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- Para onde estamos indo?- Wagner falou enquanto Índia o arrastava de volta para o primeiro andar- Índia me diz!

- A Suzana está na brinquedoteca.- Índia gritou- O brinquedo, esse lugar, só pode ser lá...

Wagner somente concordou enquanto a menina o arrastava pela escada que Mara e Daniel tinham subido, já tinha perdido a noção de quanto tempo estava naquele lugar, Índia parou bruscamente entre dois corredores.

- O que foi? Acho que...

- SOCORRO!

O grito invadiu o corredor da direita Wagner e Índia se encaram, Mara estava em apuros.

- Temos que ir para lá, a Mara e o Daniel podem estar precisando de nós...

- Você vai.- Índia o encarou e soltou sua mão- Pegue a Mara e o Daniel e os tire daqui, eu vou pegar a Suzana.- Ela abriu a bolsa e puxou a faca- Nós encontramos na saída, ok?

- Não. É isso que ele quer... Ou vamos juntos buscar a Suzana ou então ajudar aqueles dois...

- Cuida do Dani...

Índia correu deixando Wagner para trás, ele estava chocado, ela tinha o largado lá...

- SOCORRO!- o grito novamente o fez correr em direção ao corredor da direita
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Ela se debatia enquanto sentia as mãos fortes agarrem seu corpo, gritou duas vezes por socorro antes do unicórnio a arrastar para uma sala. Mara achava que naquele momento ela ia chorar desesperadamente mas somente sentia uma queimação, uma vontade de gritar incontrolável, se debatia enquanto o unicórnio a prendia contra a parede.

- Fica quieta pelo amor de Deus!- a voz abafada por baixo da máscara gritou

- O que...- Mara parou e o encarou enquanto retirava a máscara

Augusto.

- Não grita! Eu sei que você tá metida, eu sei que tem uma máscara com você, eu só quero te ajudar.

- Você... Você matou o Pablo?

- Não mas não posso te explicar agora... tem que fazer o que eu mando.- ele pegou algo no bolso da calça que estava por baixo da roupa preta- Esse pendrive tem todas as respostas, eu não sei quem está debaixo daquela máscara mas esse pendrive sabe! Eu roubei o pendrive dele, ele nunca pegou!- Augusto estava atordoado- você tem que levar para o delegado, ok?

- Delegado... Eu faço isso...- Augusto enfiou o pendrive na mão dela

- Não confie no investigador, não confie...- a fechadura da porta se moveu e Augusto segurou a porta- Mara saia daqui, assim que eu cruzar a porta, eu sinto tanto por tudo que fiz...

- Traição. Mentiras.- Ela segurou o pendrive com força- Me entregar isso não te torna bonzinho...

- Mara...- O terror no rosto dele era completo

- Não morra Augusto, eu ainda tenho muito o que resolver com você.

Ele esboçou um pequeno sorriso e apertou a máscara entre as mãos e se virou para Mara.

- Amanhã a noite, na sua casa, nós dois e vodca.

Augusto enfiou a máscara no rosto e saiu porta a fora. Ela não podia acreditar primeiro entregou Daniel a uma armadilha, segundo seu namorado fazia parte daquilo tudo e terceiro teria que deixar todos para trás para resolver isso, Mara e se levantou e saiu porta a fora.
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Wagner corria, forçando todas as portas que viva pela frente. Daniel, se algo acontecesse com ele? E já tivesse acontecido?

- Daniel!- ele gritou com a força que tinha

Silêncio. Nenhuma resposta mas ele continuaria ali, porta por porta procurando. As vezes pensava em ter escutado um barulho ou passos distantes, mas não se importava.

- Daniel!

- Aqui!- ele escutou o grito

Wagner se aproximou da porta e começou a chuta-la.

- Daniel!- a porta não se abria- Não tem nada que você possa usar para abrir ai?

- Não!- Ele conhecia aquele tom, o garoto deveria estar entre lágrimas

- Eu... Eu vou dar um jeito! Fica pra trás!- Wagner tentava usar seu peso contra a porta mas essa, diferente das outras, parecia nova- Mais uma vez!

