Oito| Léo

Naquele exato momento, por volta do fim de tarde, o sol se colocou no meio da silhueta das casas terrenas, cedendo lugar para uma noite abafada.

Meus pés ainda doíam quando cheguei em casa, abrindo a porta. Deixei a minha mochila deslizar por entre meus braços, jogando em cima de uma cadeira, e fui até a cozinha. Minhas entranhas se contorceram e me apressei. Precisava de uma bebida.

O problema era que havia somente latas de refrigerante. Anna havia, ou jogado fora, ou escondido as bebidas mais vigorosas. Depois que Olívia resolveu parar de beber e havia feito um discurso quase parecido com o dos alcoólicos anônimos, na onda, Anna resolveu se livrar de todos os pequenos maus caminhos.

Eu havia escondido uma garrafa de licor de maçã verde de aparência letal, a minha única oferta para momentos de frustração como aquele. Peguei a garrafa que escondi atrás do fogão, enchi um copo e bebi em um gole. E depois vieram tantos outros, até que não percebi que a garrafa estava na metade.

Suspirei. Muito preocupado. Onde Olívia poderia ter ido, e por que tão de repente resolveu sumir?

Liguei para todos nossos amigos do colégio. Também mandei mensagens no MSN e Orkut; mas ninguém tinha ideia de onde se meteu. E quanto mais frustrado eu me sentia, mas a bebida descia goela abaixo. Quando me dei conta, eu estava bêbado. Perdi um pouco da noção, e quis dormir.

No tempo em que deitei meus braços e depois aterrei minha testa no plano da mesa, a porta à esquerda se abriu. Sobressaltei de onde estava sentado.

— Anna! — exclamei, bêbado e irritado.

Mas não era Anna. Era Olívia.

Olívia que estava entrando pela porta completamente bêbada.

Ela mal se aguentava de pé, se arrastava no chão com uma cor vermelha no rosto claro. E chorava sem parar. Vi Olívia muitas e muitas vezes bêbada, mas não daquela forma.

Seus olhos vermelhos de tanto chorar encontraram os meus, e seu rosto mudou do alarme para o reconhecimento.

— Léo... — ela murmurou com dificuldade de entrar.

Minhas sobrancelhas estavam no alto. Por um momento, minha única reação imediata. Mas no instante seguinte, não muito diferente dela, tentei segurá-la, pois ela estava indo de encontro ao chão. Ela não era pesada, mas parecia pesar naquele estado. Por isso tive dificuldades de sentá-la no sofá quando tentei arrastá-la para um lugar macio. Quando se acomodou, agarrou uma almofada e continuava chorando.

— Hei, que diabos...? — tentei dizer, enquanto tirava os sapatos dela. — Achei que não fosse beber mais. Vamos! Acorde que vou te dar um banho gelado ou coisa parecida para você acordar.

— Não... — ela choramingou. — Me deixa dormir.

— Olívia, que raio... — Não tinha ideia do que fazer. — Vou chamar seus pais! Olha pra você, estava tentando se afogar em um barril de uísque?

— Não! — Ela se ergueu agarrando a manga de minha camisa quando me erguia para ligar para casa dela. — Não chame meus pais. Eles vão me pôr mais cem anos de castigo. Não aguentaria ficar até os trezentos anos de idade de castigo...

Fiquei atônito. O que raio estava passando com essa menina?

— Castigo ou não, Lívia, todo mundo está preocupado com você. Sumiu desde de tarde depois da escola. Eu fui em todos os lugares, para não te encontrar em lugar algum.

— Não importa, não importa.

— Hoje é seu aniversário. Acho que importa. As pessoas que gostam de você, elas querem comemorar esse dia especial com você. Mas se completar dezoito para você é tomar um porre, deveria ter me convidado.

— Hoje é meu aniversário — Olívia olhou para mim. — Eu não lembrava disso...

— Quem não lembra do próprio aniversário?

E, de repente, não esperei por aquilo que ela fez: me beijou.

