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*Melanie*
Okay. Eu consigo fazer isso. Vai ser só uma volta ao ar livre, eu consigo fazer isso.
Né?
Meu Deus sim, eu consigo. O que tá acontecendo comigo? Puta merda. É o Shane caralho, o pai do meu filho, que droga. Ele provavelmente já me viu pelada de vinte vezes diferentes e ainda assim eu continuo aqui, segurando a toalha com força, depois de 20 minutos sozinha.
Talvez eu esteja doida.
Não é medo. Na verdade não sei o que é. Quanto estou perto dele... Não sei explicar. É uma sensação estranha.
Talvez eu devesse somente relaxar. Respirar fundo. Dez vezes.
Alguns minutos depois escuto alguém bater na porta, e digo para entrar. Observo meu rosto no espelho, conforme penteio os cabelos já dourados, que caem até o quadril. Essa tinta durou mais do que eu imaginei.
Já escureceu, e o céu está coberto de pontinhos prateados por todos os lados, faz tempo desde não vejo uma chuva por aqui.
__ aonde vamos? __ meus olhos permanecem em meu rosto, enquanto espero Shane responder.
__ não tem muitos lugares pra ir.... Mas prometo que assim que eu puder te levo pra fora da comunidade.
Curiosidade. Não consigo evitar, é maior que eu.
Shane percebe meu olhar e sorri, levando a mão aos cabelos negros. Ele resmunga algo enquanto olha para as estrelas brilhantes, mas não entendo.
__ venha. __ diz, estendendo a mão, quando vê que eu acabei com o que estava fazendo no cabelo.
...
Conforme andávamos, Shane discretamente descia os olhos até minha barriga, marcada pela blusa preta que eu estou usando. Pensei em dizer algo, mas nada parecia fazer sentido em minha cabeça quando tentei criar alguma frase, então desisti.
__ onde a gente tá indo?
Silêncio. Shane não se deu ao trabalho de responder e eu já estava pensando em o xingar, mas então nós paramos.
__ isso é uma casa. __ é o que consigo dizer.
Sim, não há dúvidas que é uma casa. A casa mais bonita da comunidade e provavelmente a mais bonita que eu já vi na vida. Já passei aqui na frente várias vezes, e parei para observar sua beleza, assim como agora.
A sua frente, um jardim se estendia, por todo o quintal. Uma escada de madeira ladeada por duas pilastras brancas levavam até uma pequena área, onde estavam duas cadeiras também de madeira, e uma pequena mesa, no meio delas. A casa passava um ar de superioridade, se comparada a qualquer outra da comunidade. Um tom claro de marrom pintava as paredes, em combinação com o branco que emoldurava as portas e janelas. Um pequeno sino dos ventos balançava em seu perfeito brilho que se refletia na luz da lua, acima das cadeiras.
__ sim. Já entrou?
Deixo minha cabeça se mover em sinal de não, e continuo observando o objeto de vidro que tanto prendeu minha atenção.
__ então vamos. __ diz ele, me puxando até a escada e logo depois pra dentro da casa.
__quem mora aqui?
Tudo está escuro. Poucos móveis aparecem conforme minha vista se ajusta, todos eles com alguns plásticos por cima.
__ ninguém. __ ele responde, captando minha atenção. O olho, querendo mais informações e ele somente olha por uma janela, para a luz da lua que brilha em seus olhos, antes de continuar :__ morava um senhor aqui. Antes de chegarmos... Ele morreu com um ataque que aconteceu aqui na comunidade, algo a ver com um povo que atendia pelo nome de Wolves.
Sinto o cabelo em minha nuca arrepiar. Me lembro dessa história, Carol me contou. Parece que esses caras eram uns loucos que multilavam as pessoas, para impedir que se transformassem em zumbis. Eles invadiram aqui meses antes de chegarmos, e mataram dezenas de pessoas. Jogavam suas partes ensanguentadas na rua, o sangue foi difícil de ser retirado, Carol me contou.
__ depois que ele morreu __ Shane continuou__ deixaram suas coisas aqui, não tiraram nada. Parece que ninguém quis se mudar pra cá.
__ por que?
Observo quando sua boca se contorce em um sorriso e ele diz:
__ o espírito dele ainda vaga por esse lugar.
Seus olhos ficam sérios, mas sei que está fazendo esforço para não rir. Dirijo um soco ao seu braço, e ele resmunga em resposta.