- Wagner...- Daniel soluçou, ele daria tudo para estar fora daquele lugar

Irmãos. Não podia ser... Daniel e Índia... Eles não podiam ter namorado... Eles... As batidas na porta pararam e ele escutou um barulho, algo arremessado...

- Wagner!- Ele gritou enquanto socava a porta, sem nenhuma resposta- Wagner!

Outro barulho, dessa vez a porta sacudiu, parecia que alguma luta estava acontecendo lá fora e então a porta se abriu, escancarada para o corredor, não havia nada, ninguém, somente no chão o óculos de Wagner.
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Índia não sentia mais o próprio corpo, ela sabia somente o caminho e que deveria correr, suas pernas doíam, só mais um pouco, se esgueirou com cuidados até chegar no corredor, sala por sala, até chegar a única sala sem porta, ela olhou pelos lados para dentro da sala. Suzana.

Não havia ninguém ao lado dela, a garota estava jogada em um colchão e não parecia muito viva. Ela andou sorrateiramente se jogando ao lado do colchão.

- Suzana.- sacudiu a menina- Por favor, vamos...

- Índia...- Suzana sussurrou com os olhos entre abertos

- Ok, nos vamos sair daqui agora!

Índia ajudou Suzana a se levantar desajeitadamente, a garota sangrava e não tinha forças para permanecer em pé mas não importava, Índia a arrastaria dali.

- Boa tentativa.- a voz robótica soou pela sala- Encare-me Índia.

Índia arrastou Suzana para trás e pode ver ali na sua frente o Unicórnio, apertou a faca com força enquanto apontava para a figura.

- Acabou!

- Acabou!? Onde estão seus amigos Índia? Onde está seu irmão?

- Cala a boca!- ele sabia sobre Daniel...- Tira a porra dessa máscara e me enfrenta cara a cara!

- Você ama dar ordens! Roube o mercado, corra...- o Unicórnio puxou uma arma de sua roupa- Mandar é tão simples, não é? Eu gosto disso em você, por isso vamos jogar um jogo.

- Não!

- Sim!- o unicórnio balançou sua cabeça demoníaca- O que você gosta? Pega-Pega? Perguntas e respostas?

Ele caminhou mais para perto delas, a cada passo que dava Índia empurrava ainda mais Suzana contra a parede.

- Eu te deixo escolher!- ele botou a mão na máscara como se pensasse em algo- Eu conheço você, perguntas e respostas não?

Ele se aproximou ainda mais e um grito invadiu a sala, a mistura de um urro com lágrimas, mas o Unicórnio simplesmente se virou e agarrou Daniel, segurando o garoto pelo rosto e apontando a arma para a cabeça dele.

- Reencontro familiar!- Índia queria socar quem quer que estivesse por baixo daquela máscara- Por que não olhamos onde estão os outros dois!

O Unicórnio arrastou Daniel até o canto da sala onde ligou algo e a imagem foi projetada na parede. A primeira imagem era de Mara, ela corria desnorteadamente, não parecia machucada, mas logo um outro unicórnio apareceu na imagem correndo atrás dela. A imagem mudou e logo outro unicórnio apareceu chutando furiosamente um corpo que tentava se levantar, Índia e Daniel conheciam aquelas roupas, Wagner, o unicórnio segurou Wagner pelos cabelos e o jogou de volta no chão.

- Não...

- Tadinho do seu namorado.- o Unicórnio ironizou- Tadinha da popularzinha... mas talvez respondendo certo vocês possam se ajudar...

- Comece!- Índia gritou

- Lembre-se, quatro entraram quatro saem.- cantarolou com sua voz robótica- Porque você abandonou o Daniel?

O Unicórnio colocou a arma encostada na cabeça de Daniel, pronta para ser puxado o gatinho.

- Porque... nós somos irmãos!- Índia gritou entre lágrimas- Minha vez!

Suzana sussurrava algo incompreensível.

