Capítulo 8
**** Aviso Importante****
Essa capítulo tem cenas com tentativas de estupro, se for sensível a esse tipo de coisa, pule até a 🌓 no texto.
Esta obra é uma adaptação autorizada. Todos os créditos são da autora original LouTommo-Styles Escrito por Isa Feijó e publicado pela Editora Calíope, disponível na Amazon e Kindle Unlimited.
Era madrugada, todos já tinham ido embora. Louis foi o último a sair, só indo depois que Noah, com muito custo, havia dormido. Ele tinha me dito que voltaria antes do almoço, porque nos levaria para comer fora.
Noah dormia confortavelmente em sua cama, cercado pelos novos bichinhos de pelúcia, tinham tantos, que eu quase perdia o meu filhote no meio de tanta coisa.
Bateram na porta desesperadamente, a ponto de me acordar assustado. Noah deu um pulo da cama, mas afaguei os seus cabelos e o assegurei para voltar a dormir. Desci as escadas nervoso, quem estava batendo a porta parecia querer derruba-la.
— Quem é? — perguntei.
— Harry, é o Jules, abre a porta! — Jules era um dos amigos de Edgar.
— Ele não está, vai embora — eu respondi.
— Ele está morto? É verdade que Edgar e Camille estão mortos?
— Sim — eu respondi, ainda sem abrir a porta.
— Meu amigo está morto! Edgar foi morto! — ele parecia choramingar — Abre essa porta! Harry, abre essa merda! — ele batia com força, fazendo a porta tremer.
— Papai? — Noah estava na escada, assustado.
— Amor, suba para o quarto e se tranque lá. Você só abre a porta se o papai pedir, entendeu? — Noah confirmou com a cabeça, o alfa ainda batia, logo a porta iria ceder — O celular do papai está lá em cima, lembra que eu te ensinei a usar? Agora vai para o seu quarto.
— Mas e você?
— Eu vou resolver tudo aqui e já subo, agora vai lá! — eu o empurrei escada acima, ele deu uma olhada receosa e saiu correndo, só fiquei aliviado quando ouvi a porta do quarto sendo trancada.
— ABRE ESSA PORTA HARRY! ABRE AGORA!
— Jules, vá embora, eu vou chamar a polícia! — eu gritei, torcendo para que meu filhote escutasse e chamasse Emma.
— ABRA A PORTA! — ele usava a voz de alfa, gritava sem parar que eu tinha que abrir a porta, era ao mesmo tempo humilhante e apavorante.
Meu instinto queria me obrigar a abrir, brigar, mostrar pra ele seu lugar, mas eu lutava contra. Não era só a minha vida, era a do meu filhote que estava em jogo. Eu precisava ser racional, fraco do jeito que estava, não conseguiria defender ninguém.
— ABRA!
— Não! — eu chorava com a dor — Vai embora! — urrei.
— HARRY — ele rosnou — OBEDEÇA SEU BOSTA! ABRA A PORTA!
Jules parou de bater, eu respirei aliviado apenas por segundos, porque ele voltou a bater na porta dos fundos, tentando forçar a entrada.
— ABRA! — ele gritava e agradeci imensamente por Louis ter trocado aquela porta. Se fosse a antiga, teria cedido no primeiro golpe.
— NÃO! — gritei de volta — VÁ EMBORA!
Eu o ouvi andando em volta da casa, eu me sentia uma presa encurralada. Sei que era inútil, mas rezava para que alguém, qualquer um, chamasse a polícia.
Um barulho muito alto e vidro voou por todos os lados. A janela do corredor, a mesma que Edgar tinha me empurrado repetidas vezes até que um dos vidros quebrasse sobre as minhas costas, agora estava totalmente quebrada, Jules usou isso para entrar na minha casa e veio na minha direção, furioso.
— CADÊ O DINHEIRO?
— Do que você tá falando? Saia daqui!
— Edgar e Camille morreram me devendo dinheiro! Nós fizemos um trabalho grande, eles falaram que iam pagar a gente, mas não pagaram! Eu quero meu dinheiro! — ele revirava tudo, destruindo a minha casa, mas não encontraria dinheiro nenhum, porque o que tinha, Liam tinha levado para depositar no banco deles.
Payne tinha dito que não era seguro guardar uma quantia tão grande em casa, principalmente naquele bairro perigoso.
— Jules! Vai embora! Não tem dinheiro aqui!
— Não! Eu preciso do dinheiro! Eu sei que foi o bando do Tomlinson que pegou ele, agora vão vir atrás de mim, mas eu não sou burro! Vou pegar o meu dinheiro e vou sumir! Era muita grana, dá pra viver uma vida em outro lugar! Cadê a porra do dinheiro?
