CAPÍTULO 8
Entro na casa da minha vó e vejo Charles no sofá com a cabeça baixa. Sem falar com ele subo direto para o quarto onde minha mãe está, abro a porta e vejo minha vó ao lado dela que está realmente um caco. Sua face está magra e o quarto fede a bebida e vômito.
_ Olha só se não é a melhor filha do mundo_ sua voz sai arrastada e quando ela aponta para mim vejo seus pulsos enfaixados_ A filha das minhas entranhas que ao menos liga pra mim!
_ Por que não fica quieta_ falo e minha vó me olha implorando para eu ter paciência_ Estou aqui, o que quer conversar?
Me sento ao seu lado da cama e ela me encara com uma tristeza profunda. Eu sei que deveria me comover com isso mas não consigo. Pode me julgar e dizer a é sua mãe, mas eu não a via quando eu estava em constante sofrimento.
_ Por que me odeia tanto assim Kallyna?
_ Vó você pode dar licença?
_ Eu vou ficar!
_ Kallyna olha pra mim!_ minha mãe segura meu rosto e me faz olhar para ela_ Responde.
Eu não quero falar. Não quero trazer tudo isso a tona mas eu sinto que preciso, sinto que essa é a hora de gritar e dizer a ela tudo que estou sentindo por dentro todos esses anos.
_ Eu te odeio por que quando mais precisei de você Alisson, a única coisa que tive foi uma mulher bêbada dentro de casa que não estava nem aí para os dois filhos, eu te odeio por que eu tive que fazer o papel de esposa pro asqueroso do seu amado Sebastian, te odeio por que com doze anos eu tive que ser mãe do Charles e cuidar de você e dos seus ferimentos. Você vivia bêbada e se machucava o tempo todo, e ali estava eu tentando te ajudar enquanto você só me ofendia por parecer com meu pai, como se eu tivesse culpa droga_ seguro minhas lágrimas ao lembrar do meu pai_ Eu te odeio Alisson por que você foi o motivo de eu ter me tornado tão vazia, por me fazer ser o que sou.
_ Kallyna_ sussurra minha vó e a ignoro.
_ Era essa a conversa que você queria? Era isso que você queria escutar?_ pergunto para ela que chora compulsivamente._ Espeto que não tente nenhuma palhaçada Alisson, essa sua tentativa de chamar atenção não me comove_ minto e me levanto para sair do quarto mas sua voz me para.
_ Eu te amo Kally, me perdoa_ diz e saio do quarto sentindo meu coração se desfazer um milhões de pedaços._ KALLYNA!
_ Arruma suas coisas Charles, você vem morar comigo._ ele assente e sobe para arrumar sua mochila.
_ Kallyna_ minha vó vem até mim e me abraça_ Eu sinto muito_ suspiro em seus braços_ Por que nunca me contou o que aquele asqueroso fez com você? Nós temos que ir na delegacia!
_ E isso vai desfazer o que ele fez? Prefiro deixar isso pra lá_ sussurro_ Cuida dela vó, eu não suporto olhar para ela daquele jeito.
Charles desce com uma mochila nas costas e lhe entrego um capacete, pego o meu e saímos da casa ouvindo o grito desesperado da Alisson. Subo na moto e quando Charles também acelero em direção ao meu apartamento. Sinto lágrimas caírem sem permissão e tento não surtar.
Estaciono na minha vaga e Charles me acompanha de cabeça baixa. Sei que para ele é um trauma pois ele era só um bebê quando tudo isso começou, ele era só uma criança e agora já é um rapaz de 17 anos.
_ Charles_ o seguro pelo braço e ele me olha_ Eu te amo muito sabe disso não é?
_ Eu te amo Kallyna, nas não entendo por que mamãe está agindo daquela forma, ela deveria ficar do seu lado mas ela está com raiva por que perdeu o marido idiota dela_ ele cerra os punhos e o puxo para um abraço.
_ Isso vai passar, sempre passa_ acaricio seus cabelos e ele me aperta em seus braços_ agora vamos entrar que vou preparar um quarto pra você e depois pedimos uma pizza.
Caminhamos lado a lado até o elevador e ele Observa o lugar detalhe por detalhe. Quando chegamos em frente a meu apartamento pego minha chave do bolso e entramos.
_ Fala sério, que apê maneiro!
_ É seu também, só não abusa viu muleque_ ele ri e assente.
Arrumo o quarto para ele e logo depois peço a pizza.
Olho para ele deitado no sofá e lembro da época em que ficou doente ainda bebê. Eu também não andava muito bem, andava sempre enjoada e com febre, mas Charles está pior, nossa mãe estava afundada e Sebastian não ligava para nada além dele mesmo. Quando o peguei e o levei no hospital da cidade soube que ele estava com catapora. Foi fácil cuidar dele mas o pior foi o que descobri sobre o que eu tinha e isso é algo que está marcado em mim queira eu ou não.
_ Kallyna_ olho para ele e ele aponta para a porta onde Oliver está parado com um sorriso de lado segurando a caixa de pizza.
_ Entra_ chamo e ele me entrega a pizza._ Como está se sentindo?
_ Bem melhor_ diz e pisca pra mim_ E você Charles, o que está achando da cidade?
_ Não tive muito tempo de conhecer.
_ Posso te levar pra dar uma volta, conheço uns lugares e mulheres.
Algo em mim se aquece e desvio o olhar. Seu telefone toca e ele atende.
_ O que é? O quê? Como vocês deixaram isso acontecer?_ grita furioso e sai batendo a porta do meu apartamento.
_ Eu heim ele é sempre nervosinho assim?
_ Charles eu já volto.