- Quem é você?- Índia gritou

Ela pode até escutar uma risadinha mas antes que fosse respondida o Unicórnio apontou a arma para quem entrava pela porta e atirou, foi o tempo para Daniel se soltar e empurra-lo contra uma mesa, Índia mal pensou e arrastou Suzana para fora, ela não pode deixar de olhar o corpo caído no chão, outro unicórnio.

Daniel apareceu logo em seguida a ajudando a carregar Suzana, corriam o mais rápido que podiam e escutaram outro tiro, não podiam parar, ele estava perto. Dobraram em vários corredores incansavelmente, havia barulho de passos por todos os lados, um estrondo muito forte que vinha do corredor da frente onde estavam, não podiam voltar e se apertaram contra a parede. Índia com a faca, estava pronta para acertar quem aparecesse mas se conteve, quando os passos se tornaram pesados e o barulho de lágrimas maior. Mara com um corte na cabeça.

As duas garotas se abraçaram, mas não trocaram uma palavra continuaram a correr, será que haviam dois unicórnios? A situação só piorava. Correndo. Correndo. Correndo. Era a única coisa que se passava na cabeça de cada um, novamente um barulho, Índia tomou a dianteira novamente, com a faca em punho quase acertou Wagner.

- Estamos todos juntos.- Índia comentou analisando cada um ali

Mara estava suja e tinha um corte na testa que sangrava, Daniel não possuía machucados físicos mas seu rosto não expressava os melhores sentimentos, Wagner estava sem óculos, sujo e o mais gritante parecia ser o nariz que sangrava, o mais importante naquele momento era Suzana, a garota estava machucada e repetia algo em sussurros, eles precisavam chegar em baixo e correr. Continuaram o caminho, estranhamente sem interrupções mas assim que chegaram na escada havia um unicórnio parado na sala de recepção, os encarando.

Índia foi a primeira a começar a descer com sua faca, era a melhor opção de salvação, descia com o máximo de cuidado e o unicórnio continuava ali, parado.

- Ali!- Mara gritou, o outro unicórnio, vinha com sua arma apontada para eles

Desespero, a única palavra que descrevia o momento. O Unicórnio atirou assim que os viu, um tiro de longe o suficiente para que eles se desesperassem, Mara puxou Suzana e as duas rolaram a escada, Daniel agarrou Wagner e o puxou, o rapaz sem óculos tropeçou nos próprios pés, Índia não escapou daquele boliche, eles rolaram escada a baixo.

Mara foi a primeira a se mexer parecia querer pegar algo que estava no chão mas o unicórnio que já estava em baixo foi mais rápido, pegou o pendrive e saiu os deixando com o Unicórnio armado que descia a escada. Índia recuperou sua faca mas o Unicórnio já estava em cima dela, segurando seu braço. Wagner e Mara pareciam dispostos a partir para cima daquele monstro mas ele apontou a arma para Suzana.

- Deixa-as!- Mara gritou

- Daniel...- Wagner agarrou o garoto que estranhamente não se mexia- Deixe-nos em paz!

- Eu sei... sei quem você é...- Suzana disse- Você é o...

O Unicórnio arrancou a faca da mão de Índia e a cravou em Suzana duas vezes, a garota engasgou com o próprio sangue mas não parava de mexer a boca em algo como "é ele". Índia agarrou a perna do unicórnio mas ele a chutou com força, fazendo-a o soltar e então saiu.

Saiu. Deixando para trás seu rastro de morte. Mara não podia mais se conter as lágrimas saíram compulsoriamente, Wagner não enxergava muito mas preferia não ver Suzana, talvez estivesse desmaiado sobre o peito de Daniel ou somente de olhos fechados desejando que aquilo nunca tivesse começado. Índia via Suzana imóvel com o sangue se espalhando pelo chão e uma faca cravada em seu peito.

- Não...- Índia se remexeu indo até Suzana

- É ele Índia...- Suzana sussurrou, levantando a mão ensanguentada- É o...

Tudo parou, a mão de Suzana caiu no chão, a garota de olhos abertos encarava o teto, com seus belos cabelos encaracolados esparramados no chão, enquanto seu sangue se esvaia. Índia também cedeu, deixando seus olhos se fecharem lentamente.

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