27
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*Shane*
Passo por vários deles, e chego até a outra calçada, praticamente morrendo, devido ao excesso de adrenalina misturado com a dor na minha barriga.
Essa merda não vai passar nunca? Porra já faz três dias.
Não escuto passos perto de mim, e viro de costas bem a tempo de ver a ruiva enfiando o facão no crânio de um dos mortos, enquanto outro tenta chegar até ela, a fazendo usar a fita no braço como escudo.
Tanto tempo vivendo com essa doida, e ela continua sem medo de morrer. Só pode ser pirada.
_ melanie! __ grito, ficando sem fôlego novamente. É como se alguém tivesse dado um soco no meu estômago. Que droga!
Meu coração quase sai pela boca quando um zumbi vem por trás dela, e ela não percebe.
_ atrás de você!__ a aviso. Ela se move, imediatamente, enfiando uma outra faca em seu olho.
Que droga eu tô fazendo aqui parado? Eu preciso protegê-la.
Antes que eu encontre forças para mover os pés do lugar, ela vem até mim, deixando um rastro de mortos e sangue, por toda a rua.
_ vamos! __ a ruiva diz, e corremos até o nosso prédio, a três quarteirões de distância.
Nem sei como, mas consigo chegar. Passo pelo carro, parado na frente do edifício, e entro pela porta caindo aos pedaços. Depois de subir os andares, encosto na parede, completamente desgastado. Ela se encosta de frente pra mim, e sorri. Definitivamente ela é louca.
_ você tá louca? Quer morrer é isso? Puta que pariu Melanie, eu disse pra você que era pra correr! Por que não fez o que eu mandei? Que caralho!
Aproximo nossos corpos, fazendo ela ficar encurralada, entre a parede e eu.
_ para de drama Shane. Foram só alguns zumbis.
_ você poderia ter morrido!!
_ você não aguentaria correr até aqui com todos aqueles bichos atrás de você! Era isso que você queria? Cair no meio do caminho de tanta dor? Você sabe que não pode correr, você sabe! Deveria me agradecer, isso sim!
Ela ergue o rosto, pra olhar nos meus olhos, e posso sentir sua respiração, de encontro com a minha.
_ por tentar se matar? Porque foi isso que você fez! Eu mandei você correr! Era só o que tinha que fazer!
Um raio de sol fraco entra pela janela, fazendo os olhos da ruiva ficarem um pouco mais claros.
_ você não manda em mim.__ sussurra, sua voz quase não dando pra escutar.
_ não. Mas se acontecesse algo com você, eu seria o responsável.
Suas mãos me empurram, e me afasto um pouco.
_ não, não seria. Eu não sou uma menininha indefesa. Nem mesmo sou menor de idade. Eu sei me cuidar sozinha, quer você aceite ou não, não preciso da sua aprovação pra nada. Eu só tava querendo ajudar, não queria te ver sofrendo, e tudo que você faz é me xingar, que droga! Quer saber? Foda-se.
Seu corpo se move, afastando-se de mim.
Meu sangue ferve, não consigo ficar parado. Seguro seu braço, antes que vá muito longe, e a puxo pra mim, nos encostando.
A respiração dela pesa assim que nossos olhos se encontram novamente, que desgraça essa mulher fez comigo?
Esse rosto perfeito, que faz meu coração sair do peito toda vez que estamos assim, de perto.
_ Shane... __ ela fecha os olhos e sussurra, quando passo minha mão trêmula em seus lábios rosados.
Nem sei oque tô sentindo. É uma mistura de desejo, ódio, medo e paixão, uma coisa quente e fria ao mesmo tempo.
Nossos lábios se tocam, e ao mesmo tempo que tô no paraíso, tô no inferno, de tão quente.
Rapidamente o beijo se transforma, dando passagem pra atos menos "suaves", das duas partes. É como se a gente quisesse sugar cada pedacinho do outro.
A empurro na parede e ela geme, assim que toco sua cintura por baixo da regata.
A ruiva me toca também, mas acontece que a região da minha barriga está toda dolorida, e meu corpo se esquiva involuntariamente, me deixando puto da vida.
_ me desculpa, doeu? __ balanço a cabeça e vou até seus lábios novamente.
Dessa vez ela se esquiva, me fazendo bufar. Melanie sabe que estou mentindo, certeza que vai querer ver os pontos.
_ eu preciso checar, é rapidinho.
Rolo os olhos, já sabendo que ia dizer isso.
