Capítulo 71

Paola estava em casa com o filho:

- Que saudade do seu pai, meu filho... Era para ele estar do nosso lado te vendo crescer e cuidando da gente.

Quanto tempo mais será que ele vai ter que ficar naquele inferno?

E esse advogado que só faz me enrolar e fazer gastar dinheiro...

Paola parou de falar e começou a reparar em Caio:

- Os traços dele estão a cada dia mais parecidos com o Henrique... Não pode ser... O Douglas nunca vai me perdoar se esse menino não for filho dele... Isso não pode acontecer.

Se bem que não seria de todo mal poder tirar uma " casquinha" daquela dinheirama toda que a família dele tem...

Eu finalmente vou ser rica... Finalmente vou sair dessa vidinha medíocre.

Ela disse a si mesma.

- Vou voltar naquela clínica e caso aquele doutorzinho se negue a autorizar minha entrada, eu tiro Henrique de lá e sumo do mapa com ele.

Paola disse e o filho a chamou:

- Mamãe?

- Oi.

Ela respondeu.

- Por que o Caio não tem papai?

O menino perguntou.

- É... É claro que o Caio tem papai.

A mulher respondeu com o coração disparado.

- E cadê ele?

O menino perguntou.

- O papai fazia coisas muito feias, sabe? Aí um dia ele foi embora e deixou você e a mamãe aqui sozinhos.

Paola disse.

- E qual é o nome do papai do Caio?

É papai o quê?

- Papai Henrique.

A mulher respondeu.

- E o papai Henrique era malvado?

O menino perguntou.

- Era, meu filho... Ele era muito malvado, mas você não precisa se preocupar com isso, sabe por que?

Paola perguntou.

- Não.

Caio respondeu inocente.

- Por que daqui alguns dias você terá um papai muito mais legal do que o papai Henrique....

A gente vai ter uma casa e vamos morar com ele.

A mulher disse.

- Mas eu gosto de morar com a vovó... Ela é legal.

Caio respondeu.

- Mas vamos morar com seu novo papai... O papai Douglas... Ele é muito mais legal do que o Henrique.

- Deixa eu ver uma foto do papai Henrique?

O garoto pediu e Paola mostrou:

- Que fofinho.

A criança elogiou.

- Ele não é fofo, meu filho... Ele é maldoso.

A mãe do garoto respondeu.

- E o outro papai?

- O outro papai vai ser o seu herói... E ele é muito mais bonito e muito mais legal do que o chato do Henrique...

Esse aqui é ele:

Paola disse e mostrou uma foto de Douglas:

- Esse papai é muito feio. Gostei mais do papai Henrique... Quero que ele seja meu herói.

- Mas o seu papai vai ser o Douglas... Eu acho que a gente nunca mais vai ver o Henrique de novo.

- Por que?

Paola perguntou.

- Por que o Henrique mora muito longe, mas se você quiser, daqui uns dias eu levo você para ver ele... Mas só uma vez, tá bom?

Paola disse.

- Tá bom.

O menino respondeu.

- Não faço nem ideia de qual dos dois seja o pai dele...

Se esse garoto for filho do Henrique o Douglas vai surtar.... Ele nunca será capaz de me perdoar...

Mas por outro lado, se isso acontecesse eu estaria com a vida feita.... Aquele velho vai sustentar a mim e ao Caio pelo resto da vida com tudo do bom e do melhor... Eu vou atrás dele.

Ela disse e foi até o quarto onde dormia, pegou algumas roupas e itens de uso pessoal:

- Onde você vai?

A mãe da moça perguntou.

- Vou precisar sair. Volto só amanhã.

Paola respondeu.

- Sair para onde? O que está acontecendo?

A mãe perguntou.

- Eu tenho que cuidar da minha vida. Só isso.

A mãe de caio respondeu em uma grosseria.

- Não precisa disso também... Só perguntei. Eu cuido desse menino mais do que você que é a mãe.

- Vou lá me despedir dele.

Paola disse e foi até a sala onde o filho brincava:

- Meu amor, a mamãe vai precisar sair, tá bom?

- Quando você voltar a gente vai brincar, né?

O menino perguntou.

- Eu não volto hoje, meu filho. Só amanhã.

A mulher respondeu.

- Por que?

O menino perguntou.

