XXVII - A NOVA MISSÃO

Já era quase meio-dia, apesar do clima ainda estar frio. As copas cheias das árvores formavam uma densa sombra no ambiente, deixando até mesmo o chão enraizado bastante gélido. A penumbra escura deixava o ambiente tenebroso, fazendo com que uma escuridão por trás dos arbustos tomasse formas agourentas. Kelmo e Kainã haviam saído há cerca de uma hora para cassar, enquanto Lirah estava sentada afastada dos demais.

Os olhos da maga ainda estavam marcados pela choradeira naquela madrugada. Ela até tentava pensar em outras coisas, mas na verdade, no que ela deveria pensar? Juntou os joelhos e afundou a face em suas mãos. Sentia o seu coração doer e o estômago se comprimir. Ela estava adoecendo por dentro e por mais que pertencesse a uma "raça forte", ela era apenas uma menina perdida em seus devaneios.

Salomon estava afastado, em pé, ele encarava os dois guardiões. Pareciam estar conversando seriamente. Pela expressão de Saul, não era nada agradável. Meicy estava deitado entre duas grossas raízes com os olhos focados no alto, para uma única folha amarela que dançava com a leve brisa. Ele estava entediado e cansado de fingir sua "invalidez". Millo tratava de seu ferimento, cujo qual, nem sequer existia mais. O índio colocava uma nova atadura branca recheada com arniteia e em seguida vestia o manto branco novamente no amigo.

— Por que essa cara? — Millo perguntou, percebendo o semblante frio no rapaz.

Meicy o encarou com a mesma serenidade. Rangeu os dentes de insatisfação.

— Você ainda me pergunta? — Ele resmungou. — Eu já estou bem.

Millo olhou ao redor, prestando atenção em Salomon que ainda conversava com Saul e Isis não muito distante dali.

— Meicy! — Ele sussurrou. — Não seja teimoso. Você sabe muito bem que precisa fingir. Um humano normal nunca sobreviveria a um golpe daqueles.

— Eu sei! — Ele tentou erguer um pouco a cabeça, mas sem sucesso. — Talvez eu saiba de uma possibilidade de nos tirar desse mundo, mas... não posso ficar confinado dessa forma como um moribundo para toda eternidade.

— Você sabe como nos tirar daqui? Mas... como descobriu?

Meicy abriu um sorriso no canto da face.

— Eu estudei.

Antes que Millo pudesse voltar a questioná-lo, observou a aproximação de Salomon lentamente. Havia percebido também que os guardiões não estavam mais em parte alguma e tinha os perdidos de vista. Franziu o cenho até o ancião parar diante dos dois, lançando um olhar apreensivo.

— Senhor... — Millo se pôs de pé imediatamente. — Bem...

— Você me parece bem. — O ancião falou, desconfiado, prestando atenção no rapaz deitado no chão. — Se recuperou de uma forma supreendentemente.

Meicy gelou. O olhar do ancião para com ele era intimador, de alguma maneira, ele parecia suspeitar. Realmente enganar o incrível Salomon não seria uma tarefa fácil e o jovem feiticeiro começou a se culpar diante disso. Sentiu-se sem chão, mas não ousou a fitá-lo diretamente nos olhos e nem sequer abrir os lábios para mencionar um ruído. Deixou-se observá-lo, como se pudesse enxergar toda a sua aura.

— Você está fazendo um bom trabalho! — O homem olhou para Millo. — Se desenvolveu bem, bruxo, ao menos na área medicinal. Continue assim!

Millo estava boquiaberto. Um elogio de Salomon? E logo para um bruxo? Ele sabia que não deveria se contentar tanto diante do superior, mas estava difícil disfarçar o seu sorriso.

— Obrigado, senhor... — Ele agradeceu, mas quase se arrependendo em demonstrar sua felicidade.