Adorava beijos roubados. Tinha certeza de que meu rosto estava ficando escarlate. Tive vontade de agarrá-la. Mas ela estava bêbada, por isso, como um cavalheiro, ergui as minhas mãos para longe dela.

— Ô, Léo... — ela começou quando me fez sentar no sofá enquanto as emoções dentro de mim giravam vertiginosamente. — Eu vim aqui só para te falar isso!

Olívia se ergueu balançando de um lado para outro, suas mãos se moviam no ar. Ela estava... sensual. Havia encurtado a saia; o último botão fechado da camisa estava debaixo de seus seios grandes. Os cabelos grandes e lisos, descoloridos dessa vez de ruivo, caiam em cascatas nos ombros, enquanto ela me olhava de modo enigmático.

Foi difícil manter minha boca fechada quando notei o decote dela. Ela tinha seios tão grandes antes? Nunca havia notado.

E o pior de tudo? Eu estava bêbado e ela também. Se continuasse assim, talvez eu não pudesse me controlar.

— Léo — ela sussurrou. — Eu vou morrer, sabe... Então... Já que esses são meus últimos tempos na Terra, eu vim te dizer isso!

— Me dizer o quê? — indaguei curioso, finalmente fechando a boca. — Você precisa ir para sua casa...

— Ah, me escuta! — ela me interrompeu, irritada. — Eu vim aqui, Léo, porque como vou morrer, só tenho essa chance de dizer. Todo esse tempo, Léo, eu amo você. Eu amo você... e me perdoe. Se fiquei com Natan foi para te irritar e fazer você prestar atenção que não era o único cara que existia no mundo para mim. E porque eu te amo, não consegui ficar com ele. Nunca transei com ele. Quando estava com ele, eu só conseguia pensar em você.

Eu senti a minha boca secar como papel quando a deixei entreabrir. Minha mente gritava para mim "eu sabia" por todos os lugares. Ela usou Natan para fazer ciúme em mim.

— Eu amo você! — ela abriu bem seus braços sorrindo. Achei que fosse me abraçar, mas não. Olívia abaixou os membros, me olhando com carinho. — Eu amo você... — murmurou voltando a chorar.

Mas ela estava muito louca! Depois de começar chorar, ela engoliu as lágrimas e começou a tirar a roupa.

— Eu não quero dar minha virgindade para ninguém mais — ela disse, agora sem a camisa. Seus seios eram extraordinários, e eu nunca tinha notado (afinal eu também não estava nada sóbrio)? — Tem que ser para o homem que eu gosto!

O que está fazendo? — indaguei, assustado.

Ela sentou no meu colo, estendeu os braços e colocou as mãos nos meus ombros. Tentei não olhar para ela, mas não consegui evitar. Ela estava seminua, sentada no meu colo e ela era bonita. Ela era uma garota e eu um cara. Ambos totalmente alcoolizados. O que eu podia fazer numa situação daquela? Retribuí quando ela apertou seus lábios nos meus.

Eu era mesmo um canalha! Mourabelli não ia lembrar disso. Não tão doida quanto estava. Desejava que Anna entrasse pela porta, e nos parasse. Mas ela deveria ainda estar procurando pela idiota que me despia lentamente. Se continuasse assim, o que raio eu ia fazer quando Olívia acordasse depois e percebesse que fez aquilo caindo de bêbada? Ela ia me odiar para sempre! Eu ia parar na prisão por estupro. Sr. Mourabelli levou um tempo para confiar em mim de novo, agora ele ia me matar.

Porém não conseguia parar. Meu corpo embriagado estava falando por si próprio. E agora eu a ajudava a tirar minha roupa. Maldita Anna, apareça por aquela porta maldita!, eu pensava, enquanto tomei o pescoço dela com meus lábios. Minha mão tomou o seio dela, e a outra lhe desabotoava o sutiã que já não era tão infantil quanto antes. Eu também estava sendo estuprado ali, principalmente quando Olívia enfiou a mão dentro de minha calça. E agora que estava com um corpo tão formidável, adulto, era difícil me controlar.

