01. A foto


Todo mundo quer reconhecimento, ser lembrado, ter popularidade, ser invejado, que todos saibam seu nome. Tolos são aqueles que acham que popularidade não é tudo, ela é igual a dinheiro, todo mundo quer.

Para Jimin, popularidade era uma praga, ele sabia que precisava, no entanto, tinha um preço muito alto que nenhum dinheiro poderia pagar. Quando entrou em Yonsei ele não queria nada mais que terminar seu ensino médio em paz, como um garoto comum, entretanto, no dia seguinte em que chegou a escola seu nome ficou conhecido por todo o colégio, simplesmente porque era um escândalo um garoto tão bonito quanto ele ser um viadinho. Ele aprendeu a lidar com aqueles comentários maldosos que faziam sobre sua pessoa, não se importava com nada, então vieram os boatos.

"Ouvi dizer que ele seduziu o professor de matemática por isso tirou uma nota tão alta."
"Ele obriga os garotos a saírem com ele."
"Ele se prostitui, é assim que ele consegue pagar a mensalidade da escola."
"Ele matou a própria mãe porque ela não aceitava o filho viadinho."

Alguns eram engraçados e outros simplesmente beiravam o ridículo, chegou um momento que Jimin simplesmente desistiu de tentar desmentir tantos boatos, ele só deixava que as pessoas falassem o que queriam. Mesmo que aquela popularidade fosse ruim, ele continuava sendo o polular, chamando atenção de alguns que o achavam legal por não ter vergonha de ser quem era e não ligar para o que falavam.

Nesse meio tempo outro nome também surgiu com frequência, o que deixou Jimin realmente puto.

"Yeobeen falou por aí que você tem AIDS."
"Ouvi Yeobeen dizer que sua mãe morreu de desgosto."
"Yeobeen disse que…"
"Yeobeen me falou…"
"Yeobeen…"
"Yeobeen…"
"Yeobeen…"

Não precisava ser um gênio para saber que aquela vadia tinha algo contra ele e que era ela quem estava espalhando os boatos. Jimin tentou tirar satisfação com ela, entretanto só se irritou ainda mais e não conseguiu entender o porquê dela sair por aí contando mentiras a seu respeito, mas uma coisa era certa, ela não pararia.

Jeon Yeobeen parecia nutrir um ódio profundo por homossexuais, Jimin não sabia quem foi o gay que deu um pé na bunda dela e nem queria saber, ele não tinha nada a ver com aquilo, ela que fosse procurar uma terapia.

Desde que Park entrou no colégio Yonsei tinha a sensação que nunca teve um dia sequer de paz e aquele dia estava longe de ser diferente dos outros, talvez fosse o pior de toda a sua ridícula vida. Ele pensava que todos saberem sua sexualidade e acharem que era o anticristo fosse a pior coisa que pudesse acontecer naqueles três anos.

Estava redondamente enganado.

A pior coisa que podia acontecer estava ali, sendo exibida pela tela do seu celular e sendo compartilhada por todos da escola.

Era simplesmente uma foto dele pagando um boquete para um garoto que não era possível ver o rosto, aparentemente na última festa que foi. Ele queria se jogar do último andar daquele apartamento e ser acertado por um avião durante a queda, por mais que soubesse que aviões não voassem tão baixo, ainda sim era seu desejo.

Jimin fervia de raiva, como caralhos aquela foto foi vazada? Se aquilo chegasse no seu pai nem queria imaginar o que poderia acontecer.

Ele precisou engolir seco e respirar fundo antes de atravessar o corredor da escola naquela manhã. Jimin manteve a cabeça erguida, apertando os punhos a cada comentário maldoso que que ouvia. Ele era forte o suficiente para lidar com aquilo, precisava ser.

Park precisava manter o controle para não gritar e socar alguém, precisava liberar toda aquela raiva ou explodiria e não demorou muito para acontecer.

— Olha se não é o depósito de esperma oficial de Yeonsei! — um garoto alto chegou anunciando enquanto Jimin guardava seus materiais no armário.

— O depósito de esperma vai ser você se não vazar daqui. — respondeu rangendo os dentes, fechando o armário com brutalidade e se virando para ir para longe daquele garoto.

— Qual é, Park! — ele correu até Jimin, o puxando pela cintura, o obrigando a sentir o volume na sua calça. — Quanto você cobra pra ser minha putinha também, uh?

