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- Como deixamos isso acontecer!- o investigador gritou- Novamente e novamente!

- Mas...

- MAS NADA FÁBIO!- chutou a porta- É o quinto!

- Nós não podíamos fazer nada.- o rapaz se encolheu

- Sabia que alguém filmou e postou na internet? É o vídeo mais visto em dois dias. Esse caso não é normal e tudo começa aqui!- ele apontou para a escola

- Com licença.- um rapaz entrou na sala com vários papéis- Aqui estão os arquivos que me pediu e tem uma garota lá fora querendo falar com o senhor.

- Tínhamos alguém hoje?- Fábio balançou a cabeça- Mande-a entrar.
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Daniel observava atentamente os passos do pai. Eles estavam na escola, na sala do diretor. Aquela era a primeira vez que ele estava ali, nunca enquanto estudou esteve naquela sala.

- Conseguiu falar com o Luiz?- perguntou Fernando enquanto encarava o diretor Cláudio

- Não. Eu até liguei pra lá mas quem atendeu foi a Joana, irmã mais velha do Pablo

- Como essa situação chegou a esse ponto?- o pai cochichou- Um garoto executado na frente de vários outros...

- Todos os mortos eram nossos ex-alunos, temos que...

- Daniel vá ver onde seu irmão está.

Daniel saiu da sala, eles estavam tendo uma conversa de adulto, os pais de Daniel tentavam ignorar que ele estava presente naquela cena horrível, a policia não demorou de chega mas não tinha muito o que ser feito, além de interrogar, Pablo estava morto. Andar pelos corredores da escola era estranho, ele deveria ter estudado em quase todas as salas, deveria ter andado em todos os corredores, não eram lembranças que o alteravam, mas era bem melhor que um assassino mascarado.

- Raphael!- gritou enquanto andava pelas salas- O papai tá atrás de você!

O garoto veio correndo aos tropeços e empurrou o irmão.

- Você assustou meu amigo!- Disse o garoto emburrado

- Que amigo?

- Ele disse que conhecia você...- O menino pensou- Tem uma surpresa pra você na sala nove!

- Quem era esse amigo?- Raphael arrastava Daniel pela mão até a sala nove

- Ele disse que queria que você fosse mais amigo dele! E que tinha uma surpresa ai!

- Como era seu amigo?- Daniel parou na frente da sala

- Entra! Meu amigo disse que você saberia quem ele é depois que entrasse!

Daniel encarou Raphael e abriu a porta. Não havia nada aparentemente na sala, tudo estava muito escuro, Raphael entrou correndo e acendeu a luz. Daniel engoliu o grito que ia dar, aquilo era sangue!? Na parede estava escrito:

"Eu me lembro de tudo"

Ele andou até  parede do fundo, não conseguia entender aquela frase, não fazia sentido, logo abaixo estavam várias fotos com uma placa feita de emborrachado vermelho e dourado escrito sala do beijo, haviam beijos novos e antigos, ele beijando a Índia, Mara beijando Augusto, Suzana beijando Otávio...
E só havia uma foto no chão, descolada da parede, era ele beijando Wagner. Daniel analisou a foto, foi tirada de perto mas no quarto estavam só os dois...

- Papai, olha isso!- Raphael gritou

Daniel olhou para trás e viu o pai, antes que o homem se aproxima-se enfiou a foto no bolso e ficou de pé.

- O que é isso!?- Exclamou o diretor assim que entrou- Temos que chamar a Polícia!- o homem saiu atordoado

- O que é isso Daniel?- o pai encostou perto dele

- Eu não sei, quando eu entrei aqui já estava assim.- Ele analisou novamente a parede- as fotos em baixo, são de metade da escola e essa frase talvez seja sangue!- o pai o encarou

- Sangue!?- Disse Raphael assustado- Mas o amigo era bonzinho, ele me empurrou no balanço.

- De quem ele está falando?- o pai ficou confuso

- Eu já te perguntei,- Daniel se ajoelhou e segurou os ombros do irmãozinho- como era esse amigo?

- Eu não sei bem...era alto, usava uma roupa preta e não me deixou usar a máscara de unicórnio que ele tava usando!- Resmungou o menino

- Um mascarado?- o pai estava mais confuso ainda

- O unicórnio.- o estômago de Daniel gelou
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- O que te trás aqui mocinha?- Perguntou o investigador

- Quero fazer uma confissão... denúncia... Eu quero falar a verdade.