Seus dedos perigosos mexeram no meu ponto íntimo, me fazendo estremecer dos pés a cabeça. Gemi, sussurrando seu nome, movendo a minha mão atrás de sua nuca. A puxei para perto e beijei seu pescoço, incapaz de resistir.

Eu já estava sem camisa, e ela sem a saia quando ela me deitou no sofá, ficando por cima. Olhei nos seus olhos, e deveria perguntar se tudo bem, mas eu não tinha controle nenhum ali.

— Espera, Olívia, você está bêbada... E...

— Você tem meu consentimento, Léo. Pode ficar calmo.

— Sim, mas...

— Cale a boca e faça seu papel de homem!

Meu homem interior havia sido reduzido para o tamanho de um pinscher. Afastei minhas mãos, com medo de pegar em algum lugar. Percebendo a minha hesitação, Olívia agarrou a minha mão, colocando-a em sua parte íntima.

— Eu permito, Léo. Eu permito que você tenha tudo de mim. E em troca, me deixe, pelo menos uma última vez na minha vida, ter tudo de você... Não me rejeite até a minha beira da morte.

Franzi a minha testa, olhando para o rosto dela. Parecia que Olívia estava indo, depois daquilo, para dentro de um caixão. Meu coração apertou, e respirando fundo, eu não queria ela fizesse aquela expressão.

— Está certa sobre isso? — perguntei, olhando para minha mão, parada no tecido de baixo de sua calcinha. — Se realmente permitir, Lívia, eu não poderei mais parar... Não vai poder voltar atrás.

— Me lembro que quando tinha uns treze anos, você era bem "machistinha", Léo. Por que agora está se importando com minha opinião?

— Porque eu já errei muito com você... Eu já disse coisas que não deveria ter dito, fiz coisas que não deveria ter feito. Não quero perder você novamente.

— Que chato! Não estou tão bêbada assim. Eu sei o que estou fazendo, certo?

A mão dela que segurava a minha mão em sua intimidade, apertou meus dedos com força contra ela. Isso a fez gemer, o que não deveria ter me deixado louco, mas fiquei completamente maluco. Agora que tudo foi pra merda!

Com um urro e um tremor se pronunciando do interior de meus ossos, usei as mãos para empurrar Olívia, invertendo nossas posições. Se tinha sua permissão, ali e agora, eu a queria mais do que tudo.

Por isso beijei cada parte de seu corpo; a boca, a pele cor de oliva clara, os ossos proeminente da clavícula, o pescoço, seus grandes seios. E cada toque em seu corpo a fazia contorcer-se e gemer, me deixando vivo.

Dei-lhe um beijo nos lábios novamente, e deslizei meus dedos para seu íntimo, sentindo o quanto ela me deixava mais excitado. Que safada, ela era. Estava tão excitada quanto eu. Ah, Deus, nenhuma outra garota havia me deixado assim. Já sonhei com momentos como aquilo, mas nunca, em toda a minha vida, esperei que fosse de fato acontecer. Ela já havia me dito precisar de espaço, e me considerava melhor como amigo.

Não sabia, porém, como ela conseguia me provocar tanto. Estava tão desinibida, que não entendia onde descobriu tudo aquilo que me instigava. Amigos... sim, amigos daquele jeito estava bem para mim.

Só para reafirmar minha consciência, sussurrei no seu ouvido se tinha mesmo sua permissão... Respondeu que sim, então pensei que tudo fosse para o inferno! Mas que se foda. A princípio, ela quem me provocou. Então eu, bêbado como estava, não tinha culpa de nada. Eu já tinha uma ereção, e não aguentava mais. Agora precisava senti-la em mim. Portanto a penetrei lentamente, com medo de fazê-la sentir dor pela a primeira vez.

— Ouch! — ela gemeu pela dor, mas espalhou as mãos nos meus cabelos. Me deixou ainda mais doido. — Léo... — ela murmurou — Estou rachando...

Aquela frase me deixou em pânico, eu senti como se tivesse ficado gelado.

— Está vendo — me afastei, olhando para ela —, disse que era uma má ideia! Não quero te machucar.

