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Obs: essa história tem vários narradores diferentes, eles sempre vão estar entre **.
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*melanie*
É tão bom ter uma família.
quando começou essa merda toda, eu estava viajando com meus pais, em uma viagem longa e divertida pelos Estados Unidos, enquanto meus dois irmãos mais novos estavam em um acampamento de férias.
Em Atlanta, paramos em um engarrafamento, onde curiosamente tinham milhares de carros que pareciam fugir de algo. Eu não estava entendendo nada, e desci do carro para pedir informações.
Uma mulher alta e magra me explicou a situação, e demorei um pouco pra entender. Na verdade demorei bastante. Eu não acreditava nessa história, que pra mim parecia historinha pra assustar criança. Porém quando perdi todos que eu amava, eu tive que acreditar.
Lori ( a mulher da informação) me acolheu em seu grupo, eu estava completamente destruída. Depois de algum tempo eles viraram minha segunda família, e passamos por muitas coisas.
Tudo isso parece fazer séculos.
Quando chegamos na prisão, finalmente tínhamos um lugar pra chamar de nosso novamente.
*Dez meses depois*
Acordo com um raio de sol entrando pela janela da prisão e sorrio vitoriosa.
Ultimamente as coisas vão tão bem que eu quase esqueço dos mortos vivos querendo nos comer.
É bem cedo, mas já tem movimentação no meu bloco. O povo aqui é bem animado. Se for olhar pelo sol, provavelmente são umas 8 horas, e até as crianças já estão acordadas, desenhando nas paredes cinzentas.
Sorrio, observando os desenhos. O que seria de nós sem as crianças pra colorir nossos dias?
Desço as escadas, parando um segundo para me recuperar da tontura causada pela luz do sol que me atinge. Vou até o quiosque no meio do pátio, onde Carol faz algum tipo de comida. Sem nem ver o que era pego um prato e saio comendo procurando algum lugar pra sentar.
Em tempos de apocalipse, não tem como reclamar de comida. Se tiver algo pra comer, já dê graças a Deus.
Depois de 7 meses comendo ração de cachorro pra não passar fome, não dá pra reclamar do que tiver pra comer. O importante é comer.
Depois de algum tempo sozinha, Carol vem até mim, com seu prato nas mãos.
Sim, é 8 horas da manhã e já estamos almoçando. Como eu disse, não é sempre que tem comida então tem que aproveitar.
-tudo bem? - ela pergunta, se sentando ao meu lado.
- sim, tudo certo para o treino das 11?
- claro, querida. - toca meu rosto, dando um sorriso meio que maternal antes de voltar para o quiosque.
Desde que cheguei, carol sempre me acolheu com um jeito materno que não entendi muito bem no começo. Então ocorreu aquela gripe, e Rick a expulsou pela morte de duas pessoas.
Depois de um tempo ela voltou pra casa, nao sei bem como fez a cabeça dele, porém fiquei muito feliz e comecei a retribuir, pois já tinha perdido tanta coisa e é bom ter alguém.
Volto para meu quarto, troco de roupa, e me olho no espelho que fica em uma bancada pra encontrar a mesma coisa de sempre.
Pele extremamente queimada, os cachos loiros, que caem até minha cintura e um corpo mais magro do que eu desejaria. Não é como se eu me importasse muito com isso hoje em dia, mas a Melanie de 10 meses atrás surtaria com o meu estado.
Sento na cama e quase sou cega pela luz do sol que vem direto nos meus olhos. Sol, eu te amo, mas tem vezes que não dá pra te defender, sério.
Subitamente a luz diminui, quando alguém aparece na minha frente, a tampando.
Maggie vem até mim, com Judith no colo.
-- pode cuidar dela rapidinho por favor? Rick me chamou para uma emergência na cerca.- me estende a bebê.
Judith me olha, brincando com um chacoalho.
-- claro-- Sorrio. -- Só não posso ficar muito tempo, pois tenho treino as 11. -- a observo, já em meu colo -- ao menos que essa princesa também queira aprender a atirar. -- Judith põe a mão em meu rosto sorrindo.
-- tudo bem, a Beth vem pegar ela daqui a pouco. -- Maggie diz, e sai sorrindo.
Ela é uma criança relativamente calma, então não me dá um pingo de trabalho, brincamos, a alimentei e contei algumas histórias, como sempre faço. Depois de algumas horas Beth aparece, me avisa que Carol me procura, e então desaparece pelos corredores segurando a criança.
Beth é a irmã mais nova da Maggie, as duas são filhas do Hershel. Ela é a pessoa que chega mais perto da minha idade nesse lugar, e tambem dividimos o passatempo de ser babá da Judy, então já dá pra imaginar que somos grandes amigas.
Antes de chegarmos na prisão, nosso lar foi por alguns dias a fazenda de Hershel. Era um lugar tranquilo e quase não tinha zumbis, mas depois da invasão ficou impossível continuar lá. Depois disso, ficamos rodando sete meses por essas estradas, procurando comida, abrigo, água e tudo que pudéssemos encontrar. Lori, a mãe da Judith e do Carl, estava grávida da menor, e já estava a ponto de dar a luz, por isso precisávamos de um lugar seguro, onde o bebê pudesse crescer seguro e longe dos bichos. Um pouco depois de termos encontrado a prisão, houve uma invasão aqui também, e coincidentemente, no dia em que a Judith nasceu. Maggie fez o parto da garota, mas infelizmente Lori não aguentou e morreu ali mesmo. Como todos sabem, qualquer pessoa que morrer se torna um deles, e Carl teve que atirar na mãe, para que ela nao voltasse e comesse o próprio bebê.