Deito no colchonete, apoiando a cabeça em uma das mochilas que estavam por ali.
Um simples toque pra tirar minha camiseta parece um soco no estômago, de tanta dor.
_ caralho shane, você ta todo roxo homem.
Depois de uns minutos ela refaz o curativo, e fala pra mim descansar um pouco.
Ainda temos que ir em vários lugares hoje, e tem que ser rápido. O plano é estar em casa amanhã cedo.
Depois do almoço vamos rodar o restante da cidade, inclusive a faculdade que a Melanie estudava, e não sei como ela vai lidar com isso.
Fecho os olhos, tentando deixar meu corpo descansar um pouco.
.....
_ puta que pariu.
Escuto Melanie falando ao longe, e abro os olhos, a encontrando na minha frente com um enlatado na mão.
_ o que houve menina? __ me levanto, encostando na parede.
_ desculpa, não queria te acordar...... Não consigo abrir essa porra de macarrão enlatado. __ sua cara de choro realmente mostra que está triste por não conseguir fazer isso.
Não consigo conter uma risada, recebendo um soco no ombro em resposta.
Abro as latas e ficamos ali até acabar de comer.
.....
Paro o carro na frente de um supermercado, e descemos. A ruiva esvaziou as mochilas na parte de trás da van, deixando elas livres para pegarmos mais coisas.
O bom do supermercado são os carrinhos, que dá pra encher e trazer até o carro e é bem mais prático, mas ao mesmo tempo é ruim, pois faz barulho.
Entramos e nos separamos, pra ser mais rápido. Depois de dois anos é meio óbvio que já estaria bem saqueado, as poucas coisas que acho estão jogadas no chão, motivo pelo qual não foram pegas ainda.
_ caralho.
A minha frente vejo uma porta de vidro, que leva a um pátio. Logo me chama atenção as barracas, provavelmente usadas por militares, no começo de tudo. O supermercado seria um ótimo lugar pra se refugiar.
Esse pátio é rodeado por cercas, de fora a fora, e pelo o que notei até agora não deve dar pra sair pela cerca, por isso a grande quantidade de zumbis, amontoados bem no centro do local.
Nada disso importa realmente.
A única coisa que tá fudendo com a minha cabeça é que os zumbis são os militares.
Ao todo são mais de vinte, as armas ainda penduradas em seus corpos, mesmo depois de mortos.
_ porque tá parado ai?__ escuto Melanie falando, atrás de mim.
Se conseguirmos passar por eles teremos mais armas, e provavelmente mais medicamentos que devem estar nas barracas. Precisamos disso.
Ela com certeza pensou o mesmo que eu assim que viu aquilo, e logo se posicionou contra, como eu já imaginava.
_ você não pode ir lá fora. Tá ficando louco? Eles são mais de 20 e você não consegue dar nem um passo direito sem reclamar de dor. Não vai mesmo.
Ela tá certa, mas nada vai me impedir.
_ okay, então a gente precisa de um plano.
_ eu acabei de dizer que você não vai Shane. __ seu semblante fecha, a deixando com cara de brava, e surpreendentemente mais atraente ainda.
_ precisamos dessas armas Melanie. Por favor, me ajude.
Ela bufa.
_ por favor. __ faço meu sorriso mais forçado, obrigando ela a dar risada e concordar comigo.
Dez minutos depois temos um plano formado, e tudo o que falta é o momento certo pra atacar.
_ se vamos fazer isso mesmo, eu vou lá fora. Você distrai eles pra que eu possa os matar, depois pegamos as coisas.
_ de jeito nenhum. __ balanço a cabeça, discordando.
_ é isso ou nada.
Que droga? Ela não facilita pra mim.
_ ok então, só tenta não morrer, por favor.
_ deixa comigo. __ fala, com a mão na maçaneta da porta.
Me afasto, indo até uma outra porta que dá para o mesmo pátio.
É agora, só espero que nada aconteça com essa doida.
Bato no vidro fazendo os mortos me notarem, e virem até mim. Enquanto isso Melanie entra lá, com a faca na mão, e vai até uma barraca, esperando o momento certo.
Eles arranham o vidro, tentando me pegar, e a ruiva se aproxima por trás, silenciosamente.
A porta range, e só espero que aguente esse peso, não tô afim de virar lanchinho de zumbi hoje não.