— Continue, não pare agora, mesma que eu me machuque e grite de dor.

— Olívia...

— Léo!

Ofegante, demorei algum tempo. Nunca vi o lado mandão de Olívia. Me comichava uma certeza de que ela ficaria magoada se eu recuasse agora que estava dentro dela.

Fui mais devagar, tentando não machucá-la, procurei me mover de uma forma que a deixasse confortável. E ela ficou depois de um tempo que meu corpo deslizava levemente no dela. Sua pele macia me deixava... Eu não saberia o que descrever daquilo...

Essas vozes de anjos e demônios na minha cabeça não estava colaborando muito por mim; eu precisava esvaziar a minha mente e chegar ao fim.

Levei algum tempo, me descarreguei todo dentro dela. Sentia o suor escorregar sobre nossos corpos, e mesmo suando tanto, ela continuava cheirando bem. Eu gostava de seu cheiro. Por isso deixei-me cair sobre seu peito, enquanto sentia o cheiro de seus cabelos. Como poderia me afastar dela agora? Aquilo foi muito além do que eu havia imaginado. Sonhei várias e várias vezes com aquele momento, mas a coisa era quase surreal.

Mas que raio eu fiz?, perguntou uma voz angelical dentro da minha cabeça. Ela ia me bater mil vezes; eu ia arder no inferno por isso.

Contudo... Foi a melhor coisa que já provei em toda minha existência, retrucou a voz demoníaca do outro lado.

Olívia dormiu nos meus braços depois que se ajeitou no sofá, ofegante depois do exercício. Logo, eu me ergui do sofá muito, muito perturbado.

Vesti a calça mais rápido que pude para não cometer mais bobeiras. Eu estava em desespero. Não tomei nenhum cuidado, meu Deus, e se ela engravidar? Estava triplamente morto; não... estava morto pelos três irmãos dela, por seu pai, por sua mãe; Rita e Anna também iam me matar. Eu era um irresponsável maldito! Droga, droga! Droga! Meu Deus do céu!

Pensando sobre tudo aquilo, pensei que ia ficar careca, porque agarrava os cabelos no topo da minha cabeça, em desespero.

— Eu amo você — Olívia disse, repentinamente.

Virei rápido, olhando para ela. A moça estava se divertindo com minhas ações, me assistindo com um sorriso malicioso se espalhando em sua boca linda.

— O que está fazendo? Deite aqui — ela pediu, voltando a gemer, manhosa pelo sofá.

Percebi que minha boca estava aberta quando a fechei, e senti que meus lábios estavam secos. Havia uma lunática nua no meu sofá! Será que ainda estava bêbada? Não parecia.

— Hum! — Pigarreei, terrificado pelo quanto o meu rosto estava afogueado. — Você deveria ir para sua casa... Se não for, seu pai vai te por em um convento te deixando mais trezentos anos de castigo.

Ela riu.

— Não somos católicos. Não se preocupe — respondeu. — Mas vou ficar até meus quatrocentos e cinquenta anos de castigo, pode crer.

Não podia fazer piada daquilo. Eu suspirei.

— Isso não tem graça — disse, angustiado. — Não tomei cuidado. E se você ficou grávida?

Ela riu mais uma vez.

— Pelo amor de Deus — respondeu, apoiando a cabeça na palma da mão. — Desde que comecei a namorar Natan, minha mãe me obriga a tomar anticoncepcionais. — Olívia fez uma careta, estremecendo os ombros. — Oh, isso me fez lembrar da terrível conversa sobre bebês e sexo que a gente teve...

Depois ela corou, suspirando e desviando o olhar de mim. Os músculos nos meus ombros finalmente relaxaram. Mas endureceram outra vez. Eu ainda estava errado ali, não estava?

— Você, meio que, não está mais bêbada? — indaguei, observando-a do alto.

— Não — ela respondeu. — Misturar droga e bebida não é legal... E eu prometi para minha mãe que não ia mais ingerir porcaria, ela vai me matar, mas... Estou sóbria desde que entrei por sua porta.

