Capítulo 99 - Você aceita?
Olá, leitores favoritos!!!
Este capítulo NÃO ESTÁ REVISADO, portanto possa ser que eu mude algum trecho (não gostei do que escrevi aqui).
Boa leitura!!!
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"Poucos são aqueles que veem com seus próprios olhos e sentem com seus próprios corações."
Albert Einstein
Nicholas
Acordei determinado a consertar os erros da noite anterior. Fui para o trabalho e depois cumpri com minhas obrigações para o bom funcionamento do meu corpo. Quando saí da clinica fui comprar um presente para a Lívia.
Ao chegar ao apartamento depois de tomar banho e comer comecei a tentativa de escrever uma carta para entregar a Lívia junto com o presente, não era nada fácil escrever com a boca, mas eu estava melhorando cada vez mais na caligrafia. Analisei as palavras um pouco tortas que escrevi no papel depois que meu pai colocou a caneta em minha boca e saiu para dar-me privacidade.
− Posso entrar? – Escuto minha mãe falar atrás da porta. Cuspo a caneta para responder-lhe:
− Sim! – Ela se aproxima com seu rebolado elegante. – A senhora chegou agora do hospital?
− Sim, mas antes de vir para casa passei em uma das minhas lojas. – Ela falou sem me olhar, parecia envergonhada. Eu sabia que ela queria falar sobre o ocorrido. Ela começou a ler a carta na minha nova letra mal feita e ficou surpresa com o conteúdo.
− Eu sei que a senhora fez o que fez porque queria me proteger, mas eu não sou criança, mãe. Se acaso a Lívia tivesse me traído eu precisaria enfrentar essa dor do meu jeito. – Falo ignorando sua expressão de espanto.
− Tudo bem, me desculpe. Eu definitivamente não sei por que fiz isso, sei que ela é saudável porque todos os exames que eu pedi deram negativo.
− Quando foi que a Lívia se consultou com a senhora? – Pergunto sem entender porque a ruiva me esconderia isso, se bem que ela escondeu uma gravidez, então...
− Quando ela se machucou e eu cheguei ao hospital para ver seu pai, acabei sendo a médica a cuidar dela.
− O que aconteceu? – Pergunto surpreso.
− Ela foi perfurada com uma espécie de faca pequena. Isso aconteceu na mesma noite que te vi com a mancha de sangue no seu colo.
− Quem fez isso a ela?
− Não sei, meu filho, mas ela não prestou queixa. Eu não tenho nada contra a Lívia, mas devido ao seu histórico médico, Nick, sei que isso é quase impossível de acontecer, são as mesmas chances de você voltar a andar. – Refleti um pouco sobre o que ela disse antes. Ela toca meus cabelos já que conversávamos enquanto ela estava atrás da cadeira. Depois abraça meu pescoço e colocando suas mãos finas sobre meu peito fala perto do meu ouvido: – Seu pai e eu vamos te ajudar com esse bebê. Eu não tenho nada contra a moça, só não quero que ninguém te magoe.
− A senhora fez isso! A Lívia não é cega, ela está vendo que sou deficiente e está totalmente ciente da minha condição física, mesmo assim escolheu ficar comigo. Ela não iria me trair de maneira alguma. – Falo ressentido.
− Sinto muito, meu filho!
− Quero que me faça um favor. Quando a Lívia for para a faculdade amanhã compre uma rosa vermelha, vá até o apartamento dela e ponha tudo sobre a cama para que ela encontre.
− Uma rosa vermelha?
− Ela gosta muito. – Abro um sorriso fraco. – Espero que ela me perdoe. Embora eu esteja com muito medo de que virá, eu não quero que ela continue sozinha nisso. Quero ver sua barriga crescer.
Ela pega a carta e dobra com cuidado, beija a minha bochecha e sorri igualmente fraco.
− Eu te amo, meu filho, e só quero que seja feliz.
− Se depender da Lívia, eu serei, dona Helene! Eu serei! – Suspiro alto, a verdade é que já estou apaixonado pela Lívia há um tempo e mesmo que não possa cuidar dela, fisicamente falando, não aproveito as oportunidades que me são dadas.