— NÃO TEM DINHEIRO! — gritei — Ele não guardava aqui!
— Se você estiver mentindo. . . — nisso ouvimos um pequeno barulho na parte de cima da casa — Quer saber? Se não tem dinheiro, eu levo o menino, ele é bonito, vale muito dinheiro no mercado negro!
— Você não vai encostar um dedo no meu filho! — ameacei.
— E quem vai me impedir? — ele me agarrou pelo pescoço com rapidez, me batendo contra a parede — Você é um cara muito gostoso, toda a nossa turma vivia querendo comer você, mas a Camille falava que você era tão defeituoso, que não servia nem para isso, só que eu acho que você servia era pra ser fodido — ele dizia próximo demais, sua outra mão passava pelo meu corpo.
— Me solta! — tentei empurra-lo, sentindo minhas forças me deixando.
— Sabia que eles resolveram leiloar você? Se Tomlinson não tivesse pegado ele, hoje você estaria sendo a putinha ou o escravo de alguém muito rico, pois tinham vários lances por você — meus olhos queimaram com as lágrimas — Sabe o que eu vou fazer? Vou foder você com força, vou te partir no meio, vou misturar esse cheiro fraco com sangue, aqui nesse chão. Depois eu vou pegar aquele pirralho e sumir desse país!
Quando ele se aproximou de mim, dei uma joelhada muito forte no seu saco e soquei seu nariz, ele caiu confuso, de joelhos, gritando de dor. Tentei correr, mas agarrou o meu tornozelo e me puxou com força, eu caí batendo o meu rosto no sofá. Isso rasgou meu supercílio, fazendo sangue escorrer pelo meu rosto, também caí de mal jeito em cima do meu braço esquerdo. Eu sentia todo o meu corpo tremer e arder.
— Sua. . . Aberração. . . Filho da puta. . . — ele ofegava de dor, veio até mim e me chutou algumas vezes, barriga, pernas, consegui com custo proteger a cabeça — Sua vontade de lutar, só me dá mais vontade de te foder!
Ele se abaixou, abrindo o cinto da calça. Sentou em cima das minhas pernas, me prendendo embaixo dele.
Jules tentava segurar meus braços, mas eu me debatia. Ele me deu um soco no rosto, o que também não me parou, eu continuei lutando, o batendo e arranhando como podia. Então ele começou a apertar meu pescoço, tão forte que eu já não tinha ar e socava a esmo.
— Mudança de planos, eu vou matar você, depois usar seu corpo a vontade e...
A porta explodiu.
Não existe outra definição, a porta simplesmente explodiu. Foi lançada a frente com tanta força, que acertou a parede oposta, pedaços de madeira, que eram tanto da porta, como do batente, voaram pelo lugar. O barulho foi ensurdecedor.
Mas o que me acalmou, foi quem causou tudo aquilo. A figura que tomava o espaço que antes era a porta, tão carregado de ódio, que era quase possível ver as ondas escuras emanando do seu corpo. Provavelmente assustaria qualquer um, porque realmente era uma visão muito assustadora. Mas para mim significava paz, tudo ficaria bem!
Jules foi arrancado de cima de cima de mim, lançado até o outro lado do cômodo como se não fosse nada.
— Haz — Louis passou a mão pelo meu rosto com tanto carinho, que me fez sorrir.
— Noah está no quarto dele, ele está bem. Agora tudo vai ficar bem, obrigado por estar aqui. . . — minha consciência se esvaía do meu corpo.
— Eu sempre vou estar com você — senti o toque dos seus lábios na minha testa e foi a última coisa do qual me lembro, antes da escuridão me engolir.
🌓
Bip bip . . . Bip bip. . . Bip bip. . . Bip bip. . .
Esse barulho chato não me deixava dormir. Abri os olhos com dificuldade, o esquerdo nem abriu direito. Tentei me lembrar o que tinha acontecido e, à medida que as memórias foram voltando, o desespero veio junto. Eu estava em um quarto branco, era um hospital?
Meu braço esquerdo estava imobilizado. Algo prendia meu braço direito e dolorido, olhei para o lado e vi cabelos castanhos. Louis estava com a cabeça deitada sobre meu braço, sua mão segurando a minha. Ele abriu os olhos vagarosamente, piscando, então seu olhar se voltou para mim, o que o fez sorrir, espelhei sua reação.
— Hey — ele disse sonolento — como você está?
— Eu não sei, pareço meio anestesiado, mas meio desconfortável — fiz careta e ele riu baixinho.