A respiração de Jimin se tornou rápida, ele sentia a raiva se alastrar por todo seu corpo, seu punho se ergueu rapidamente, chocando contra o queixo daquele babaca, que cambaleou desnorteado. Ele não era putinha de ninguém! Jimin estava fora de si, cego de ódio, deferindo socos e chutes freneticamente naquele imbecil sem dar a ele qualquer chance de defesa. Park chutava as costelas do garoto como se ele fosse um saco de estrume, enquanto o xingava aos gritos.

FILHO DA PUTA, IMPRESTÁVEL, SE ME TOCAR DE NOVO EU TE MATO, EU TE MATO, SEU PEDAÇO DE MERDA!

Foram precisos cinco funcionários para segurarem Jimin, o garoto agredido saiu dali na ambulância, um exagero na visão do Park, ele nem tinha quebrado nada ou o feito sangrar. Naquele momento ele se encontrava na sala da diretora, tomando um chá de camomila, balançando a perna rapidamente. A mulher esguia e elegante entrou na sala, se sentando atrás da mesa grande, com uma cara nada boa.

— Já está mais calmo, Jimin? — indagou mesmo que pudesse saber a resposta só de olhar na cara dele.

— Não tem como ficar calmo, tem uma foto minha com um pau na boca circulando pela escola. — disse sincero, deixando aquele chá horrível de lado que não serviu de nada.

— Ai, Deus… — a mulher esfregou as mãos no rosto bonito, com os olhos arregalados. — E você sabe quem tirou a foto?

Jimin desviou o olhar do dela, se remexendo na cadeira e engolindo a saliva que se formava em sua boca, o problema não era quem tirou e sim quem espalhou.

— Eu sei, mas não é esse o problema.

— Quem tirou pode muito bem ser o mesmo que espalhou.

— Não é, acredite em mim.

Ele nunca faria uma merda dessas, Jimin sabia.

Após alguns minutos em silêncio, a diretora chegou a uma conclusão para resolver aquele problema.

— Jimin, eu sei que o que o Moon fez foi muito grave e ele receberá a devida punição por isso — iniciou sua sentença, com receio pela reação do garoto, mas continuou mesmo assim. — ...mas o que você fez também.

— Eu me defendi.

— Você mandou ele para o hospital, Park Jimin!

— Ainda foi pouco!

— Você não poderá cantar no festival. — disse por fim, vendo a carranca raivosa se transformar em surpresa. — Eu sinto muito, mas-

— Você não pode fazer isso, Yihyun! — Jimin protestou, levantando-se de uma só vez, fazendo com que sua cadeira fosse para trás.

— Diretora Park. — ela o corrigiu, mas ele ignorou. — Jimin, é a segunda vez que você agride alguém esse mês, você precisa sofrer as consequências, venho pegando leve com você por ser meu enteado, mas tudo tem um limite e a minha paciência já o atingiu.

O garoto bufa, irritado, se jogando na cadeira novamente de braços cruzados. Era injusto! Cantar naquele festival era a única coisa que importava para Jimin e tinha sido tirado dele por causa de um idiota que não aguentava uns chutes na costela.

— Você…vai contar pro meu pai? — perguntou baixo, com medo da resposta, tentado não demonstrar isso.

— Farei de tudo para ele não descobrir e irei punir todos aqueles que tiverem essa sua foto, mas por favor, não saia por aí batendo em mais ninguém, sim? Você não sabe o tanto de gente que eu tenho que subornar para isso não ir a público.

Ela dizia em tom de comédia, mas Jimin sabia que era a mais pura verdade, colégios como Yonsei não ficavam bem vistos sozinhos, certo? Precisavam sempre de uma ajudinha chamada "propina". Park apenas repuxou o canto do lábio, Yihyun tomou aquilo como um sinal positivo e deu um sorriso pequeno.

— Quem vai me substituir? — sua pergunta era relacionada a apresentação do festival, Yihyun pigarreou fingindo ler uns papéis para então responder:

— Jeon Yeobeen.

— O QUE?!

͙ࣳ 𓂃 ࣪៙⸳⭑ࣶࣸかわいい ֺ✦⸼࣪⸳ 𓂃

— Eu já disse que eu não mandei pra ninguém, você é surdo?! — Yoongi esbravejou, quase batendo o pé de tanta raiva pela insistência de Jimin por acusá-lo.

