Capítulo 75

- Calma, meu filho. Eu só te contei isso porque não acho justo você ficar se martirizando, achando que sua avó não gosta de você por algo que você fez ou que você tem, quando na verdade o ódio dela não se resume em nada disso.

Foi difícil demais remexer nesse passado, difícil contar para o seu pai e mais difícil ainda vai ser quando tiver que contar para a Luísa.

Cecília disse e lágrimas caíram de seus olhos.

- Mas, mãe, você...

A mulher interrompeu o filho:

- Eu sei o que você vai perguntar e não... Eu não traí o seu pai, meu filho...

A sua avó pagou um homem para abusar de mim, porque na cabeça dela eu deveria "pagar" pela morte do seu avô.

A mulher disse.

- Como vo... Você ainda chama esse demônio de mãe?

O rapaz perguntou.

- Oh, meu filho, não fala assim... Eu sei que o que ela fez beira o imperdoável, mas sei lá... Por mais que eu tente, não consigo sentir ódio.

Cecília respondeu.

Você tem um... Coração muito bom... Talvez ela tenha inveja por... Porque no lugar do coração dela tem uma pedra.

Henrique disse.

- Talvez, meu filho. Nós nunca vamos poder saber.

A mãe do rapaz disse.

- Mã... mãe, você sabe quem é o pai da Lu? Tipo, se você ver ele, você o reconhece e sabe o... O nome dele?

O ex-namorado de Paola perguntou.

- O nome dele é André Romantini.

Cecília respondeu.

- Entendi.

- Mas agora vida que segue. Nada que eu fizer vai mudar o passado...

Cecília disse ao filho que passou o resto do dia pensando no assunto, cabisbaixo, imaginando como Luísa reagiria quando soubesse que não era filha de Pedro:

- Tadinha da Lu... Vai ficar tão triste... Quando souber de... De tudo...

O pai do rapaz chegou perto dele e perguntou:

- Com o que sua irmã vai ficar triste, meu filho?

- Nã... Não. Nada não.

Henrique disse tentando desfaçar.

- Tem certeza?

Pedro perguntou desconfiado.

- Tenho sim.

O filho respondeu.

- Sei... Não tem nada haver com a sua avó não, né?

- Nã... Não. Quer dizer: mais ou menos.

O rapaz respondeu.

- É ou não é, meu filho. Fala direito. Parece que de uma hora para outra ficou com vergonha de mim. Pode falar. É sobre o filho da Paola?

O marido de Cecília perguntou.

- Não... É sobre a mamãe e a Lu.

Henrique respondeu e o pai já sabia onde ele queria chegar:

-Ah, a sua mãe já te contou, né?

Pedro perguntou.

- Contou... E ela deve ter sofrido muito todos esses anos.

O rapaz lamentou.

- Sofreu porque quis. Porquê não confiou em mim e no que sinto por ela.

Pedro disse sem olhar nos olhos do filho.

- Ma... Mas pai, você já parou para pen... pensar o quamto ela deve ter sofrido todos esses anos com esse segredo? Ela deve ter ficado com medo de te magoar.

Henrique disse.

- Eu sei, meu filho, mas não se preucupa, tá? As coisas vão melhorar.

Pedro disse, deu um beijo na testa dele e saiu de perto do filho.

No dia seguinte, era cedo quando Paola chegou na casa da mãe que se chamava Neide:

- Oi, filha.

A mulher cumprimentou com um semblante cansado.

- Oi, mãe. O que houve? Que cara é essa?Parece que não dormiu.

A mulher reparou.

- Filha, o Caio passou mal a noite toda com febre e vômito. Te chamou o tempo inteiro e queria que eu fizesse você voltar a qualquer custo.

Passei a noite com ele no hospital tomando soro. O médico disse que pode ser psicológico porque não tem nada no estômago dele que possa ter feito mal.

Eu acho que era saudade de você.

Neide disse.

- Isso é falta de chinelada, isso sim. Você mima demais esse menino, mãe. Que necessidade tinha de levar ele ao médico? Era só dar um chá. Você não sabe fazer vários? Então porque não usa isso ao seu favor?