Salomon ignorou o bruxo. Observou Kelmo e Kainã surgindo entre algumas árvores, carregando nas mãos cada um, algum tipo de ave de tamanho médio, lembrando uma galinha, mas com penas verdes e vermelhas em tons vivos e vibrantes. O sangue ainda escorria dos pescoços dilacerados, pintando o chão com a seiva vermelha. Os dois caçadores apenas largaram as aves juntamente com suas armas em um canto e prestaram atenção no ancião com os outros dois jovens. Resolveram se unir a eles naquela reunião.

— O que está acontecendo? — Kelmo perguntou ao se aproximar. — Onde estão os guardiões?

— Muito bem! — Salomon cruzou os braços. — Estamos todos aqui. Queria falar com vocês todos.

— E os guardiões? — Kainã insistiu na pergunta da irmã.

— Foram dispensados. Não há mais necessidade em continuar o treinamento na nossa atual situação. E bem vocês sabem qual é.

Kainã e Kelmo entreolharam-se. Claro, o principal dos motivos de toda aquela angustia era todos eles estarem presos em Mengie, mas a caçadora sabia que não era somente isso. Além de Meicy terrivelmente machucado, ainda tinha Lirah, a sua melhor amiga, aquela que se sacrificou em revelar o seu segredo para salvá-los.

Salomon os fitava e Millo se sentia péssimo em nem ao menos poder se despedir dos guardiões. Preferiu ficar calado em relação a isso. O índio suspirou e focou a sua atenção ao homem.

— Eu realmente estou indignado com todos vocês! — O ancião falou rancoroso. — Acredito que o único inocente seja Kainã. Vocês todos deveriam ser punidos com o pior dos castigos! Nem mesmo a morte seria o suficiente! Espero que saibam do que estou falando.

Salomon não precisava ser direto em suas palavras para que os outros soubessem do que se tratava. Kelmo sabia que era sobre Lirah, apenas Kainã, que parecia estar confuso com aquela repreensão.

— Isso é vergonhoso! — Salomon olhou para Kelmo. — A filha do Ancião mestre cometer este tipo de delito! Só não é tão grave por não se tratar de um feiticeiro.

Kainã franziu o cenho.

— Do que está falando? O que a minha irmã fez?

— Você é lento. Conviveu por anos com sua irmã e nunca desconfiou de nada.

Kainã trincou os dentes.

— O que...

— Cale-se e apenas escute! — Salomon rugiu, interrompendo o caçador. Olhou para Millo e depois para Meicy, deixando a face ainda mais carrancuda, como se o jovem feiticeiro fosse o seu alvo naquele momento. Ele continuou. — Os dois bruxos e Kelmo... sabiam o tempo inteiro que aquela garota era uma maga. Uma maga! Uma Kilmato! Por anos esconderam isso e eu só gostaria de saber o porquê.

Ambos Kelmo, Millo e Meicy engoliram um seco. Kainã estava estarrecido. Arregalou os seus olhos enquanto uma veia em sua têmpora pulsava. Havia perdido a voz e encarava a irmã ferozmente. Ele não conseguiu conter a sua ira, subitamente agarrou a jovem de olhos reptilianos pelo braço e com força conseguiu jogá-la contra o chão. Apenas o grito de Kelmo ecoou e quando deu conta de si, Kainã estava por cima dela, imobilizando os seus braços.

— Você... — Ele grunhiu, salivando tão colérico que mal conseguiu completar a sua fala.

Antes que pudesse tentar se defender, Kelmo sentiu as mãos do rapaz se fecharem em seu pescoço. Ele estava a sufocando sem piedade alguma, entretanto, percebeu a extremidade de uma espada afiada apontar para a face do rapaz impulsivo. Kainã paralisou-se, porém, abriu um sorriso sádico e olhou de canto para o portador da arma.

— Não se intrometa. — Kainã falou, quase ditando as palavras.

— Quem declara as punições aqui sou eu! Agora levante-se! Ou... Também irei incluí-lo à pena.

