Capítulo 76 - Surpresas indesejáveis
Oi, meus amores!!!
Como eu falei anteriormente, não haverá mais dias certos para as publicações. Estou muito, muito atarefada mesmo. Recebi uma proposta de publicação e acredito que vou ter de arranjar um tempo para revisar geral esse livro. Então me perdoem caso demore a postar o próximo.
Este aqui ficou meio grandinho também. Outra coisa é que o nome da namorada do Nick vai ser o primeiro que eu havia escrito, Tatiane e não Milena como a Lívia ouviu, ok?
Espero que gostem. Comentem bastante!
Boa leitura!!!
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"Dizia o meu avô: quando as coisas estão ruins, é sinal que o bom está perto."
Cora Coralina
Celso
− Tem uma ambulância lá embaixo pedindo autorização pra subir, o que aconteceu? – Acho que a dona Tereza se assustou ao ver o Gabriel em cima do Nick fazendo a ressuscitação.
− Não sabemos, mas a senhora os deixou subirem?
− Sim, a Jane está lá na sala pra espera-los.
− Ótimo! Gabriel a ambulância chegou. – Ele simplesmente desceu da cama, tomou o irmão desacordado nos braços e disparou pela escada abaixo sem ao menos esperar pelos socorristas. Eu não tinha um conhecimento tão vasto quanto o dele, todavia sabia que o caso era grave.
Segui-o até o hall de entrada abrindo as portas e apetando o botão do elevador para facilitar seu trabalho. Quando as portas duplas se abriram os socorristas estavam dentro acompanhados do Dr, Félix que indagava com os olhos o que havia ali.
− Não conta ao papai até sabermos exatamente o que aconteceu. – Foi tudo o ouvi antes das portas se fecharem levando o Nick e a equipe para baixo. Fiquei encarando as portas com as lágrimas acumuladas nos olhos.
Dei meia volta e fui reunir minhas coisas; Lost ainda rolava no computador do Nick. Desliguei e peguei minhas coisas para sair e ir ao hospital. Dona Tereza estava agitada na cozinha quando fui tomar um copo com água antes de sair.
− Não se preocupe, ele é forte e vai sair dessa como aconteceu nas outras vezes.
− Estou pensando se o café irlandês tem alguma coisa haver com isso.
− Café irlandês?
− Sim. – Ela abre um sorriso triste. – Quando vim trabalhar com essa família os gêmeos eram pequenos, vi o Nick nascer. O Rafael foi crescendo e se interessando pela culinária, ele e irmão gêmeo passaram um tempo um pouco distantes, mas isso não impediu que ele e o Nick fossem cobaias do Rafa para experimentar seus pratos. Eu aprendi a fazer todo tipo de café com o Rafael, não é a toa que o Gabriel tem um café favorito também.
− Ah, entendi. E o que tem nesse café irlandês que tenha feito o Nick passar mal?
− Bom, é basicamente: café forte, chantilly pra decorar e Bourbon*.
− Como é que é? Tinha uísque naquele café?
− Sim, mas eu não sabia que ele não podia tomar. Ele deveria saber se não pudesse, não é? Por favor, entenda, eu só estava fazendo algo que ele queria comer. Ele já sofre muito, não vejo porque não poderia atender ao pedido dele.
− Não se preocupe com isso, a responsabilidade era minha. E sim, ele sabia e foi por isso que te pediu. Ele queria passar mal, o porque disso nós só saberemos quando ele acordar e se acordar. Bom, estou indo pra o hospital saber como ele está.
− Você não quer almoçar? Já são treze horas...
− Não estou com fome, mas obrigado. Eu ligo pra senhora assim que souber de algo.
Desci para o estacionamento e entrei no carro, seria um verdadeiro milagre eu conseguir prestar atenção na estrada.
Imagem: separador de texto.
Gabriel
Minha barriga roncava reivindicando comida, há muito tinha passado da hora do almoço, mas eu não estava ligando pra isso. Tudo o que eu queria era dividir minhas frustrações com aquele que sempre foi e sempre seria meu melhor amigo.
Eu o chamei com uma mensagem de texto e o aguardava na sala dos médicos com uma expressão preocupada no rosto mexendo no meu telefone quando percebi um copo de café sendo levemente agitado na minha frente, levantei a cabeça e lá estava ele: meu irmão gêmeo.