− Se ela te ama de verdade perdoará não somente desta vez, mas setenta vezes sete. – Desta vez abro um sorriso genuíno, minha mãe é engraçada.
− Ponha um pouco do meu perfume nessa carta, o Celso sempre faz isso. – Ela sorri e confirma com a cabeça pegando todos os objetos para executar sua tarefa e apanhando a caneta do chão.
− Boa noite, Nicholas! – Ela sai do quarto antes que eu responda e sigo para a varanda. Fico observando o mesmo cenário que o meu sogro na noite anterior, e lembrando-me de suas palavras. "Se o melhor que puder ser!"
Lívia
Quando apertei o botão do elevador na cobertura e ao entrar no mesmo constatei que ninguém estava atrás de mim, ninguém se importava. Talvez a Lúcia teria vindo se não estivesse atrasada.
Quando as portas duplas se abriam no décimo andar sai com o coração em pedaços e determinada a ser verdadeira comigo mesma, chega de me enganar. Passei pela porta do meu apartamento, sem ao menos importar-me em trancá-la.
Esta noite eu choraria minhas decepções com o Nicholas pela última vez, depois eu seguiria em frente recomeçando e acreditando no meu potencial, eu cuidaria do meu grãozinho e o protegeria com a minha vida.
Eu sou capaz, vou superá-lo! A quem quero enganar?
Deitei na cama e chorei profusamente acariciando a protuberância em minha barriga. Liberei tudo que estava me oprimindo em forma de lágrimas. Em algum momento senti um par de braços a me envolver e virei assustada.
− Desabafa tudo, minha querida, é um excelente remédio! Falo por experiência própria. – Marcela pisca para mim e abre um enorme sorriso. Por algum motivo este foi um incentivo para que eu chorasse ainda mais. – Quando você terminar de chorar vamos comer a comida do aniversário dos nossos sogros.
− Nossos? – Olhei-a sem entender, eles pareciam ter um envolvimento casual.
− Rafael e eu estamos aprendendo a lidar com nossos problemas de confiança e resolvemos nos dar uma chance. Eu acho que é cedo para dizer que o amo, mas estamos nos entendendo. Acho que ele é tão complicado quanto o Nicholas, tem uma enorme dificuldade em confiar, principalmente com o meu histórico.
Ouvi-la me deixou imensamente feliz, embora eu não fosse mais fazer parte da família do Nick desejava tudo de bom a ele e seus irmãos, eles eram pessoas incríveis. Aparentemente o Rafa havia salvado a vida da Marcela, ela estava totalmente diferente, estava mais parecida com a pessoa de quem eu lembrava assim que iniciei os estudos de música. Ele também merecia alguém como ela, e o melhor de tudo é que ela entendia sua língua.
− Estou feliz por vocês! – Falei enxugando meus olhos e rosto com as mãos.
− Obrigada, mas o foco aqui é você. – Ela fala sorrindo ao escutar minha barriga roncar. – Vamos comer, tem uma vida que depende de você agora.
− Tudo bem!
− Expliquei a confusão para o Rafa e ele está feliz por seu tio novamente, disse que o Nick merece. – Ela fala com um sorriso, Marcela estava de fato radiante.
− Na verdade ele não merece, pois não quer esse filho.
− Ah, Lív! Você vai ver como ele vai ficar louco de amor quando ouvir o choro da criança, acho até que ele vai até chorar junto com o bebê quando ele nascer. – Ela gargalha.
− Eu não quero mais ter nada a ver como Nicholas, estou decidida. Não estou com raiva, mas muito magoada.
− Eu estou percebendo. – Ela fala enquanto põe a comida em dois pratos distintos. – Você deve perdoá-lo não por ele, mais por você mesma; quem perdoa se beneficia mais do que quem é perdoado. E outra coisa, você o ama. Ele errou, mas você também fez isso.
Eu não estava disposta a admitir, mas ela tem razão. Quantas vezes mais e perdoaria o Nick? Dessa vez eu precisaria de um tempo maior já que ele não veio aqui e nem se deu o trabalho de ligar.