Meu Deus do céu... Você motiva os dramas dele, por isso tá crescendo mimado desse jeito.

Paola disse.

- Um filho sente falta da mãe só porque é mimado? Que lógica é essa? Ele sente sua falta porque te ama e você quer saber de uma coisa? Agora que você falou o que queria eu também vou falar:

Você não está fazendo por onde merecer esse amor.

Some, deixa o menino sozinho comigo para fazer sei lá o que...

E tem mais: Cadê o pai desse menino? Porquê é outro que nem se quer manda um centavo para comprar um litro de leite para ele... Se não fosse por mim eu não sei o que seria dele.

A mãe de Paola disse.

- O pai dele está passando por uma fase difícil e você sabe disso.

A mãe de Caio respondeu.

- Fase difícil porque deve ter feito por merecer. É raro uma pessoa que fica na cadeia por injustiça.

- O Douglas tá lá por burrice. Nem para arquitetar um latrocínio direito não serve.

Paola disse.

- La... Latrocínio? Com que tipo de pessoa você se envolveu a final de contas? Quem é esse cara?

A mãe da moça perguntou assustada.

- É o tipo que não se contenta com as migalhas que a vida de pobre proporciona.

Claro que isso custou alguns anos de reclusão dele, mas não importa desde que tenhamos uma vida boa no futuro.

Paola disse.

- Vida boa a gente proporciona com trabalho digno, suor, garra e não com vagabundagem.

E uma coisa eu te digo:

- Se você quer detonar a sua vida andando com gente tão mal-carater ou mesmo se tornando uma o problema é seu.

A única coisa que te digo é: o preço por essa vida é alto e se eu fosse você não pagava para ver não.

Não foi essa a educação que eu te dei. Você sempre foi cercada rosas de boa índole e eu juro que por mais que tente entender eu não consigo achar um motivo plausível para você ter se envolvido com uma pessoa tão ardilosa como esse tal de Douglas.

A mãe de Paola disse.

- Quem é você para falar dele? Por acaso o conhece? Eu acho que não, né?

Ele sim me faz feliz. Feliz como eu nunca fui em toda a minha vida.

A culpa não é minha se você se contenta com migalhas.

A vida toda morando numa casinha chucra e pagando um aluguel absurdo.

Eu cansei de ver você fazendo bico para ter o que comer...

Eu não quero isso para o meu filho. Quero dar bem-estar, laser e edução do jeito que ele merece e não o que " der" para oferecer.

A mulher respondeu.

- Tudo o que você falou é verdade, minha filha... Eu trabalho muito para ganhar pouco, eu não moro em nenhuma cobertura de luxo, nas uma coisa eu te digo com toda convicção do mundo:

Melhor ser pobre e digno do que rico bandido.

A mulher respondeu.

- Bandido não, esperto, e a verdade é que o mundo é deles, dos espertos.

Paola disse.

- Vem cá, você pretende se casar com esse cara?

A mãe perguntou.

- Lógico. Assim que ele sair da prisão eu vou me casar, pegar o meu filho e sumir da sua vida... Assim, tanto eu quanto você vamos ter paz.

Paola disse.

Ah, mas se você acha que vai tirar o Caio daqui de onde ele está seguro e feliz para dividir lar com um bandido está muito enganada.

- Eu não sei se você se lembra, mas a mãe dele sou eu. Se eu quiser sumir com ele, eu sumo e você não vai poder fazer nada.

- Ah, mas é aí que você se engana... Por mais que me doa muito para manter Caio seguro, eu sou capaz de fazer qualquer coisa, até mesmo te entregar para o conselho tutelar... Ou você acha que eu já me esqueci do dia em que viajei e você teve coragem de deixar ele sozinho, trancado dentro de casa mais de três horas?

- Você não tem coragem para isso.

A filha disse.

- Ah, mas eu tenho. E você não ouse pagar para ver.

A mãe de Paola disse e a filha saiu de perto dela indo até o quarto onde o filho estava.

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Obrigada por ler até aqui. 🌛❤️

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