− O que aconteceu com o Nick? – Ele vai direto ao ponto enquanto me dá um abraço.
− Ele pediu pra tomar a droga do remédio pra dormir e tinha tomado bebida alcoólica sem ninguém saber. Acontece que essa injeção é um sedativo muito potente e o álcool aumentou seu efeito o fazendo entrar em coma. – Dou um resumo do que aconteceu.
− Parece que esse negócio de dar trabalho é de família. – Ele tenta quebrar o clima com a piada. – E como estava o papai?
− Perplexo com a ousadia do Nick. – Relembro o que acho que foi mais importante. – Celso notou algo estranho e quando fui conferir ele estava com a respiração muito fraca, o coração quase parando. O Dr. Felix veio e pediu uma série de exames. Ele queria fazer uma t-r-a-q-u-e-o-s-t-o-m-i-a por causa da urgência, mas consegui fazer a intubação. Eu estava "puto" e sabia que todo mundo me olhava na sala de emergência. Acho que foi culpa minha não ter prestado mais atenção.
− Como você poderia saber que isso iria acontecer?
− O Nick estava chateado com o papai por causa daquele lance da Lívia ter cuidado dele, mas parece que tinha se resolvido. O que quer que o motivou a fazer isso deve ter acontecido no final de semana na fazenda pra onde ele foi.
− O nosso irmãozinho é imprevisível, vai saber o que aconteceu! Pode ter sido qualquer coisa, ele gosta daquela menina, mas acho que não foi por ela.
− Também penso o mesmo Rafa, o Nick ainda vai ser feliz e vai desistir dessa ideia de suicídio assistido. O Félix saiu pra atender uma emergência na o-r-t-o-p-e-d-i-a já que lá ele não poderia fazer muita coisa. O caso acabou ficando com o médico oficial do Nick, o dr. A-u-g-u-s-t-o e foi assim que o papai descobriu que o Nick está lá assim como que ele havia ingerido bebida alcoólica; fez questão de mostrar os exames.
− Vamos ver como as coisas ficam.
Imagem: separador de texto.
Rodrigo
Eu andava preocupado com meus estudos para entrar na OAB**, estava me sentindo muito estressado e o convite do Nick pra estar com ele na casa da avó da Lívia foi um verdadeiro bálsamo. Por mais que eu negasse acabei me envolvendo com a Vick de uma vez por todas, eu precisava tomar uma decisão com relação a ela ou o Sam nunca me perdoaria.
Pensava bastante no Nick, as coisas haviam mudado bastante e nenhuma dessas mudanças estava em nossos planos. O Nick estava numa fase difícil, o que tornou tudo mais difícil ainda pra nós. Estávamos contando que a Lívia seria a salvadora que colocaria naquela "cachola" que valia a pena viver, mas depois de ele nos contar o que contou não havia outra alternativa a não ser esquecer a Lívia.
Tantas coisas se passavam pela minha cabeça e somado a adrenalina de pilotar minha moto e sentir o vento no rosto foi que me dei mal. Eu não contava com outra tontura em pleno movimento da moto.
Que merda!!!
Parece que a moto foi atraída para o carro passando num cruzamento e minha falta de equilíbrio a fez mergulhar na lateral do banco do carona. Voei por cima do carro deslizando no capô e cai do outro lado por cima do braço esquerdo. Por sorte a moto que vinha em minha direção freou em cima.
Eu continuava tonto e agora mergulhado numa dor profunda, totalmente em choque. Escutava as vozes bem distantes.
"Alguém chame uma ambulância!" – Uma voz.
"Consegue me ouvir?" – Outra voz.
"Não mexam nele até a ambulância chegar." – Outra voz.
Eu queria falar alguma coisa, mas acontece que a dor cruciante vinda do meu braço me impedia até de piscar os olhos. Alguns poucos minutos se passam e outra pessoa abaixa e solta a alça do meu capacete colocando um colar cervical antes de tirado completamente.
Vejo que o homem é socorrista e outros se aproximam me erguendo e colocando numa maca. Um deles abre meus olhos a força e coloca um feixe de luz quase me cegando. Uma vez dentro do veiculo eles me fazem algumas perguntas enquanto vasculha algo por todo meu corpo.
