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*Daryl*

Foi como se alguém tivesse dado um soco na minha cara.

Pior que isso.

Cheguei na clínica com a intenção de falar pra ela que a gente podia fazer algo diferente essa noite, mas assim que entrei e a vi beijando o Shane, minha vontade foi embora.

Não vou mentir, quase soquei a cara do desgraçado. Faltou um segundo pra eu fazer isso.

Mas eu não consegui. Não consegui ficar ali, vendo aquela cena. Não dava. Então só virei as costas e fui embora.

Nesse momento eu nem sei onde eu tô. Só sei que sai de Alexandria e entrei na floresta, eu não ia aguentar as perguntas que iam fazer.

Não, a gente não tinha um relacionamento, o que tira a culpa do policial, mas querendo ou não estávamos juntos essas duas semanas e eu me apeguei. Me apeguei muito.

Eu não sou de demonstrar muito o que sinto. Na verdade nunca demonstro, e é justamente esse o motivo de não demonstrar.

Pessoas sempre decepcionam.

Pessoas sempre vão embora.

Quando eu tinha 7 anos, fui brincar com uns meninos na rua e cheguei em casa tarde. Minha casa estava cercada por caminhões de bombeiro, e viaturas. Eu não entendi nada.
Sentia que algo estava errado, mas não sabia oque era.
Entrei pela porta, e não havia mais nada. Tudo estava queimado. Pessoas passavam ao meu redor, falando sobre a tal mulher que tinha morrido carbonizada, fumando na cama.
Era minha mãe. Ela foi a primeira a me deixar.

Esbarro em um galho de árvore no meio do caminho, e o chuto. Que droga.

Minha mãe não foi a única.

Alguns anos depois meu pai também foi embora. Mas esse foi porque quis.
Ele nunca foi muito presente, sempre ficava em boates, e não lembro de ter o visto alguma vez na vida sóbrio.

Depois disso, eu e Merle, meu irmão, ficamos com meu tio, até sermos de maior.

O velho também morreu de câncer no estômago, então passou a ser só os dois irmãos, contra o mundo.

Quando os mortos começaram a voltar, estávamos juntos, e eu finalmente achei que ninguém mais fosse me deixar. Estava errado.

O governador filho da puta o matou.

Cheguei tarde, e ele veio pra cima de mim, tentando me comer. Ter que mata-lo com certeza foi o pior dia da minha vida.

Depois disso foi uma enxurrada de mortes.

Zake, Hershel, Bob, Beth, Tyresse, Noah.

Pessoas com quem eu me importava. Minha família.

E eles me deixaram.

Eu nem sei oque tô fazendo aqui fora. Não faço idéia.

Só sei que não sei oque pensar sobre o que houve.

[...]

O som de unhas arranhando me faz mudar a direção pra esquerda, caminhando mais devagar.

Uma casa surge, na luz da lua, e é de onde o som vem.

Entro na varanda silenciosamente, um passo de cada vez.

Imagino que esteja na parte de trás, pois o barulho aumenta conforme adentro.

Um, dois, três. Três batidas no batente de madeira e me afasto.

Em cinco segundos o sanguessuga já está na porta arranhando.

Não entendo essa coisa deles se guiarem por som, mas enfim, fodase.

Dou um chute na porta, e ele vem pra cima, me jogando contra a cerca da varanda. Filho da puta. Dou um soco na sua cara deformada mas ele não para.
Minha faca caiu no chão quando ele me empurrou e tento chegar até ela mas esse inútil não me solta.
Finalmente o empurro com força, e ele cai no chão, batendo a cabeça.

Foi fácil até.

Entro no lugar.

Não está tão ruim assim, tinha um zumbi preso aqui, eu esperava bem pior.

Encontro um cômodo que provavelmente era um banheiro e entro, trancando a porta.

Vou dormir aqui hoje.

[....]

_ onde você tava? __ Rick abre o portão pra mim, assim que chego na comunidade.

_ precisava de um tempo.

Caminho rápido. Por favor, sem sermão.

Ele fecha o portão e corre até mim, sem dificuldade.

_ o que houve?__ sou impedido de continuar caminhando, pois ele entra na minha frente.

_ nada.

Rick faz uma careta, claramente sabendo que há alguma coisa.

_ okay. Se quiser conversar estou aqui irmão. A, eu preciso que você saia, em uma patrulha.

_ tá certo. Quando? __ pergunto, parando na rua para o observar. Talvez seja bom pra mim, ficar um tempo fora.

_ o mais rápido possível...... A Melanie vai com você.

_ oque? __ levanto a cabeça, o olhando.

Que droga, como eu fui esquecer dessa porra?

_ não sei se você sabe, mas ela morava em Charlottesville, antes....

Sim, eu sei, conversamos sobre isso.

_ idai?

_ ela é a pessoa que mais conhece o local.

_ não vou com ela. __ digo, e continuo caminhando. Não sei nem se consigo olhar na cara dessa menina.

_ okay, então vou ter que arranjar outra pessoa.

_ sim. __ digo, e percebo que Rick se afasta, pelo canto dos olhos, se direcionando ao arsenal.

Eu quero ir. Só de pensar nela lá fora, com outra pessoa que não seja eu já me dá ódio.

Porém não vou. Não posso.

Parece que alguém vai ter que ir com ela.

[...]

_ onde você tava? __ Carol chega me abraçando.

_ lá fora. Precisava de um tempo.

Ela balança a cabeça, concordando.

_ sinto muito..... Tenho certeza que ela não fez pra te magoar. Ela nunca faria isso.

A olho, intrigado.

_ como você sabe? __ me apóio na parede.

_ ela me contou..... Tava bem triste, tadinha.

_ tadinha o caralho.

Ela sorri, negando com a cabeça.

_ você é um ogro.

_ sim.

Abro a porta da sala, esperando que a ruiva não esteja ali. E pra minha sorte, ela não tá.

Subo a escada rapidamente, em direção ao meu quarto, não quero ver ela de jeito nenhum.

Sei que pode parecer criancisse, mas isso é novo pra mim. É o jeito que eu encontrei, e espero que doa menos.

A porta de madeira se abre com um baque, e meu coração acelera quando vejo as roupas dela, na minha cama.

Que porra?

Fecho a porta, e encosto na parede, observando aquilo, e lembrando dos nossos momentos juntos, ali naquela cama.

Meus olhos se movem pra porta, assim que ela se abre, e Melanie entra.

Seus lábios se abrem, em um pequeno sorriso, pra logo depois ele desaparecer.

Sua boca se move algumas vezes, mas não sai som nenhum.

Qualquer um percebe o quanto que ela tá mal com isso, só de olhar.

_ hey..... Eu sinto muito.... __ se aproxima um pouco, mas eu me afasto.

_ eu não queria te magoar... Nunca quis..

Coloco os braços pra trás, segurando o impulso de a abraçar.

_ relaxa. A gente não tinha nada.

Um aperto invade meu peito, e coloco a mão na parede, me apoiando.

Sua cabeça se abaixa, passando a mão no cabelo, e balança a cabeça, positivamente.

Respiro fundo. Me corta o coração ver ela assim, mas não vou voltar atrás.

_ eu vou tomar banho, se puder tirar suas coisas daqui antes que eu volte, eu agradeço.

Viro as costas, entrando no banheiro.

_ você não vai comigo né? Na patrulha? __ a escuto dizer, sua voz meio chorosa.

_ não. __ digo, firme, e entro no banheiro.

Isso vai ser mais difícil do que eu imaginei.

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