- Por que eu vou ter que ir para longe, mas amanhã quando eu voltar vou trazer um presente para você.

Paola disse.

- Eu vou sentir saudade de você, mamãe.

Caio disse inocente.

- Eu também, meu amorzinho, mas eu preciso ir.

Paola disse e saiu de perto do filho. Pegou um ônibus e foi até a clínica onde outrora internara Henrique:

- Bom dia, senhora.

O segurança cumprimentou.

- Bom dia. Eu gostaria de falar com o doutor Masxuel... Ele não pode me privar de ver o Rodrigo.

A mulher disse.

- Ele disse que se quisesse questionar algo poderia ir até a sala dele.

O homem respondeu.

- É o que eu vou fazer... Isso não tem cabimento. Faça-me um favor, né?

Paola disse e foi até a diretoria da clínica.

- Entre.

Masxuel permitiu ao ouvir um bater em sua porta.

- Eu vou ir direto ao ponto...

O diretor interrompeu a mãe de Caio:

- Calma, dona Paola... Vamos fazer um exercício de respiração para a senhora se acalmar... É assim, respira pelo nariz e solta pela boca... Quer um copo de água com açúcar?

O homem ofereceu.

- Quero, mas não para beber e sim para jogar na cara do senhor.

Paola disse.

- Muito bem. Vejo que não tem como usar gentileza com a senhora. No que posso ajudar?

O homem perguntou.

- Não se faça desentendido.... O senhor sabe muito bem qual o motivo...

Eu quero saber até quando o senhor vai manter essa posição ridícula de proibir as minhas vistas...

Eu sou a namorada dele. Sou a única pessoa que ele tem.

Paola disse.

- Aí é que a senhora se engana... O Henrique tem família... Não sei se a senhora se lembra, mas aquele dia em que a senhora chegou aqui fazendo escândalo a irmã dele estava aqui.

O homem lembrou.

- Quem te garante que aquela mulher estava falando a verdade?

Sabe quando ela foi na casa que eu e Henrique morávamos? Nunca.

Que tipo de irmã é essa que não visita o próprio irmão?

E não é só ela. Nem os pais dele iam lá.

A namorada de Douglas tentou justificar.

- Eu não precisei de confirmação, sabe porquê?

Porque era visível a alergia dele ao ver aquela moça... O jeito como ele abraçou ela e disse que estava com saudades... Não precisei de confirmação maior do que o choro daquela mulher.

Masxuel disse e Paola começou a bater palmas:

- Que lindo. Comovente... Deve ter sido uma cena digna de filme, não é mesmo, Doutor?

Pois fique bem claro, caso o quadro do Henrique piore ou mesmo estaguine a culpa será toda do senhor.

Paola disse.

- Eu sou profissional, senhora. Eu prezo pela qualidade de vida e pelo bem-estar dos meus pacientes, mesmo que eles não precisem tanto assim de mim...

O médico disse.

- Eu posso pelo menos ver o Henrique? Mesmo que seja de longe... Ele precisa saber que eu estou aqui.

A mulher disse.

- Eu lamento, mas ele não está mais aqui... Os pais o levaram para casa a uns dias atrás...

O homem disse.

- E por que o senhor está me fazendo perder tempo aqui ao invés de falar logo o que está acontecendo?

Paola perguntou irritada.

- A senhora não pediu em momento nenhum para ver ele, pelo contrário, a Senhora veio questionar o motivo de não poder o ver. Tem uma diferença muito grande.

Masxuel respondeu.

- Que seja. O meu aviso está dado, o senhor será responsável por tudo o que acontecer com ele.

- A sua fala não me intimida. Eu não colocaria Henrique ou a qualidade de vida dele em risco.

Agora se o senhor me der licença, eu tenho muitas coisas para fazer. Tenha um bom dia.

Masxuel disse e Paola saiu de perto dele furiosa.

Eu precisava falar com Henrique. Agora com a família barrando vai ficar impossível, mas por outro lado, Henrique jamais vai se opor em ver o menino e ele não se opondo ninguém poderá ficar no meu caminho.

Paola disse e saiu de Rio Azul indo até a cidade onde a família de Luísa morava, que ficava a cinco horas dali pensando consigo mesma:

- Finalmente ter seduzido aquele meloso do Henrique vai valer a pena...

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