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*Daryl*

Observo de longe Melanie entrando no carro com Shane, e meu peito se enche de dor.

Depois que vão embora volto pra casa, na intenção de conversar com Carol. O mais estranho é que não vejo ela desde ontem a noite, e ela sempre acorda cedo pra cozinhar.

Estranho.

Imagino que esteja entregando biscoitos pela cidade, como já fez milhões de vezes (aqueles rosa são horríveis, não sei como tem gente que gosta, ew. ) e decido fazer a unica coisa que me acalma ultimamente: caçar.

Não quero que perguntem onde eu vou, então pulo o muro perto da minha casa, e caio no meio do mato, na beira de uma floresta densa e verde.

Encosto no muro, e fico ali por algum tempo. As vezes penso que se tivesse ficado sozinho, desde o começo, tudo seria diferente. Melhor, talvez.

A lata de lixo a minha esquerda cai, repentinamente, e um animal passa por ela, tentando fugir. Claramente não consegue.

_ vai embora. __resmungo.

Ele se solta da lata e vem até mim, cheirando minha mão. Seus pelos são bege e branco, e tem bigodes enormes. Imagino que seja um guaxinim ou algo do tipo.

_ volte pra sua família. Se é que eles ainda estão vivos.

Seus olhos grandes e redondos me fitam, e passo a mão em sua cabeça, fazendo um carinho.

_ boa sorte amigão.

Me levanto e volto pra casa, perdi a vontade de caçar.

......

_ oi.

Me viro subitamente pra encontrar Denise me encarando, com os olhos arregalados.

_ que susto garota.

_ desculpe... Eu estava te procurando.

_ pra que? __ pergunto, arqueando as sobrancelhas.

Algumas pessoas passam por nós na rua, cumprimentando.

_ queria saber se você poderia me levar em um lugar.

_ você já foi lá fora?__ acho que já sei a resposta mas não custa nada ter certeza.

_ não.... __ ela abaixa a cabeça, como se estivesse envergonhada.

_ não conte comigo.

Viro as costas e continuo andando.

Nem fudendo que vou ser babá dela. Essa garota nunca saiu daqui de dentro, não faz ideia de como é o mundo lá fora. Na melhor das opções eu vou ser responsável por tudo que acontecer com ela.

_ mas..... e se a Rosita for conosco?

Paro de andar, pensando em sua frase.

Não muda muito a situação, mas.... Caralho porque to considerando isso? Tá na cara que vai dar errado.

Do nada ela aparece na minha frente com cara de cachorro que caiu da mudança, me fazendo dar um passo pra trás.

Que droga. Eu e meu coração mole.

Se der merda não vai mudar nada, já to todo fudido mesmo.

_ ta. O que quer fazer lá fora?

_ tem uma fábrica de remédios, aqui perto. Tava pensando em ir lá, talvez não tenha sido tão saqueada.

_ certo. Mas já não tem um monte de gente atrás de remédio?__ pergunto. Sei que remédio é importante, mas metade da comunidade tá la fora caçando isso. Seria mais inteligente ficar aqui e ajudar a proteger o local, pra caso se tivesse um ataque.

_ se não quiser ir tudo bem.

Que droga.

_ ok. Cadê a Rosita? Saímos em meia hora.

Ela sorri e me abraça, fico sem reação e me afasto. Não gosto muito de contato humano.

.....

Encosto a cabeça na parede, e vejo Glenn vindo até mim, subindo as escadas da varanda.

_ eai cara? __ele senta do meu lado.

Tiro meu cigarro da boca, e olho seu rosto inchado.

_ como vai a maggie e o coreaninho?

_ eles tão bem. Maggie sempre tá ocupada com Michonne, sobre as coisas da cidade.

_ eu fiquei sabendo mesmo. Elas têm jeito pra coisa.

Ele não diz mais nada, e o silêncio cai sobre nós.

_ vai fazer oque hoje? Talvez você possa ir jantar lá em casa. Seria legal. Mas não esquece de tomar um banho em.

Ele faz uma careta apontando pra mim.

_ vou sair com a Denise e Rosita daqui a pouco. O jantar pode até ser, contanto que tenha carne, mas o banho esquece.