— Deve ter tolerância aos remédios pra dor, você quer água?
— Muita — eu não tinha percebido o quanto estava com sede até aquele momento.
Louis se levantou, pegou um copo com água e me ajudou a beber. Ele foi bem delicado, mal encostando o copo no meu lábio ferido e seguiu apoiando minhas costas com a sua mão livre.
— Obrigado — eu o agradeci — Onde está Noah? Ele está bem?
— Sim, nosso garotinho está ótimo — ele disse distraído, jogando o copo descartável fora, sem se dar conta do que tinha falado — está com Niall, provavelmente se entupindo dos chocolates que Ashley me deu, deixando o Liam louco — eu tive que segurar o riso, porque rir doía. — Foi ele que me chamou.
— Como assim? — perguntei surpreso.
— Eu pedi que um dos homens que prestam alguns serviços para mim, ficasse de olho na sua rua discretamente, ele me avisou que tinha visto uma movimentação estranha lá — Louis respondeu se sentando do meu lado, segurando a minha mão — Quando eu estava fazendo o retorno para voltar para sua casa, apenas para verificar se vocês estavam bem, Noah me ligou e falou que um amigo do homem mau estava na casa e ele estava apavorado, porque você estava sozinho com ele. Enquanto eu dirigia de volta para sua casa, ele me explicou melhor a situação. Avisei Liam, Zayn e Niall, dirigi o mais rápido que pude. Quando saltei do carro, eu pude ouvir os gritos e.. . Bem, agora você está aqui e Noah está bem também.
— Ah. . . — eu não deixei passar que ele não quis me dizer o que tinha acontecido com Jules, mas eu não me importava mesmo — quando eu disse para Noah usar meu celular, imaginei que ele ligaria para a Emma. Aliás, como ele sabia seu número? Nem eu tenho!
— Ontem à noite eu fiz ele decorar, até criei uma musiquinha — ele sorriu de canto. — Você precisa descansar, o médico disse que você deve ter alta hoje mesmo. Liam falou que amanhã mesmo você já vai ter seu apartamento liberado, no máximo terça-feira vocês já estarão instalados no novo lar, até lá ficarão comigo, tudo bem?
— Você vai mesmo comprar um apartamento? — revirei os olhos.
— Não há nada no mundo que me faça deixar vocês dois voltarem para aquela casa! — ele disse beijando minha testa — agora você tem que descansar. Logo Niall chegará aqui com Noah, eles ficarão aqui com você para eu poder resolver algumas coisas.
— Louis — eu segurei sua mão, fazendo um carinho — essas "coisas" tem a ver com ontem à noite?
— Tem tudo a ver!
— Você irá mata-lo?
— Por que? — ele levantou a sobrancelha — Você não irá defende-lo ou vir com essa conversa de "não usar a violência", não é?
— Pelo contrário — respondi — ele repetiu várias vezes que iria "me foder", Jules realmente pretendia me estuprar. Quando eu resisti, ele resolveu me matar, para depois abusar do meu corpo — Louis trincou o maxilar, respirando ruidosamente. Eu tinha lágrimas de ódio nos olhos — Mas a pior parte de tudo que ele queria, é que ele falou que venderia Noah no mercado negro!
— Por que ele queria fazer tudo isso?
— Ele disse que Edgar e Camille deviam dinheiro, que você ia atrás dele e ele precisava fugir, por isso venderia Noah.
Louis respirou fundo, era nítido que ele estava tentando manter o controle sobre si mesmo, assim como eu.
— Está tudo bem — ele limpou as lágrimas que escorriam pelo meu rosto — agora vocês dois estão a salvos e eu nunca vou deixar que nada lhes aconteça, eu prometo!
— Obrigado — sussurrei.
Louis ficou afagando os meus cabelos, fechei meus olhos e o aperto em sua mão, me permiti sentir aquela paz, se Noah estava bem, era o que interessa.
Mesmo eu não querendo, as lembranças daquela noite invadiram a minha mente. Me lembrei de tudo o que Jules me falou, do quanto me senti humilhado e usado. A dor de cada segundo de pânico voltou, eu tinha tanta certeza que ele faria tudo aquilo comigo, que dava desespero só de lembrar. Camille me leiloaria? Era isso mesmo?
Eu realmente não passava de algo, uma coisa defeituosa e estragada. Eu sabia que eu era errado, mas ser reduzido a uma mera mercadoria sem valor, porque era o único jeito de me tornar útil a algum propósito, doía muito. Dilacerava meu coração saber que minha única qualidade era meu corpo, que mal se sustentava sozinho.
