Capítulo 69 - Fica comigo?

Olá gente, estava com saudades de estar aqui com vocês todos os finais de semana.

Mais um capítulo fresquinho, recém preparado pra vocês. 

Feliz do amigo!!!

Boa leitura!

Sugiro que leio ouvindo essa melodia, quem quiser.

https://youtu.be/r9l5kEVzV14

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"E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace... [...] Mas quando eu estiver morto, suplico que não me mate dentro de ti, dentro de ti."

Sutilmente - Skank

Nicholas

     − Era tudo o que eu precisava ouvir, pai. O seu apoio é o mais importante para mim; não há mais desculpas para eu não ir ao Dignitas. Obrigado por isso!

     Nada mais me impediria, nem mesmo o amor da Lívia...

     Foi somente pensar nela que a vejo cair como um raio a minha frente e sobre meu colo. Fico totalmente desnorteado com a cena e ouvir o que ela falou me deixou um pouco triste.

     − Não, não, não, não! Você não pode me deixar, não depois de ter me beijado. – Ela fala aos prantos e só percebo que meu coração morreu mais uma vez por fazê-la sofrer novamente e pelo mesmo motivo: minha inevitável ida para outra dimensão. 

     Tenho vontade de afagar o amontoado de cachos ruivos no meu colo, mas de que adiantaria? Ela precisa ter seus sentimentos retribuídos e não minha piedade. Ainda assim eu tenho um pouco de compaixão por vê-la desesperada assim. Então tenho de ser um pouco ríspido, não poderia continuar a vê-la prostrada assim.  

     − Lívia para com isso! Levanta daí! – Já estava ficando desconfortável com sua encenação na frente do meu pai, daqui a pouco a plateia aumentaria e algo me diz que ela não estava ligando pra isso. Ela, aos poucos, levanta o rosto e me encara. Volto a ficar com pena, seu semblante era de dor; ela estava sofrendo por antecipação. 

      − Por favor, Nick, não me deixa. Eu não vou sobreviver sem você, me disse que estava completamente rendido. – Ela apela.

     − Sim, de fato estou, mas isso não quer dizer que eu desistirei dos meus planos somente porque estou gostando de uma garota. Você concordou com essa relação temporária quando me trouxe para o sítio de seus avós. Não te prometi nenhum mar de rosas! – Precisava lembrá-la da realidade constantemente. 

     − Que bom que seus pais vieram te pegar então! – Ela sai correndo para a minha completa surpresa.

     − Lívia! – Chamo-a inutilmente para que volte. Onde eu estava com a cabeça de pensar que ela poderia aceitar um relacionamento com prazo de validade?

     − No amor não existe tolos ou sábios; a mais covarde das criaturas pode magoar o mais feroz. – Ouço a voz grave do meu pai recitar um trecho do seu livro de sabedoria. 

     − Eu queria poder ir atrás dela. – Falo para ele com o olhar da derrota que estava a sentir. Eu detestava perder a Lívia de vista desse jeito, e também de ser incapaz de prestar-lhe a devida ajuda.

     − Nicholas. – Ele abaixa ao lado da minha cadeira e sei que ele teria alguma dificuldade pra levantar dali, pois eu não poderia ajudá-lo. – Pense no seguinte: se você está nessa cadeira, algum propósito existe nisso. Então, talvez seja isso que o destino traçou para os dois: ela precisa ficar um pouco sozinha apenas com os próprios pensamentos e você precisa ficar aqui e dar esse espaço a ela. Essa menina gosta muito de você, meu filho, não é fácil aceitar sua decisão.

     Parei de olhar meu pai e voltei a olhar para entre as árvores esperando que ela desistisse e voltasse para dentro da casa, novamente a Lívia saiu sem casaco nesse frio cortante da serra. Poxa, como ela era teimosa!

     − Tio?! O que tá fazendo aqui? – Voltei minha atenção para o Samuel quando ouvi sua voz. Ele estava, pasmem, de mãos dadas com a Lúcia e a soltou quando viu que meu pai faria menção a se levantar do chão.

     − Eu vim saber se o Nick estava bem, a Helene não achava ele em lugar nenhum...

     − Ah! – Ele se pronuncia enquanto pega o pequeno vidro com álcool em gel e a Lúcia estende as mãos a fim de pegar um pouco. – Ele estava aqui com a gente o tempo todo.

     − Pois é, agora estamos sabendo disso. – Reviro meus olhos com a afirmação do meu pai, eu tinha de aceitar essa impotência de uma vez ou morreria de raiva antes mesmo de chegar ao Dignitas.

     − Hey, cunhadinho!!!

     − Oi, Lúcia! – Me deixo ser contagiado pelo bom humor dela que sentou ao meu lado sem que eu percebesse. – Você diz que eu sou seu cunhado por estar com meu irmão?

