Capítulo 47 - Último romance
Olá, mais um pouquinho de romance aí!
Bom feriado.
Boa leitura!!!
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"[...]Você tem que se levantar e tentar, e tentar, e tentar.
Engraçado como o coração pode iludir, mais do que apenas algumas vezes.
Por que nos apaixonamos tão fácil? [...]"
Try – Pink
Sandra
Estou deitada sobre o peito de Henry entanto minha cabeça subia e descia suavemente acompanhando o ritmo de sua respiração; rememorava todo prazer que ele acabou de me conceder.
Confesso que ele tinha razão, não foi algo nada fácil de acontecer. Tentamos estimulá-lo por inúmeras vezes, mesmo após a ingestão da pílula azul, até ele de fato conseguir ficar ereto e ainda por cima acabou por urinar em uma dessas tentativas. Era visível como ele estava frustrado e mais do que isso, envergonhado.
Eu também estava frustrada com a situação e bem desconfortável, porém respirei fundo e disse que estava tudo bem, que "acidentes acontecem". Ele foi até o banheiro se limpar parecendo derrotado e eu troquei toda a roupa de cama antes de fazer o mesmo.
Ele não estava brincando quando disse que não seria muito fácil. Essa era apenas uma prévia do que viria pela frente caso eu ficasse com ele, e esse era o problema: eu queria estar aqui e queria ficar.
Quando entrei no amplo banheiro ele havia se transferido para a cadeira de banho e pela sua silhueta disforme e o barulho do chuveiro ligado eu sabia que ele estava no banho. Coloquei sua cadeira de rodas para fora do banheiro limpando qualquer resquício de urina que porventura ainda houvesse na cadeira.
Entrei no box e ele estava de costas os ombros encolhidos. Eu o abracei pelas costas molhando meu cabelo no chuveiro e falei em seu ouvido:
− Vamos tentar de novo. – E foi ali, embaixo do chuveiro e numa posição inusitada que a coisa fluiu e ele ficou mais relaxado me levando a um prazer diferente e que eu nunca havia experimentado antes.
Eu nunca quis saber de relacionamentos ou compromisso, entretanto não estava conseguindo fugir desse. Eu estava aconchegada embaixo dos lençóis sem roupa alguma, ele preferiu colocar uma fralda com uma cueca por cima alegando que não queria outro acidente. Henry fazia cafuné nos meus cabelos enquanto eu fazia desenhos no seu tórax definido.
− Você malha? – Perguntei de repente.
− Sim, preciso manter o tônus muscular. Você está bem, precisa de alguma coisa? – Levanto a cabeça para olhar em seus olhos e ele sorri.
− Preciso saber mais sobre você. Fale-me sobre seus defeitos e qualidades. – Dessa vez ele gargalha, parecia ter esquecido o episódio de uma hora atrás. Estava mais leve e tranquilo.
− O que quer saber? Posso falar o que quiser saber, desde que não seja nada comprometedor. – Ele pontua apertando de leve a ponta do meu nariz.
− Quantas perguntas eu tenho? – Insisto.
− Quantas quiser, meu amor. – Meu sorriso largamente sendo pega de surpresa com seu adjetivo.
− Amor? – Pergunto meio insegura.
− Com toda certeza, meu amor! Quer ser minha namorada oficialmente? – Acho que não consegui disfarçar minha felicidade.
− Claro que sim! – Selo nossos lábios em mais um beijo apaixonado de tantos que demos essa noite, acho que não iriamos dormir hoje. – Isso me leva a querer te fazer a pergunta que não quer calar: Como ficou cadeirante?
Ele se remexeu um pouco na cama e suspirou passando a mão no rosto e em seguida esticando os cabelos para trás. Ele se sentou com um pouco de dificuldade e se recostou na cabeceira acolchoada da cama. Senti-me momentaneamente abandonada e me sentei também cobrindo meus seios com o lençol.
− Vem cá! – Ele deve ter notado meu desconforto. Atendo ao seu pedido aconchegando-me em seus braços. – Isso mudou a minha vida, todos dizem que é possível viver assim e realmente é, porém jamais vou poder fazer o que eu fazia antes. Nunca poderei voltar a minha antiga vida, a vida que eu realmente vinha vivendo a mais de dez anos. Eu imaginava que você iria querer saber se não sei se estava preparado para esse pergunta.
− Não precisa falar se quiser, deixa pra lá. Me fala como são essas palestras então. – Tento mudar de assunto.
− Não! Tudo bem, eu vou te contar. – Ele sorri fraco e beija o topo da minha cabeça apertando mais o abraço. – Vou te contar uma história comprida pra explicar o acidente. Aprendi a amar as pessoas com os projetos de caridade que minha mãe me levava, eu me tornei médico mesmo contra a vontade do meu pai. Ele é tão cretino quanto o Calum.