− Qual o seu nome?
− Ro...drigo.
− Rodrigo, estou fazendo uma análise pra saber se tem mais algum problema além da cabeça e do seu braço. Estamos te levando para o hospital público Gilberto Gonçalves, você vai ficar bem.
− Não..., por favor, me leve... para o hospital, Center... no centro.
− Helder, muda a rota pra o hospital Center, o cara quer ir pra lá. Já demos um analgésico, a dor vai passar. – Ouço o cara que tirou meu capacete falar. – Atenção aqui é a unidade 802, estamos a caminho com vítima de acidente de moto, possível trauma na cabeça, muitas escoriações e possível fratura no braço esquerdo.
− Aguenta aí cara, estamos quase chegando. – Apenas fechei os olhos e não sei quanto tempo permaneci assim, abri somente quando o ouvi dizer. – Chegamos!
− Oi, sou o Dr. Felix, o que temos? – Escuto a voz conhecida.
− Jovem vítima de acidente de moto, pressão arterial quatorze por nove, cento e vinte batidas por minuto. Ele está parcialmente consciente.
− Vamos por aqui, cabeça primeiro. – Eles pareciam correr com a maca, enquanto o pai do Sam dava as instruções. – Tudo bem, movam-no na terceira. Um, dois, três!
Sou transferido para uma cama, apesar de eu estar consciente tudo parecia se mover em câmera lenta e eu estava extremamente cansado.
− Vamos pessoal, vamos tirar a roupa dele, depressa. Vamos, vamos!
− Tio... – Tento falar.
− Shhh, não fale agora, vai ficar tudo bem. Você vai precisar de uma cirurgia, mas logo estará recuperado, vou estar bem aqui do seu lado para garantir isso. Vou ligar para seu pai. – Senti uma agulha entrando no braço direito e em pouco tempo cai na inconsciência.
Imagem: separador de texto.
Acordo com a mesma tontura de antes. E percebo meu braço esquerdo enfaixado. A escuridão do quarto é agradável, por costume coloco meu braço 'bom' sobre os olhos bons a fim de cobri-los. Eu ficava com enxaqueca facilmente e depois que as tonturas começaram, as dores de cabeça têm sido mais frequentes.
− Hey campeão. Como está se sentido? – Olho para a direção da voz e vejo meu pai preocupado. – Fiquei tão preocupado.
− Tá tudo bem pai, somente uma dor de cabeça. Tô vivo!
− Sem gracinhas agora, meu filho.
− E a minha moto?
− Setenta por cento de perda, mas o carro do cara também ficou acabado. O que aconteceu? Eu te dei aquela moto porque você é prudente.
− Eu tive uma tontura, na verdade tem acontecido com muita frequência. Sabe de uma coisa, pai? Tô com fome.
− Não seria você se não estivesse, vou procurar o Félix e perguntar o que você pode comer. – Ele diz sorrindo e vai procurar meu médico. O relógio da parede marca vinte e uma horas da noite, não liguei para meus amigos hoje e de quebra perdi o almoço.
− Olha só quem acordou! – O pai do Samuca entra alegre no quarto. – Nos deu um grande susto.
− Agora eu tô e com muita fome. Sabe o que seria ótimo agora? Uma comida especial da dona Tereza.
− Desse jeito você deixa a Edileuza e a sua mãe com ciúmes. – Meu pai entra no clima.
− Vou ver se tem algo em casa, e mando trazer pra você. – O tio William entra no quarto surpreendendo todo mundo. – O que foi que aconteceu com você?
Repeti a mesma história que contei ao meu pai sobre a tortura.
− Não conta pra o Nick que eu tô aqui, ele já tem problemas demais e nem pra o Sam. Falando nisso não sei onde estão meu telefone e minha carteira, estava na minha mochila. Cadê a mochila?
− Calminha aí! – O dr. Félix fala do mesmo jeito que o Samuel. – Vamos procurar.
− Boas notícias! Ela fez arroz à grega com frango, pedi pra ela mandar alguém vir deixar pra você. Maravilha! O Nick deve estar se esbaldando, ele gosta muito. – Os médicos se entreolham. – O que foi? É verdade.
