Capítulo 89
Na casa de Luísa, a moça disse a Carmem:
- Você pode ir na casa dos pais do Otávio agora? Eu te dou o endereço. Estou bem e consigo dar conta da bebê sozinha.
- Você tem certeza?
Carmem perguntou.
- Tenho.
Luísa respondeu.
- Não é certeza que você vai dar conta de cuidar da bebê, porque isso eu sei que você dá, mas eu quero saber se você tem certeza que sua sogra não vai me receber com um balde de água quente ou um cachorro pitt-bull ou alguma coisa assim.
Carnem disse.
- Que horror! Ela não vai fazer uma coisa dessas com você. Fica tranquila. Só chega lá e conta que a bebê nasceu e convida eles para virem conhecer.
Luísa disse.
- Tá bom. Me deseje sorte, porque pelo visto vou precisar.
Carmem disse.
- Boa sorte, Carmemzinha. Fico te devendo uma.
Luísa disse e Carmem saiu de perto dela. Luísa pegou a filha no colo e disse:
- Oh, meu amorzinho, tomara que seus avós te amem de verdade. Me dói tanto estar sem o seu pai aqui para cuidar da gente.
Minhas esperanças dele voltar um dia estão cada vez menores, mas meu amor só cresce e você estando aqui é o que importa. Uma parte dele que ficou comigo para que a saudade não acabasse comigo.
Luísa disse e de seus olhos caíram lágrimas incontroláveis.
No hospital onde Otávio estava internado, uma enfermeira percebeu que o rapaz mexia as pálpebras:
- Meu Deus.... Doutor.
A mulher gritou na porta e o médico chegou correndo:
- O que houve? O paciente está passando mal?
O homem perguntou assutado.
- Não, doutor... É uma coisa maravilhosa:
Ele mexeu as pálpebras.
A mulher disse sorrindo.
- Como? Você tem certeza disso? Ele está em estado vegetativo a quase um ano e nesse um ano já teve reações parecidas não passaram de espasmos.
O médico disse e abriu os olhos de Otávio forçadamente e com uma lanterna olhou os olhos do rapaz:
- Vou submete-lo a uma nova ressonância para poder ver como estão as atividades celebrais. Da última vez não teve uma única alteração... Eu e os outros neurologistas pensamos seriamente em desligar os aparelhos ou doar os órgãos, mas só podemos fazer isso se algum parente autorizar.
- É muito estranho... Ele chegou aqui em situação saudável, apesar de machucado.
- Eu sei que você não deve se lembrar com exatidão, mas no dia em que ele chegou aqui com o outro funcionário que faleceu quem foi que avisou a empresa que ele travava?
- A Simone. A funcionária que faleceu com câncer.
A enfermeira disse.
- E o pior é que trocarmos de linha então não tem como rastrear.
O médico disse.
- O que nos resta agora é esperar... Esperar que ele acorde um dia ou que alguém por mais difícil seja venha o ver e saiba quem ele é e de onde veio.
A mulher respondeu.
- É, Alanzinho, tá difícil encontrarmos alguém que saiba quem você é e de onde veio, mas não vamos desistir de você e da sua recuperação.
O homem disse e saiu de perto de Otávio. A enfermeira o acompanhou.
Carmem havia chegado na casa dos pais de Otávio:
- Parece que é aqui mesmo.
Ela olhou o endereço que Luísa havia dado.
- Melhor bater na porta do que ficar aqui parecendo uma planta.
Ela disse a si mesma e bateu na porta. Rita a atendeu:
- Bom dia. Em que posso ajudar?
A mulher perguntou.
- Eu só conversar um minuto. Posso entrar?
Carmem pediu.
- Ah, mas é claro.... Que não. Fala logo. Veio fazer cobrança? Eu não tenho tempo para conversa. Estou cheia de coisas para fazer.
Rita respondeu.
- Está bem, me desculpe. Eu prometo que serei breve... Eu vim em nome da Luísa, sua nora....