− Seu irmão é tão ruim assim?
− Você não faz ideia, minha linda. O meu pai sempre teve muitos planos para nós e quando não me adequei a seus planos eu quase fui expulso da família.
− Minha nossa, quanto drama. A gente tem que fazer o que gosta.
− É, mais ele não pensava assim. Eu saí da linha então não merecia ser parte da família. Foi quando fui pessoalmente à África levar doações arrecadadas que eu decidi que faria medicina e viveria para ajudar o próximo. Eu quase desisti por causa do meu pai, mas minha mãe não permitiu.
− Ela deve ter sido uma mãe fabulosa. Como ela morreu? – Só depois de fazer a pergunta me dou conta de como estou sendo invasiva.
− Ela tinha muito estresse e amargura. Foi diagnosticada com câncer de estômago após uma úlcera que não cicatrizava. Ela foi meu porto seguro e quando contei que seria pai com apenas vinte anos ela me apoiou e disse que eu seria um ótimo pai.
− E você é!
− Eu tento. Quando me formei em medicina trabalhei alguns anos em hospitais e passei em um concurso público. Eu entrei para a cruz vermelha e meus tios republicanos conseguiram que eu me mantivesse como funcionário fantasma. Eu fiquei noivo e um dia peguei meu irmão aos beijos com ela em um canto mal iluminado da casa dos nossos pais. Cíntia acabou casando com Calum e separando três anos depois, mas eu já estava na África. Ela tentou ir para a África comigo mais qualquer um com exceção dela podia ver que nosso relacionamento tinha acabado no dia que ela permitiu ser beijada pelo Calum e casou com ele.
− Você não merecia isso!
− Eu já estava acostumado, não era a primeira vez que ele me roubava uma namorada. Fiquei sozinho por um tempo até que conheci a Mônica e após quatro anos de namoro ficamos noivos. Ela tentou ficar comigo após meu acidente, mas nós sabíamos que não daria certo. Eu mantinha um telefone via satélite para sempre falar com meu filho, inclusive sempre vinha para os aniversários dele. Eu estava distante, mas não ausente. Esse telefone ficou com ela e tentamos manter um relacionamento a distancia, porém o relacionamento não sobreviveu.
− Você sofreu um acidente? – Eu não queria saber dos relacionamentos com outras mulheres, estava ficando com ciúmes.
− O acidente; eu nunca vou esquecer aquilo. Eu atendia em todas as especialidades médicas, não tinha como eu ser apenas cardiologista num campo de refugiados da guerra e em meio ao caos. Eu fazia de tudo: cirurgias, vacinação, troca de curativo; já cheguei a andar quilômetros no sol escaldante para atender a um paciente grave. Não há espaço para um cadeirante no meio do caos onde você tem que escalar pedras ou mesmo correr e até passar por apertos inimagináveis.
− Eu imagino que não foi fácil.
− Eu já estava a mais de dez anos fora de umhospital e não pretendia voltar para um. Estávamos sempre perto de quemprecisava, ou seja, no meio da guerra. Eu estava na Somália com guerras civissem trégua e fui surpreendido com uma explosão provocada por uma bomba caseiramuito próximo de onde eu estava. Eu era muito popular entre as pessoas e quandoa bomba me arremessou contra o escombro de uma coluna de ferro de uma casaabandonada um africano bem forte que sempre me ajudava com a remoção dospacientes me pegou nos braços e saiu correndo em busca de ajuda. Ele deve terficado assustado e quis me ajudar, a pancada devia ter lesionado a coluna, masnão a medula, pois eu senti quando cai no chão e uma pedra enorme caiu porcima; eu senti o osso quebrar numa dor lancinante. Quando ele me pegou nosbraços e me dobrou a dor sessou, o ato deve ter rompido a medula que estavafragilizada e com esse ato o rapaz me condenou a utilizar a cadeira de rodaspelo resto da minha vida.
− Eu não fazia ideia. – Lamento.
− Pois é, eu quero poder atuar na minha formação original: a cirurgia cardíaca; pelo menos isso. Eu vi o meu filho que carreguei em meu colo tantas vezes inverter os papeis e ele me carregar em seu próprio colo. Ele chorou quando recebi o diagnóstico de paraplegia pelo Dr. Félix, mas não há nada que possamos fazer.
− Então é por isso que o Henrique também gosta da África! – Concluo o raciocínio logico.
− Certamente, mas ele criou uma ONG e não foi ajudar na pratica. Ele havia feito isso a muito tempo mas só agora a namorada dele criou esse projeto musical para a arrecadação.
