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Pablo e Mara estavam dentro do carro. Ele dirigia tranquilamente mas a garota estava a todo fervor. Impaciente e inquieta era difícil controlar-se perto dela.

- O que você tem?- Perguntou sem tirar os olhos da estrada

- Olha aonde estamos indo! Para a casa da pequena aberração ou como a chamávamos na escola...

- Indiana Jones.- Ele riu

- Não é por nada não mas sinto que estou começando a ficar com marcas de expressão por isso.- Ela se olhou na câmera frontal do celular

- Pessoas estão morrendo e você ainda consegue so pensar em si mesma!

- Claro! São pessoas, outros, não eu.- Ela deu de ombros

Ele parou o carro bruscamente.

- Por que parou essa coisa? Se eu chegar atrasada de novo, vão me encher o saco!

- Eu escutei dizer que mais alguém morreu. Escutei meu pai no telefone dizendo que o corpo estava perto da escola.

- Sim, idai?

- Foi o Jonas...

- Jonas, filho do dono da loja de materiais? O enrustido? Você parou aqui no meio do nada para falar isso? Anda logo com esse carro.

Ele deu de ombros e voltou a dirigir.

Índia havia arrumado o quarto para receber todos, a mãe estava trabalhando no hospital como enfermeira, ninguém os atrapalharia. Suzana já estava lá, os pais a haviam deixado na porta e viriam a buscar mais tarde, eles achavam bom que a filha saísse, Mara e Pablo chegaram logo depois chegou Wagner.

- Vamos esperar o Daniel?- Pablo perguntou enquanto analisava o quarto

- Não acho que ele virá.- Disse Wagner- A mãe dele está fazendo um cerco...

- Como sempre...- Índia resmungou

- Qual é o problema de agora?- Mara caminhou pelo pequeno quarto

- É sobre o unicórnio e qual é a dele.- Índia se sentou enquanto segurava um caderno- Eu estou trabalhando para descobrir....

- Fazendo o trabalho da Polícia!?- Mara riu- Indiana Jones da polícia!

- Isso não é sobre a polícia!- Disse Wagner- É sobre nós! Ele sabe cada passo nosso, ele está nos guiando para a armadilha dele!

- E qual seria ela?- Perguntou Pablo- Por que até agora, só conhecidos nossos morreram...

- O que foi?

- A mais um morto, o Jonas.

- Nós sabemos.- Disse Índia

- Eu recebi uma ligação desesperada e fui com o carro até a escola mas não havia ninguém lá.- Disse Pablo enquanto Wagner e Índia se entreolharam

- Era você!?- Wagner passou a mão nos cabelos- Nós...

- Vocês o que?

- Eu e Índia também recebemos esse telefonema e fomos até lá, encontramos o Jonas e tentamos salva-lo...-  todos estavam em silêncio- Estávamos com medo e nos escondemos quando o seu carro subiu a rua!

- Vocês perderam a oportunidade de salvar a única pessoa que poderia nos ajudar!?- Gritou Suzana

- Ele não se lembrava de nada...- Índia disse enquanto mordia o lápis- Nós tentamos fazer o máximo! Não era como se pudéssemos lutar contra um assassino!

- Você sempre está muito convicta de tudo!- Gritou Mara- Quem me garante que você não é a assassina?

- Até agora não estava nem ai para nada, por que está gritando comigo agora?- bradou Índia

- Parem vocês duas!- Disse Pablo- Ninguém tem culpa de nada!

- Tem sim!- gritou Suzana- Alguém tem que ter culpa em algum lugar! Não me parece só um maníaco aleatório!

Eles brigavam ferozmente era impossível chegar a um acordo, enquanto isso Daniel permanecia em casa, a mãe havia chegado mais cedo, segundo ela a mídia estava proibida de falar sobre as mortes e eles pretendiam trabalhar sem alardes, supostamente o investigador havia encontrado algo. A família estava sentada em volta da mesa, era o típico, ao longo dos anos Luana havia decidido que todos deveriam jantar e contar sobre seus acontecidos como uma família de comercial de margarina, nada de celulares ou qualquer coisa que roubasse a atenção, somente a família.

- Como foi seu dia, Rafael?- A mãe perguntou ao filho mais novo

- Os filhos da vizinha da vovó estão me enchendo o saco dizendo que eu tenho o mesmo nome do menino morto!- ele enfiou a carne na boca

- Crianças...- Disse o pai

- E o seu dia Daniel?

- Eu fiquei em casa... os meus amigos estão todos juntos agora...- Ele suspirou enquanto o celular apitar

- Nada de celular na mesa.- A mãe continuou a comer- Os pais dessa cidade não se importam com seus filhos, estão soltos enquanto essas coisas acontecem.- o celular de Daniel voltou a apitar

- Eu posso?- Questionou enquanto tirava o celular do bolso e o desbloqueava

- Você já está com ele em suas mãos...

Assim que viu a primeira mensagem suas pernas tremeram. Um número privado o questionava sobre sua vida.

"Um lindo jantar para um menino podre, onde estão seus remédios?"
"Aliás, como deixou seus colegas perderem o controle?"

As mensagens vinham seguidas de um vídeo. Daniel se levantou da mesa dizendo que já havia terminado e correu para o quarto, colocou os fones de ouvido e começou a assistir o vídeo.

Era filmado pelo lado de fora da janela entreaberta. Podia ver muito bem Pablo segurando Mara pelos braços, Wagner estava de costas perto da janela, ele parecia muito alterado, podia reconhecer Índia, pelos cabelos esvoaçantes, sentada. O som do vídeo era ruim mas dava a entender que eles brigavam. Daniel sabia que Mara podia transformar qualquer assunto em uma enorme confusão, como ela fizera todos os anos da escola. Eles gritavam algo como "Eu não preciso de vocês!", "Não existe assassino", "Vão todos se..."

Antes que ele terminasse de ver o vídeo uma sequências de mensagens de Índia apitou desesperadamente.

"Eu preciso que você venha aqui"

"Espero que ainda tenha juízo"

"Não concorde com a Mara"

"Precisamos nos falar."

Daniel pensou um pouco em o que responder e então digitou.

"EU NÃO POSSO!"

A mensagem foi visualizada mas não ouve resposta. Ele jogou o celular na cama e afundou a cabeça no travesseiro. O assassino sabia sobre seus remédios, deveria saber sobre o psiquiatra, sobre como todos se afastavam dele, quem quer que estivesse por trás da máscara era engenhoso, inteligente e onipresente. Não podia surtar, ele sabia. Precisava ajudar os outros, tinha certeza. Não deixaria ninguém mais morrer.

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A rua estava pacata, era tarde, ninguém estava fora de casa, nem os jovens baderneiros, todos tinham medo de ser o próximo a morrer. Um carro. O capô aberto e a porta do motorista escancarada, havia alguém aprontando algo, havia alguém cortando algo.

Descaradamente se levantou e saiu do carro, se o seu rosto pudesse ser visto, debaixo da máscara de unicórnio, estaria perfeitamente satisfeito. O vento balançou a roupa preta enquanto o unicórnio fechava silenciosamente o capô do carro e batia com cuidado a porta, analisando aquela máquina que logo estaria se tornando uma linda sucata, saiu sem olhar para trás, a pouca luz dos postes que mal funcionam iluminavam a máscara sombria que sorria.

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