− O Nicholas está aqui no quarto ao lado, está internado assim como você. – O pai dele declara.
− Beleza! – Puxo meus lençóis afastando para o lado. – Me ajudem a levantar, por favor, meu corpo ainda dói.
− Pode 'sossegar o facho' aí. Você passou por uma cirurgia de grande porte a menos de doze horas. Tive de reconstruir a ulna e tratar uma fratura parcial na clavícula e escápula. Você vai ficar pelo menos uma semana de molho antes de colocar o pé no chão. – Meu médico ortopedista não alivia. – Seus exames acusaram uma anemia forte e essa é a causa mais provável das tonturas e dor de cabeça. Eu prescrevi suplemento de sulfato ferroso, mas quero que veja um hematologista para investigar isso mais a fundo.
− Posso pelo menos ter meu telefone? – Imagino o quão frustrante foi para o Nicholas ficar tanto tempo imóvel. Ao menos eu ainda posso mexer o outro braço.
− Já dissemos que vamos procurar, meu filho. Fica com o meu por enquanto.
− Tudo bem. O que aconteceu com o Nick?
− Ele ingeriu um benzodiazepínico com álcool e entrou em coma. – O pai dá a explicação parecendo bem aborrecido. – Estamos lutando a mais de seis horas para ele ter os sinais estabilizados e acordar.
Ele suspira alto, sei que esse aborrecimento está disfarçado de preocupação. É melhor eu nem perguntar mais nada.
− Se ele tiver alta antes de uma semana trás ele aqui. – Ele concorda com cabeça e avisa.
− Rafael chegou com sua comida. Depois que comer eu e o Félix vamos ver como você está, pelo menos dor intensa eu sei que não tem se fosse o caso estaria reclamando.
− Pode apostar que sim, dr. – Sorrimos juntos apesar de que o sorriso dele foi fraco. Ele tava preocupado pra caralho então a situação do Nick não era tão simples.
Imagem: separador de texto.
Dez dias depois eu estava de alta, o Nick não tinha ido ao meu quarto e fiquei sabendo que ele não estava mais no hospital. As informações eram vagas e meu coração retumbava tal qual 'os tímpanos'*** na nota dó e sol simultaneamente como na música que o Nick gosta, "Assim Falou Zarathustra".
Minha mãe já tinha organizado todos os meus pertences e empurrava a cadeira de rodas na qual eu estava na direção da recepção do hospital e posteriormente o estacionamento.
− Rodrigo! – Ouço uma voz feminina me chamando e quando olho na direção da voz tenho uma bela surpresa.
− Tati! Tudo bem? – Ela me cumprimenta com dois beijos no rosto.
− Tudo joia! Eu te vi na cadeira de rodas e acabei lembrando-me o Nick, queria saber notícias dele. E você, o que houve contigo?
− Ele está bem, eu acho, solteiro. Eu sofri um acidente de moto, mas ainda posso andar é que recebi alta agora.
− Ah, sim. Será que você poderia me dar o contato do Nick? Eu não tenho mais. Pensei em ligar pra ele, poderíamos sair todos nós como nos velhos tempos. – Passo o contato dele e o meu também. – Como está o Samuel?
− Tá ótimo! Pode entrar em contato que a gente se fala.
− Pode deixar que eu ligo pra gente marcar algo e quem sabe não tenho uma chance com o Nick já que ele está sem namorada? – Ela fala quase no final do corredor. – Até mais!
− Até!
− Amiga de vocês? – Minha mãe pergunta com curiosidade.
− Sim, mãe. Essa doida sempre foi apaixonada pelo Nicholas, espero que agora ele consiga ser feliz.
Nota da autora: * O bourbon, também aportuguesado como burbom, é um uísque americano elaborado com um mínimo de 51% de milho.
** OAB - A Ordem dos Advogados do Brasil é a entidade máxima de representação dos advogados brasileiros e a responsável pela regulamentação da advocacia e pela aplicação do Exame de Ordem dos advogados no país.
*** Os tímpanos são um instrumento musical de percussão.
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Se gostar do capítulo deixa sua estrelinha.
Por favor não desistam de mim.
Abraços!!!
Até breve!
#gratidãosempre
Capítulo publicado e revisado dia: 29/08/2021
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