LONDRES

Drake sai das sombras puxando pela perna ferida pelo fogo. As suas presas estão à mostra. Ele pega mais um assassino que está ferido a bala, e o recolhe para as suas sombras.

O barulho da carne fresca sendo sugada e degustada, faz com o que o delegado tenha enjoos.

Doctor Jay, encostado na parede da viela sorri para o delegado.

— Essa é sua forma humana. — Charles procura falar com Jack, tentando não escutar o barulho funesto que um vampiro faz ao se alimentar sugando o sangue e mastigando a carne.

— E você está ligado mentalmente com o mestre. Sabe o que isso significa? — Há um sorriso cínico na face de Jack ao tecer o comentário.

Charles não responde. Apenas espera a resposta.

— Significa que essas suas dores de cabeça, avisam quando o mestre está em perigo.

— Por que você o chama de mestre?

— Por que esse é o desejo dele... Estou preso a ele. E você também – Jack gargalha novamente. — Porém, de outra forma, caro delegado.

— Todos vocês vão morrer! — Francis Fala suavemente, sem medo. — Nós somos uma irmandade de assassinos secular. Eu serei morto hoje, mas um outro, num outro dia me vingará.

— Lógico que um dia iremos morrer. — Começa Jack. — Mas não hoje, e não antes de você.

Drake sai das sombras. Suas roupas estão rasgadas. Ele caminha suavemente até o penúltimo homem vivo.

— Francis, seu patrão é um homem dos mais tolos ou dos mais sábio. — Drake já se encontra mais revigorado, pelo menos não está mancando mais.

Doctor Jay e o delegado olham para o maltrapilho humano.

— Charles, — Drake o segura pelos dois ombros. — Obrigado irmão.

— Eu também te salvei a vida Mestre. — Drake olha para Jack com desprezo, por tê-lo atrapalhado enquanto está falando.

— Muito obrigado Jack. Mas, as ordens eram para cuidar da vida do delegado.

— E cuidei meu senhor, o problema é que ele não parava de reclamar de uma dor de cabeça... A mesma dor que o trouxe até aqui, salvando-lhe a vida meu senhor.

Drake olha para o delegado.

— Embora não o suporte, ele está falando a verdade. — O delegado confirma a história de Jack.

— Eu te falei mestre. E de nada, a honra é toda minha em poder servi-lo. — Jack usa um tom sarcástico ao agradecer.

Drake, levanta o penúltimo homem baleado e respirando pelo pescoço.

— Francis, preciso de só mais um minuto.

O assassino da KFA, arregala os olhos ao presenciar a mandíbula de Drake aumentar assustadoramente e fincar as presas no ombro do outro assassino.

Francis, jura que pode ver os olhos vermelhos de Drake sorrindo para ele, e depois de alguns minutos, o corpo sem vida é arremessado longe como se fosse um nada.

— Francis, seu mestre, patrão ou seja lá que porra o chame, mandou vocês para me matarem.

Drake para na frente do homem.

— Admiro a lealdade de vocês, é sério... Admiro muito mesmo. O sangue vivo, me mostra tudo o que quero. E tanto Julius como você, são Kamikazes.

Drake limpa as mãos meladas de sangue na roupa de Francis.

— Eu, já tive vários homens fiéis à minha liderança, mas devo dizer que nunca vi nada igual a vocês.

— Por que tanta falação para depois me matar?

— Por que ainda não decidir seu destino. Eu vi o sacrifício que você fez, e tenho o poder de lhe ajudar.

— Você tem a cura da AIDS? — Francis pergunta gargalhando nervosamente.

— Eu sei que o homem que matei no restaurante Divina Comida não era seu irmão.

Francis arregala os olhos.

— Como disse Francis, o sangue me mostra coisas... Digamos assim, ele morreu pensando em você e sabendo que nunca te veria novamente.

Charles e Jack se ajeitam. Os dois se entreolham. A situação está tomando um rumo que os dois não imaginavam.

— Aquele homem ali, o que tostou minha perna, qual era o nome dele mesmo?

— Sigfrid.

— Ele, sabia da sua homosexualidade. Ele gostava de você... E pude ver que chegaram a conversar sobre luto, viuvez e quanto ele te admirava.

Francis tenta se mexer dentro das cordas.

— Você não precisa morrer Francis. Hoje não. Admiro sua coragem, que por amor tornou-se um Kamikaze, para vingar a morte do seu único e verdadeiro amor. Porém, eu não tenho culpa se matei o Jean. Ele estava no meu caminho.

