CAPÍTULO 2
Sociedade secreta
Owen abriu os olhos e sentiu uma tontura leve ao levantar o rosto. As coisas parecia se duplicar e girar, ele piscou algumas vezes e logo depois tentou se mexer mas suas mãos estavam amarrada assim como seus pés.
Quando olhou ao redor parecia estar em uma espécie de caverna e só se era possível ver o brilho da lua entrando por uma pequena fresta no teto. Já era noite e ele não havia dado notícia a seus pais, que provavelmente estariam loucos agora.
_ Você acordou!_ uma voz atrás dele o fez ter um pequeno sobressalto_ parece uma princesa dormindo.
A sombra da pessoa aparecia na parede a sua frente e ele não conhecia a voz, só sabia que era feminina. Pela sombra ele pôde ver que havia algo em sua mão da qual ela ficava jogando para o ar e agarrando.
_ O que estou fazendo aqui?
Ele viu ela levantar e ouviu seus passos até ele.
_ A pergunta é, o que você fez para merecer estar aqui!?
_ Como eu vou saber?_ se irritou e a risada dela o arrepiou.
_ Pensa Moreno_ disse ficando na frente dele_ Pensa.
O rosto dela estava coberto pelo capuz mas ele pôde ver a boca bem desenhada que exibia um sorriso cruel. Owen engoliu em seco quando uma porta se abriu e três pessoas também encapuzadas surgiram uma ao lado da outra. Com um gesto eles ordenaram que o levassem.
_ Bom acho que agora você vai descobrir!_ a garota o puxou com uma força anormal.
Quando saíram ele viu cerca de 10 deles, fora os outros quatro que estava sentados em tronos. O lugar estava cercado por velas que estavam encarregadas de iluminar o ambiente cavernoso, as pessoas formaram um círculo e gritavam algo que parecia ser latim, coisa que ele não fazia idéia do que era. Owen sentiu um arrepio quando a terceira pessoa se levantou e ergueu a mão fazendo todos se calarem imediatamente.
_ Owen Forster_ a voz era grossa e robótica_ Nós o trouxemos aqui com o intuito de que se junte a nós.
_ Por que eu faria isso?
Sabia que era arriscado mas tinha que perguntar.
_ Você é o primeiro meio bruxo e meio caçador de sua linhagem, isso te torna parte de nosso pequeno grupo.
Apontou para as pessoas no círculo.
_ E se eu não quiser?
_ Tem livre arbítrio.
_ O que eu ganharia com isso?
_ Você saberá se aceitar._ A voz apesar de metálica parecia serena, sabia exatamente como proceder como se tivesse feito muitas vezes àquilo tudo e aumentou a curiosidade dele._ Tem até amanhã para nos dar uma resposta definitiva, mas lembre-se, se aceitar descrição será a única coisa a ser exigida.
Ele se sentou e novamente as palavras em latim ecoaram pelo ambiente. A mesma garota que estava o vigiando na caverna se aproximou e mandou um beijo para ele que adormeceu antes de perguntar como deveria entrar em contato.
2
A casa estava com um cheiro maravilhoso de panquecas. Owen despertou e por incrível que pudesse parecer estava em sua cama de pijama e totalmente suado.
Teria sido apenas um sonho? Pensou ao se levantar e ir ao banheiro tomar um banho. Enquanto se esfregava vislumbres da noite passada não o deixava em paz. Quando saiu do banho e se secou, vestiu uma camiseta preta e uma calça jeans escura, calçou o tênis e desceu as escadas passando os dedos pelo cabelo castanho.
_ Bom dia filho!_ Sua mãe o beijou na bochecha_ Fiz um suco de laranja para ajudar na ressaca.
_ Ressaca?
_ Owen ontem a noite você chegou carregado por dois rapazes_ disse com tranquilidade_ Eles disseram que eram da escola e que vocês exageraram um pouco na dose quando se conheceram.
Owen se sentou e concluiu que provavelmente eram dois dos vários encapuzados. Com as mãos sobre os olhos ele respirou fundo. Ao olhar no relógio viu que já se passava da hora de ir para o colégio.
_ Eu tenho que ir._ pegou sua mochila no sofá e saiu em disparada para o colégio.
Durante todo o trajeto, a sensação de estar sendo vigiado o estava enlouquecendo, a cada segundo ele olhava para trás e nada via. Balançando a cabeça ele entrou no colégio e no meio das escada sentiu braços rodearem seus ombros e teve um sobressalto.
_ Roger!_ disse ao ver o garoto que o encarava com estranheza.
_ Tá assustado Owen?
_ Não é só que eu não ouvi você. _ mentiu e viu Roger sorri de lado.
_ Você está com medo da Kiera!
Owen revirou os olhos. Ele naquele momento tinha coisas mais importantes para se preocupar do que perder tempo com o que uma garota mau humorada faria com ele.