— Por que tão de repente você está assim?

— Não é nada importante.

— O quê? — gemi de angústia. — Você me seduziu, dizendo que era seu último dia na Terra.

— Eu estava apenas sendo um pouco dramática — ela disse, se virando no sofá, de costas para mim. Ainda estava nua, e suas costas eram lindas.

Ela suspirou. Parecia mais calma, mas o tremor em seu corpo dizia que era muito mais do que qualquer drama que as meninas da idade dela tinham.

— É por causa de Natan? Ele disse alguma coisa para você, Olívia? — tentei entender.

— Não... sim... Não importa.

— Se Natan é o problema, não se preocupe, eu vou te proteger — disse instintivamente.

Olívia não se moveu, ela se encolheu no sofá, segurando os joelhos. Achei que fosse dizer alguma coisa, mas não disse.

Eu cocei meus cabelos, frustrado e sentando ao lado dela. Olívia tinha coisas que não queria me dizer. Se eu fui um miserável com ela por todos aqueles anos, talvez eu pudesse tentar consertar as coisas entre nós. Alisei a curva de sua cintura, em seguida beijei uma linda marca de nascença em sua pele.

— Vai ficar tudo bem — disse, esperando que em minha voz houvesse tanta consistência quanto parecia.

Olívia suspirou e secou uma lágrima. Se esgueirou pelo lado, e me beijou levemente.

— Quer ser meu namorado agora, Léo? — ela perguntou.

Eu corei no mesmo segundo, completamente pego de surpresa. Quis responder uma centena de coisas, mas não consegui dizer um grama de palavras.

— Você está me pedindo em namoro? — perguntei, então, sentindo um calor no rosto. — Hum! — pigarreei envergonhado. — Quero dizer... er...

— É... — ela murmurou. Então um sorriso se espalhou por todo seu rosto. — Estou te pedindo para ser meu namorado.

Sempre me senti irritado por ela estar usando Natan para me fazer ciúme, mas tudo por causa da minha obsessão. Ela era minha desde o jardim de infância. Sempre foi minha, cuidava de mim após a morte de meus pais e de Anna. Mas quando a vi sorrindo toda sedosa para outro homem, senti, dentro de mim, como um vulcão pronto para explodir! Não ia deixar outro cara tocar nela nunca mais, a menos que fosse uma escolha real dela, uma escolha sensata e real.

— Só vou te dizer, que eu... — comecei balançando meus pensamentos possessivos para fora da minha mente. — Eu não sou muito fiel. Nunca namorei antes. Não sei se saberei fazer isso.

— Ensino o que deve fazer, Léo — Olívia riu, beijando o canto de minha boca. — Você não precisa fazer muita coisa.

Fiz uma careta. Então concordei, para o enorme sorriso dela.

— Só não conte isso para seus pais, tá? — falei com um pouco de azedo na ponta língua. — Seu pai ia me matar.

Olívia riu.

— Claro que ia! — concordou.

Finalmente ela dormiu. Meu braço formigava quando Olívia demorou para pegar no sono. Já eram dez da noite quando consegui sair de perto dela, sem que acordasse. Fiquei a assistindo do alto, observando o quanto dormia inocentemente. Quinze minutos depois, subi até meu quarto e peguei meu cobertor para cobrir o corpo nu dela, antes que Anna e meu irmão chegassem.

Mas tarde, busquei alguma coisa na geladeira. Beber de estômago vazio era ruim. Se comesse alguma coisa, ia me sentir menos bêbado. Quando puxei do fundo da geladeira um pedaço do pudim caramelado que Anna fez ontem, a mesma entrou pela porta.

Ela suspirava, cansada. Seus cabelos, pintados de loiro recentemente, estavam desgrenhados. Os sapatos de salto estavam nas mãos.

—Léo! — ela me chamou, erguendo as sobrancelhas assim que me enxergou na cozinha. — Não achamos a Olívia. Ela, tipo, desapareceu!

Eu corei. Cocei a nuca, e depois fiz um aceno com a cabeça para que Anna pudesse vê-la esparramada no sofá. Vi minha prima prender o ar como se estivesse se afogando.