Drake senta ao lado dele.

— Acredite, era um dos dois. Eu não tive escolhas... E deixo na sua mão sua sentença: A morte ou a sua cura.

— Você pode trazê-lo dos mortos.

— Infelizmente não posso. Não mais.

— Então eu desejo a morte. — Drake abaixa sua cabeça entristecido pela pronta resposta de Francis.

— Eu sei o que é isso... Quando minha rainha suicidou-se, eu só fiquei sabendo do acontecido quando cheguei no meu palácio.

Drake o olha com respeito.

— Os padres a enterraram como uma pagã. — Ele suspira. — Meu amor, havia tirado a própria vida por pensar que eu, Vlad Drácul havia sido morto na guerra.

Charles, quase não respira ouvindo a história de Drácula, contada por ele... E com uma profunda carga emocional e de tristeza avassaladora.

— Francis, a igreja me excomungou e declarou guerra contra meu Reino, porque eu matei todos os padres e os empalei vivos dentro da igreja deles. — Francis, se reconhece nos olhos mortalmente negros de Drake, aquela dor expressiva lhe é familiar.

Jack engole seco.

— A mulher mais devota do meu império, que construiu igrejas, foi enterrada como um pedaço de esterco, e acredite Francis, embora soubesse que ela estava nos braços do Altíssimo, eu não poderia tolerar tamanha desonra com o amor da minha vida.

— Mas, por que essa condescendência para comigo?

— Sinceridade? Não sei Francis. Você vai morrer por que assim o quer, haja vista esse é o seu desejo. Mas, a sua morte será com honra, rápida e sem dor. Eu, apenas tenho como curar sua doença, eu não posso beber seu sangue, mas, uma dose ínfima do meu pode cura-lo. Olhe para o Charles.

Francis olha para o delegado. Não parecia com o homem quase morto de cinco dias atrás. Drake continua:

— Eu entendo que sua decisão em matar-me foi por amor, e isso é muito honrado e escasso entre assassinos iguais a nós. Mas, eu respeito seu querer.

Drake olha para Jack e Charles e diz:

— Jack a faca.

— A sua neta está viva. — Drake recebe a faca em sua mão, e depois vira-se:

— Eu sei Francis e obrigado por se importar em me dizer. Por favor, fique de joelhos, prometo que você não sofrerá.

Charles vira as costas. Não quer presenciar mais uma morte.

— Delegado, por favor, não vire as costas, está desrespeitando a passagem dele.

Charles, vira o rosto na direção do homem ajoelhado, que tem Drake ao lado dele, com uma adaga postada sobre a nuca.

— Estou pronto. — Fala Francis, abaixando a cabeça e fechando seus olhos.

— Eu preciso voltar para o hospital. — Explica Charles, olhando para Doctor Jay e Drake.

— Charles, muito obrigado por ter salvo minha vida. — Drake novamente o agradece.

— Só espero que não se torne um hábito.

Os dois sorriem, e se abraçam.

— Desculpas por ter metido você nessa. E deve ter alguém dentro da sua unidade que lhe traiu.

— Sim, eu sei disso. Mas eu guardo o medalhão a sete chaves, como soube?

— O medalhão é para ser usado. O protege. Use-o.

— Eu não sou místico. Embora, em todos esses meses esteja me deparando com o sobrenatural.

— Acreditar no sobrenatural não é misticismo, mas poder ver a realidade por trás das cortinas da matéria.

Os dois amigo, vão para as considerações finais.

— Doctor Jay não vai mais precisar te acompanhar.

— Ótimo! Não gosto dele.

— Ingrato, muito ingrato da sua parte, além da total falta de educação falar isso na minha frente delegado.

— Eu, estou seguindo para Londres, voltando ao velho continente.

Doctor Jay brilha seus olhos.

— Partimos quando?

— Tenho novos planos para você.

— Puta Merda, vou ser babá de quem? Sim, não adianta acender os olhos vermelhos, amarelos ou verdes, iguais um semáforo... Estou realmente puto em trabalhar como cuidador de pessoas.

— Você vai proteger minha esposa.

— Eis que fodido estou!

— Desculpas, mas você tem certeza em confiar sua esposa a Jack? O estripador? Eu posso ajudá-lo!

— Delegado, primeiro o senhor precisa voltar para o Hospital da Cidade e ter alta, para só então discutirmos alguma coisa... E não esqueça que há um traidor na sua equipe. E minha neta, Pandora não tem muito tempo.

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