Acordei com uma perspectiva diferente. Fui para o banho e me aprontar para ir à faculdade. Escolhi um vestido confortável e colado que deixava o minha silhueta redonda e curvilínea bem aparente.
Ao me aproximar da mesa para o café da manhã o meu pai se levantou e suspirei: lá vinha um sermão daqueles.
− Lívia! – Ele me abraçou, retribui o inesperado abraço caloroso. – Embora te ache muito jovem para isso eu estou feliz que tenha me dado um neto.
− Sério?! – Olhei-o estupefata, não dei crédito às suas palavras.
− Minha filha, você é responsável pelos seus atos, mas pode contar comigo para o que precisar.
− Obrigada!
Quando terminei de me alimentar adequadamente peguei a bolsa e fui à faculdade. No entanto ao abrir a porta dei de cara com a mãe do Nicholas.
− Olá, Lívia! – Ela falou serena. – Vim me desculpar com você e prestar o meu apoio para os dois.
− Oi, dona Helene. Tudo bem, mas não há mais "nós", preciso começar a me valorizar, poxa! Eu vou conversar com o Nick a noite, pode informar a ele?
− Claro! De toda forma seu bebê é nossa família e preciso me desculpar por duvidar do contrário. Viver ao lado do meu filho não é fácil, Lívia. Se não bastasse o problema físico ainda tem o temperamento forte. Ele se fechou para o mundo e não poderia culpá-la de ir procurar outra pessoa.
− Eu aceito suas desculpas. – Vi a sinceridade no seu olhar. – Mas eu preciso pensar um pouco em mim e aprender a me valorizar mais.
− Eu entendo, mas confesso que você deu vida a meu filho. Sinto muito que as coisas chegaram a esse ponto.
− Ele pediu desculpas ou disse algo?
− Não!
− Ok! Preciso ir para a aula. – Minha garganta estava se formando nó. Como posso ser tão idiota em ainda ter esperanças de o Nick vir atrás de mim?
− Boa aula, minha querida. Preciso entrar e falar com sua mãe sobre o bebê. – Só então me dei conta que sequer a convidei para entrar. Felizmente minha mãe estava atrás de mim e assumiu a conversa.
− Até logo! – Sorri para minha ex-sogra.
Não consegui me concentrar na aula. Será que eu seria uma boa assistente social?
Após a aula fui para o estacionamento, eu estava morrendo de fome e queria muito ir para casa. Felizmente não tive nenhum desconforto e não vomitei mais, porém estava cansada e queria ir para casa o mais rápido possível.
Meu pai tinha me ensinado a dirigir e o Nicholas me incentivou muito a adquirir a habilitação. Embora a barriga atrapalhasse um pouco eu ganhava bastante tempo com minha condução própria.
Tinha combinado com a Lúcia e a Vick que faria um ensaio fotográfico naquela tarde, já que meu segredo foi descoberto; só lidaria com o Nick a noite.
Meus planos eram comer e descansar um pouco antes de me encontrar com as meninas. Portanto, quando cheguei ao apartamento fui logo acalmar esses dois estômagos que rocavam, o bebê estava inquieto. Depois eu tomaria um banho e descansaria.
Depois de estar devidamente alimentada fui para meu quarto. Joguei minha bolsa na cama inconscientemente e vi que alguns itens pularam devido à reação do impacto da bolsa contra o colchão.
O primeiro item que vi foi um botão de rosa vermelha com um envelope luxuoso e o nome "Lívia" escrita em dourado no envelope preto. Puxei imediatamente o papel e dei uma olhada no conteúdo.
Senti o perfume do Nick no mesmo instante e embora não tivesse enjoado seu cheiro uma angústia misturada a raiva me abateram pela lembrança da fragrância e também por ver a caligrafia disforme característica dele.
O Nicholas era único, mesmo com uma letra não muito bonita eu admirava sua conquista de escrever normalmente mesmo que de forma peculiar e também o fato de ele ser tão antiquado me mandando uma carta quando poderia me falar cara a cara, era uma característica marcante dele.