     − Hahaha! Muito engraçado. – Ela finge estar rindo e pega minha bochecha apertando e balançando como se estivesse falando com uma criança fofa e ergo uma sobrancelha desaprovando sua atitude. Que garota maluca! – Sabe muito bem que seu irmão me trocou pela minha professorinha Marcela. Você é meu cunhadinho porque está com minha irmã, Lív; isso não é óbvio?

     − Eu achava que era por estar com o meu irmão, Sam. – Sorrio irônico e ela acompanha.

     − Sua mão tá gelada. Há quanto tempo está aqui fora? – Eu não havia percebido ela pegando em minha mão, o primeiro impulso que foi recolher a mão, mas a mantive para saber o que ela queria. – Nick, não precisa olhar desse jeito como se eu estivesse afim de você, não vou 'furar o olho' da Lívia, pelo contrário, vou ajudá-la com você no que quer que precise. Por falar nisso onde ela foi?

     − Saiu pra pensar no que conversamos.

     − Posso até imaginar, vocês não dão uma trégua nunca! – Ela sorri e levanta da cadeira bruscamente quase num pulo, só então percebi que acompanhava cada movimento da maluquinha. – LÍV!!!

     Meu coração parou quando a ouvi gritar e vi o pai correndo com a minha princesa nos braços se aproximando cada vez mais rápido da entrada da casa. A Lúcia ficou junto a escada enquanto ele subia correndo.

     − O que aconteceu coma Lívia? – Ouço o senhor perguntar da porta da casa, deve ter ouvido o grito da amiga da Lívia.

     − Eu não sei pai! Encontrei-a desmaiada perto do lago, está muito gelada. – Vejo o meu ex-sogro, sim ex-sogro, depois dessa eu seria definitivamente expulso da família antes mesmo de entrar pra ela. Ele faz questão de parar pra jogar na minha cara o que eu já sabia. Esbraveja: − ISSO É TUDO CULPA SUA!

     Ele adentra a casa e tenho o mesmo ímpeto de antes, ir atrás da Lívia.

     − Leve o Nick para dentro. – Meu pai pede ao Sammy como se eu não tivesse mais condições de falar, mas não é hora certa pra reclamar sobre isso. Ele desce as escadas da casa e meu amigo guia a cadeira para dentro do cômodo.

     A sala estava cheia de espectadores e a Lívia deitada num sofá próximo a lareira acesa e absolutamente todos estavam agasalhados com exceção da garota desmaiada. O avô parecia examinar a menina e o senhor Theodoro estava por perto esperando seu pai dar o diagnóstico.

     − Acho que ela está com hipotermia, precisamos chamar um médico. – O idoso conclui.

     − Eu ainda estou na ativa, posso examinar a garota. – Me pai fala recebendo a atenção dos presentes. – Quanto deu a temperatura?

     − Trinta e quatro graus. – O senhor Clóvis fala mostrando o termômetro. – O senhor é da área da saúde?

     − Sou médico e o senhor está certo: ela está hipotérmica. É a forma branda, porém ela teria de estar exposta ao frio por um bom tempo para chegar ao estado de hipotermia. – Meu pai confessa.

     − Ela estava! – Confesso relutante, dessa vez a atenção se volta a mim. – Eu pedi pra ela vestir um casaco, mas ela é teimosa. Falou que era acostumada, então ofereci um abraço.

     − E você deve ter ficado torcendo pra que ela aceitasse, em moleque? – Nossa! O ex-sogro estava infernal.

     − Tudo bem, mas precisamos achar uma solução e não ficar discutindo. – Sandra fala antes que eu pudesse revidar as provocações do marido. – Devemos leva-la ao hospital, doutor?

     Esperei pela resposta do meu pai, vendo-a ter leves tremores e observado que a ponta dos seus dedos estava um pouco acinzentada.

     − Por se tratar de uma hipotermia leve, é necessário que ela apenas se mantenha aquecida até que a temperatura volte ao normal. Eu recomendo o contato humano, é muito eficaz e acompanhado de um chá ela logo vai estar melhor.

     − Graças a Deus, minha amiga está salva! – Lúcia toma as rédeas da situação antes que qualquer pessoa fale. – Vamos lá Nick, vou te ajudar a tirar as roupas e depois alguém leva a Lív.

     − Quê? – Tomo um susto ao ouvir isso, acho que meus olhos estavam quase assaltando das órbitas. Só espero que ela esteja brincando.

     − Ah, qual é!? Por que tá todo mundo me olhando? Ele é a pessoa ideal, a pipa dele não vai subir, ou vai Nick?

     − Mas que gritaria é essa? A pessoa não pode nem dormir em paz! – Lívia senta no sofá em que estava deitada para a surpresa de todos. – Por que tá todo mundo me olhando, o que aconteceu?

     − O que você acha de ficar nos braços do Nicholas sem camisa? Você tá geladinha e ele precisa te esquentar. – A Lúcia senta ao lado da amiga no sofá e lança proposta com um sorriso cínico no rosto.

