15
Escuridão, era tudo o que Pablo via, podia escutar sua respiração ofegante, seu corpo tremer, não podia parar, se não cairia ali mesmo sem forças. Sabia que precisava de um caminho mas era difícil sem saber onde estava.
Não conseguia pensar direito mas podia identificar que estava correndo aos tropeços sobre terra, não havia muitos lugares assim e com uma casinha... uma coisa gelada afundou em suas costas, uma mão abafou o grito de dor.
- Sem o seu carro, você não é bom.- Soltou uma risada robótica e psicótica ao pé do ouvido de Pablo- Você sempre foi o mais cuidadoso, o mais cabeça fria, por que aquele dia você preferiu não ser?
Pablo gritou novamente, enquanto o unicórnio arrancava a faca.
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Daniel estava sentado em silêncio no quarto de Wagner, não havia dito uma palavra desde que chegara pois não conseguia entender o que Índia fazia, ela colava papéis em uma das paredes do quarto de Wagner.
- O que ela está fazendo?- Daniel quebrou o silêncio enquanto se aproximava de Wagner
- Ela está...- Ele sorriu enquanto encarava Daniel- Investigando ou eu acho que é isso.
- Ela é uma pessoa um pouco paranoica, sempre pensa que alguma conspiração está acontecendo... Sempre levando tudo a sério, nunca desistindo....- ele encarou os olhos de Wagner e parou de falar, os dois se olharam sorrindo- Eu acho... acho...
- Perdi alguma coisa.- Índia os encarou
- Não!- Daniel disse afobado- O que você fez?
- Isso vai nos ajudar! É tudo que temos até agora!
Os três encaram o mural. A primeira imagem que podia se ver era uma folha com fotos de todos colados incluindo os que haviam morrido, logo abaixo vinha a localização de cada corpo, haviam vários textos que discorriam sobre o lugar e a morte, no meio havia uma foto ampliada do unicórnio ou ela achava que era, uma linha vermelha ligava todos ao unicórnio e o unicórnio estava ligado a escola.
- Então o unicórnio tem haver com a fizemos na escola?- Wagner analisou
- Não é a Santa Borgonha em si mas a festa de Halloween, é algo que aconteceu naquela noite.
- Muitas coisas aconteceram.- Disse Daniel- E particularmente foi a quase cinco anos...
- Essa foto!- Índia apontou para uma foto de Mara, Paloma e Raphael- estava na casa do Raphael, olhe quem está no fundo!- ela apontou para o unicórnio- Essa foto nossa Daniel! A merda do unicórnio está aqui! Sim, o unicórnio tem haver conosco e com essa festa.
- Nós precisamos de mais provas!- Disse Wagner- Precisamos entender o que aconteceu, não consegui encontrar nada meu dessa festa...
- Você estava na festa?- Daniel perguntou surpreso
- Eu estava, só acho estranho não me lembrar com clareza, é como se tivesse sido apagado...
- Nos precisamos do seu primo... do que ele tiver dessa festa!
Wagner saiu do quarto e foi até a sala onde o rapaz estava jogado na frente da televisão. O primo se custou a levantar mas o acompanhou até o quarto.
- O que é isso...?- Mateus questionou ao ver a pequena reunião no quarto- O que você fez com a parede!?
- Nós precisamos da sua ajuda.- Disse Índia- Precisamos saber oque aconteceu na festa de Halloween, a única que rolou no Santa Borgonha.
- Qual é exatamente o problema dessa festa? Meus anos de escola não são coisas que eu gosto muito de reviver.
- Eu me lembrei de relance que estava nela...- Wagner começou- mas particularmente eu não lembro de muita coisa.
- Acha que eu lembro!?- ele riu- Eu quase fui expulso por levar bebida, nós bebemos tanto aquele dia...
- Nós...?- questionou Wagner
- Você, eu, um pessoal da minha sala e um ponche batizado.- Ele disse não muito orgulhoso- Ninguém saiu daquela festa sóbrio.
- Você batizou o ponche!?- Disse Índia indignada- Metade da festa tinha 13 anos...
- Eu e meus amigos não éramos um grupinho legal. Nós transformamos aquela festa, principalmente a sala do beijo.- Ele piscou
- Você tem fotos?- Índia perguntou
- Estão todas na internet. Abram a minha página, deve ter algo lá.- Mateus andou até perto da porta- Boa sorte no que seja lá que estiverem fazendo.- Ele fechou a porta mas logo a abriu- É bom tirar essas coisas da parede depois, se não a minha mãe vai querer o pescoço de vocês.- finalmente saiu
Wagner pegou o celular e procurou pelo primo, abriu sua página, ele não tinha muitas fotos, algumas de motos outras dele tocando violão, clicando nas fotos marcadas, Wagner finalmente achou algo da festa. O primo abraçado com alguns amigos, fotos da maquiagem de zumbi que Mateus tinha feito e uma foto estranha.
