Capítulo 81
Pedro e Cecília olharam para a filha assutados:
- Meu Deus do céu, minha filha. Faz tempo que você está aí?
Pedro perguntou.
- Tempo... Tempo suficiente. Que história dessa de eu não ser sua filha?
Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
Luísa perguntou com a voz embargada.
- Eu... Eu falei sem pensar, minha filha. Não leve isso em consideração. Falei sem pensar.
Pedro pediu tentando acalmar a moça.
- Mãe... Isso é verdade? Por favor, seja sincera.
Luísa pediu.
- Luísa, nós temos muitas coisas para conversar, mas é importante que você saiba que apesar de tudo nada entre nós vai mudar.
- Eu... Eu não quero ouvir mais nada. Eu tenho que ficar sozinha.
A filha disse e antes que desse dois passos desmaiou:
- Meu Deus! Luísa fala comigo.
Cecília gritou.
- Gritar não vai adiantar nada. Nós temos que levar ela para o hospital.
A mulher não disse nada e junto com o marido levou a filha para um hospital e ao chegando lá ela foi rapidamente atendida:
- Ela precisa de uma transferência urgente para uma maternidade. Ela já entrou em trabalho de parto.
Um obstetra disse após avaliar Luísa.
- Eu pago o que for preciso para que ela seja transferida para a melhor maternidade dessa região.
Pedro disse e um tempo depois Luísa acordou com fortes contrações:
- Ahh! Mãe, tá doendo muito.
Ela disse ao ver Cecília do seu lado na ambulância.
- Olha só meu amor, fica calma.
Cecília pediu e um tempo depois já na maternidade Pedro ouviu o choro da bebê.
A filha de Luísa e Otávio havia nascido...
- Minha netinha.
Ele disse a si mesmo e sorriu.
Enquanto isso em outra cidade longe dali, um enfermeiro havia acabado de dar banho em Otávio e o observava:
- Pobre rapaz, mais de dez meses inerte em cima dessa cama... Parece ser tão jovem... Tomara que um dia acorde.
Um médico chegou na porta do quarto:
- Continua sem reação?
Ele perguntou.
- Sim senhor. A única reação que teve desde o dia em que deu entrada foi mexer a pálpebra algumas poucas vezes, mas como o senhor mesmo desse é um espasmo.
O enfermeiro respondeu.
- O que mais me impressiona são as condições que ele se encontra no geral:
Sem perca de peso, taxas excelentes, peso normal.
Acredito muito na recuperação dele.
O homem disse.
- Eu também, doutor. Acho que todos nós. É de Alan que chamaremos ele, né?
O homem perguntou.
- É sim. Pelo menos até saberemos o nome real. Não pode ser tratado como um indigente.
- Verdade.
O outro respondeu. Na maternidade, um tempo após o parto, a filha de Luísa e Otávio foi levada até a mãe:
- Com licença. Como estamos?
Uma enfermeira perguntou simpática.
- Feliz, ansiosa para poder pegar minha bebê.
Luísa confessou.
- Já tem nome?
A mulher perguntou.
- Sim. Mariana. O pai dela gostava muito desse nome.
A filha de Cecília disse.
- Entendi. Seus pais estão ali fora. Vou deixar eles entrarem, mas não por muito tempo. Você não pode conversar muito se não pode ter gases e desconfortos.
A enfermeira explicou.
- Entendi. Tudo bem.
Luísa respondeu e a moça saiu de perto dela. Ao chegar perto do obstetra que realizara o parto perguntou:
- A paciente Luísa Furtado já pode receber visitas?
- Sim, mas não por muito tempo.
O homem respondeu.
- Ok. Vou passar as instruções, doutor. Com licença.
Ela pediu e saiu de perto do homem indo até omde os pais de Luísa estavam:
- O médico autorizou a entrada de vocês dois no quarto, mas pediu que não permaneçam por muito tempo.
- Ótimo!
Cecília disse e junto com o marido e a enfermeira foi até o quarto onde a filha estava:
- Com licença.
A moça pediu entrando na porta do quarto.
- Pode entrar.
Luísa permitiu.