Kainã rangeu os dentes. Por alguns segundos ainda pensou em hesitar, mantendo as suas mãos no pescoço de sua irmã, mas logo, contra a sua vontade ele obedeceu. Se pôs de pé rapidamente e encarou o ancião. Não demostrou emoção alguma. Apenas trocou olhares com o mestre, como se aquilo fosse uma promessa para que um dia, ele pudesse se vingar de toda aquela afronta.

Salomon não se intimidou com aquele olhar, apenas o revidou com o mesmo semblante. Kainã estreitou os olhos e caminhou alguns passos até o lado de Millo. Cruzou os braços e desviou o foco para o nada, talvez, tentava pensar em coisas aleatórias para controlar a sua ira.

Kelmo se levantou. Lançou um olhar frustrado ao irmão enquanto massageava o pescoço com uma mão. Ela respirou fundo. Não era fácil lidar com o rapaz de olhos de cobra, ela até se sentia inútil em deixá-lo agredi-la, mas esse era o seu ponto fraco. Ele. Apesar de tudo, o seu amor fraternal era bem maior que qualquer outro sentimento de repulsa. Olhou para Meicy distraidamente, não havia percebido, mas ele a fitava e certamente notou a lágrima solitária percorrer por sua face.

— Eu deveria eliminar cada um nesse exato momento. — Salomon continuou, com um tom de voz aparentemente um pouco mais plena. — Entretanto, não estou em nenhuma condição de perder aliados, não nessa nossa atual situação. O que tenho a dizer é que poderei poupá-los dessa vez... Mas terão que encontrar uma forma de nos tirar desse mundo. Não me pergunte como, pois, eu também não faço ideia.

— Mas...

— Millo! — Meicy sussurrou, interrompendo o amigo.

Millo o encarou, desviando a sua atenção do ancião, que ainda continuava a falar.

— Eu sei o que fazer. — Meicy continuou falando em voz baixa. — Fique tranquilo, eu tenho tudo em mente.

O jovem bruxo não se tranquilizou. Por mais que Meicy parecesse confiante quanto a isso, ainda sim, havia algo dentro de si que o incomodava. Um péssimo pressentimento. Ele só gostaria de ser um pouco mais otimista, mas algo de ruim iria acontecer. Mais uma vez!

— Estão de acordo? — Salomon perguntou.

Millo nem havia prestado atenção ao que o ancião havia dito por último, só percebeu Kainã e Kelmo assentirem positivamente. Ele repetiu o gesto com a cabeça, engolindo um seco.

— Vocês têm vinte minutos. — O ancião deu as costas e se direcionou lentamente em passos pesados até onde Lirah estava sentada.

Com a deixa do superior, Kelmo caminhou até Meicy, rosnando em ódio. Passou por Millo o empurrando com uma mão sobre o peito do rapaz. Ela se agachou diante do feiticeiro e o puxou pela gola do manto subitamente, levantando as costas do chão. Deixaram as suas faces próximas, seria meio constrangedor caso a caçadora não estivesse bufando de raiva.

— Você é mesmo um idiota! — Ela esbravejou. — Você deveria ter morrido! Eu te odeio Meicy! E não pense que serei sua babá, se vira se não quiser ficar para trás!

Meicy sorriu, não deixando se amedrontar diante da repreensão de sua companheira de missão. Ele fechou os olhos por alguns segundos e suspirou silenciosamente.

— Kelmo... — Ele falou musical. — Não precisa se preocupar tanto comigo. Eu irei ficar bem.

— O que?! Você acha que...? — Kelmo sorriu ironicamente. — Não mesmo!

Meicy continuou a sorrir e fez algo atrevidamente. Tocou a face da caçadora suavemente, fazendo-a enrubescer.

— Você acha que eu não sei. Eu sei de tudo. Eu fui um tolo em demorar perceber. Isso é muito...

