Capítulo 35

Otávio foi até o quarto de Pedro para lhe contar que aceitaria sua proposta:

- Pode entrar!

Permitiu Pedro que estava sozinho ao ouvir as batidas na porta de seu quarto:

- Eu pensei que dona Cecília estivesse aqui com o senhor.

Otávio confessou.

- Ela saiu, e isso é bom... Você já tem uma resposta para me dar?

Pedro perguntou:

- Tenho.

Otávio respondeu.

- Eu vou aceitar sua proposta.

O rapaz comunicou.

- Ah, que ótimo. Fico contente com isso.

Pedro comemorou.

- Mas, então... Eu espero que o trabalho não interfira na minha rotina de faculdade... Não sei se o senhor sabe, mas, eu sou bolsista, não posso perder nada.

Pedro olhou para ele e começou calmamente:

- Então rapaz, eu imagino que você saiba que na vida, para conseguirmos algumas coisas, temos que abrir mão de outras...

- Sim eu sei... Abri mão da metade da minha adolescência para trabalhar e pagar minha própria escola.

Otávio revelou.

- Então... Agora, para conseguir o trabalho que eu vou lhe ofertar, você vai ter que abrir mão da sua faculdade, pelo menos por enquanto.

- Quê?!

Ele perguntou sem querer acreditar.

- Eu lutei demais para conseguir essa bolsa, não posso jogar tudo para o alto de uma hora para a outra.

- Infelizmente o único setor que tem vaga agora é o de transporte. Você sabe dirigir, né?

- Sim, sei mas...

Pedro o interompeu:

- Então ótimo.... Não vai precisar perder tempo com treinamento. Sua carta de habitação está em dia?

- Sim mas...

Ele foi novamente interrompido por Pedro:

- Então está tudo certo... É só passar na empresa e aceitar tudo. Alguma pergunta?

- Será que eu não poderia trabalhar na empresa e não no transporte? Não é só pela Luísa, é pela minha família também.

- Você consegue administrar?

Pedro perguntou.

- Não!

Otávio respondeu frustrado.

- Então é isso... Você vai se dar muito bem no cargo que te dei... Não se preucupe com a faculdade, assim que possível você volta e não vai precisar pagar as mensalidades se perder a bolsa, pode deixar que eu mesmo pago, já que é por mim que vai parar os estudos.

- Ah, tudo bem!

Otávio respondeu.

- Eu posso pedir uma coisa?

O genro de Pedro pediu se lembrando que ajudaria Luísa a ir para a clínica onde Henrique estaria internado sem que os pais da moça desconfiassem.

- Peça!

Pedro permitiu.

- Será que o senhor pode deixar a a Luísa ir visitar os meus avós amanhã?

- A Luísa já é maior de idade, não precisa me pedir permissão para fazer nada disso... É a sua família, é claro que ela pode conhecer.

- Bom, é que eles moram a cinco horas daqui mais ou menos, então ficaríamos fora o dia todo.

Ele alertou.

- Eu peço para Iago levar ela.

- Não, não, é melhor não... É melhor a gente ir de busão mesmo.

- Como é que é? O que é busão, meu filho?

- Ue, ônibus... O senhor não sabia não?

Otávio perguntou.

- Ah tá, entendi.

- Mas, mesmo assim eu prefiro que o Iago os leve.

- O senhor sabe o que? É que andar com aquele carro chique pode despertar o interesse de ladrões... Já no ônibus é mais tranquilo.

- Desde quando?

Pedro perguntou.

- Ônibus são assaltados todo dia.

Pedro reparou.

- Eu ainda acho mais seguro o busão mesmo.

- Tá, a gente vê isso com Luísa e depois vocês se decidem.

- Tá bom! Eu tenho que ir. Valeu sogrão, você é o máximo.

- Que? Por acaso eu te dei intimidade?

- Ah desculpa. Mais é isso que você agora...

- Ah tá, tá bom, agora você pode ir.