- Na verdade são seus pais que estão aqui.
A mulher explicou.
- Entendi.
A moça respondeu.
- Oi, Filha. Tá tudo bem?
Cecília perguntou.
- Tá. Só vieram vocês dois? Cadê o Henrique?
A filha de Cecília perguntou.
- Nós prefirimos não preucupar ele. Não contamos nada.
A mãe respondeu.
- Ah, mas é típico de vocês dois não querer preucupar ninguém com nada. Vivem para esconder as coisas de tudo e de todos.
Luísa disse.
- Tava demorando.
Pedro comentou.
- Estava, pai. Estava mesmo ou será possível que você cogitou que eu esqueci o que escutei. O que quero saber é só a verdade.
O que você disse é verdade ou disse aquilo de cabeça quente? Por favor, eu vou pedir mais uma vez que sejam sinceros comigo porque eu não aguento mais essas mentiras.
Luísa confessou.
- Claro que eu disse aquilo de cabeça quente. Você chegou no meio de uma descussão. Não é possível que não saiba que em situações assim a gente faz coisas sem pensar.
Pedro respondeu.
- Entendi. Espero mesmo que esteja falando a verdade porque eu não aguento mais essa mania que vocês dois tem de esconder as coisas de mim.
A moça respondeu e o casal não disse nada o que deixou um clima estranho entre os três.
- Ela lembra muito o Otávio.
Cecília disse olhando para a neta.
- Eu sei. Também acho... Só de pensar que ele nunca vai ver ela... Me doi tanto.
Luísa disse e começou a chorar.
- Filha, não fique assim. Não perca as esperanças. Quem sabe um dia ele não volte? Você não pode perder a fé se é isso que você tanto quer.
Cecília disse.
- Alimentar essa fé está me deixando frustrada, abatida, triste. Se Otávio estivesse vivo já teria voltado ou já saberíamos algo sobre o paradeiro dele.
Aceitar que ele não vai mais voltar foi difícil demais, mas pior ainda vai ser alimentar a esperança em um dia que talvez nunca chegue.
Luísa disse.
- Mesmo que ele não volte, não se esqueça que você tem a nós, tem o seu irmão, tem até a família dele que apesar de tudo eu duvido que não vá te auxiliar ou pelo menos dar um pouco de amor a sua filha.
Pedro presumiu.
- A família dele me odeia, pai - e com razão - no dia em que fui conhecer eles a mãe dele me disse que ele estava abrindo mão de coisas demais para poder ficar comigo. - coisas essas que ele demorou demais para conseguir, segundo ela. - ele largou tudo. Tudo mesmo. Inclusive o sonho dele por causa de mim.
Se eles me odeiam eu não tiro a razão deles.
Luísa disse.
- Você acha mesmo que por supostamente te odiar eles vão renegar a menina?
O pai perguntou.
- Não sei. E sinceramente nem sei se quero que eles saibam que ela nasceu. Não fizeram questão de uma única visita durante a minha gestação... Isso por si só já mostra que não querem saber dela.
A filha respondeu.
- Eu sei que te devo muitas desculpas... Se não fosse por mim e essa minha neurose nada disso teria acontecido.
Mas eu fiquei louco. Não queria que você passasse pelas humilhações que passou com Mathias uma segunda vez.
Mas essa minha desconfiança descompensada custou um preço alto demais. Preço esse que infelizmente você e ele pagaram.
Me perdoa, minha filha.
Pedro pediu.
- Você não tem que pedir perdão para mim, afinal de contas isso não vai mudar mais nada. O que aconteceu, aconteceu. Agora tudo que me resta é olhar para frente e criar a minha filha.
Luísa disse.
- É isso, meu amor. Por mais que doa começar de novo você não tem outra escolha.
Cecília disse.
- Eu sei disso, mãe... É por isso que eu tomei uma decisão e eu não estou pedindo permissão para vocês... Apenas quero que respeitem.
Assim que meu resguardo acabar eu vou ir embora do país.
Luísa disse.
- Quê?!
Os pais perguntaram em uníssono sem acreditar no que a moça dizia.
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Obrigada por ler até aqui.
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