     "Eu adoraria!", faço a leitura labial quando ela sussurra no ouvido da outra. Por incrível que pareça a rainha da indiscrição abriu um sorriso discreto. Eu suspiro aliviado e agradecido, não precisava deixar o senhor Theodoro ainda mais aborrecido do que estava.

     − O que aconteceu comigo, amiga? – Lívia pergunta passando a mão no cabelo e se assusta quando sente uma porção de folhas grudada nos cachos. – Me ajuda a tirar essa porção de folhas?

     A Lúcia apenas balança a cabeça positivamente e ambas saem. Olho de viés para o monstro do lago Ness e vejo-o me olhando e ouvindo o que a esposa lhes fala em tom de voz baixo e depois eles vem em minha direção.

     − Olha, eu acho bom você se comportar, garoto. Só vou concordar com isso pelo bem da minha filha, e nada de fazê-la chorar, você entendeu?

     − Sim.

     − Nicholas, vou fazer um chá para minha filha, você quer um? – Sandra me pergunta gentilmente.

     − Claro, sem açúcar, por favor. Obrigado! – Ela concorda com um aceno e quase empurra o marido para a cozinha.

     − Hey filho, vamos cuidar de você? Acho que precisa esvaziar essa bexiga, se fez isso antes de Lívia ter hipotermia então faz bastante tempo, hein? – Eu sempre esquecia dessa parte ruim quando estava animado.

     − Certo pai, mas só troca o cateter, nada de fralda.

     − Combinado. Guia-me até o quarto? – Mostrei o caminho e quando ele entrou no local a Lívia estava saindo junto com a amiga. Ela estava com os cachos presos em um coque e eu podia jurar que tinha uma leve maquiagem. A princesa estava enrolada em um grosso cobertor. – Onde está a bolsa do meu filho?

     − As coisas descartáveis eu coloquei na primeira gaveta e as roupas na segunda. Nick, eu vou sair um pouco para te dar privacidade, ok? Eu também te devo desculpas por ter cuidado de você sem o seu consentimento.

     − Depois eu penso no seu perdão, agora preciso agilizar o processo do meu corpo pra você ser aquecida da maneira adequada o mais rápido possível.

     − Tudo bem, então. Vou esperar na sala. – Ela deposita um beijo na minha bochecha e sorri saindo em seguida. Eu gostava muito desse tratamento que ela me dava, sempre direcionava a informação a mim, mesmo que soubesse que eu não iria chamá-la na sala.

     − O senhor parece cansado! – Exclamo ao vê-lo tremer quando vai colocar a maldita mangueira do cateter no meu membro. Ele não se lembrou de higienizar o material com álcool ou esvaziar a bexiga antes da troca. – Ei, meu velho, esquece isso. Coloca a fralda mesmo que é mais rápido, a Lívia já me viu sem roupa ela não vai sair correndo se souber que estou de fraldas.

     − Eu estou mesmo cansado, dirigi por muito tempo e ainda não comi nada desde que cheguei. Quer que eu chame sua mãe pra fazer a troca?

     − Não há necessidade! E eu já sou um adulto, não é? Um adulto com um grave problema físico, mas ainda assim um adulto. Não precisam ficar desesperados quando eu sair de casa.

     − Vou te colocar na cama, pôr a fralda e chamar a moça. – Ele faz o procedimento rapidamente e me coloca encostado a cabeceira da cama vários travesseiros me apoiando nas laterais. Eu estava sem camisa, apenas com calças moletom e meias para dar a Lív o que foi receitado pelo médico: calor humano.

     Vejo a Lívia entrando timidamente ainda enrolada no cobertor e fecha a porta atrás de si. Tira o cobertor revelando apenas o sutiã e um shorts doll. Ela engatinha sobre a cama aproximando-se e deita-se sobre meu peito nu. Eu podia ouvir o coração dela tão acelerado quanto o meu, mas talvez fossem apenas nossos problemas de saúde.

     Ela puxou o cobertor e se aninhou em meu peito beijei sua testa ainda gelada.

     − Você vai ficar bem, princesa Disney.

− Será que podemos conversar um pouco já que estamos aqui e sozinhos?

     Claro que sim, o que quer falar? – Antes que ela abrisse a boca a Sandra bate na porta e entra com duas xícaras de chá. A moça puxa o lençol para cima por reflexo. A mulher apenas deixa as xícaras no criado mudo beija a bochecha da filha e nos deseja um 'boa noite'.

     Uma vez que a mulher vai embora a ruivinha se vira de uma maneira que possa me encarar e pergunta:

     − Nicholas, fica comigo?

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Se gostar do capítulo deixa sua estrelinha.

Até o próximo capítulo.

Abraços!!!

#gratidãosempre

Capítulo publicado dia: 19/07/2021

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