- Tchau sogrão, valeu. Você é o máximo.

Otávio saiu do quarto e Pedro ficou pensando:

"Sogrão" esse cara só pode estar bêbado para pensar que pode me chamar assim. Eu heim.

Otávio saiu e viu Luísa:

- Como foi?

Ela perguntou.

- Eu e meu poder de convencimento fomos excelentes e o meu querido "sogrão" nos autorizou a ir ver os meus "avós".

Otávio respondeu sorindo e Luísa lhe pediu:

- Por favor, me diga que não chamou ele de "sogrão".

- Chamei...

Otávio respondeu sorindo.

- E ele?

Luísa perguntou.

- Me chamou de rapaz.

- Não é isso. Eu quero saber como ele reagiu quando você o chamou assim.

Luísa explicou.

- Ficou um pouco bravo, mas, nada que interfira na nossa relação. Ele disse que queria que o motorista dele nos levasse, mas, eu insisti e ele deixou a gente ir de ônibus.

- Nossa! Eu não sei nem como te agradecer.

- Um beijo por enquanto paga.

Ele soriu. Eles se beijaram.

- Ai agora o dia de amanhã vai demorar uma eternidade para chegar, tenho certeza.

Luísa presumiu.

- Calma, é só você ficar calma que tudo vai dar certo.

Otávio sabia como acalmar Luísa.

- Você sempre sabe como me acalmar.

Ela soriu para ele.

- Quer ir para a minha casa hoje?

A namorada de Otávio perguntou.

- Quero!

Ele respondeu e os dois foram para o apartamento de Luísa. Aquela noite foi a melhor da vida deles, como nunca haviam tido com nenhuma outra pessoa:

- Bom dia!

Luísa cumprimentou com voz rouca. Otávio respondeu com um beijo:

- Bom dia!

- Nossa!

Exclamou ela.

- Será que a gente dormiu demais?

Ela perguntou.

- São cinco e meia da manhã. Acordamos bem na hora.

- Ah, ainda está práticamente de madrugada.

Luísa constatou e fechou os olhos.

- Está bem na hora, a gente tem que se arrumar, tomar café da manhã, ir para o terminal e ver se consegue comprar passagem e se demorar muito e, mesmo assim tiver sorte, vamos pegar os piores lugares.

- Que lugares?

Luísa perguntou.

- Os de perto do banheiro por exemplo.

- Tá, nesee caso, vamos logo.

Luísa se apressou. Os dois se arrumaram e foram tomar seu café da manhã.

- Pode se servir.

- Otávio olhou em volta e disse:

- Lu, sem querer ser abusado, mas, já sendo: onde está o café, o "pão de sal" a manteiga, o leite de vaca, e o cereal?

Luísa soriu:

- Então, eu não tomo café, o meu pão é integral, o leite é desnatado, e cerreal... Cereal é uma bomba, aquilo é calorico e de poucos nutrientes...

- Tá, mais o importante é ser gostoso e sustentar a gente por muito tempo.

Otávio lhe disse.

- Para isso eu como frutas, e também tem iogurte, quer?

Perguntou Luísa.

- Quero, adoro iogurte

Confessou o namorado de Luísa e experimentou:

- E então? Gostou?

- É diferente, né?

Ele soriu sem graça.

- Eu acho que é isso que aquele pessoal de tevê fala quando não gosta de algo.

- Sabe o que é Lu? Esse iogurte não é nada comparado ao que minha comprava quando eu e Estêvão éramos crianças.

- Tá bom, da próxima vez a gente compra mais coisas que você gosta

Luísa propôs. Os dois terminaram o café e logo estavam no terminal:

- Comprei as passagens.

Otávio as mostrou para Luísa que soriu.

- Conseguiu bons lugares?

- Sim!

Ele respondeu.

- Sabe? Antes da gente ir, eu queria tirar uma selfe com você...

A nossa primeira foto juntos.

Luísa disse e tirou a foto.

- Quero guardar para sempre.