- Ah, tinha que ser... Vem cá, essa menina não cansa de perturbar não? Já não basta tudo o que fez com meu filho?
Rita perguntou.
- Eu vou ir direto ao ponto, porque já vi que com a senhora não tem como ter uma conversa amigável... A sua neta nasceu e a Luísa me pediu para vir aqui convidar vocês para conhecer a menina...
- A filha do meu Otávinho nasceu? Oh, meu Deus...
- Pois é, nasceu... Mas como já vi que a senhora não faz muita questão de saber disso, né? Foi só isso que vim fazer aqui...
Nesse papel tem o endereço do apartamento da Luísa e eu tenho certeza que ela ficaria muito feliz se vocês fossem lá para ver a bebê... Passar bem.
Carmem disse e saiu de perto da mãe de Otávio e Estevão.
- A filinha do Otávio nasceu... Uma parte dele que ficou aqui para que a saudade não nos matasse de vez..
Por mais que me doa ficar perto dessa menina que fez tudo o que fez com meu filho eu não posso me afastar da menina e também não posso ficar de " cara virada" com a tal Luísa.
Eduarda chegou perto da irmã a tirando de seus pensamentos:
- O que foi? Que cara é essa?
Eduarda perguntou.
- A empregada da ex-namorada do Otávio veio aqui para contar que a bebê nasceu e nos convidando para conhecer a bebê.
- Que maravilha. Agora você é oficialmente vovó. Parabéns.
A irmã disse sorrindo.
- Eu tô com " o pé atrás", sabia?
Rita confessou.
- Porque?
A ex-esposa de André perguntou.
- Eu sei lá. Não conheço essa moça. Não sei o que ela quer com essa aproximação. Se ela "jogar" eu e Mário na justiça vamos ser obrigados a pagar pensão e você sabe muito bem que não temos dinheiro para isso.
A mãe de Estevão e Otávio disse.
- Rita, eu já disse uma vez e vou falar mais uma:
Essa moça é rica. Ela não precisa de dinheiro. Não precisa de pensão. O problema está em você.
Me desculpa, mas essa é a verdade por mais que você não adimita.
- Em mim? Fui eu que não fiz nada para que Otávio não fosse nessa maldita viagem?
Fui eu que abaixei a cabeça e deixei que meu papaizinho fizesse o que queria?
Acho que não.
- Rita, pelo seu bem, pelo bem dessa bebê e em respeito a memória do seu filho desgarra esse disco um pouco.
Por mais que você não admita, você sabe muito bem que essa moça não teve culpa de nada do que aconteceu com o filho.
O próprio nome já diz:
Acidente. Aconteceu. Não tem mais o que fazer.
- Olha aqui, a sua filha morreu por causa de uma pessoa que nem mesmo a amava e eu não te criticaria se reconhecesse isso.
Só eu sei a dor que me acompanha durante todo esse tempo. A minha vida acabou. Você entende? Acabou.
Nenhuma mãe merece passar pelo que eu passei. Saber que meu filho morreu e nem um velório digno poder dar para ele. Não ter um túmulo para levar flores ou rezar. Tudo isso aconteceu porque o Otávio se apaixonou e ficou " cego " de amor por essa moça e tem mais:
Se fosse o contrário eu divido que os pais dela perdoariam ele. Eu tenho todo o direito de me chatear.
A irmã disse.
- Eu sei. Me desculpa. Eu não devo julgar. Se fosse a Nicole com o Mathhas, acho que faria o mesmo. Eu queria falar uma coisa com você, mas quero que
se chateie.
- O que?
A mãe de Estevão e Otávio perguntou.
- Eu vou pegar o Andrezinho e ir embora.
- Quê?
Rita perguntou sem acreditar.
Gostou do capitulo? Não se esqueça de comentar e deixar seus votos. Obrigada por ler até aqui.😍
Instagram @samira_rocha_books
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top