Capitulo 101

Mário havia chegado em casa e ao perceber a ausência de Rita e Eduarda disse a si mesmo:

- Essa casa está a cada dia mais sombria... A falta que o Otávio faz só cresce a cada dia... Ah, Deus, me dê forças para não enlouquecer.

Ele disse a si mesmo. Estevão chegou perto dele:

- Oi, pai. Tá tudo bem?

O rapaz perguntou.

- Tá sim. Porque?

Mário perguntou.

- É que você não está com uma cara muito boa não.

O filho respondeu.

- Ah, é que os dias estão à cada dia mais difíceis... Eu nunca imaginei que fosse perder um de vocês, ainda mais de uma forma tão precoce.

Mário confessou.

- Mesmo que essa seja uma possibilidade distante, ele pode estar vivo.

Estevão disse.

- Não é uma possibilidade distante, meu filho, é uma possibilidade praticante nula. Se seu irmão tivesse vivo já saberíamos alguma coisa sobre o paradeiro dele e tudo só piora com a história do caminhão ter pegado fogo.

Por mais que não gostemos de admitir, há uma possibilidade dele ter morrido queimando e se isso aconteceu, nunca vamos saber.

O pai do rapaz disse.

- Eu sei e isso dói demais.

Estevão confessou.

- Eu sei, também dói em mim, mas o que nos resta é ficar com as boas lembranças que ele deixou e nos aproximarmos da filha dele que também é uma parte dele que ficou aqui com a gente.

Mário disse.

- Pois é.

O filho concordou. Na casa de Luísa, Eduarda disse a moça;

- A gente precisa ir agora porque eu ainda tenho umas coisas para fazer antes de ir embora.

- Que pena. Eu prometo que assim que tiver que uma folga da faculdade vou ir visitar esse gatão da madrinha.

Ela disse dando um beijo no filho de Nicole.

- Esculta: quando vai deixar a bebê passar um dia comigo?

Rita perguntou.

- Ah, dona Rita eu adoraria, mas acho que ela ainda é muito novinha para sair de casa assim...

A mãe de Otávio interrompeu a nora:

- Você não precisa deixar ela lá em casa... Eu venho para cá e cuido dela... Se você deixar, é claro.

Rita disse.

- É claro que a senhora pode cuidar dela. Também, a Carmem precisa de folga. É só combinarmos.

Luísa respondeu.

- Ótimo. Agora a gente tem que ir, Rita. Eu ainda tenho muitas coisas para fazer antes de ir embora.

Eduarda disse.

- Tá bom, já vamos.

A mãe de Estevão e Otávio disse e pegou Mariana do colo de Luísa:

- Tchau, meu amorzinho. A vovó promete voltar para cuidar de você, tá bom?

A esposa de Mário perguntou e deu um beijo na filha de Luísa e depois saiu junto com a irmã da casa da nora.

- Viu como não é tão difícil assim ser amigável com essa moça? Você precisa dar uma brecha para ela. Deixar essa dureza de lado. Se não for por ela e nem por você, que seja pela sua netinha.

Eduarda disse e a mãe de Otávio e Estevão não disse nada. No hospital onde Otávio estava internado, mais uma etapa se iniciava. O rapaz já conseguia formular algumas frases com dificuldade, mas conseguia:

- Oi, Mário. Tá tudo bem? Vim trazer um suco e um sanduíche para você.

Uma enfermeira disse.

- O... Obrigado. Tô bem sim... Só pensando um pouco.

O homem disse.

- E pensando no que?

A enfermeira perguntou.

- Ninguém nunca veio atrás de mim? Nem um dia se quer?

Ele perguntou.

- Não. Eu lamento, mas isso nunca aconteceu.

A mulher respondeu.

- Isso... Isso é estranho. É como se não soubessem que estou aqui. Como se alguém tivesse me escondido aqui.

O namorado de Luísa disse.

- Bom, nós não sabemos de quase nada e a enfermeira que ajudou a te socorrer infelizmente já faleceu. Se alguém sabia alguma coisa sobre seu paradeiro, esse alguém era ela.