Saio e encontro ele no corredor com uma expressão furiosa. Coloco a mão em seu umbro mas ele desvia e me olha com frieza.
_ Me deixa em paz Kallyna!
Ele entra em seu apartamento e fico chocada. Cerro meu punhos e respiro fundo.
_ Foda-se!_ entro no meu apartamento.
Eu não vou ficar me humilhando assim, nunca fiz isso e não vou começar agora.
.....
Já se passou uma semana e eu e Oliver não nos falamos novamente. Toda vez que nos esbarramos no trabalho apenas o ignoro e sigo com minhas tarefas, ele anda irritado e mau humorado e isso não faz o estilo dele que está sempre sorridente e brincalhão.
Coloco minha máscara e as luvas me preparando para abrir o cadáver em minha sala. Pego o bisturi e posiciono no tórax. O nome da vítima é Amber Yang, 26 anos recém formada em medicina, vítima de um provável estupro e agressão. Mas não foi isso que a matou, eu encontrei em seus exames uma taxa alta de codeína em seu sangue e também cortes profundos em seus pulsos.
A pobre garota não aguentou a pressão.
_ Eu sei o que você passou garota_ sussurro e sinto a raiva tomar conta de mim_ É horrível, faz você se sentir impotente, você se sente humilhada e indigna de continuar vivendo, mas isso não deveria fazer você desistir tão fácil.
Qual o sentido de eu estar resistindo até hoje se outras garotas não conseguem nem ao menos viver em paz sabendo que a qualquer momento pode ser atacada e tirada de sua vida?
_ Como você consegue fazer isso com tanta frieza?_ Oliver aparece do nada e abro o estômago dela para retirar o material para análise.
O ignoro e apenas aponto para as máscaras e as luvas no canto a esquerda. Ele as coloca e se aproxima de mim.
_ Você não respondeu a minha pergunta.
_ Anos de prática_ respondo e começo a costurar ela novamente_ Quando você se acostuma fica fácil lidar com isso.
_ Você quer me matar não é?
_ Como você é perceptível_ resmungo e limpo ela_ Resolveu falar comigo hoje por quê?
Ele dá de ombro e me ajuda a cobrir a garota, ligo para o pessoal do IML e eles a buscam.
_ Mais tarde vou precisar do corpo novamente, ainda preciso confirmar se ouve estupro algumas horas antes.
Eles assentem e lavo minha mão para almoçar. Oliver ainda me olha e reviro os olhos me virando de costas.
_ Você não vai ao menos me ouvir?
_ Não!_ falo e como uma batata frita.
Charles preparou para mim e confesso que está uma delícia. O garoto sabe se virar bem sozinho, por isso não fico no pé dele, bom, não o tempo todo.
_ Kallyna, eu preciso de ajuda!_ ele me vira para ele e tento não me render a seus olhos azuis.
_ Problema é seu.
_ Kallyna, eu te ajudei quando você pediu, não pode fazer o mesmo por mim?_ seu olhar parece perdido.
_ Não_ ele me encara abismado_ A não ser que você me peça de joelhos.
_ O quê?_ bufa e sai de perto_ Nem fudendo.
_ Tá!
_ Tá!_ ele grita e caminha até a porta mas para e respira fundo.
Sei que ele vai fazer o que eu pedi. Da pra ver que ele está desesperado, não que eu vá deixar ele se ajoelhar, mas o prazer de deixá-lo irritado é impagável. Além do mais ele merece por ter agido como um idiota a semana inteira.
_ Kallyna por favor_ ele caminha para mim _ eu realmente não pediria se não fosse urgente!
_ Tá Oliver o que é?_ ele suspira aliviado.
_ Meus pais querem que eu cumpra um contrato que eles fizeram quando eu tinha dez anos, eu sou de uma família tradicional russa e eles fizeram um contrato que prometia uma mulher para mim quando eu fizesse 30 anos e agora que estou com essa idade querem que eu me case.
Olho para ele desconfiada e tento entender o que ele quer realmente de mim. Ele retira uma caixinha de dentro do bolso e arregalo meus olhos dando alguns passos para trás.
_ Kallyna você...
_ NÃO!
Ele ri e abre a caixinha, lá tem duas alianças douradas, uma com pequenas pedras brilhantes em volta e a outra com apenas uma pedrinha solitária.
_ Vai ser só durante essa viagem, se eu já estiver casado eles vão desistir de toda essa palhaçada.
_ Oliver eu não posso me casar com você!
_ Eu sou tão desprezível assim!?_ se aproxima passando os braço em minha cintura me puxando para ele_ Não da nem pra fingir gostar de mim?
_ O problema não é esse Jersey_ falo com o coração acelerado_ Eu não posso fazer isso.
Porra eu estou apaixonada por esse idiota e ele simplesmente me pede pra casar de mentirinha com ele?
Eu sempre acreditei que poderia me apaixonar, casar e construir uma família, só nunca imaginei que seria com ele que iria querer isso. Nunca fui do tipo que fico me martirizando pelo o que aconteceu no passado, dói muito sim o que aconteceu, mas sempre fui do tipo que acreditei que iria me apaixonar e poder viver novamente. Oliver entrou na minha vida de repente e destruiu algumas barreiras, com ele eu não tenho medo de viver.
Ele me mostrou um lado da vida que eu não queria ver.
_ Kally, eu faço qualquer coisa!
O olho interessada e tenho um plano imediatamente.
_ Qualquer coisa?
Eles assentem e sorrio maliciosamente. Vamos ver se é qualquer coisa mesmo. Pego o telefone e peço o corpo da garota novamente.
_ Ok Oliver, vamos ver se você está mesmo disposto a fazer qualquer coisa!
Ele engole em seco e não contenho a risada.
Se ferrou Jersey!
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