Judith só tem 7 meses e já passou por tanta coisa. Espero que tenha uma infância alegre e feliz, mesmo que seja muito difícil que isso aconteça.
Meu treino com Carol acontece normalmente, e ela me avisa que eu estou muito melhor.
Graças a Deus. Cinco meses praticando com essa coisa serviram pra alguma coisa.
Depois disso o dia passa como um flash. Converso um pouco com Rick sobre o crescimento da Judy, ajudo Hershel a separar alguns medicamentos novos, entre outras coisas aleatórias.
Pego minha arma e sento em uma mesinha, tentando limpa-la.
Percebo alguém observando, e meu rosto se vira para encontrar Daryl me encarando, nas sombras.
Meu coração acelera imediatamente.
Que droga Melanie, esquece essa droga. Não aconteceu nada entre vocês.
--ta tudo bem? - o encaro.
-- não importa. - seu cabelo cai em seu olho e aquilo por algum motivo prende minha atenção mais do que deveria.
-- okay então. _ dou de ombros. Não sei porque espero um pouco de consideração de sua parte, foi só uma noite, não significou nada pra nenhum dos dois.
No entanto, não sei porque meu coração continua acelerado.
O caçador sobe as escadas, provavelmente indo pro seu quarto.
-- boa noite pra você também Daryl. - digo, e ele dá de ombros.
Ignoro e continuo ali, com a luz do luar.
Guardo minhas coisas depois de algum tempo. Apesar de nunca fazer nada, todos os dias são extremamente cansativos, como se eu corresse 20 quilômetros antes de dormir.
Boa noite mundo.
*Daryl*
Já é dia, e eu vou até a cerca, conversar com Rick.
-bom dia- ele me diz.
- dia. - respondo olhando os filhos da puta tentando derrubar a cerca. - o que houve?
-- michonne chegou.
-- e?
-- vai sair depois do almoço pra procurar comida.
-- vou falar com ela- digo, saindo.
-- ela saiu com o Hershel. Jajá ta ai de volta.
-- ok. - vou andando e paro para conversar com Carol.
Gosto muito de ter onde ficar, mas mesmo assim preferiria estar lá fora, onde é o meu lugar.
Ela carrega um prato com algo, e se senta em uma mesa no pátio.
-- bom dia chuchu. - diz assim que me vê, e meu rosto queima.
Somos melhores amigos, e ela insiste nessa babaquice, mesmo eu odiando.
-- cê tem que parar com isso. - digo, pegando um pedaço de carne do seu prato.
-- até parece que você não gosta - ela sorri mas logo sua feição muda. - soube que michonne não encontrou o governador.
-- é, Rick me disse. hora que chegar vou conversar com ela, talvez ela queira companhia na busca da próxima vez.
Vejo Rick passando por nós com Judith no colo.
-- porque não fica aqui com a sua família? - Carol pergunta meio magoada, mas sei que está fingindo.
- porque eu... - Um grande estrondo faz com que todos se abaixem, e em um segundo a torre de controle mais próxima pega fogo.
Rick me olha e eu sei oque significa.
Uma voz conhecida grita e olho ao redor, encontrando ele. O governador, do lado de fora da cerca.
O filho da puta que matou meu irmão, e quase matou todos nós.
Ele tem um caminhão tanque, e várias pessoas envolta de carros, segurando armas.
Meu instinto me faz ir até as armas mais próximas e distribuir, a quem estava ali.
O filho da puta diz que quer conversar com Rick, e ele vai até lá. Eles conversam algum tempo, e depois disso só vejo ele colocando Michonne e Hershel ajoelhados na sua frente. Ele segura a espada de michonne, ameaçando cortar a cabeça do idoso.
Desgraçado. É incrível como meu ódio por esse cara só aumenta.
Rick tenta argumentar e eu realmente não ligo, só quero minha família de volta. Todos se preparam para atirar, e quando governador corta a cabeça de Hershel, o ódio toma conta. Ouço gritos de Maggie, e ela, eu, Carl e Sasha começamos a atirar. Rick acerta a perna do desgraçado, e ele cai do caminhão em que estava.
A partir disso, fica tudo uma bagunça. Maggie enche o ônibus com as pessoas, para a fuga. Zumbis invadem as cercas derrubadas, e tiros pra todo lado. Decido entrar nos blocos, procurando pessoas, porém tudo que encontro são corpos ensanguentados e mais zumbis. Volto lá fora e agora sim tá uma loucura. Não vejo ninguém do meu povo, só zumbis e inimigos. mato alguns deles, e pego minha moto. Beth vem correndo até mim, perguntando por Maggie e mando ela subir na garupa.
Pelo gramado, dezenas de zumbis comem os corpos caídos, como urubus. Espero que algum deles seja o filho da puta que causou tudo isso. É o mínimo que ele merece.
Não encontro Rick, nem ninguém, então decido ir embora, antes que não sobre nem nós. Saímos daquele inferno desejando que se existe realmente Deus ou algo do tipo que os salve.
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