Glenn sorri, balançando a cabeça.

_ você não muda mesmo..... Tenho que ir, até mais tarde.

Bate nas minhas costas devagar e vai até a escada.

Fito o cigarro em minha mão, e apago ele nela mesma, fazendo a pele ficar com uma pequena bolinha vermelha do queimado.

.......

Uma árvore caída nos faz parar no meio da estrada, então descemos do carro e vamos apé mesmo.

Rosita começa a discutir sobre a linha de trem ser o caminho mais rápido, porém não concordo. Não importa ser mais rápido se é mais perigoso.

Ignorando minha advertência ela segue pela linha, e eu e Denise pela estrada.

15 minutos depois chegamos na entrada da cidade, e Rosita já estava lá, sentada, nos esperando com uma cara feia.

A fábrica não é muito longe, e chegamos rápido.

Denise segura um facão, eu tenho minhas facas e a besta, e Rosita tem seu facão e a arma na cintura.

_ fique aqui ok? Eu e ela vamos entrar, depois você entra quando estiver limpo.

A médica balança a cabeça, confirmando.

Ligo a lanterna, apontando para o fundo do lugar. Uma placa gigante acima de um balcão diz " farmácia". Rosita vê no mesmo momento que eu , e nossos olhares se encontram.

Antes que eu peça ela vai lá fora e volta com Denise ao seu lado.

Aceno com a mão para que me sigam, e vejo Rosita fazendo sinal de silêncio para a médica.

_ fique aqui. __ sussurro, passando para o outro lado do balcão com Rosita. Tem várias prateleiras, com muitos frascos de remédio, comprimidos, enfim, tudo o que precisamos.

Enfio tudo na bolsa com pressa, quero ir embora daqui o mais rápido possível. Pelo canto do olho consigo ver Denise mexendo em um porta chaveiros, ela pega um, e enfia no bolso. Volto minha atenção para os remédios e vejo Rosita na prateleira da frente fazendo o mesmo que eu.

Quando acabamos tudo a médica nem está mais aqui dentro. Fecho a porta assim que saímos, e encontro Denise sentada no chão, com o facão do seu lado.

Não falo nada, até porque nem tenho tanta intimidade assim. Talvez ela precise de um tempo pra pensar né? Entender realmente o mundo aqui de fora.

....

Na volta viemos pela linha de trem, Rosita estava certa, é bem mais próximo. A minha frente vejo alguns carros parados, do lado direito e passo direto. Já revistei carros bilhões de vezes pra saber que nunca dá em nada. O máximo que encontraria é uns chicletes estragados e nada de gasolina.

_ hey, tem uma caixa de isopor dentro de um dos carros, a gente podia pegar pra ver se tem algo.

Nego com a cabeça a fala de Denise, não vale a pena. Muito arriscado.

Continuo andando, com Rosita do meu lado, quando escuto gritos e saio correndo, na direção dos carros.

A médica abriu a porta do carro pra pegar a maldita caixa de isopor, e um zumbi veio pra cima dela, fazendo os dois caírem no chão. Eu e Rosita nos aproximamos, mas Denise ergue a mão, fazendo que não, então paramos no meio do caminho.

Ela se move com dificuldade, subindo por cima do morto e segurando sua cabeça no chão, até conseguir pegar o facão com a outra mão.

Ele tenta morder seu braço, e quase consegue.

Um aperto invade meu peito, que droga ela tá fazendo aqui fora? Que caralho! Aqui não é lugar pra ela.

Me aproximo, com a cabeça do filho da puta na mira da besta, quando Denise finalmente acerta a cabeça dele, o sangue espirrando em sua blusa.

Coloco a crossbow denovo nas minhas costas, e vejo ela pegando a caixa de isopor e vindo até nós.

Continuo caminhando, tentando não pensar na raiva que estou. Essa menina é burra ou oque? Puta que pariu.

_ você é burra? Poderia ter morrido! Tudo por essa merda de caixa que eu aposto que não tem nada útil! __ depois de alguns minutos andando, Rosita grita na cara da médica, falando tudo oque eu também penso.