Antes que Meicy pudesse terminar sua fala, ele sentiu o soco abrupto lhe arrancar sangue do nariz. Kelmo soltou a gola de seu manto, deixando-o cair brutalmente no chão. Ela se pôs de pé, ainda com o punho levantado.

— Se apresse. Não pensei que o levarei nas costas. — A caçadora falou, não perdendo tempo em dar-lhe as costas e deixar aquele local.

Millo olhou pra Meicy, ainda transtornando com o que acabara de ver. Pensou em ir amparar o amigo que limpava o sangue com as costas da mão e sorria como se apreciasse aquilo, porém, Kainã o interveio.

— Vamos bruxo, se apresse!

— Mas...

— Nada de "mas"! — O caçador empurrou o jovem bruxo com um soco no peito. Millo grunhiu ao recuar alguns passos cambaleantes, por pouco não tropeçando em algumas raízes em sua traseira. — Agilize! Não me venha com desobediência e com enrolas! Não sou paciente ou idiota como Adádidas! São esses fracassados que morrem cedo. Se vai andar comigo, siga as minhas ordens!

Millo não se deixou surpreender com aquela bronca, entretanto, olhou para além de Kainã, não muito distante. Salomon olhava de canto para eles, certamente havia escutado o caçador falar do filho. O homem não reagiu, apenas continuou imóvel, com uma tristeza disfarçada, mas um tanto notável para o índio, que conseguia decifrar os sentimentos incompreendidos das pessoas em sua volta. Olhou para Meicy, sinalizando uma despedida.

— Fique bem! — O índio falou, tristemente. — Não faça besteiras Meicy.

Meicy tentou sorrir, mas suas feições estavam rígidas, quase congeladas de uma maneira que não conseguia expressar o seu sentimento de repulsa para Kainã e nem ao menos um gesto de agradecimento para Millo, por cuidar de seus ferimentos e se preocupar com ele como um verdadeiro irmão.

Não demorou nem os vinte minutos, todos já estavam prontos. Kainã se apressou primeiro, seguindo uma trilha em meio a floresta com Millo seguindo-o — contra a sua vontade — sem possuírem um plano ou pensarem no que realmente precisariam procurar. Salomon já estava de saída com Lirah ao seu lado. Repousava uma mão no ombro da maga e adentrou floresta adentro, no caminho oposto a Kainã e Millo.

Kelmo chutou levemente o braço de Meicy.

— E aí? Consegue se levantar?

Meicy ergueu os olhos, estranhando aquela preocupação por parte da caçadora, mas sacou a ironia. Ela estava impaciente. Cruzava os braços e batia o pé frequentemente no chão. Os lábios formavam uma linha reta na face e os olhos semicerravam. Ela aparentemente não estava amistosa.

— O meu corpo ainda não se recuperou...

— Pouco me importa! Eu só quero saber se consegue se manter em pé e caminhar.

— E por que disso? — Meicy sorriu, sarcástico. — Por acaso vai me ajudar a me levantar?

Kelmo rugiu e novamente desferiu um chute contra o jovem feiticeiro, mas dessa vez com mais força, fazendo-o grunhir com a dor no braço.

— Não me provoque seu imbecil! Eu não serei a sua babá. Espero que realmente tenha forças para se levantar ou o largarei para trás!

Meicy respirou fundo, apesar de conter o sorriso, não era engraçada a sua situação. Agora precisava se levantar e fingir estar bastante ferido. Para esse tipo de ocasião ele era um péssimo ator. Kelmo o aguardava, o encarando como se estudasse todos os seus movimentos. O jovem forçou os seus braços no chão e aos poucos foi erguendo o corpo. Procurou apoiar-se na árvore atrás e fez inúmeras caretas de dor — cuja dor nem existia mais — No final, já estava de pé, porém, com o corpo curvado.

— Você é mesmo patético! — Kelmo falou, observando a cena deprimente de seu parceiro.

Meicy a fitou atrás dos fios de cabelo em sua face.

