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Obs: este capítulo contém cenas de agressão psicólogica e tortura, se for sensível a essas coisas, não leia.
Obs/2: as quebras de tempo a seguir (.......) não representam um intervalo único. Podem ter se passado dias entre elas, assim como também podem ter se passado horas, não há como saber.
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*daryl*
Escuto passos, e logo a porta se abre. Tampo os olhos, ao ver a presença de luz, algo que já me acostumei a não ter.
Não sei quanto tempo faz que tô aqui, talvez sejam dias, meses, seila.
Tiraram minhas roupas e me jogaram nessa cela mofada e fria, e aqui estou, até agora.
Dwight entra, e me oferece um prato, com um pão dentro. A única noção de tempo que tenho, é quando eles vem aqui me dar comida uma vez por dia. Tirando isso, nada.
Mordo aquilo, rapidamente, meu estômago tá tão vazio que parece que tá até grudado. Mesmo assim, consigo perceber que isso que ele me deu não é comida. Pelo menos não de gente.
Tenho certeza que no meio desse pão tem comida de cachorro. Não vai ser a primeira vez que como, antes da prisão nós todos vivíamos praticamente disso.
Assim que me entrega, ele sai e fecha porta novamente, me deixando sozinho na escuridão.
Uma música começa a tocar, e deito no chão, sentindo o piso gelado em contato com a minha pele.
Essa música também toca todos os dias. O tempo todo.
Ou eles querem me deixar louco, ou querem que eu tenha um ataque Cardíaco de tanto ódio, uma das duas coisas.
A luz que entra pela fresta debaixo da porta é a única coisa que indica que ainda estou vivo.
Tento toca-la, enquanto as lágrimas escorrem pelo meu rosto.
........
Fecho meus olhos, quando tudo oque escuto é silêncio. A música começa a tocar novamente, não me deixando descansar.
Minha mente está exausta, meu corpo nem se fala.
Nunca consigo dormir, devido a música alta o tempo todo. Essa cela é imunda, gelada. Passo frio o tempo todo, e aqui não tem banheiro. Tudo oque eu como são pães de comida de cachorro que Dwight me trás, uma vez por dia.
Encosto a cabeça no chão, e deixo as lágrimas escorrerem.
Não sei se vou aguentar mais muito tempo disso.
.......
Meu rosto está molhado e nem sei se são lágrimas ou suor mesmo.
Ele morreu por minha causa.
Glenn.
Era pra eu ter morrido, era pra ele ter me matado!
Eu tentei consertar a situação, mas tudo oque eu fiz foi piorar mais ainda. Agora tenho mais uma morte nas minhas costas.
Minha mãe. Meu pai. Meu tio. Sofia. Dale. Lori. T-dog. Merle. Zach. Hershel. Bob. Beth. Tyresse. Noah. Denise. Abraham. Glenn.
Carrego todas essas mortes nas costas.
E sabe-se lá mais quem que morreu, e eu nem sei ainda.
A música parece que fica cada vez mais alta, e tampo meus ouvidos, sem sucesso.
Vejo a luz entrando, e Dwight joga um pedaço de massa no chão. Tento controlar o movimento das mãos para pegar a comida, mas tremo tanto que fica quase impossível.
Assim que coloco na boca ele taca um pano no chão ao meu lado, parece ser uma roupa.
Visto o moletom, e o escuro me consome novamente.
.......
Fico ali, olhando pro nada quando Dwight entra e me levanta, me puxando pelo colarinho da roupa.
De primeira eu estranho um pouco andar. Parece que não faço isso há séculos. A luz entra nos meus olhos e me deixa um pouco tonto, então seguro na parede.
A música continua tocando, e já nem sei mais se é uma musica real, ou se é só coisa da minha cabeça.
Talvez eu tenha inventado isso, talvez eu ainda esteja olhando pro escuro, naquela cela.
Ou talvez eu morri.
O chão gelado toca meus pés, enquanto caminho pelos corredores desse lugar.
Entramos em uma sala, parece ser um consultório médico. Tem um homem de cabelos brancos e uma mulher, sentada em uma cadeira.