— A foto foi tirada do seu celular por você, Yoongi, não tem como ter sido outra pessoa. — era um bom argumento, Min concordava, no entanto não tinha sido ele.

— Eu não sou louco de mandar esse tipo de coisa pros outros, você sabe bem que ninguém sabe sobre mim ou...a gente. — disse firme, com sua paciência no limite. Ainda estava desacreditado pelo Park desconfiar dele.

Jimin acreditava na inocência do capitão do time de basquete, ele só queria achar um culpado para socar, todavia. Ele sentou no chão do terraço, repousando as costas no parapeito de concreto, seus dedos curtos agarraram seus fios lisos, na tentativa de descontar um pouco de toda aquela merda que revirava no seu peito. Só conseguia pensar no seu lugar sendo roubado por Yeobeen, ele batalhou tanto para no fim dar seu papel de bandeja para a garota que mais odiava em toda a escola.

— Então… a gente se vê na minha casa hoje? — Yoongi prefere, após longo minutos de silêncio entre eles. Jimin se limita a revirar os olhos.

Era um idiota mesmo.

— Hoje eu não tô afim. — respondeu ainda encarando o chão, pensativo.

— Se foder.

E Yoongi foi embora deixando Jimin sozinho com os pombos do terraço. Park tirou um cigarro e um isqueiro do bolso, tragando logo após acender, precisava relaxar um pouco. Deslizou as costas no concreto até que estivesse completamente deitado, encarando as nuvens brancas que manchavam o céu azul.

Ele queria desaparecer, assim como a fumaça que soltava pela boca, sua vida era uma droga sem sentido de ser vivida, sem sentimentos bons para cultivar. Qual o propósito se ele sentia apenas amargura e raiva todos os dias? Se via, de fato, como uma fumaça de cigarro, tóxico, ruim, do qual ninguém queria por perto.

Estava pensando sobre o que o tal do Moon disse sobre ele ser um depósito de esperma, Jimin só negava externamente, mas por dentro ele sabia que era tudo de ruim que falavam. Já havia saído com todos os encubados daquele colégio, afim de sentir algo além da vontade de beber cloro todo dia, mas eram todos um bando de imbecis. Park se sentia patético ao lembrar que já quis achar algo maior que prazer com algum cara daquele lugar, ele ria amargamente da própria desgraça.

Seu momento autodepreciativo foi interrompido por alguém que abriu a porta do terraço com brutalidade andando em passos pesados de um lado para o outro. Jimin levantou o tronco para xingar quem quer que fosse quando seu olhos miraram em uma garota assustada, toda suja de algo melequento e com o cabelo assanhado e embolado em um chiclete. Ela soltava uns ruídos e murmúrios sem sentido, seu peito subia e descia rapidamente.

— Ei, garota, o que você tem? — foi ignorando completamente, ela parecia estar presa no próprio mundo. — Ei! Falei com você!

Quando elevou mais o tom de voz a garota pareceu se assustar, tropeçou nos cadarços cambaleando para trás em direção ao parapeito baixo e sem proteção. Jimin se levantou num pulo, agarrando a garota pelo braço com força, puxando contra seu peito, impedido que ela caísse lá embaixo. Agora ambos estavam com olhos arregalados, a menina inspirava com mais força, segurando firme no uniforme do Park.

— Caralho, foi por pouco. — Jimin tentou soltar a menina, que se agarrou ainda mais nele.

— N-Não me solta…p-por favor…

Ela disse num miado, Jimin apertou mais o abraço, olhando mais de perto ele reconheceu a garota. Ah, era ela…Engoliu seco, constrangido com a situação, aos poucos a menina parava de tremer e a respiração se regulava.

— Tá, já chega. — pigarreou, largando-a assim que teve certeza de já tinha se acalmado. A menina matinha os olhos longe dos seus, apertando os dedos.

— V-Você tem cheiro de mel e cigarro. — constatou, apertando sua saia.

— E você cheira a ovo.

— Foram as meninas do segundo ano, jogaram ovo em mim.

Jimin soltou ar pelo nariz, negando, se fizesse aquilo com ele faria questão de caçar um por um e arrancar suas cabeças com os dentes. Contudo aquela garota não parecia ser do tipo violento, já tinha a visto de longe, as garotas do segundo sempre pegavam no pé dela por motivo nenhum, apenas porque queriam dar uma de meninas malvadas e não parecerem tão patéticas. Não funcionava.

