Trinta e Oito
— Respira Any, respira - Josh falava enquanto eu tentava me concentrar no banco de trás do nosso carro. — Eu estou indo mais rápido que eu posso ok? Não quero acidente, aguenta amor, por favor! - conseguia sentir o nervosismo pela sua voz.
São exatamente duas da manhã, do dia vinte e três de setembro, e eu acordei sentindo muita dor, muita dor mesmo, contrações fortes que foram contadas no início até calma, mas depois me desesperei, só deu tempo de Savannah chegar em casa e ficar com Ethan, enquanto corria para o hospital.
Josh estava tão nervoso, tão nervoso mesmo, que eu fiquei até com medo dele cair duro quando descobriu que era gêmeos.
— EU PRECISO DE AJUDA - ouvi Josh desesperando enquanto ele parava no estacionamento do hospital e enquanto eu saia do carro, vi dois enfermeiros se aproximando e trazendo uma cadeira de rodas.
— Joshua se acalma, eu quero um pai vivo e vendo o parto e não você desmaiado de novo, então se acalma - digo olhando pra ele que apenas concorda com a cabeça.
Enquanto Josh fica na recepção fazendo minha ficha, sou levada até um dos quartos e logo Drª Hidalgo, chega na sala, sorrindo, me fazendo milhões de perguntas e eu tento me concentrar em não surtar nesse exato momento, eu não posso, eu preciso estar bem para que eles venham com segurança.
— Any, vamos fazer um exame. Você tem certeza que quer tentar um parto natural? - concordo com a cabeça — Joshua está ai? - concordo novamente — Dor, né? Vamos agilizar esse processo e ver se eles já estão encaixados.
Primeira coisa que Drª foi checar, era a dilatação, os intervalos entre um e outro durava no torno de 5 minutos. Isso poderia demorar mais de 10 horas, mas eu na verdade já estava desde ontem a noite, quando fui deitar, senti dores absurdas, e não quis acordar Josh que já estava dormindo, então apenas pensei que eram dores do final da gestação, já que eles estavam previstos para o final da semana.
Duas horas depois, Josh já estava do meu lado, segurando minha mão enquanto eu sentia o intervalo de contrações diminuírem cada vez mais, ele disse que a recepção estava lotada de gente, querendo ver e saber alguma coisa, por um momento a dor passou e eu comecei a rir.
— Josh fala com eles, pede pra eles ajudarem logo - fecho os olhos e logo sinto a mão gelada do meu marido em minha barriga.
— Oi pequenos raios de sol, é o papai, bom vocês sabem disso né? - sorrio e permaneço de olhos fechados — a mamãe é um pouco teimosa, sabem disso né? Ela quer ter vocês de parto natural, então na hora certa, vocês vão precisar colaborar também, para ela não sentir dor, nem vocês - sinto seus lábios na minha barriga — eu não vejo a hora de ter vocês sobre meus braços. — amo vocês
— Nós te amamos também amor - sorrio e logo solto um grito, sentindo uma dor absurda;
— Any está na hora - Drª aparece na porta com mais dois enfermeiros — Joshua, me acompanhe por favor.
— Já encontro vocês amor - Josh me dá um selinho, bem demorado e sai acompanhando a Drª enquanto os enfermeiros me ajudam com toda a preparação para a sala.
Sai do quarto com a Drª e enquanto íamos para um outra sala, senti um pequeno incômodo, talvez medo de algo que poderia acontecer.
— Joshua, você sabe que o parto normal é indicado para gêmeos também, mas sabe dos riscos né? - nego com a cabeça — Any é importante agora, mas você é muito mais, quando o primeiro bebê vier, ela vai perder as forças um pouco, mas ela não pode parar até que o segundo venha, eu preciso que você aguente firme ao lado dela.
— Eu não vou desmaiar Doutora - sorri e ela dá uma risada sem graça.
— Não é isso, é comum nesses casos ela perder as forças para o segundo, já vi muitas tragédias acontecendo, Any ainda é saudável e eu preciso de você lá.
— Ok Drª, pode deixar.
— Vou te mostrar onde você pode se preparar enquanto eu vou preparar minha equipe também.
Saímos da sala, enquanto Drª foi para um lado, eu fui para o outro, encontrando com um enfermeiro que me indicou uma sala, onde eu colocaria todo o equipamento de proteção para o parto. Não vou negar que eu estou muito nervoso, mas eu não vou desmaiar, não vou desmaiar, eu sei que eu não vou mais desmaiar.
Segui para a sala onde minha esposa estava e quando ela gritou, eu corri ficando do seu lado. Any tinha os olhos inchados, de tanto chorar com dor.
— Eu estou aqui amor - pego sua mão e depositou um beijo na mesma — Any! - chamo sua atenção — Eu preciso de você, ok? Você não pode parar de fazer força, não pode desistir até que os dois estejam aqui, eu sei que está doendo, então toda vez que você sentir muita dor, você aperta minha mão, tá bom? - ela concorda com a cabeça.
— Estamos prontos Any, vamos lá, sua dilatação está ótima, então eu preciso que você faça força. No 3... um... dois... três.
Minha esposa começa a fazer força e conforme ela vai fazendo, sinto ela apertar minha mão cada vez mais, sua respiração começa a ficar ofegante, e o suor começa a descer pela sua testa, não só o dela, como o meu também.