— Deus! — ela exclamou, correndo para a amiga. — Onde ela se meteu?

— Eu não sei — respondi, dando de ombros. — Eu entendi pouco. Só sei que tem alguma coisa a ver com Natan.

Anna franziu-se para mim. Minha calça estava desabotoada, quase caindo pela metade da cintura, estava sem camisa; e as roupas de Olívia permanecia espalhadas pelo chão. Ela olhou de mim para a amiga, corando dez segundos depois. Mas ficou enraivecida.

— O que você fez? — ela perguntou, desconfiada.

— Calma! — pedi antes que ela me desse um soco. — Não me aproveitei dela bêbada, nem nada. A gente estava sóbrios - pelo menos eu achava.

Mas Anna era uma coruja de olhos grandes e azuis, muito desconfiada. Eu odiava isso nela.

— Mesmo? — perguntou. — Mesmo, mesmo?

— Pergunte para ela depois, quando acordar — falei irritado, apontando para Olívia. — Também acho bom ligar para os pais dela, parece que eles estão realmente preocupados.

— Ligue depois que ela acordar — Anna enrugou a testa. — Porque o tio vai ficar bravo quando ver a filha dele nua no nosso sofá. Sem contar que os irmãos dela irão te matar.

Eu engoli em seco. Eu sabia disso. Por isso sorri, dando os ombros logo depois que enfiei a primeira garfada do pudim na boca.

— Anna?... — Olívia acordou. Ela parecia um pouco confusa. Olhou para mim, e depois voltou o olhar para a amiga. Então corou. Se escondeu no meu cobertor (não ia lavar aquele cobertor nunca mais, nunca!).

Anna pulou para perto dela, sentando a seu lado. Alisou seu rosto, tirando-lhe uma mexa de cabelo da visão. Parecia muito preocupada.

— Querida — ela começou carinhosa. — Você está bem? Léo não te obrigou a nada, né? Ele não se aproveitou de você, não é?

Olívia sorriu. Olhou para mim, voltando a ficar roxa.

— Isso é constrangedor — disse. — Por que não me levou pra seu quarto Léo?

Eu ri.

— Não queria te acordar, querida — disse, torcendo a boca.

Anna ergueu as sobrancelhas.

— Qual é o lance? — perguntou, desconfiada.

— Estamos, meio que, namorando - respondi relaxado, encolhendo os ombros. — Então, vai lá pra cima fazer o que você sempre faz ou sei lá ou quê... Nos dê privacidade.

— Hã? Você? Namorando? — guinchou, pasmada. — Até parece!

— Estamos... — Olívia respondeu, ainda com o rosto escondido nas cobertas. — Eu acho que sim.

Anna abriu a boca, soltando um zumbindo estranho. Sua cabeça virou de mim para Olívia, velozmente.

— Ah! — ela exclamou, se erguendo. — Isso... Hum! — pigarreou coçando a cabeleira loira, depois virou as costas para a amiga — Bem... Vocês são a definição de "vão pro quarto"...

Ergui uma sobrancelha, e depois enfiei as mãos nos bolsos.

— Veja bem, Léo — Anna disse para mim. — Se machucar os sentimentos da minha melhor amiga: se considere um homem morto! — depois me deu um soco fraco no meu ombro. — E a leve para casa, porque o tio e a tia estão preocupados com ela.

Parecia que ninguém tinha fé em mim... nem eu mesmo.

— Mas Olívia, por que diabos vocês sumiu? — Anna perguntou.

Olívia, olhou para ela, ajeitando os cobertores sobre seu corpo. Eu fiquei curioso quando parecia que estava pronta para contar seus motivos. E então, sem que entendesse como, as palavras estavam trancadas dentro do seu peito, saíram:

— Eu estou morrendo...

Notas da Autora:

Desconsiderem se este capítulo estiver muito mal escrito. Eu escrevi há, sei lá, uns seis anos atrás. Estou com preguiça de revisar.

Obrigada pela atenção,

Audrey

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