__ tudo bem... Não quiseram tirar as coisas dele daqui por que ele era um dos membros mais antigos da comunidade e resolveram deixar tudo assim mesmo, em sua memória. Desde então aqui se tornou esse mar de poeira que você tá vendo.
__ quem te contou isso?
__ rick.
Não sei como está a situação entre os dois, e me sinto tentada a perguntar, mas não vou porque nem ao menos sei se ele falaria sobre isso comigo. Algum tempo atrás com certeza, mas agora... Provavelmente não.
Subimos as escadas para um longo corredor com pelo menos seis portas de cada lado. Ao fim do corredor, um outro se estende para a direita, levando a algum lugar que não faço idéia de onde seja. E é pra lá que eu sigo Shane.
Não consigo enxergar praticamente nada. Não há janelas aqui, não faço idéia de como ele caminha tão bem por que a cada dez segundos eu tropeço em alguma coisa, e é por isso que em um desses tropeços meu corpo se desequilibra e eu bato com a cara nas costas do Shane. Ele se vira e me segura rapidamente, antes que eu caísse completamente. Suas mãos envolvem minha cintura, fortes e quentes, mesmo contra o tecido da blusa. Não consigo o ver, mas sei que abaixa a cabeça um pouco em minha direção, pois sinto sua respiração próxima.
__ me desculpe, eu não consigo enxergar nada.
Parece passar mil anos quando ele finalmente responde, tirando as mãos da minha cintura e se afastando, pra me puxar pelo braço.
__ tudo bem.
O calor envolta de mim se dissolve facilmente, sem o toque de suas mãos, então o sigo sem hesitar.
Chegamos ao fim do corredor e eu nem tinha percebido que havia uma porta ali, antes que Shane a abrisse e o local ficasse completamente iluminado pela luz da lua.
A parede de frente comigo é totalmente vidro. Não há sequer um pedaço de parede, em toda sua extensão. O quarto, é um quadrado enorme. De um lado, uma duzia de estantes abarrotadas de livros foram enfileiradas, de frente com a luz prateada que entra pelo vidro. Do outro lado... Quase perco o fôlego, só de ver. Vários quadros estão pendurados nas paredes, muitos e muitos quadros, de todos os tamanhos e cores. Uma mesa no meio dessa parte está coberta de tintas, variações de papel, lápis e vários outros apetrechos usados para pintura.
__ como... Como soube desse lugar? Como soube como chegar aqui?
Maravilhada é pouco para descrever como estou agora. Nunca pensei que existisse um lugar assim... Tão perto. Tão perto da minha casa, como eu nunca soube disso?
__ eu soube hoje. Rick me trouxe até aqui quando eu contei que você gosta de arte. Pedi permissão pra te trazer e ele deu. Disse que você poderia até morar aqui, se quisesse.
Escutei as palavras de Shane, mas não entendi absolutamente nada e não faço questão pois agora tenho dezenas de livros pra ler, quadros pra pintar, e fazia muito tempo que não me sentia tão feliz assim.
Sinto a mão dele tocando meu ombro e me viro para lhe dar um abraço. Ele não esperava, mas não ligo.
__ podemos ficar aqui.... Um tempo?
Seu sorriso se alarga.
__ claro... Você não ouviu que eu disse que pode morar aqui se quiser?
Paro de supetão. O que ele quis dizer com isso?
__ sozinha? __ meu coração acelera ao perguntar, talvez já esperando a resposta.
__ sim.
Um aperto invade meu peito, mas esse não é de felicidade, como o anterior.
__ está me expulsando de sua casa?
__ o que? Claro que não Melanie. __ ele fala, com os olhos estranhamente grandes, e continua:__ é só que... Não sei se você precisa de espaço. Talvez queira mais privacidade. Não estou te expulsando de jeito nenhum, é sua escolha.
Ele quer que eu vá. Ele quer se afastar.
__ tudo bem.
__ ótimo__ ele diz, forçando um sorriso. __ vou sentar ali fora, pode se divertir com os materiais. Depois a gente vai embora e amanhã eu te ajudo a trazer suas coisas.
Shane caminha até a parede de vidro e empurra um pedaço, que era uma porta escondida. Do lado de lá, uma pequena área era formada com mais cadeiras e sinos do vento, sob a luz da lua.
Toda minha animação evaporou.
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