Uma faca é enfiada no pescoço de um deles, e ela o coloca no chão, se preocupando em não fazer barulho. Para minha surpresa, depois de Melanie ter matado treze deles, eles ainda parecem entretidos comigo, nem ligando pra ruiva, ali atrás.
Ela é ótima em combate com facas, sempre soube. Matou todos eles sem nem perceberem que estava ali, algo que parecia totalmente impossível.
_ como aprendeu a ser tão silenciosa assim? __ pergunto, assim que saio lá fora.
_ eu moro com um caçador. _ sorri, provavelmente lembrando de alguma memória boa.
Vou até as armas, pegando e colocando em um carrinho. Depois entro nas barracas, e pego tudo oque seja útil, desde lamparinas a analgésicos, e a ruiva faz o mesmo.
Uma hora depois estamos indo em direção a faculdade, nossa última parada, visto que nesses quatro dias já rodamos a cidade toda, e fabricas ao redor. A parte de trás da van daqui a pouco não vai caber mais nada, tô feliz pra caralho.
_ é aqui. __ a ruiva fala, apontando pra um prédio marrom e grande, no meio de outros do mesmo estilo.
Descemos, em direção a entrada principal, onde há uma porta de vidro grande e chique mesmo depois do apocalipse, o que é uma puta inconveniência. Quem liga pra essas coisas? Não ligava antes, e agora muito menos.
Checamos cada cômodo, cada corredor, cada cantinho. Melanie fica calada o tempo todo, e eu respeito o espaço dela, quando quiser se abrir, estarei aqui.
O lugar é enorme, muitas salas de aula, enfermaria, cantina, e junto com tudo isso não podia faltar os malditos. Com certeza estão presos aqui desde o começo, dá pra perceber pela magreza extrema que indica que não comeram.
Não me separo da ruiva um segundo, não quero deixá-la em apuros ( eu nesse estado não ajudo muito, mas né)
Saímos do lugar carregando dezenas de caixas, e sacolas, agora já podemos ir embora. A única coisa que nos impede é que já escureceu, e não to afim de dirigir a noite, é muito perigoso e nunca se sabe quando vai trombar com uma horda pela falta de visibilidade.
Converso com Melanie, e decidimos ir amanhã cedo. São só duas horas de viagem, chegar lá umas 8 horas da manhã já tá de bom tamanho.
_ só precisamos de um lugar pra dormir. O carro ta cheio, não da pra dormir aqui.
_ conheço um lugar aqui perto. __ ela fala, sem olhar nos meus olhos.
.....
É uma casa simples, bege, com o que era um jardim na frente, mas agora não passam de mato comum. Também tem uma árvore com um balanço pintado de branco, bem na frente de uma das janelas.
Abro a porta, e entramos. Faço uma barricada nas entradas, e tampo as janelas com uns móveis maiores, impedindo das coisas entrarem. Como mais uma lata de algo que acho que seja feijão, e deito no sofá. Melanie não quer conversar, e não vou a obrigar. Amanhã talvez ela esteja melhor.
.....
Acordo sozinho, diferente dos últimos dias. Percebo que dormi bastante, já tá de dia, mas provavelmente bem cedo ainda.
Ando pelo local, procurando pela ruiva. Encontro uma porta rosa, e a empurro. Para minha surpresa Melanie esta deitada na cama, no canto do quarto, ainda dormindo.
As paredes chamam minha atenção, totalmente cheias de desenhos e fotos, por todo lado. Toco uma delas e sorrio. Provavelmente é uma foto de viagem.
Melanie bem mais nova está entre uma mulher loira, e um homem careca. Envolta do casal, dois meninos gêmeos sorriem, loiros também, e com os olhos bem claros.
Pego uma mochila e guardo algumas daquelas coisas, roupas, fotos, cadernos de desenhos e um colar de borboleta, inseto que sei que ela é totalmente apaixonada.
_ você não deveria roubar uma jovem indefesa. __ sorrio ao escutar sua voz, ainda embargada de sono, e me viro, para encara-la.
_ o único indefeso que tem aqui sou eu. __ digo, dando risada.
_ me desculpe por ter sido grossa ontem, muitas coisas pra assimilar. Dormiu bem?
Sento ao seu lado, e ela apóia o rosto em meu ombro.
_ só teria sido melhor se fosse com você. __ sussurro.
Seus lábios vêm de encontro aos meus, quando me aproximo.
Ela vira as costas pra mim, e coloco o colar em seu pescoço, beijando o local.
_ vamos pra casa.
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