Assim que a vejo lembro dela.
Na época em que encontrei Dwight na floresta e ele me roubou, ele estava com essa mulher. Se não me engano ela se chama Sherry, sei lá. Achei que os dois fossem casados.
__ estamos terminando. __ o médico fala, olhando pro cara que me segura pelo colarinho.
__ oi D. __ Sherry fita Dwight.
__ oi. __ ele sussurra.
__ Daryl né? __ escuto ela falar meu nome, mas não a olho. Não gosto de contato visual.
__ não fale com ele. __ Dwight me empurra, e sento na cadeira , de frente com o médico.
Ao meu lado direito tem um balcão, com alguns objetos e um teste de gravidez.
O loiro também vê, e logo se vira pra Sherry.
__ deu negativo. __ ela fala, balançando a cabeça.
__ bom, talvez da próxima vez. __ Dwight completa.
Parece ter uma tensão entre eles, talvez uma mágoa.
Ela se move até mim.
__ não importa oque eles disserem. Só faça. __ Sherry sussurra.
__ eu disse pra não falar com ele!
Assim que Dwight grita, ela sai do quarto.
__ okay, vamos dar uma olhadinha. __ o médico fala e mexe em algo nas minhas costas.
__ vai melhorar, se você deixar. Negan vai cuidar de você. Confie em mim.
Nem presto atenção. Não me importa. Não vou ficar aqui.
Algum tempo depois andamos pelo corredor, quando Dwight me empurra na parede, me forçando a ficar de joelhos. Levanto a cabeça e vejo o filho da puta que matou meus amigos, com o taco nas mãos, e uma risada sínica nos lábios.
__ garoto Dwight! __ fala, se aproximando.
Ele manda os caras que tavam limpando o corredor saírem, com um gesto de mão.
Sou levado até uma cadeira, e um cara aponta uma arma na minha cabeça, enquanto Dwight sai com Negan.
A minha frente, vejo um quarto com a porta aberta. Armários, cama, fogão, livros. É como se aqui fosse um mundo, e dentro do cômodo, fosse outro.
........
Estamos do lado de fora do prédio, observando dois homens lutarem com mais ou menos uns 20 zumbis. Os mortos estão amarrados em correntes, e os dois homens, com a mesma roupa que eu, caminham entre eles, empurrando os zumbis de um lado para o outro.
__ sabe, eu tô pegando o jeito. __ Dwight fala, levantando minha besta, que está em suas mãos.
Além de usar meu colete, também está com a minha arma. Filho da puta.
Ele me empurra contra a cerca, consigo sentir meu rosto colado no arame.
__ aquele é você babaca. __ diz, apontando para um zumbi acorrentado.
__ você pode ser como ele, ou como eu.
O cabelo gruda no meu rosto, e passo a mão, tirando, enquanto Dwight me pressiona cada vez mais sobre a cerca.
.....
Voltamos pra cela, e sento no chão, de frente pra porta.
__ facilite a sua vida. __ Dwight diz.
__ eu nunca vou me ajoelhar. __ resmungo. Eu nem lembrava mais como era minha voz. Nem sabia se saberia falar ainda, de tanto tempo que fiquei sem falar com ninguém.
Ele dá risada, balançando a cabeça.
__ é, eu disse isso também.
__ sim eu sei. __ digo. Eu já imaginava que ele tinha sido um prisioneiro. Quando o conheci não tinha a cicatriz no rosto. Provavelmente Negan foi quem deu esse presente a ele.
__ olha.... É o seguinte cara... você não sabe. Mas vai saber.
Segundos depois estou no escuro novamente.
Encosto a cabeça na parede, pensando na minha casa.
Eu reclamava tanto de sermos a "família perfeita", igual aos comerciais da tv. E agora tudo oque eu queria era essa família. Dormir e acordar com a ruiva nos meus braços, sentir sua respiração colada na minha. Os almoços de domingo, os dias em que nos reuníamos só para ficar conversando na sala de casa. Todos alegres e sorridentes.
Era tudo oque eu queria.
E agora acabou.
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