Capítulo 12

Na faculdade, Luísa mal conseguia se concentrar na aula:

- Por que você não me responde Henrique?

- Como eu sinto sua falta! As vezes sinto que algo está acontecendo e ninguém quer me dizer.

Que agonia. Que aflição de não poder ouvir com sua própria voz você me dizer que está tudo bem e que logo vai vir me ver.

Eu tenho tanto para te contar.

Quando será que essa saudade que está me matando dia após dia vai acabar ?

A moça foi tirada de seus devaneios com a orientadora a chamando.

- Luísa, você está bem?

Perguntou a orientadora vendo que o semblante a filha de Pedro e Cecília não era dos melhores.

- Eu... Na verdade não.

Respondeu ela.

- Eu posso ir lá fora, tomar um copo de água?

- Pode sim.

Permitiu a orientadora.

- Obrigado, com licença.

A moça saiu e tomou a água como havia pedido:

- As vezes dói tanto. É tão difícil viver naquela casa enorme sem ter ninguém com quem conversar, dar risadas...

Só eu sei quantas vezes já pensei em me humilhar e pedir para voltar com o Mathias...

Pelo amor menos assim não ficaria tão sozinha.

A moça respirou fundo e chorou...

Um choro que nem sabia estar segurando.

Ela voltou e o restante da aula transcorreu muito divagar para ela.

No corredor, indo em direção a saída, Otávio parou a moça:

- Oi!

Cumprimentou ele e Luísa lhe deu um lindo sorisso.

- Oi. Tudo bem?

- Sim, mas, e você? Não parecia estar muito bem na hora da aula.

Reparou ele.

- São só problemas pessoais.

- Você quer conversar?

Pergutou Otávio simpático.

- Não, hoje não, eu estou muito cansada, quero ir para casa.

- Ah tudo bem então, deixa para outro dia.

Respondeu Otávio.

- Pois é, fico devendo.

Luísa sorriu e se despediu de Otávio e o observsndo disse a si mesma:

Que sorte vai ter a companheira dele... Era de um homem assim que eu precisava...

Um homem cuidadoso, que me amasse de verdade.... E não de um interesseiro.

Se algum dia tiver que ser feliz vou encontrar um como esse.

Ela disse e saiu da faculdade.

Ao chegar na porta da universidade o motorista de sua família já lhe esperava.

No caminho sentiu uma forte dor de cabeça e pasando perto de uma fármacia pediu ao rapaz:

- Pare aqui por favor, eu vou comprar um remédio.

- Se quiser, eu compro para você.

Se dispôs o homem.

- Não precisa, eu prefiro que eu mesma busque, obrigado.

Ela saiu do carro e entrando na fármacia, ela viu Mathias:

- Tomara que ele não venha falar comigo.

- Oi, Luísa, tudo bem?

Cumprimentou ele.

- Oi!

- Respondeu ela secamente.

- Você está bem?

Perguntou ele tentando parecer amigável.

- Sim, estou.

Respondeu ela tentando ser educada, mas, ainda sentia muita raiva do homem que a fizera sofrer tanto.

- Eu também estou ótimo. Vou ser pai acredita?

Perguntou ele fingindo estar feliz, mas, na verdade só queria irritar a moça.

- Que bom para você.

Tenho pena da criança e da mãe dela.

Eu preciso ir.

Disse ela, querendo comprar logo o remédio e ir para casa:

- Você está fugindo de mim?

Perguntou ele sorindo.

- Eu estou com dor de cabeça.

- Respondeu ela.

- Acho que você colocou errado sua fala. Você não tem pena da minha namorada e do meu filho, o que você tem é inveja.

Inveja por que não é você a mãe do meu filho.

Você é tão sozinha, né, Luísa?

E ainda teve a inocência de achar que eu estava com você por que a amava. Pelo amor de Deus, querida.

Que tal acordar parada vida?

Você não tem mais sete anos de idade.

Tem que saber que nem tudo são como contos de fada.

Mathias disse com desprezo.

- Ao mesmo tempo que nada é como nos contos de fadas, nem todas as pessoas são podres como você.

Ainda existem pessoas boas no mundo, por mais que você não seja uma.

Luísa disse.

- Bom, eu fico feliz que esteja bem depois de tudo o que houve. Preciso ir. Ah, sinto muito pelo seu irmão.

Mathias falou fingindo uma tristeza.

- Do que você está falando?

Perguntou a moça com o coração disparado.

- Da morte do Henrique é claro. Vai me dizer que você já esqueceu disso?

Respondeu o homem, vendo com prazer Luísa ficar pálida:

- Você ficou doido? O Henrique está trabalhando... Você só está falando isso para me atingir. Saí da minha frente!

Você não tem escrúpulos. Até com uma situação dessas é capaz de brincar.

- Olha, meu bem, eu te achava ingênua, mas agora vejo que não é isso não. Você é burra mesmo.

Uma historinha barata dessa foi capaz de te engambelar durante todos esses anos.

Aposto que a idéia de não te contar nada foi do Pedro. Quanra idiotice.

Aquele lá só tem tamanho... No fundo é tão frágil e estável quanto uma mocinha indefesa.

Mathias disse com desprezo ao se referir ao pai de Luísa.

- Meus pais nunca fariam isso comigo.

Me diz:

O que você ganha com isso?

A culpa não é minha se você é mal amado, invejoso, sem coração.

Luísa respondeu.

- Era nesse ponto que eu queria chegar:

Você abriu a boca e contou assuntos pessoais meus para a " mosca morta" da sua mãe, né?

Quem te deu esse direito?

Mathias perguntou irritado.

- Eu contei isso para ela por pena de você. Disse que talvez o motivo pelo qual você fosse tão apegado ao meu pai fosse esse:

O seu não ser tão presente.

A ex-namorada do rapaz justificou.

- Você é patética. O maior motivo pelo qual eu e seu pai éramos tão apegados era porque no fundo somos iguais:

Queremos controlar tudo a nossa volta, custe o que custar.

É uma pena que tudo tenha fugido do controle dele desde o dia em que seu amado irmãozinho morreu.

O ex-namorado disse.

- A sua falta de senso está passando dos limites.

Eu me recuso a acreditar que tudo isso tenha acontecido bem debaixo do meu nariz e eu não tenha percebido nada.

Some da minha frente....

Aliás, da minha frente não. Da minha vida. Nunca mais ouse se dirigir a mim.

Via cuidar da sua mulher e do seu filho que você ganha mais.

Luísa disse sem querer acreditar no que Mathias dizia, mas no fundo sabia que o que ele havia acabado de falar explicava muita coisa:

Desde que voltara de Seatle após terminar os estudos notara uma mudança muito brusca no comportamento dos pais:

Cecília já não tinha mais o mesmo brilho no olhar, por vezes tinha mudanças no humor...

Choros constantes.

Pedro passava muito mais tempo no trabalho do que em casa e mesmo estando ali a maior parte do tempo era no escritório onde ficava por horas e horas a fio.

Os pais já não eram mais os mesmos e ela não entendia o porquê.

Se você não quer acreditar em mim o problema é seu, e sabe quem me contou sobre a morte do seu irmão? O seu querido papai, mas se você quer tirar a prova pesquisa sobre a morte de Henrique Furtado, ou melhor dizendo:

O assassinato.

Ela não queira acreditar, mas isso explicava muita coisa:

- Não é possi...

Luísa não conseguiu terminar a frase e já não via mais nada.

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