— Olha… — iniciou indo até sua mochila, tirando de lá uns pacotinhos. — Coloca isso no condicionador delas antes da aula de educação física.

— O que é isso? — a garota juntou as sobrancelhas, encarando as embalagens que o maior lhe entregava.

— Pó descolarante, se não acabar com o cabelo daquelas vadias no mínimo vai arder muito e só isso já basta. — sorriu maquiavélico, Jimin adorava um caos.

— P-Por que eu faria isso?

— Não quer se vingar por elas terem feito isso com você?

— Acha que eu devo?

— Garota, essas putinhas só mexem com quem é mais fraco pra ter algum sentimento de superioridade e dar um pouco de sentido a vidinha medíocre delas. Mostre que você não é fraca e que quem mexer com você vai se foder muito. — a garota ainda estava indecisa e não soube o que responder, o sinal do fim do intervalo tocou chamando a atenção dos dois. — Olha, eu tenho que ir, mas pensa no assunto, não deixe pisarem em você. — ele colocou os pacotes nas mãos dela e saiu apressado.

Sequer sabia o nome dela, mas sentia que tinham muito em comum. Jimin via seu eu criança nela, acuado, com medo de todos, sendo tratado como lixo. Se ele pudesse voltar no tempo diria a mesma coisa ao pequeno Park, assim teria começado a pôr os filhos da puta no lugar mais cedo e teria ao menos um pouco de respeito.

Não obstante, o respeito não fazia diferença para ele aquela altura, ele preferia que continuasse como estava, que o odiassem e porventura o temessem.

[...]

Jimin já estava cheio daquele dia, queria que acabasse logo de uma vez para que pudesse se jogar na cama e fumar aquele baseado antes de apagar de cansaço. Ele tirava seu material preguiçosamente de dentro do armário velho e amassado, acreditava que não tinha como seu dia ficar pior.

No entanto existia um fenômeno chamado "lei de Murphy", junto a isso Jimin também podia contar com o fator Jeon, aquele sobrenome parecia ser sua sina.

— Soube da nova, Park? — a garota de longos cabelos negros e sorriso ambíguo disse ao se aproximar. — Eu vou cantar no festival, não é incrível? Você não merecia, de qualquer forma.

— Você não tira meu pau da boca, né? — fechou o armário com brutalidade, imaginando a cabeça de Yeobeen ali.

— Eu não ponho porcaria na minha boca, diferente de você. Yoongi que o diga. — Jimin travou no meio do corredor ao ouvir aquela sentença. Seu dois punhos cerraram e ele se virou tão rápido que Yeobeen quase sentiu medo. Quase.

— Então foi você, vadia? — avançou até onde ela estava, na tentativa de intimidá-la, ela apenas sorriu largamente.

— Até que foi fácil, já que Yoongi é burro pra cacete de ficar vendo as fotos nojentas que ele tira em qualquer lugar, ainda por cima deixa o celular desbloqueado por aí. — ela não tinha nenhum medo de confessar, sabia que ninguém acreditaria no Park sem provas, nem mesmo a diretora, por mais próximos que fossem. — Eu sabia que você ia ficar doido de raiva, mas não ao ponto de mandar alguém pro hospital, isso foi um bônus e tanto.

— Eu vou acabar com você, Jeon, guarde as minhas palavras, vou pisar na sua cabeça igual fazem com todas as cobras nojentas. — disse raivoso socando o armário ao lado dela, a garota lançou um olhar repleto de desdém para o punho do Park rente a sua cabeça.

— Da próxima vez vou garantir com que seja expulso do coral e até mesmo da escola. Você é uma criatura repulsiva que tem voltar pro esgoto de onde saiu. — cuspia os insultos com uma acidez quase palpável, ela o empurrou saindo dali a passos fundos.

Jimin não iria esquecer aquilo tão cedo e não deixaria barato, se pudesse, já teria arrancado todo aquele mega hair na base do puxão. Contudo, ele achou melhor fazê-la pagar na mesma moeda, tiraria da Jeon aquilo que ela mais gostava e faria seu, seja lá o que fosse.

Ela sentiria a ira de Park Jimin queimar em sua pele.

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