— Deveria me agradecer. Foi para salvar a sua vida que fiquei assim.

— Eu não pedi para me salvar! Se está assim é por culpa sua! Você quer o quer? Que eu sinta pena de você?

— Eu quero apenas que seja compreensiva e me ajude.

Há! Há! Eu já lhe disse que não serei nenhuma babá!

Meicy tentou deixar o corpo mais ereto lentamente, fazendo mais caretas e colocando uma mão em seu abdômen. Ele sorriu como de costume.

— Tenha um pouco mais de empatia, Kelmo.

Kelmo deu de ombros, não se importando com o rapaz. Seguiu o seu caminho sem ao menos questionar o feiticeiro se ele concordaria com aquilo ou não. Meicy não quis opinar, deixou-a seguir em frente, tomando o rumo do deserto. Na verdade, aquele não seria um caminho errado para os seus planos, afinal, ele precisaria encontrar um certo mineral conforme um dos antigos livros de Luciano Antunes.

☽✳☾

— Estamos caminhando há horas! — Kelmo indagou. —Você por acaso faz ideia de onde ir?

Meicy suspirou. Eles já caminhavam na verdade há mais de uma hora e a sua companheira não cessava as reclamações, como se a responsabilidade daquela missão coubesse apenas a ele. O pior de tudo, era fingir estar debilitado e temia que uma hora ou outra a caçadora poderia prestar atenção em seus passos firmes e apressados na tentativa de acompanhar aos dela. Ele estava impaciente com o bastão que segurava para "equilibrar-se". As farpas entravam em sua pele, lhe causando certa agonia, embora seu poder de cura lhe aliviasse rapidamente. O terreno arenoso dificultava um pouco a locomoção e o sol estava escaldante, mas para a sorte deles, não muito distante poderia se avistar um afloramento rochoso — na verdade, para a sorte de Meicy.

— Fique tranquila — Ele respondeu pleno, após um tempo. Estava atento a pequenas rochas sob seus pés. — Eu sei o que estou fazendo.

Kelmo torceu o bico, cruzando os braços e apressando ainda mais o seu passo em frente.

— E por que eu deveria acreditar em você? — Ela perguntou sem olhar para atrás.

— Porque eu sou um bruxo. — Meicy sorriu da sua própria resposta convencida. — Você deveria confiar no trabalho de um bruxo. Eu estudei e me dediquei por muitos anos. Trabalho com pesquisa de rochas e minerais e...

— Isso me deixa com sono! — Ela esbravejou frustrada, colocando as duas mãos na cabeça.

— Ok! Eu só quero lhe dizer, que talvez... Eu sabia como nos tirar daqui. Apesar que... ainda não tenho completa certeza de meus planos.

— Então não deveria se gabar tanto! — Ela parou por um instante e olhou para o jovem feiticeiro. — Você é mesmo inútil.

Meicy estreitou os olhos e parou de caminhar por um momento. Fitou Kelmo em seus olhos de cobra que naquele minuto desejava fulminá-lo apenas com o olhar.

— Você é estranha mesmo. Eu só gostaria de saber, por que implica tanto comigo?

Kelmo ignorou a pergunta. Virou a face e prosseguiu em seus passos apressados. Meicy sorriu, não conseguindo conter o seu próximo comentário, mesmo sabendo que a jovem caçadora já estava furiosa o suficiente para tentar agredi-lo.

— Na verdade eu sei. — Meicy arriscou alguns passos vagarosos. — Você está perdidamente apaixonada por mim.

Meicy provocou e contou os segundos para ver a reação de sua companheira. Realmente ela novamente havia parado de caminhar, entretanto, não se virou para trás para encará-lo. Na verdade, ela sacou a sua espada rapidamente e foi aí que o jovem feiticeiro percebeu que o movimento de Kelmo se tratava de algo monstruoso que surgia em frente, rugindo em uníssono com suas três grandes bocas.

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