— Isso amor, vamos força - digo para incentivá-la enquanto ela puxa o ar e mais uma vez faz toda a força que ela consegue.
Um pouco depois consigo ouvir um choro bem baixinho... meus olhos se enchem de lágrimas, Any se emociona e então a Drª se aproxima trazendo o primeiro bebê ainda cheio de sangue.
— Nasceu primeiro o menino - sorrio, meu Ravi, meu Ravi chegou, Any dá um beijo em sua testa e começa a chorar. Logo a enfermeira pega ele novamente e eu acompanho com o olhar para ver o que ela vai fazer. — Any, ainda temos mais um, vamos lá.
Volto minha atenção para a cacheada, que está chorando muito, sinto que o aperto da minha mão vem diminuindo cada vez mais.
— Amor, amor, vamos lá, eu preciso de você vamos lá - ponho minha mão por cima dela — respira fundo e vai, faz força, vamos lá.
— Eu não consigo Josh - ela diz baixinho
— Consegue sim, você é forte, vamos lá amor, precisamos de você, está acabando, mais um pouco só, vamos.
Minha esposa começa a fazer força novamente, e eu sorrio, vendo o quão forte ela é, ela sabe que é forte, depois de tudo que ela passou, ela não desistiu de nada, e segue em frente.
Aurora nasceu, sei disso porque vi a Drª com ela nos braços, mas diferente de Ravi ela não chorou o que me preocupou, muito.
— Josh, Josh, porque ela não está chorando? Josh - Any se desesperou e pude ouvir pelo monitor cardiaco o quão acelerado seu coração estava nesse momento, assim como o meu.
— Amor, se acalma. - tento transparecer calma na minha voz, como um alívio total, conseguimos ouvir o choro de Aurora.
Não desmaia Josh, ainda não.
— Temos uma bebê bem preguiçosa aqui, que não queria chorar né princesa - Drª se aproxima trazendo Aurora nos braços, e eu sorrio, Any solta minha mão e abraça a filha, logo outra enfermeira trás Ravi e coloca os dois sobre o colo da minha esposa. Essa cena vai ficar gravada na minha mente, para sempre.
Acompanhei os bebês até a maternidade, onde tive as primeiras orientações, por sorte consegui lembrar de tudo que Any me ensinou e de Savannah deixando treinar Peter. Pelo vidro pude ver minha família e Ethan com o rosto colado no vidro, esperando que eu mostrasse os seus irmãos. Apontei para onde os dois estavam e minha mão começou a chorar, sendo abraçada pela minha irmã. Então, dei o primeiro banho, seguindo todas as orientações que me passavam e prestando atenção em tudo.
[...]
— Agora Any, vamos preparar tudo para a primeira amamentação - a enfermeira se aproximava, colocando Ravi sobre o colo de Any que se lembrava muito bem ainda, não demorou muito e ele abriu a boca, procurando o seio da mãe, sugando com força em seguida, Any sorriu e uma lágrima escorreu de seu rosto.
De longe fiquei observando essa cena, linda, minha esposa, meu filho, logo Aurora começou a chorar e como Any ainda estava com Ravi, peguei-a no colo com todo cuidado do mundo e comecei a balançar ela devagar.
— Shiii, papai está aqui amor - digo enquanto vou aninhando ela devagar e o choro cessou logo em seguida.
— Amor me dá ela - Any pediu assim que Ravi terminou de mamar e então fizemos a troca, coloquei a pequena nos braços da minha esposa e peguei Ravi do colo da enfermeira, colocando ele para arrotar.
Ravi é mais velho por três minutos, ele é uma boa mistura de Any e eu, sua pele é bem clara como a minha, mas seus cabelos são escuros, como o da mãe, pelo que pude perceber quando ele abriu um pouco os olhos, ele vai ter olhos claros. Aurora tem o cabelo mais claro que o irmão, sua pele é uma mistura da minha com a da mãe.
A porta do quarto é aberta com tanta força que eu me assusto, olhando para trás e vendo Ethan entrando com sua avó, ele estava bem animado, pulando e segurando uma sacola na mão.
Faço novamente a troca, deixando agora Ravi sobre o berço e pego Aurora para fazer ela arrotar, e os dois se aproximam da cama.
— Any, querida, eles são lindos - ela se emociona.
— Obrigada Úrsula. - minha esposa sorri e Ethan fica pulando ao lado da cama, como se quisesse chamar atenção e subir na cama, minha mãe coloca ele sobre a cama e ele se aproxima da mãe, abraçando ela.
— Posso? - ouço a voz da minha mãe e sorrio, entregando Aurora para ela, e vou me aproximando da cama.
— Papai, olha a gente comprou pros meus irmãos - Ethan me entrega a sacola, e eu vejo dois ursinhos iguais.
— Que lindo filho, eles vão amar. - arrumo seu cabelo.
— A mamãe tá cansada - olho para Any que sorri e observa tudo quieta
— Um pouco filho, agora que os dois dormiram, vamos deixar a mamãe descansar um pouco? Depois podemos brincar muito com ela, e aí começa sua missão de irmão mais velho. - ele concorda e me pede colo.
— Pode ir filho, eu vou ficar um pouco, Priscila está louca para entrar.
— Eu já volto amor - me aproximo deixando um beijo nos lábios da minha esposa e vou saindo com Ethan.
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