CAP 06 - Segure minha mão.

No outro dia não acordei com alguém me chamando pelo nome errado ou me chacoalhando, e sim pelo celular vibrando, achei que fosse Bill perguntando sobre mim, mas não. Era a porra de um lembrete que havia colocado anos atrás:

"Hoje é o primeiro dia da primavera, então não se apaixone."

Quando a estação mudava, eu tinha meu código de honra e aquilo me voltava à realidade. 

Ao me virar para o outro lado senti o vazio da cama, não me deixei incomodar com aquilo até porque estava acostumado a não ter ninguém por perto mas, ao me lembrar que não estava só na noite anterior, meus olhos percorriam aquele quarto em busca de Jimin. Ouvi a porta do banheiro ser destrancado, e lá estava ele, secando seu cabelo com a toalha pronto para ir embora.

— Melhor se trocar Jungkook. — A maneira como agiu naquele instante, sua voz fria e seus olhos me ignorando, me preparava para algo que sabia que aconteceria.

— Vai dizer que vai embora?

— Preciso ir. — Disse ele sério, sem nenhuma justificativa plausível. 

Respirei fundo.

Eu quis me bater naquele instante: Jungkook como você foi tão burro? Eu sabia que as chances de continuar com aquele garoto, que chegou do nada, eram poucas, mas mesmo assim eu queria acreditar que o tivemos era diferente - eu sabia que ia dar merda mas mesmo assim insisti : LIDE COM AS CONSEQUÊNCIAS SEU TROXA! — Levantei irritado, puto de verdade. Não sabia o que falar e era nessas situações que me lembrava que a composição musical não tinha limites e nem regras, apenas a essência da verdade, e a verdade era que eu não queria que ele fosse embora.

E mesmo me vendo sentado na cama com as mãos cruzadas de cabeça baixa, ele nem se quer chegou para dar um beijo de adeus — aliás aquilo só ia piorar o que eu sentia por ele, eu não iria implorar para ele ficar. Ou, deveria? — O observei pegando sua jaqueta, deixando um envelope sobre a mesinha, enquanto mantinha meu olhar sobre meus pés descalços:

— Não estou te pagando pelo sexo ok? Isso é para pagar a diária. — não o olhei, apenas observei minhas mãos suadas pelo nervosismo, minha respiração trêmula, meu coração disparado: o que era aquilo afinal?

Mas minha resposta veio em uma lembrança antiga: "quando eu achava que tinha conquistado alguém era eu que caia na minha própria armadilha", me senti sendo largado como um cachorro e aquilo não era legal, talvez fosse a "lei do retorno", fiz aquilo com tantos garotos que nem me lembrava mais de como era ser um deles:

— Já deveria ter ido! Não dou a mínima para você! — me levantei colocando minhas calças.

— Jungkook, não quero que fique bravo, eu quero que você tenha sua vida normalmente, não estou fazendo isso porque foi ruim ou algo do tipo, foi ótimo. Aliás, o melhor!

Continuei sem o encarar, porque quando estava prestes a dizer mentiras as quais me arrependeria depois, eu nunca encarava alguém, covardia minha eu sei!

— Jimin se justificando, nunca imaginei que você faria isso. Aliás se quer foder com um desconhecido, tem que melhorar seus movimentos na cama, aquilo estava muito inexperiente, e para mim não foi nada agradável. Tem que ser algo memorável — o encarei e as lagrimas ja se formavam em seu rosto e foi impossível continuar — O que vai chorar agora?

— Foi minha primeira vez. — Palavras, desde mais novo tinha medo de palavras, mas não de dizê-las, porém se arrependimento matasse eu estaria morto naquele momento.

— Que idiota! — sorri, mas de nervosismo — Vai logo embora e não me faça perder o tempo discutindo a primeira vez com você. Foi ruim, péssimo agora vai.

Quando achamos que o desespero de perder alguém não pode aumentar, o destino cria obstáculos para dificultar mais ainda, e da mesma maneira que minha felicidade tinha desmoronado, Jimin foi ao chão junto dela.

— Jimin! Pare de brincadeira! Acorda, se você estiver encenando é aí que vai desmaiar de verdade.

Ele não abriu seus olhos, e quando realmente foquei seu semblante o garoto antes sorridente estava pálido. Bem nessas horas você pensa: deveria ter ficado de boca fechada.

O coloquei na cama, minhas mãos tremiam ao pegar o celular, não acertava a porra do telefone de emergência — você é um inútil Jungkook — repetia para mim mesmo diversas vezes.

— Jimin, estou ligando para emergência, agüenta mais um pouco.

Não sabia qual era a sua situação, não sabia o motivo de ter me escolhido, era muita coisa para agüentar sozinho, mas quando seus olhos se abriram devagar, e sua mão se estendeu lentamente apenas me lembrei: Quando eu pedir pra você não soltar minha mão, você vai fazer isso por mim não vai? — eu prometi isso a ele, o prometi muitas coisas ao qual sabia que naquele momento não iria conseguir cumprir todas elas.

— Jungkook... — ele disse quase sussurrando e eu apenas segurei sua mão.

Aquele era o momento mais desesperador da minha vida, mas o que vinha a seguir era pior ainda.

Houve um estrondo.

Porta ao chão, homens armados e uma gritaria absurda.

É difícil segurar a mão de alguém, quando essa pessoa não tem forças para te segurar de volta.

— SOLTE ELE! — gritou um dos homens fardados.

Minha resposta foi mais insistente que um não confiante. Segurei mais ainda sua mão, mas lutar com três homens armados e preparados é difícil.

A pessoa que me fez querer ter um futuro, foi retirada dos meus olhos lentamente, enquanto me obrigavam a colocar as mãos na cabeça, durante a sinfonia de sirenes altas e estridentes.

Eu queria pedir perdão a ele, mas não iria conseguir, quando a tristeza dominou minhas palavras, do quarto nove onde nossos corpos foram tocados me fazendo encontrar o amor, fui parar em uma delegacia qualquer de Hollywood.

Quando o destino apronta, ele apronta para valer.

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