Capítulo 18
Pedro estava em seu escritório e de lá não queria sair tão cedo:
- Oh, meu Deus.... Como pude não raciocinar Deixei chegar num ponto inimaginável e ainda por cima confiei esse segredo a um crápula sem coração...
Me sinto mais sufocado do que nunca...
As vezes penso que devia ter cedido aquela chantagem... Pelo menos assim minha filha estaria protegida e feliz....
Só de imaginar o quanto ela deve estar se sentindo perdida, enganada, desapontada... Sinto vontade de morrer.
Nem todas as desculpas do mundo serão suficientes...
Ah meu Deus como pude cometer tamanha burrice?
Pedro se perguntou.
Ela nunca vai me perdoar, nem a mim e nem a Cecília... Meu Deus... Como eu pude ter sido tão burro? Por mais difícil que fosse para ela aceitar, a gente tinha a obrigação de contar a verdade.
Essa mentira privou Luísa de se despedir do irmão...
Como eu e Cecília pudemos pensar que podíamos proteger Luísa de uma coisa dessas?
O ciclo natural da vida infelizmente é esse..
Mas só Deus sabe o quanto eu daria para estar no lugar dele naquele assalto.
E dali começou a pensar em Henrique:
- E você meu filho? Como a vida é injusta... Você era tão jovem, tão capaz... Estava tão feliz. Tudo para vir uma pessoa sem coração e tirar a sua vida.
Nunca me conformei com essa história de você ter reagido aquele assalto....
Jusro você que era tão calmo, tão cabeça no lugar...
Dizia que ouvia meus conselhos e seguia todos.
Eu até consigo imaginar a indignação, mas meu Deus do céu.. Isso te custou a sua vida.
Não sei como vai ser a partir de agora com a verdade escancarada para Luísa...
E aquela depressão? E se ela tiver outra crise e recair de novo?
Não gosto nem de imaginar.
- Eu sempre disse para você nunca reagir a assaltos, mas, eu entendo como você deve ter ficado com muita raiva quando aquele homem te abordou, mas, se tivesse dado o que ele queria, ainda estaria aqui...
- Se não fosse pela sua mãe e pela sua irmã, eu nem sei o que seria de mim.
Por mais que odiasse chorar, naquele momento, ele estava sozinho e poderia colocar para fora toda dor e saudade que sentía de Henrique, a falta que seu filho fazia, nada era capaz de suprir e por mais que tivesse Luísa ali tão perto, um filho não substituia o outro... Mas se ele perdesse sua filha ou sua esposa, ele perderia sua razão para viver e sabia muito bem disso.
- Não tenho cabeça para trabalhar, eu preciso ficar perto de minha família.
Eu tenho que ir para casa. Hoje não consigo pensar em nada e sendo assim não vou render nada.
Disse consigo mesmo, pegou o elevador e desceu até a recepção, dizendo logo em seguida para a recepcionista:
- Desmarque todas as reuniões que eu tinha para hoje, remarque para amanhã.
- Sim senhor, doutor Pedro, é para já.
Respondeu a mulher e Pedro saiu da empresa, indo direto a uma florecultura muito famosa na cidade.
Ele comprou o buquê flores mais lindo que encontrou, e depois foi para o cemitério onde Henrique estava enterrado:
Chegando ao túmulo do filho, Pedro parou e colocou o buquê em cima do túmulo e começou a falar como se estivesse falando com seu filho:
- Você faz tanta falta na minha vida... Os seus sonhos, eram os meus, mas, depois que você se foi, eu depositei todas as minhas expectativas na Luísa, eu espero que ela não me descepcione e faça de sua vida uma vida totalmente sem sentido... Foi um erro tão grande esconder a sua morte dela, eu e sua mãe tinhamos a obrigação de ter contado tudo assim que aconteceu... E agora, eu nem sei como vai ficar o nosso relacionamento com ela. Eu nem sei se devia pedir isso para você meu filho, por que, você não é Deus, mas, eu preciso de força e só pensando em você que eu tenho alguma para continuar lutando. Me ajuda, de onde você estiver, me dê um pouco de ânimo para continuar lutando.
Pedro saiu do cemitério um pouco mais animado e foi para casa, disposto a ter uma conversa com a filha, e pedir o seu perdão.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top