_ Aquela nanica mau humorada? Eu não tenho motivos pra ter medo de uma garotinha.
Roger deu uma risada mas logo se calou e arregalou os olhos, porém Owen não percebeu.
_ Sinceramente o que ela poderia fazer contra mim!?_ Sua expressão era arrogante e até mesmo descrente.
Quando se virou para entrar na sala sentiu todo o sangue fugir de seu rosto. Kiera estava parada o encarando impassível, mas os olhos brilhavam com uma perversidade que o arrepiou por inteiro.
_ Bom dia Kiera._ Roger disse indo para o lado da garota que com um golpe certeiro no estômago o fez se curvar e tossir.
Owen sustentou o olhar frio dela que bufou quando ele não abaixou a cabeça.
_ Você é corajoso Owen._ passou por ele e entrou na sala de aula.
_ O que? Fala sério, ela me deu um soco e você teve elogios?_ A indignação e a falta de ar fizeram Roger arfar.
Roger se ergueu fazendo careta e bufou.
_ Essa garota é louca._ disse Owen e entrou na sala.
Kayla estava com a cabeça baixa e por algum motivo Owen sentiu o coração acelerar. Ela era tão delicada, tão bonita que era impossível não se encantar. Ao lado dela Kiera estava com um livro em mãos e estava de óculos, o que a deixava até bonita, se ela não fosse tão irritante Owen apostaria que seria como a irmã.
_ Roger,_ uma menina baixinha com cabelo rosa se jogou nos braço de Roger que a abraçou_ Quem é ele?
Owen reconheceu a voz dela. Era a garota que o estava vigiando na caverna, a mesma garota que o fizera cair desacordado.
_ Esse é meu amigo Owen, ele tá meio tímido ainda mas logo logo eu sei que ele vai poder ser ele mesmo.
As palavras de Roger não fizeram sentido algum. Owen deu de ombro pensando estar paranóico.
_ Seja bem vindo moreno.
Ela piscou e foi sentar do outro lado com alguns garotos. Quando Owen se sentou não pôde prestar atenção nas aulas pois não tirava os olhos dela. Ela olhava para ele também, e ele sabia que ela o estava vigiando.
Mas o que fazer alem de esperar?
3
Quando Owen saiu pela porta ela o estava esperando. O sorriso que ostentava era cruel como na noite passada.
_ Oi moreno!_ ela se jogou nos braços dele que a afastou de imediato_ Nossa ontem você não reclamou.
_ Eu estava amarrado garota!
_ Tá mas eu estou aqui para te levar até eles,_ disse revirando os olhos._ E por favor não resiste tá, se você facilitar isso acaba rápido.
Ela saiu o puxando e Owen olhou para todos os lados procurando Roger, porém o amigo estava bem ocupado com uma garota da outra turma. Quando chegaram na parte onde fica a piscina ela entregou a ele uma venda que com relutância ele colocou.
_ Por que a venda?_ Sua irritação era palpável.
_ Por que você ainda não pode ver eles e nesse horário não dá para sair do colégio.
Owen sentiu um leve calafrio quando percebeu que passavam por ele, uma suave brisa o atingia cada vez que alguém passava por ele.
_ É seguro Madalena?
A mesma voz que conversou com ele perguntou.
_ Eu já deixei avisado mestre, ninguém entrará sem que tenhamos terminado.
_ Muito bem._ Disse com satisfação_ Então Owen Foster, precisamos saber sua decisão!
_ Eu não sei, não tive tempo pra pensar, eu mal sei por que estão me querendo, como posso confiar em vocês?
Owen sabia negociar, e se dependesse dele ele não iria aceitar nada sem saber exatamente o que ele ganharia ou quais seriam suas vantagens.
_ Bom se você quer saber, ok._ disse e Owen notou certo deboche_ Você não sabe como controlar seus poderes certo?
_ Isso não é da sua conta!_ cruzou os braços na defensiva.
_ Vou considerar como um sim, pois bem, você aprenderá não só como controlar eles mas também como se tornar forte o suficiente. É tudo ou nada Owen.
Ele iria aceitar, a proposta era tentadora. Por anos ele havia tentado controlar sem ser controlado. Desde muito novo teve que lidar com situações extremas das quais ele não fazia idéia de como deter. Não era todo dia que uma oportunidade aparecia assim.
_ Tudo bem, eu aceito.
_ Boa escolha garoto, pode tirar a venda agora.
Sem pensar duas vezes com a curiosidade em cada parte de si ele puxou a venda. Sua boca se abriu em surpresa. O semblante sério e impassível de cada pessoa ali o fez suspirar.
Como não imaginou isso antes? Qualquer um com um bom raciocínio teria deduzido isso.
_ Bem vindo oficialmente a Collins Reed Owen Foster!
Agora não tinha como correr, era tudo ou nada.
CONTINUA...
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