— Haz, calma, está tudo bem, eu estou aqui — Louis me abraçava, ele tinha deitado do meu lado e me apertava em seus braços, tentando me consolar da crise de choro. Até então, eu não tinha percebido que estava chorando, agora convulsionava de tanto chorar — Haz, pode chorar, faz bem pôr tudo isso para fora. Mas eu estou aqui, eu vou te proteger, eu juro! — em vez de acalmar, me fez chorar ainda mais — Por favor Haz, me fala o que está te fazendo chorar. O que houve?
— Eu não mereço vocês — falei soluçando entre as lágrimas, me engasgando com a minha própria dor.
— Como assim? Você é a melhor pessoa que eu conheço, você merece o mundo! — ele dizia desesperado — Só um louco acharia o contrário!
— Não. . . Não é verdade. . . Eu sou. . . — eu não conseguia falar de tantas lágrimas — vocês são incríveis. . . Eu sou um fardo!
— Harry — ele segurou o meu rosto entre as mãos — você é um universo inteiro, lindo e tão forte, que eu me jogaria por vontade própria. Você é tão incrível, que é realmente difícil de acreditar que você é real. Mas aqui está você, tão perto de mim, que me faz acreditar em milhões de coisas que eu desisti de acreditar que existissem, pelo menos para mim.
Louis estava tão próximo, seu corpo perto do meu emanava calor. Suas palavras me fizeram parar de chorar, ele parecia tão confiante no que dizia, que ficava difícil questionar essa convicção.
— Eu sou errado — eu sussurrei.
— Você é perfeito! — ele voltou a afagar meu cabelo — Você é perfeito pra mim.
Encostei minha testa no seu peito, fechando meus olhos e sentindo os carinhos dele.
— Nunca me deixe, por favor — eu implorei baixinho, me apertando mais ainda a Louis, de um jeito desajeitado com o braço imobilizado.
— Te deixar? No dia em que você não estiver tão quebrado, você vai entender que eu pretendo te deixar cada vez mais próximo, que te quero comigo para sempre. Mas até lá, eu vou cuidar de você e te ajudar a reunir cada pedacinho seu quebrado, até que você fique inteiro, depois poderemos ficar juntos de verdade, como tem que ser.
Louis me fazia ter esperanças de um futuro bom, pela primeira vez, isso não me deu medo. Isso me trouxe calma.
— Jules disse — falei, depois de um tempo em silêncio — que eles pretendiam me leiloar — eu senti o Ômega ficar tenso, o carinho parou e eu tive receio de ter dito algo muito errado.
— Te leiloar?
— Ele falou que Camille dizia que eu não tinha utilidade, que esse era o melhor jeito de eu servir para algo — apertei meu maxilar com força, até a respiração do Louis estava irregular — ele também disse que muitos pagariam para me... Você sabe! Ele disse que eles pretendiam fazer isso quando voltassem, mas você os pegou antes. Acho que você me salvou antes mesmo de me conhecer.
Louis ficou quieto, meu coração batia rápido, eu estava com medo. Talvez Tomlinson finalmente percebesse que eu não era bom o bastante para ele e que não merecia todo esse cuidado.
— Você também me salvou — Louis sussurrou depois, voltando a fazer carinho nos meus cabelos — Agora você precisa descansar Haz, durma. Quando você acordar, Niall e Noah estarão aqui, mas eu volto para te buscar para te levar para casa.
— Você também vai descansar? — perguntei, tentando fugir do sono.
— Só quando você estiver em casa comigo. Agora eu vou mostrar a todos o que acontece quando mexem com os meus, principalmente com você!
— Eu sou seu? — eu realmente estava grogue de sono, com os olhos pesando sob as pálpebras.
— Só se você quiser ser — ele respondeu, um pouco temeroso?
— Eu quero — respondi bocejando, mas firme — Quando eu acordar, você não vai estar aqui comigo, mas você vai voltar para mim, não vai? — eu já mal conseguia registrar as coisas a minha volta.
— Haz, eu sou seu também, sempre vou voltar para você!
Ele beijou o canto da minha boca, perto dos meus lábios, então eu me entreguei ao sono. Contra todas as possibilidades, eu dormi em paz.
Oi. A Isa me chamou de sonsa, então virei a madrugada preparando isso daqui.
Obrigada pelos comentários, sei que muita gente ainda tem carinho por essa adaptação (que vai ter tanta mudança que parece praticamente uma fanfic SOCORRO, aceito sugestões de como vou organizar os fatos da narrativa kk).
Viram que LAY saiu físico pela Editora Calíope? Que está disponível na Amazon e Kindle Unlimited?
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