- Que verdade... não temos tempo para brincadeiras!

- Não é uma brincadeira!- ela passou a mão pelos cabelos- Eu sei quem é o assassino!

- Sabe!?- O detetive se sentou e a encarou

- Eu já o vi matar... ele é cruel... O Rafael...

- Ele quem, Exatamente?

- Eu não sei quem é...- Lucas bateu na mesa- Não é brincadeira, ele usa uma máscara de unicórnio e roupa preta, ameaça pelo celular e deve estar nos vigiando agora. Ele matou um por um! Não estou brincando!

- Investigador!- uma policial abriu a porta bruscamente- Com licença, mas o senhor precisa ir agora para a escola Santa Borgonha.
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O barulho do carro da Polícia na porta da escola chamava a atenção de todos que moravam perto. O investigador e seu assistente analisavam a parede, as fotos, enquanto isso o diretor reportava o acontecimento a um policial. Raphael estava sentado ao lado do irmão no chão do pátio.

- Eu não tô mentindo! Foi uma cabeça de unicórnio

- Eu acredito em você...- Daniel respirou fundo- Tem que contar tudo direitinho pra mamãe entendeu? Como era a voz dele?

- Era como... Um robô, disse que a voz era assim por culpa de um acidente.

- Ele falou mais alguma coisa? Além dizer ser meu amigo?

- Ele disse que ia te encontrar, que não importava onde você estivesse ele ia te achar.

Daniel engoliu em seco. O policial chamou Daniel até a sala nove, o investigador o encarou por um tempo.

- Você foi o primeiro a ver essa cena e segundo o seu irmão isso é para você, por que?

- Eu não sei!- Daniel disse- Isso na parede, é sangue?

- Pelo que parece sim, de algum animal.- o investigador encarou as fotos- E o que significa todas essas fotos?

- Isso...

- Isso é obra de algum delinquente!- o diretor gritou- Algum ex-aluno malcriado que quer a minha derrota!

- Por que ele está tão alterado?

- Ele quase foi demitido por isso.- O pai de Daniel apareceu, apontando para o nome sala do beijo- Foi uma loucura isso tudo, alguém colocou bebida alcoólica nas bebidas das crianças e tudo virou uma loucura, principalmente uma sala escura sem vigilância.

- Alguém foi expulso por isso?

- Não mas foram punidos e qualquer festa foi cancelada.

- Algo ruim aconteceu com algum aluno dentro da festa ou nessa sala?

- Claro que não!- gritou o diretor- Só vários pais com seus filhos embriagados.

- Eu preciso de todos os registros dessa festa e...

O celular de Daniel começou a tocar. Ele sorriu e saiu para atender o telefone. 

- Você viu quantos carros da Polícia estão na frente da escola? Sua mãe sabe de algo?- Wagner do outro lado da linha estava eufórico

- Ela não mas eu sei... estou dentro da escola.- Ele olhou em volta, haviam alguns policiais espalhados e se afastou até um canto

- Você tá bem? Daniel, aconteceu alguma coisa?

- Eu estou bem... Mas precisamos conversar...

- Eu estou no mercado.

- Me espere ai. Vou dar um jeito de sair daqui!

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- Conseguiu falar com o investigador?- Mateus apareceu atrás da garota

Os dois estavam em pé no estacionamento.

- O que você faz aqui? Como sabe?

- Eu acabei de fazer uma entrega, troquei meus horários hoje, vi você entrando na sala dele.

- Você bateu bastante no Augusto aquele dia, aquela festa de merda...

- O Augusto ainda não cresceu o suficiente, não vamos falar sobre isso, não falaremos dessa festa.- ele respirou fundo- Quer uma carona?

- Aceito.- Ela sorriu e caminhou com ele até a moto

Mateus carregava um capacete reserva sempre, deu a ela, assim que ela colocou e subiu na moto o telefone apitou, uma mensagem de um número desconhecido fazia um aviso.

"Falou de mim para os polícias? Que ultraje! Parece que vou ter que falar para a Marta algumas pequenas histórias."

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