Capitulo 80

Na casa de Rita, Mário havia chegado do trabalho e percebeu como a casa estava em completo silêncio:

- Depois da morte do Otávio e da Nicole essa casa ficou parecendo uma casa fantasma.

Ele disse a si mesmo. Rita chegou perto do marido o assustando:

- Credo. Parecendo uma assombração.

O homem ironizou.

- Assombração eu vou virar quando o Estevão for embora. E saiba você que a culpa será toda sua.

A mulher respondeu.

- O Estevão continua querendo chamar a atenção?

O marido perguntou.

- Chamar a atenção não. Ele está aborrecido e com razão. Onde já se viu não o apoiar em um momento tão difícil como esse?

Rita perguntou.

- O que quer dizer com apoiar? Virar para ele e dizer que ele está livre para usar tudo enquanto há de porcarias? É isso que você e Eduarda chamam de apoio?

Mário perguntou.

- Perguntar e procurar entender os motivos dele fazer isso já é um bom começo.

A esposa respondeu.

- Se você quer defender ele mesmo estando errado, o problema é seu. O meu aviso eu já dei:

Se ele quiser virar vagabundo, o problema é dele, mas que vire bem longe daqui.

Mário disse e saiu de perto da esposa. Enquanto isso, Pedro chegou no hospital e viu como Iago estava aflito:

- Eu juro que não tive culpa, doutor. O menino entrou na minha frente de uma vez e não deu tempo de frear.

- Olha só, calma, tá? Eu vou ver o que posso fazer. Tudo dará certo. Fique tranquilo.

O homem pediu e os dois ainda estavam conversando quando Paola chegou perto deles:

- Quanto tempo mais o meu filho vai ter que esperar em uma enfermaria de quinta categoria?

Eu exijo que pague um apartamento para ele. O mínimo que você pode fazer é proporcionar conforto para ele e não ficar com essas desculpas esfarrapadas.

A mulher disse irritada.

- Calma, dona. Me desculpa, mas eu não tenho dinheiro para bancar a diária de um apartamento.

O homem tentou explicar.

- Se vira.

A mãe de Caio respondeu grosseiramente.

- Mas, moça...

Pedro interrompeu o homem:

- Deixa, Iago. Eu pago as diárias do apartamento já que ela faz tanta questão.

- Finalmente o senhor se mexeu, né doutor? Lembre-se que não se trata apenas do meu filho, mas do filho do Henrique também e sendo assim o senhor tem muitas obrigações com ele.

Paola disse.

- Filho que você diz que é dele, né? Ele próprio disse que você confessou que o menino era de outro homem e tem mais:

Esse menino não se parece em nada com o Henrique.

Pedro disse.

- Ele é parecido comigo e tem mais:

Eu não sei o porquê fica dando ouvidos às asneiras que Henrique diz. Sem medicamentos ele não tem o mínimo controle de si próprio. O senhor goste ou não, essa é a verdade.

A mulher disse com desprezo.

- Você é quem pensa. Meu filho nunca esteve melhor. Sem aquelas coisas que o envenenaram, mas que no seu "mundinho" eram medicamentos.

O pai de Henrique respondeu.

- Ok. Se quer perder tempo dando ouvidos a Henrique, o problema é do senhor. A única coisa que me importa agora é um apartamento para o meu filho e uma enfermeira particular. Eu preciso me organizar e participar do velório e enterro da minha mãe.

Paola respondeu.

- Quanto à isso não tem com o que se preocupar. A enfermeira estará aqui ainda hoje e será uma pessoa de minha confiança.

O pai de Henrique disse e adentrou o hospital para conversar sobre os custos do apartamento onde o filho de Paola se instalaria. Um tempo depois, após voltar para casa, o homem chamou o filho para conversar:

- O... O que foi?

Henrique perguntou.

- Filho, olha só, eu preciso que você fique calmo, mas... Aconteceu um acidente com o filho da Paola.

O homem disse.

- Com... Com o Caio? Com o meu filho?

O rapaz perguntou em desespero.

- Calma. Fica calmo, tá bom? Tá tudo bem com ele. Ele está sendo assistido pelos melhores pediatras. Não tem com o que você se preocupar.

O homem disse tentando acalmar o ex-namorado de Paola.

- Eu quero ver ele.

Henrique falou.

- Não, meu filho. Melhor não. Quanto menos contato você tiver com essa mulher é melhor.

O pai respondeu.

- Você... Você não está entendendo... Eu preciso ver o meu filho e saber que ele está bem.

Henrique insistiu. Pedro disse a si mesmo em pensamentos:

- Meu Deus, como vai ser isso?