Denise passa a mão na testa, limpando o suor que escorre.

_ tem umas latas de refrigerante.

Ela diz isso como se fosse justificar o erro. Refrigerante cara. Quase morreu pra pegar umas porra de lata de Refrigerante!

_ não interessa. Eu disse que não iríamos parar, e você deveria ter obedecido! Você quase foi comida por uma dessas coisas pra pegar uma porra de refrigerante! __ grito, perdendo a paciência.

Movo meus olhos pro chão, tentando controlar a respiração.

Se acontecesse algo com ela a culpa iria ser minha e eu não conseguiria suportar o peso de mais uma morte nas minhas costas, sei que não conseguiria.

_ vocês poderiam me dar um tempo né? Que droga! Sabe porque eu pedi pra você vir comigo? __ ela fala, olhando pra Rosita __ porque você é incrível! Você é forte, e corajosa e boa em tudo o que faz! Eu só queria aprender a ser como você!

Ela move os olhos até mim em seguida.

_ e você? Você me lembra meu irmão, e eu me sinto segura quando você tá perto! Eu achei que pudesse aprender a ser menos inutil com vocês, e quis mostrar que eu consigo também! Por isso quis pegar isso sozinha!__ levanta a caixa em suas mãos.

Denise abre a boca pra falar novamente, quando uma flecha atravessa sua cabeça saindo bem no olho, de onde o sangue escorre.

_ obrigada __ ela fala, antes de cair no chão morta.

Assim que ela cai, pego minha besta, apontando a minha frente. Cinco homens saem da mata que limita a linha do trem. Meu punho se fecha, quando vejo o mesmo cara, que roubou minha moto e minha besta naquela floresta queimada, algum tempo atrás.
Me lembro vagamente de seu nome, acho que é Dwight, algo assim. Ele está igual da última vez que o vi, a única diferença é que metade de seu rosto está cheio de cicatrizes, provavelmente devido a uma queimadura que deve ter sofrido.

Ele carrega minha besta na mão, se aproximando de nós.

Felizmente, eu arranjei outra depois do incidente, e ela tá na minha mão agora, apontada pro filho da puta que matou Denise.

_ me desculpe, a flecha era pra você__ ele fala, com um sorriso sínico nos lábios.

_ vá se fuder __ resmungo, e ele escuta.

Um sexto cara aparece, segurando Sasha pelo pescoço.

Que droga eles estão fazendo com ela?

Ele joga ela pro nosso lado, e ela cai, batendo a perna na linha do trem.

_ seis contra dois. Não sei por que, mas tô sentindo que vocês vão morrer hoje.

_diz isso pro cara que tá escondido atrás do container. __ Sasha fala, levantando a cabeça e olhando nos olhos de Dwight.

Todos olhamos pro mesmo lugar, o container, entre a mata e a linha de trem. Imagino que a pessoa que ela disse seja Abraham, até porque os dois saíram juntos ontem.

Um dos homens armados vai até o lugar que Sasha falou e logo volta balançando a cabeça.

Abe deve ter um plano.

Assim que o cara volta pra formação tiros são disparados, de dentro da floresta, fazendo dois dos homens caírem no chão, mortos.

Agora é nossa vez.

Começamos a atirar também, nas pernas dos inimigos, e assim que eles caem no chão, sem conseguir levantar, acertamos na cabeça.

Abraham chega até nós, e continua atirando nos desgraçados que vão caindo em efeito dominó.

O único que consegue fugir é o único que quero realmente matar. Dwight entra na mata, se abaixando para fugir da chuva de tiros atrás dele.

Saio da linha do trem, indo até o filho da puta. Vou matar esse desgraçado com muito gosto.

_ daryl, precisamos voltar!__ escuto Rosita gritando.

Volto os olhos para os três parados ali, e vejo o corpo de Denise no chão, sem vida.

Só não vou atrás dele porque temos que levar Sasha e Denise pra comunidade. Sasha não consegue andar, e a médica merece um enterro digno.

_É, Dwight, parece que você não vai morrer ainda. Aproveite seus últimos momentos de vida__ sussurro.

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