Meu senso de justiça me dizia que eu deveria ler todo o conteúdo da carta antes de continuar a alimentar o rancor contra o pai do meu filho. Então comecei a ler. A medida que eu avançava na leitura comecei a tremer com seu conteúdo.
Quase não consegui concluir o final dado a quantidade de lágrimas que estavam acumuladas. Novamente o Nicholas me fez chorar, então coloquei minha atenção na pequena caixa que estava ao lado da rosa.
− Não acredito que ele escreveu "risos". – Comecei a sorrir enquanto chorava. Estava aos prantos quando acabei de ler o pedido, mas mesmo assim pensei: "Sempre autoritário"!
Abri-a e vi outra menor dentro, meu coração estava disparado quando peguei a caixa de veludo menor e encontrei um anel muito bonito. Coloquei o anel em meu dedo e segui para fora do quarto.
− O que aconteceu? – Meu pai saiu de seu escritório assustado pelos meus soluços altos. Então mostrei minha mão direita e ele entendeu.
− Vou à cobertura falar com ele.
− Vou com você, está muito nervosa.
Ao chegar lá descobri que ele estava na fisioterapia. Mesmo sabendo que ele era muito diplomático para ter um familiar junto a ele durante o exercício não me incomodei com sua exigência e, após ter o endereço fornecido pela minha sogra e juntamente com os avisos de que ele não iria gostar segui para a clínica junto com meu pai.
O assunto era urgente e eu iria enfrentar o Nicholas mesmo que ele ficasse com raiva.
Nicholas
Estava fazendo os exercícios entediantes e necessários com a ajuda da Ravena e sua equipe. Sempre admirei sua determinação em ser uma boa profissional, porém sabia que ela gostaria de tentar um relacionamento comigo embora não fosse de meu interesse.
Eu não era nenhuma celebridade, portanto queria ser o mais discreto possível com relação a minha vida naquela ambiente cheio de especulações e fofocas, tudo que eles sabiam era que eu sou um advogado rico, esnobe e gay. Isso era mais que o suficiente para a curiosidade geral.
Estava suspenso por alguns elásticos conectados a um guincho e ligado a uma estrutura de ferro e estava entre as barras paralelas para o famoso treino de marcha, algo que eu fazia constantemente. Minhas pernas estavam cheia de sensores que davam pequenos choques para gerar a marcha. Eu estava olhando para baixo acompanhando o passo mentalmente, pois eram dois fisioterapeutas que faziam o movimento da marcha com a minha perna, a Ravena estava atrás de mim coordenando o exercício e sempre pedindo para eu fazer o inútil: tentar levantar a perna e dar um passo.
O objetivo de tudo isso era evitar que eu tivesse osteoporose pela inexistência de movimentos e que minhas pernas não atrofiassem pelo mesmo motivo.
− Com licença! – Ouvi a inconfundível voz da Lívia e levantei a cabeça imediatamente. Ela estava chorando e eu estava surpreso. – Eu nunca tinha te visto de pé, você é alto.
Enquanto a minha ruiva estava emocionada eu sorri pelo comentário que ela fez e notei, olhando de soslaio, que a Ravena e os demais da equipe estavam nos observando com espanto.
− Isso é um elogio? – Ergo a sobrancelha debochado. Ela apenas me abraça, o cheiro dos seus cachos penetram minhas narinas fazendo-me lembrar de como estava com saudades. Beijei sua testa inconscientemente.
Sua barriguinha faz barreira entre nós, um matiz de luz fria brilhou em seus olhos e ela me dá a resposta a uma pergunta completamente diferente.
− Sim! Eu aceito casar com você.
Estou tremendo com a possibilidade de tê-la ao meu lado e de saber que ela é somente minha para sempre. Os cantos da minha boca começam a se erguer em um sorriso.
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Se gostar do capítulo deixa sua estrelinha.
Abraços!!!
Até breve!
#gratidãosempre
Capítulo publicado e revisado dia: 21/04/2022
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