Mas então se lembrou de um trecho da conversa que tivera com Paola:

Flashback on:

A única coisa que me importa agora é um apartamento para o meu filho e uma enfermeira particular. Eu preciso me organizar e participar do velório e enterro da minha mãe.

Flashback off:

- Eu já sei o que vamos fazer para que você não encontre Paola.

Pedro disse e o filho ficou sem saber o que ele faria. Cecília estava em seu ateliê criando alguns disignes quando seu celular tocou. A mulher estranhou ao ver o nome da mãe no visor:

- Minha mãe? Será que aconteceu alguma coisa?

Ela se perguntou e atendeu o celular:

- Oi, mãe. Tá tudo bem?

Ela perguntou.

- Comigo sim, mas com a Neide não.

A mulher respondeu.

- O que houve? Ela pediu demissão?

Cecília perguntou.

- Ela já não andava bem de saúde nos últimos dias e eu soube que ela faleceu hoje.

Ruth disse.

- Meu Deus do céu. Que tragédia.

Cecília disse assutada.

- Também não é caso para tanto. Era só uma empregada e todo mundo vai morrer um dia.

A mulher disse com desprezo.

- Ok. Qual foi o motivo da sua ligação?

Cecília perguntou impaciente.

- Com a morte repentina da Neide eu estou sem opções de empregados. Vou ir pasasr um tempo na sua casa até arrumar outra empregada.

A mãe de Cecília comunicou.

- Como assim vai vir passar um tempo aqui? Assim do nada?

Cecília perguntou assutada.

- Claro. A morte não avisa quando vai chegar. Ou será possível que quando eu mais preciso você não estará disponível para me ajudar?

Ruth perguntou.

- Não, mãe. Calma. Eu vou conversar com o Pedro, mas fique tranquila. Tudo dará certo.

A mãe de Luísa e Henrique disse.

- Acho bom. Até mais ver.

A mulher se despediu e desligou o telefone. Cecília ficou pensativa:

- Ah, meu Deus, a minha mãe e o Pedro no mesmo lugar não vai dar nada certo. Eu Tenho que dar dar um jeito nisso.

A mulher disse a si mesma e saiu do ateliê.

- Eu tenho que falar com você.

Pedro disse.

- O que houve?

A esposa perguntou.

- Aconteceu um acidente. O Hiago atropelou o filho da Paola.

O homem respondeu.

- Ah, meu Deus. O Henrique sabe?

Cecília perguntou preucupada.

- Sabe. Eu contei para ele. Não vi motivos para esconder.

O marido respondeu.

- E ele?

A mãe de Luísa perguntou.

- Ficou super preucupado, é lógico.

Pedro respondeu.

- Era melhor você não ter contado nada. Você sabe muito bem que é capaz dela não deixar ele ver o menino.

Cecília disse.

- Ela não vai estar com ele hoje a noite. A mãe dela morreu e ela pediu uma enfermeira para poder cuidar dos preparativos para o velório.

Pedro disse.

- Eu também tenho uma coisa para falar com você.

A esposa comunicou.

- O que?

O homem perguntou.

- A minha mãe pediu para passar uns dias aqui. A empregada dela faleceu e ela pediu para ficar aqui até arrumar outra.

A mãe de Luísa e Henrique disse.

- Tudo bem. Se você quer receber aqui tudo bem. Assim que ela chegar, minhas malas já vão estar prontas para ir para um hotel.

O homem respondeu.

- Clama, Pedro. Não precisa disso. Essa casa é enorme. Tem dez quartos com banheiro independente. Eu não vejo motivos para você ir para um hotel. Que richa é essa que você e minha mãe têm um com o outro?

Me explica. Coloca em palavras.

Cecília pediu.

- Eu já coloquei. Sua mãe não gosta de mim porque seu pai não gostava. Não gosta do Henrique porque ele é meu filho.

Olha a diferença com a qual ela trata a Luísa...

A namorada de Otávio chegou na casa sem ser notada pelos pais.

- Agora vou descobrir os motivos das brigas entre esses dois.

Ela disse a si mesma.

- De novo com essa história?

Cecília perguntou.

- Talvez mexer na ferida te faça entender que no fundo nunca teve uma mãe.

Mãe de verdade jamais pagaria um abusador para fazer o que aquele homem fez com você.

Pedro disse.

- A Luísa não ia existir se não fosse por isso.

A filha de Ruth disse.

- Como sua mamãezinha mesmo disse Luísa é a vitória viva deles e tudo porquê?

Porque ela não é minha filha.

- Como é que é?

Luísa perguntou com os olhos cheios de lágrimas chegando preto dos dois.

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