A mulher disse.

- Que pena. Desse jeito vai ficar difícil de saber... Quem eu sou e de onde vim...

Otávio lamentou cabisbaixo.

- Não fique assim. Nem tudo está perdido. Com o tempo você vai se lembrar quem é e de onde veio e nós vamos estar aqui para ajudar em tudo o que for preciso.

A enfermeira disse.

- Obrigado.

O homem agradeceu.

- Disponha. Com licença.

A mulher respondeu e saiu de perto do filho de Mário e Rita que ficou pensativo:

- Será que algum dia vou saber quem... Eu sou e de onde... Vim?

Ele se perguntou e tentou puxar pela memória alguma coisa, alguma única coisa que lhe levasse a ter uma pista de quem ele realmente era.

Uma lembrança veio a sua mente:

Flashback on:

- Olha, eu sei que ninguém te cumprimentou, mas seja bem-vindo.

- Obrigado. Mas só para constar, eu particularmente detesto apresentações e você não sabe o quanto agradeci aos céus por não ter sido apresentado...

Flashback off:

- Esse rosto, essa mulher... Eu tenho certeza que isso realmente aconteceu...

Mas quem é ela? Eu preciso saber.

Ele disse a si mesmo.

Havia chegado a hora de Eduarda ir embora

- Ah, mas porque você não vai esperar o Mário chegar para levar vocês até o aeroporto?

Rita perguntou.

- Não, melhor não... Além do mais, eu posso pegar um táxi. Não quero ficar dando trabalho para vocês. É uma pena Estevão não estar aqui para se despedir de mim...

A mãe de Nicole lamentou.

- Pois é. Ele tinha prova para fazer hoje. Depois de tudo o que a gente passou, o Mario ainda teve a decência de cogitar tirar ele da escola. Só não tirou porque eu não deixei.

Rita disse.

- Você tem que confessar que ele tem a cabeça muito dura mesmo e parece que depois da morte do Otávio tudo ficou pior... Talvez fosse bom tentar convencê-lo a fazer uma terapia ou um acompanhamento com um terapeuta ou psicólogo.

- O Mário? Acho díficil... Aliás, acho impossível que ele aceite isso. Eu conheço muito bem o homem com o qual me casei... Sei que ele não vai aceitar isso.

- Seja como for, sei que Deus vai ajeitar as coisas e tudo vai voltar ao normal.

Eduarda disse.

A um novo normal, né? Porque nunca mais as coisas vão voltar ao normal de verdade... Voltariam se o Otávio e a Nicole não tivessem partido, mas infelizmente isso aconteceu e não tem nada que possamos fazer.. Só nos acostumar com ausencia e ficar com as boas lembranças.

Rita respondeu.

- Pois é. E o que nos resta são as boas lembranças. Que o tempo seja capaz de acabar com nossos remorsos...

A mãe de Nicole disse e o táxi chegou:

- Tenho que ir. Fique com Deus.

A mulher disse, abraçou a irmã e entrou no táxi indo até o aeroporto:

- A partir daqui vai ser vida nova, meu amorzinho... A vovó promete que vai ser a mãe que a sua mãe não teve.

Ela prometeu ao neto e ao olhar para ele começou a pensar em tudo o que não viveu com Nicole:

Todas as vezes em que esteve do lado de André e não de Nicole. Todas as vezes em que não apoiou a filha em seguir seus sonhos, seus objetivos:

- Ah, meu Deus... Porque não pude compreender minha filha a tempo? Porquê?! O que mais me dói é saber que nada que eu faça vai mudar o destino dela. O que me resta é desejar que a alma dela descanse em paz.

Eduarda disse. A mulher foi tirada de seus pensamentos quando o motorista a chamou:

- Oi.

Ela respondeu.

- A gente já chegou. São trinta reais pela corrida.

O homem respondeu.

- Ah sim. Aqui. Pode ficar com troco.

Ela disse foi até o local de embarque:

- A partir daqui vai ser vida nova. A vovó promete ser a melhor que eu puder ser para você, meu amorzinho.

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Obrigada por ler até aqui.🩵

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