− Seu filho parece gostar muito da Marcela, Henry. Ele também toca um instrumento? Foi assim que se conheceram?
− Eles são amigos de infância e ainda tem o Robson que você ainda não conheceu. Eles são um trio inseparável. Tudo que eu quero é que meu filho seja feliz, eu o amo e torço pra que ele alcance todos os seus objetivos e sonhos. O que mais quer saber, senhorita? – Ele me põe um pouco de lado para me olhar e encaro os seus olhos.
− Acho que no momento nada. Mas nós podemos fazer amor de novo. – Falo bocejando. – O que acha?
− Acho que alguém está com sono. – Ele sorri.
− Será que é muito tarde? – Saio de seus braços para buscar meu telefone e ele aproveita e se arrasta pela enorme cama até conseguir se deitar. Pego o telefone e comprovo. – Duas da manhã!
− Sei que está eufórica para ficar com o bonitão aqui, mas temos que dormir. – Ele coloca um travesseiro nas costas e outro entre os joelhos.
− Tudo bem, bonitão. Boa noite! – Me viro e desligo o abajur. Sinto os braços dele me levando para perto de si.
Acordo no dia seguinte sentindo a falta dele na cama. Quando abro os olhos ele está me observando com uma xícara de café na mão.
− Bom dia, meu amor. – Me estende a xícara. – Estou indo para a academia. Volto em uma hora, fique a vontade.
Beija-me e sai.
Uma semana depois de ter dormido com o Henry pela primeira vez e me tornar oficialmente sua namorada eu mal o encontrei apenas trocamos mensagens telefônicas e só o veria hoje na audiência.
Eu estava confiante de que conseguiríamos fazer um bom acordo, eu conseguiria um bom cargo para o Henry e essa loucura toda acabaria logo. Só esperava que os advogados do estado viessem com uma boa proposta do governador.
Henry vinha ao meu encontro lindo de viver em um blazer combinado com a calça e uma camisa branca por dentro. Eu sorria feliz por vê-lo, mas ele estava emburrado parecendo ter tido um dia de cão.
− O que houve? – Perguntei baixando meu olhar para ele.
− Calum está aqui, achei que ele ia mandar uns cinquenta advogados para defender os interesses dele, mas não que viria pessoalmente. – Fico calada, se esse atrito entre irmãos for tão grande quanto eu imagino que seja ele nunca perderia a oportunidade de vir provocar o Henry pessoalmente.
Entramos na sala destinada a nós e percebo o clima tenso. Henry cerrou o maxilar com uma expressão tensa no rosto. Calum sorria com deboche. Faço minha defesa e como eu imaginava o caso era passível de acordo, mas não conseguiríamos o que Henry queria.
− Que pena, meu irmão. – O governador fala e Henry que estava de cabeça baixa levanta o olhar para encará-lo. – Escolheu uma péssima profissional, pelo menos ela é gostosa. Está com ela não está? Eu te conheço. Você ainda consegue fazer sexo? Mas talvez seja pelo seu dinheiro mesmo, ou ela tem pena?
Se o Henry pudesse andar com certeza teria voado em cima do irmão.
− Isso não é da sua conta! – Ele fala com o dedo em riste na cara do Calum. – Vamos embora Sandra.
− O que, que história é essa? Estamos no meio de uma audiência, Henry.
− Não me interessa! – Fala ríspido.
− Que fique claro senhor Dutra, que o senhor está deixando o tribunal e não poderá recorrer. – A conciliadora argumenta.
− Que seja, estou dando esse caso por encerrado. – Ele sai da sala, possesso. Escuto as risadas do Calum atrás de nós. Saio da sala também e o ultrapasso seguindo para o estacionamento. Não acredito que fui feita de trouxa.
− Ei Sandra! – Escuto o Henry chamando quando alcanço a maçaneta da porta de meu carro.
− O que quer senhor Dutra? – Pergunto ríspida. Entrando no carro sem sequer lhe dar atenção. – Por favor, não me ligue ou me procure mais.
Saio cantando pneu deixando para trás a bela imagem do cadeirante parado no meio do estacionamento com um misto de confusão e surpresa.
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Gente, vocês estão percebendo que o romance deles está indo rápido demais, não é? Mas tenho apenas 7 capítulos pra explicar quase tudo (isso mesmo, sete, acabei acrescentando mais um).
Espero que gostem. Eu adoro ler os comentários de vocês, por favor comentem bastante.
Não esqueçam de deixar sua estrelinha.
Até o próximo capítulo.
Abraços!!!
#gratidãosempre
Capítulo publicado e revisado dia: 16/02/2021
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