxando Yena pelo braço para se erguer também.
Espiei o que havia dentro do baú quando passei para ir até o quiosque pegar meu uniforme. Tinham várias armas e munição para o jogo. Seria minha primeira vez no paintball, mas só pelo tamanho do equipamento, eu já sabia que não seria nada boa nisso. Se eu conseguir segurar essa arma já vou me considerar vitoriosa.
Entrei com minha amiga no banheiro feminino, que já estava lotado de garotas que vestiam seus uniformes para a partida. Coloquei o macacão preto por cima de minhas roupas e Yena surgiu, já vestida, me ajudando a fechar o zíper de minha roupa.
— Hoje eu acabo com a raça do Han Jisung.
— O que? — soltei uma risada surpresa com a fala da garota. Ela resmungou repetindo a mesma coisa novamente. — Pensei que fossem melhores amigos agora.
— Já falei, ele quem começou essa guerra. Ninguém mandou provocar Choi Yena.
Era engraçado como ela tentava parecer mais ameaçadora do que realmente era.
— Tudo bem, então — terminei de colocar as luvas do uniforme. — Se puder, acabe com a Soojin também, ela trocou a gente por um qualquer.
— Esse qualquer é o seu melhor amigo — constatou, rindo.
— Mesmo assim.
[...]
No meio da floresta, a equipe azul parecia mais motivada do que nunca. Nós ficamos sob a supervisão de Dahyun, enquanto Jackson levou a equipe vermelha para a base deles, em outro ponto da floresta.
Olhei para a bandeira azul fincada no chão próximo à nós, tínhamos que defendê-la a qualquer custo e fazer de tudo para roubar a do inimigo.
Soobin, que tinha sido designado como líder oficial do nosso time, nos juntou numa rodinha para definir algumas coisas importantes antes do jogo começar. Primeiro, precisávamos de duas pessoas para proteger o local da bandeira, e é claro que eu não iria me oferecer.
Vi Minho levantar a mão, mas não para se oferecer também, ele tinha algumas ideias sobre como deveríamos nos dividir para surpreender o inimigo no meio da floresta. Para minha surpresa, ele tinha ótimas estratégias, talvez o tempo de sua vida gasto jogando no computador tenha dado a ele uma habilidade em algo, afinal.
Todos escutaram atentamente as estratégias de Minho e, de repente, parecia que ele tinha se tornado o líder do time.
— Todos concordam? — Soobin perguntou, olhando ao redor. Todos assentiram, verbalmente ou não — Então vamos seguir esse plano, e eu acho que você deveria ficar cuidando da bandeira.
Minho pareceu hesitar por um momento, mas balançou a cabeça em seguida, dizendo:
— Eu fico, se a Kyra ficar junto comigo.
Eu quase me engasguei, tossindo enquanto todas todas as cabeças se viraram para mim, esperando uma resposta positiva. Podia sentir a pressão só de respirar o ar pesado que se instaurou ali.
— Ok. Eu... fico aqui.
Estava meio zonza, mas ouvi algumas comemorações depois da minha decisão. Balancei a cabeça tentando afastar aquela sensação ao mesmo tempo que Soobin nos convocou para o grito de guerra. Coloquei minha mão direita entre as várias mãos empilhadas no centro do círculo.
— Vamos ganhar isso aqui, ok? — o líder perguntou, arrancando gritos entusiasmados dos membros. — 1, 2, 3...
— AZUL!
Nossos colegas começaram a se afastar, o início da partida foi declarado por Dahyun, que deixou o lugar da bandeira junto com os outros.
Olhei para baixo, a arma estava pendurada ao redor de meu corpo por uma correia preta. Era grande e um pouco pesada. Tentei segurá-la para treinar a minha mira.
— Primeira vez? — Minho me analisou.
— Segurando uma arma? — perguntei com um leve sarcasmo na voz. — Sim, primeira vez.
— É melhor se você segurar ass‐
Dei dois passos para trás, me afastando quando o Lee tentou chegar perto para me ajudar.
— Tudo bem, eu cuido disso — tentei atirar uma esfera de tinta numa árvore que estava pouco mais à frente, mas o disparo passou longe. — Como você pode ver, eu sou péssima. Escolheu a pessoa errada pra ficar aqui com você.
Ele balançou a cabeça negando, vindo até mim devagar e parando ao meu lado. Dessa vez, não sei porquê, não me afastei. Ele levantou novamente a arma em minha mão, a apoiando por baixo onde eu segurava o gatilho.
— Você mirou no lugar certo, só esqueceu do tranco do disparo — ele disse, me incentivando a tentar de novo. Disparei com sua ajuda, acertando em cheio a árvore. — Viu só?
— O que? — perguntei, meu olhar estava na marca da tinta azul que tinha deixado no tronco.
— Eu escolhi a pessoa certa pra ficar comigo.
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