- Índia você já tinha visto isso?
Ela se aproximou e pegou o celular, na foto estavam Pablo, Mara, Suzana, Paloma, Raphael, Jonas, Daniel, Wagner, Laura, ela e o unicórnio. O unicórnio com a mesma máscara e mesma roupa, estava parado em pé ao lado de Daniel.
- O isto que significa?- questionou Wagner
- Ou essa foto é uma grande coincidência ou é uma lista... uma lista de quem ele quer matar... - Daniel falou
- Eu acho que...- Ela soltou o celular cama- estamos federados...
Os três ficaram em silêncio. Índia tentou buscar em sua mente relances da festa algo que justificasse mas ela não se lembrava se algo ruim havia acontecido, ela se quer lembrava desta foto. As lágrimas vieram, eram incontroláveis, estava fadada a morrer, não havia um sinal de quem era aquele assassino maldito, não havia uma saída.
- Ei!- Wagner se deitou ao lado dela- Não está tudo perdido ainda, vamos lutar contra, vamos fazer o jogo virar.
- Nós vamos.- Índia se sentou e limpou as lágrimas- Temos que reunir todos e descobrir onde o Pablo está antes que seja tarde.
- Exatamente, não vamos dar o gostinho da desistência. - Disse Daniel- De todos nós, o Pablo era o mais forte e o mais difícil de se carregar. Não tem como aquele louco ter tirado o Pablo de dentro do carro e o carregado nas costas.
- Sua mãe tem alguma informação do carro? Qualquer coisa.
- Não. Ela não estava em casa hoje deve ter ficado de vigia na casa da Mara mas essas coisas levam uns dias para ficarem prontas...
Uma mulher baixinha abriu a porta, usava um rabo de cavalo e uma blusa azul.
- Ei crianças, venham almoçar.- uma mulher baixinha de óculos abriu a porta
- Já vamos tia.- Wagner sorriu, enquanto a mulher fechava a porta
- Nós precisamos de uma solução para encontrar o Pablo.- Disse Índia enquanto acompanhava Daniel e Wagner
A mesa que ficava entre a cozinha e a sala estava repleta de panelas, o cheiro era maravilhoso. Mateus e a tia de Wagner já estavam na mesa, Mateus comia tudo que via pela frente.
- Sente-se crianças, Mateus é um mal educado desesperado, parece que nunca viu comida na sua vida...
- Mãe!- o rapaz gritou com a boca cheia de comida
Os três se sentaram e serviram-se, fazia tempo que Índia via uma mesa tão cheia de pessoas, normalmente almoçava sozinha comendo qualquer coisa do outro dia que ainda estava boa.
- O que vocês pretendem fazer?- perguntou a tia- Os vestibulares estão próximos.
- Filosofia, talvez.- comentou Índia
- Bem...- Daneil olhou em volta- Eu ainda não sei... talvez eu acabe fazendo o curso de policial.
- Tá vendo!- Mateus bateu na mesa assustando todos- Eu não sou o único, se você seguir isso, vamos ser colegas de profissão.
- Mas para isso você vai ter que estudar.- Wagner o encarou com um sorrisinho enquanto o primo revirava os olhos
- E que você vai fazer Wagner?- Daniel perguntou
- São tantas as opções...
- Cheguei tarde para o almoço?- Perguntou um homem alto, negro com uma blusa azul, ele era muito parecido com Mateus
- Gente esse é o meu tio Ulisses.- Wagner apresentou
Índia encarou o homem. Por um momento toda a comida que estava em sua boca desceu rasgando pelo pescoço, as memórias estavam confusas, ela soltou o garfo e a faca na mesa e se levantou com um movimento brusco.
- Eu tenho que ir!- ela se levantou e começou a se afastar
- Mas... suas coisas estão no meu quarto...- Disse Wagner sem entender nada
Índia passou pela porta a passos desajeitados e andou pela calçada desajeitada, até que finalmente pode se lembrar.
- Enfia isso na roupa!- Ela segurava um pacote de bolacha- Esse refrigerante também!
Podia ver duas prateleiras repletas de comida, sucos e refrigerantes, Índia estava eufórica segurando um refrigerante estendido para alguém que estava ao seu lado. Ela não conseguia ver ou ouvir quem estava do seu lado mas logo o tio de Wagner chegou, ele era o dono do mercado e sabia que estava sendo roubado.
Índia começou a correr mas não conseguiu passar da porta, o homem a segurou, mas quem estava com ela havia cursado a porta.
- Corre!- Ela gritou enquanto se sacudia- corre, continue...
Por um instante antes que a porta do mercado se fechasse, ela podia ver com quem estava conversando. Unicórnio. Parado, segurando sua roupa para que a comida escondida não caísse, a observava, a mesma máscara, a mesma roupa.
Suas memórias falharam e ela estava muito mais confusa. Ela tinha algo haver com aquele assassino? O havia acontecido naquela festa?
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