Disse ela.

- Essa é a primeira foto que a gente tira juntos, mas, eu confesso que tem mais fotos suas do que minhas no meu celular...

Confessou Otávio.

- Como assim?

Luísa perguntou.

- Eu sempre tiro uma foto sua quando tenho oportunidade.

Ele confessou.

- Ah é? E qual foi a primeira que você tirou?

Luísa perguntou.

- Essa...

Otávio estendeu o celular. Era uma foto de Luísa analisando a maquete que a meses fizeram para faculdade e no dia em que nascera o amor do casal.

- Ah, eu estou muito feia nessa foto, Otávio... Apaga vai.

Ela pediu.

- Não senhora. É a minha foto favorita e a que acho mais linda, porque é você que está nela.

O garoto soriu e os dois se beijaram.

Logo o ônibus chegou e Luísa observou:

- Nossa! Olha que ônibus velho... Credo, bem que eles podiam ter colocado um mais novinho.

- Pois é, mas, o importante é chegar lá.

- Ai, eu vou ali comprar uns chocolates, eu tenho que comer doce quando tô nervosa.

Luísa contou.

- Ue, a uns vinte minutos você era toda regrada, e tudo mais, agora tá comendo chocolate? Quer coisa mais calórica?

- Olha, quando eu tô nervosa, a minha dieta não entra em questão...

Luísa disse.

- Vamos, o cobrador já está pegando as passagens.

Os dois passaram as passagens e logo estsvam acomodados:

- Você estava reclamando de sono, pode dormir, quando chegar lá eu te chamo.

Luísa soriu:

- É tão bom saber que alguém está cuidando da gente...

Ela se acomodou e logo estava dormindo.

- Meu Deus! Eu esqueci de avisar a Dona Estefânia, a mamãe, todo mundo.

Ele ligou o celular e viu várias chamadas perdidas, até mesmo áudios de sua mãe, colocou um fone de ouvido e começou a escultar:

" Olha Otávio, eu não sabia que você era tão irresponsável...

Eu e seu pai aqui mortos de preocupação e você não dá um sinal de vida? Para que ter telefone se você nem usa? Você tem um minuto para chegar em casa ou eu vou chamar a polícia..."

Mário no fundo de áudio:

" Eu não estou preocupado. Para com isso Rita, parece que o garoto tem cinco anos de idade, e além do mais, nós sabemos muito bem que ele está com a Luísa, deixa o menino quieto..."

Rita:

" Pois, fique quieto você, se não quer ajudar, também não atrapalha. Você está avisado, e só com o tempo que seu pai me atrapalhou, já se passaram uns trinta segundos."

Otávio terminou de escultar o áudio e ligou para sua mãe, que atendeu irritada:

- Nossa! Pensei que ia demorar mais umas duas horas para retornar... Onde você está?

- Oi mãe, eu tive que fazer uma viagem, mas, volto ainda hoje, estou com a Luísa...

- E eu posso saber o motivo pelo qual você não voltou para casa ontem?

- É que depois que eu saí do hospital, eu fui para casa de Luísa.

- E o seu telefone? Para que que você tem? Não poderia ter ligado?

A mãe de Otávio não se acalmava.

- Fiquei sem bateria, a gente chegou do hospital e fomos dormir, estávamos cansados.

- Hum, tá bom, sei, mas, emfim, e o pai dela? Está melhor?

- Sim...

Otávio respondeu.

- Tá bom, eu vou precisar desligar... Eu espero que hoje volte para casa.

Rita disse.

- Eu vou mãe, não se preucupe.

Otávio a tranquilizou e a ligação foi cortada. Ele percebeu a conversa entre o motorista e cobrador:

" - Esse ônibus não chega na metade do caminho."

- Meu Deus, o que está acontecendo?

Se perguntou e olhou para Luísa que dormia despreocupada:

Nosso esforço tem que valer a pena.

Ele pensou e começou a torcer para que chegassem em seu destino.

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